Secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, avisa PS, num comício em Faro: “Não somos, nem seremos acessórios de ninguém. Não contem com o PCP para alimentar ilusões. “

Na sua recente deslocação ao Algarve, onde visitou o Mercado mensal em Moncarapacho, no concelho de Olhão, e esteve num almoço-convívio, seguido de comício, em Faro, no domingo, dia 03 de Dezembro de 2023, Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP centrou parte da sua intervenção a entrar no terreno habitualmente utilizado pelo Chega, no que diz respeito à “luta contra a corrupção” em Portugal, e que tem vindo a captar as atenções do eleitorado, ao ponto de o partido presidido por André Ventura ser o terceiro no nosso país e com perspectivas de aumentar a votação em todas as sondagens. “A grande arma do Chega é, também, a do PCP: o combate à corrupção!”, garantiu Paulo Raimundo, nesta fase da pré-campanha para as eleições legislativas antecipadas, que terão lugar a 10 de Março de 2024.

“A instabilidade vem de cima e é um verdadeiro euromilhões para grupos económicos”, lamentou o líder dos comunistas, acusando de “cumplicidade PS, PSD,CDS, Iniciativa Liberal e Chega nesta situação escandalosa, difícil para a maioria das pessoas.” Mas também aproveitou o encontro, em Faro, para deixar recados para o interior do seu próprio partido, com vista à “eleição de um deputado”, após o ter perdido em Outubro de 2019.

José Manuel Oliveira

Fotos de Luís Silva, da SIC

No Mercado mensal de Moncarapacho, concelho de Olhão, onde o PS detém, há anos, a maioria absoluta na câmara municipal, o secretário-geral do PCP ouviu, durante a manhã do passado domingo, dia 03 de Dezembro de 2023, críticas de populares e feirantes aos políticos, à situação do país, com especial destaque para a corrupção, e até palavras de reconhecimento ao presidente do partido Chega, André Ventura, porque “é o único que diz as verdades”, como afirmou um homem.

“A gente já tem medo de confiar”, queixou-se uma senhora. Paulo Raimundo não perdeu tempo a responder: “dêem-nos uma oportunidade. A gente, depois, cá está para ver. Tenha confiança, tenha confiança.”

Com um casaco de cabedal castanho, sempre acompanhado de perto por João de Oliveira (ex-deputado da CDU pelo Círculo Eleitoral de Évora e actual membro da Comissão Política do Comité Central do PCP), além de outros militantes, que empunhavam bandeiras do partido, e a ir ao encontro das pessoas para distribuir folhetos, Paulo Raimundo ouviu, calmamente, protestos, mas não deixou sem resposta quem quer que fosse.

“A maioria é corrupção”, disse, sem problemas, uma senhora ao líder dos comunistas. Este interrompeu, ripostando : “mas há gente séria, gente honesta.” A mulher insistiu, dizendo: “séria? A gente já tem medo de confiar.” Paulo Raimundo não perdeu tempo e pediu: “dêem-nos uma oportunidade. A gente, depois, cá está para ver. Tenha confiança, tenha confiança.” Escutaram-se gritos de apoiantes do partido: “PCP! PCP! PCP!” E a senhora riu-se.

“Eles só vão para lá para roubar. O nosso país está no último degrau. A classe média acabou. Ou somos ricos, ou somos pobres.”

“Dão-nos com uma mão e tiram-nos com a outra”

Já um outro popular não teve pejo em dizer, olhos nos olhos, a Paulo Raimundo: “eles só vão para lá para roubar. O nosso país está no último degrau. A classe média acabou. Ou somos ricos, ou somos pobres.” O secretário-geral do PCP juntou-se a esse ponto de vista, reconhecendo: “e cada vez mais…”

Por sua vez, uma mulher, mostrando-se também indignada com a classe política, reagiu: “dão-nos com uma mão e tiram-nos com a outra.” Um jornalista questionou se, com o PCP, é diferente. “Não sei. Vamos é a ver…. A gente verá!” – observou, hesitante, aquela popular.

“Há pessoas com problemas, a contar os tostões para chegar ao final do mês cada vez mais comprido. Depois, confrontam-se com esta realidade que é a corrupção.”

Nesta sua caminhada pelo Mercado mensal de Moncarapacho, Paulo Raimundo, em declarações aos jornalistas, afirmou a determinada altura: “ há pessoas com problemas, a contar os tostões para chegar ao final do mês cada vez mais comprido. Depois, confrontam-se com esta realidade que é a corrupção. Mas não é só isso. É o fenómeno de injustiça e desigualdades.”

