Traficante de droga detido por agentes da PSP de Lagos após desacatos junto a discotecas e bares, com tiros, facas e pânico entre populares

Foram apreendidas duas armas de fogo, munições, produto estupefaciente e dinheiro, que se presume ser resultante de tráfico, além de telemóveis e outros objetos.

José Manuel Oliveira

Um homem foi detido, no passado fim-de-semana, por agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP) de Lagos, após os desacatos ocorridos, com tiros e facadas, durante a madrugada de sábado, dia 27 de Abril, numa situação que

envolveu  cerca de duas dezenas de jovens junto a discotecas e bares, na Rua da Senhora da Graça, situada entre o Mercado de Escravos e a Messe Militar, como o ‘Litoralgarve’ noticiou na altura.

“Apesar de tais factos não terem sido comunicados à Polícia, no momento da sua ocorrência, tendo chegado posteriormente ao conhecimento da Esquadra de Lagos, foram imediatamente desenvolvidas diligências no sentido de identificar eventuais suspeitos. Em resultado do esforço desenvolvido pelos polícias dessa Esquadra, foi possível identificar, localizar e deter um suspeito que tinha na sua posse uma arma de fogo”

Num comunicado, divulgado na tarde desta segunda-feira, 29 de Abril, o Comando Distrital de Faro da PSP, ao anunciar oito detenções em várias cidades do Algarve, por diversos crimes cometidos, refere que uma delas foi registada em Lagos, “na sequência de notícias que davam conta do uso de uma arma de fogo em desacatos ocorridos na madrugada de dia 27 de abril.” “Apesar de tais factos não terem sido comunicados à Polícia, no momento da sua ocorrência, tendo chegado posteriormente ao conhecimento da Esquadra de Lagos, foram imediatamente desenvolvidas diligências no sentido de identificar eventuais suspeitos. Em resultado do esforço desenvolvido pelos polícias dessa Esquadra, foi possível identificar, localizar e deter um suspeito que tinha na sua posse uma arma de fogo”, revela o comunicado.

E acrescenta: “Na sequência de diligências subsequentes foi possível, ainda, apreender outra arma de fogo, munições, produto estupefaciente e dinheiro que se presume resultante da atividade ilícita de tráfico de estupefacientes.”

“Na sequência da situação descrita na cidade de Lagos, o Comando da PSP de Faro reitera a necessidade e importância da comunicação das ocorrências criminais em tempo útil às Unidades Policiais mais próximas”

A concluir, aquela força de segurança deixa um apelo: “Na sequência da situação descrita na cidade de Lagos, o Comando da PSP de Faro reitera a necessidade e importância da comunicação das ocorrências criminais em tempo útil às Unidades Policiais mais próximas.”

O comunicado não indica se o detido foi presente às autoridades judiciárias. Para já, não nos foi possível apurar onde se encontra, nem quais as medidas de coacção a que está sujeito.

Jovens portugueses residentes em Lagos e outros oriundos de vários países, nomeadamente africanos

Recorde-se que, como o ‘Litoralgarve’ descreveu, com base em vários testemunhos, nessa noite de violência em Lagos, um grupo de cerca de duas dezenas de jovens, entre portugueses residentes nesta cidade e outros oriundos de vários países, nomeadamente africanos, envolveu-se em desacatos por volta das 05.30 horas da madrugada de sábado, 27 de Abril, na via pública, junto a bares e discotecas, na Rua da Senhora da Graça, situada entre o Mercado de Escravos e a Messe Militar. O problema provocou um ambiente de pânico em muitos populares que passavam no local e tentaram refugiar-se em bares, enquanto elementos responsáveis pela segurança desses estabelecimentos tiveram de fechar as portas por medida de precaução.

No meio da confusão, um dos jovens de Lagos, envolvidos nos desacatos, “usou uma arma de fogo que tinha em seu poder e disparou dois tiros para o ar”, ao mesmo tempo que outros utilizavam facas em plena rua, o que aumentou, ainda mais, a insegurança de pessoas

Como contaram ao nosso Jornal, no meio da confusão um dos jovens de Lagos, envolvidos nos desacatos, “usou uma arma de fogo que tinha em seu poder e disparou dois tiros para o ar”, ao mesmo tempo que outros utilizavam facas em plena rua, o que aumentou, ainda mais, a insegurança de pessoas que circulavam naquela zona, além de frequentadores de bares e discotecas.

“Eu e outras pessoas já não saímos do bar/discoteca onde estávamos e até pensámos em refugiar-nos na casa de banho, com receio de que os jovens, em desacatos na rua, aos tiros, pudessem entrar onde nos encontrávamos e houvesse mais problemas. Curiosamente, estava um senhor da GNR, não fardado, no bar, mas nem sequer chamou a polícia”, descreveu uma cliente

Uma senhora, que estava num desses estabelecimentos de diversão noturna e já na rua quando se preparava para regressar a casa, disse-nos: “eu e outras pessoas já não saímos do bar/discoteca, onde estávamos, e até pensámos em refugiar-nos na casa de banho, com receio de que os jovens, em desacatos na rua, aos tiros, pudessem entrar onde nos encontrávamos e houvesse mais problemas. Alguns deles falavam crioulo. Curiosamente, estava um senhor da GNR, não fardado no bar, mas nem sequer chamou a polícia, como penso que lhe competia, para garantir a segurança. O certo é que não havia polícia na rua àquela hora da madrugada. Quando, finalmente, saímos do bar/discoteca, eu e outras pessoas tivemos de seguir para outras ruas por precaução. Por isso, só cheguei a casa às 06.00 horas.”

“Há, pelo menos, três gangues em Lagos, que disputam o tráfico de droga, nomeadamente cocaína e haxixe”, queixa-se um comerciante

Por outro lado, um comerciante de Lagos, que, na altura, também preferiu o anonimato, não se mostrou surpreendido perante mais um caso de violência noturna nesta cidade. “Há, pelo menos, três gangues em Lagos, que disputam o tráfico de droga, nomeadamente cocaína e haxixe. As polícias nada fazem e um sentimento de insegurança e revolta apodera-se cada vez mais das pessoas numa cidade que vive do turismo”, alertou o empresário.

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