Em palavras dirigidas ao secretário-geral dos comunistas, um homem elogiou “André Ventura”, presidente do partido Chega, porque “é o único que diz as verdades.” De pronto, Paulo Raimundo reagiu, com ironia: “verdades…” “Sabe o que eles querem? Querem que a gente passe a vida a falar deles. Olhe, mas dessa parte não se safa ele.”

O secretário-geral do PCP lamentou o facto de “andarmos aqui apertadinhos.” “E depois há grupos económicos com lucros de 25 milhões de euros por dia.”

Uma senhora, junto a Paulo Raimundo, manifestou a sua concordância com o discurso deste dirigente partidário: “é verdade, o senhor tem razão, sim senhor.” Já um homem preferiu destacar “André Ventura”, presidente do partido Chega, pois “é o único que diz as verdades.” De pronto, o líder dos comunistas reagiu, com ironia: “verdades…” E o mesmo popular reforçou, ao dizer: “vamos mandá-los para o outro lado…”

Paulo Raimundo não tardou em reagir: “sabe o que eles querem? Querem que a gente passe a vida a falar deles.” Um popular acabou por reconhecer: “é verdade.”

“Olhe, mas dessa parte não se safa ele”, atirou, numa alusão ao líder do Chega, o secretário-geral do PCP, apelando ao voto no seu partido nas eleições legislativas antecipadas, marcadas para 10 de Março de 2024, de forma a Portugal poder “andar para a frente.”

Militante do PCP manifestou, ao ‘Litoralgarve, “surpresa” pelo apoio expresso ao Chega, por um popular no Mercado mensal de Moncarapacho. “É o discurso de André Ventura que provoca este tipo de reações, com o país a correr o risco de extremismos. O povo é assim e depois arrepende-se”

Depois de ter acompanhado a visita de Paulo Raimundo ao Mercado mensal de Moncarapacho, um militante do PCP não escondeu, ao ‘Litoralgarve’, a sua “surpresa” pelo apoio manifestado por um popular ao partido Chega. “É o discurso de André Ventura que provoca este tipo de reações, com o país a correr o risco de extremismos. O povo é assim e depois arrepende-se”, notou.

Por outro lado, admitiu, ao nosso Jornal, que a vitória de Pedro Nuno Santos na corrida às eleições no PS, marcadas para 16 e 17 de Dezembro de 2023, e o seu possível “triunfo, mas sem maioria absoluta” nas legislativas antecipadas, até poderiam contribuir para uma eventual nova ‘geringonça’ de esquerda em Portugal, como sucedeu, em 2015, quando António Costa chegou a primeiro-ministro, com o apoio do PCP e do Bloco de Esquerda, no parlamento, após PSD, com Pedro Passos Coelho, e o CDS, de Paulo Portas, terem perdido a maioria que detinham na Assembleia da República. Isto, “apesar de, agora, as pessoas serem outras”, observou aquele militante comunista. De qualquer modo, afastou, de imediato, o cenário de, nessas circunstâncias, o PCP poder vir a integrar um futuro governo, colocando, apenas, a hipótese de um eventual apoio parlamentar, de forma a “evitar a Direita chegar ao poder.”

Chegada discreta de Paulo Raimundo à Cooperativa de Consumo Popular de Faro – COOPPOFA. “Ele é um homem simples”

A chegada do secretário-geral do PCP ao edifício no qual está situada a Cooperativa de Consumo Popular de Faro – COOPPOFA, onde decorreu o almoço-convívio, seguido de comício, que encerrou esta deslocação de Paulo Raimundo ao Algarve, no passado domingo, foi discreta, sem ter sido recebido por militantes e simpatizantes, com bandeiras, como pensavam alguns participantes no encontro, na preparação para as eleições legislativas antecipadas. “Ele é um homem simples”, reconheceram, ao ‘Litoralgarve’, elementos do PCP.

Mais de trezentas pessoas estiveram no almoço-convívio, com comício, o que “ultrapassou as expectativas”, obrigando a recorrer a duas salas

No primeiro andar do edifício, mais de trezentas pessoas, como pudemos constatar, estiveram presentes no almoço, a que se seguiu o comício. Entre os participantes, encontrava-se António Goulart, conhecido antigo dirigente da União dos Sindicatos do Algarve – CGPP-IN, para quem o número de participantes nesta sessão do PCP “ultrapassou as expectativas”, obrigando a organização a recorrer a duas salas (uma maior do que a outra) para receber os inscritos no repasto.

“O senhor é jornalista? Escreva aí que o mundo está podre!”

No espaço principal estavam afixados vários cartazes da campanha, tais como junto ao palco, com um fundo vermelho e letras brancas:

 «Mudar de política SOLUÇÕES PARA AS NOSSAS VIDAS PCP PCP PCP»

e noutras paredes:

«Prestação da casa Insuportável Lucros da Banca que paguem o aumento dos juros»

«Basta de conversa! Aumentar salários pensões Mudar de política»

Uma senhora viu-nos a escrever e disse: “o senhor é jornalista? Escreva aí que o mundo está podre!”

Enquanto isso, algumas pessoas, em espaços apertados, sentiam dificuldade em aceder às mesas, levando os pratos de comida, em que se via, nomeadamente, conserva de atum e arroz, devido à imensa movimentação no local.

Celso Costa, dirigente do PCP no Algarve: “Até o secretário de Estado do Turismo, Nuno Fazenda, num recente encontro sobre o sector, reconheceu que, nesta actividade, os salários estão trinta por cento abaixo da média do resto da economia” do país. “Não admira que o Algarve seja uma região tão vulnerável a crises económicas”, com “grupos económicos a ficarem cada vez mais com a riqueza criada”

Na hora dos discursos, o responsável pela Direcção da Organização Regional do Algarve (DORAL) do PCP, Celso Costa, não poupou críticas ao governo e a grupos económicos. Lembrou que “até o secretário de Estado do Turismo, Nuno Fazenda, num recente encontro sobre o sector, reconheceu que, nesta actividade, os salários estão trinta por cento abaixo da média do resto da economia” do país. Por isso, considerou, “não admira que o Algarve seja uma região tão vulnerável a crises económicas”, com “grupos económicos a ficarem cada vez mais com a riqueza criada (…), através da exploração dos trabalhadores e salários de miséria.”

A luta para “eleger um deputado no Algarve”, que a CDU perdeu em 2019

“Nestas eleições legislativas antecipadas, vamos contrariar a política de Direita. Esta oportunidade deve agarrada também aqui na região”, apelou Celso Costa, que quer ver a CDU (Coligação Democrática Unitária formada pelo Partido Comunista Português e pelo Partido Ecologista ‘Os Verdes’) a “eleger um deputado no Algarve” para a Assembleia da República, onde o perdeu, em 2019, depois de Paulo Sá não se ter recandidatado ao cargo, preferindo o regresso à sua profissão de docente na Universidade, em Faro.

Há “no Centro de Saúde de Albufeira 17.000 pessoas sem médico de família”

Celso Costa insistiu que, “no Algarve, existem empresas ligadas ao turismo a pagar salários baixos e não há acesso a casas para viver, devido a uma política de Direita nos últimos anos, com as pessoas a serem despejadas, ou a serem ameaçadas” nesse sentido, para as habitações poderem ser “arrendadas como fonte de rendimento turístico”, como existe em muitas cidades, através de unidades de Alojamento Local.

Por outro lado, aquele dirigente da DORAL do PCP apontou para problemas no Serviço Nacional de Saúde nesta região do sul do país, referindo, a propósito, que devido a encerramento de serviços no Hospital do Barlavento, em Portimão, na especialidade de pediatria “os doentes têm de ir para Faro”, bem como “de Faro, do sector da ortopedia, para irem para Portimão.” Ao mesmo tempo, lamentou haver, “no Centro de Saúde de Albufeira 17.000 pessoas sem médico de família.” “Os responsáveis, nos últimos anos, são o PS, PSD, CDS, a Iniciativa Liberal e o Chega”, acusou Celso Costa, atribuindo também culpas aos governos socialistas por “não terem avançado com a construção do Hospital Central do Algarve.”

Aquele dirigente comunista criticou, igualmente, “a falta de um porto em Tavira”, a ausência da “requalificação dos portos de pesca algarvios”, a inexistência das obras necessárias “nas estradas nacionais 125 e 124”, da melhoria da “ferrovia” na região e a adiada abolição, há anos pretendida, das portagens na A22, conhecida por Via do Infante de Sagres, além da necessidade da construção da barragem da Foupana, prevista no concelho de Castro Marim, para suprir “a falta de água” nesta zona do sotavento.

“Nas eleições legislativas reforçar o PCP e a CDU é uma exigente batalha”, defendeu Celso Costa, voltando a insistir no esforço para “eleger um deputado” pelo Círculo Eleitoral de Faro, na Assembleia da República, no dia 10 de Março de 2024. “E que falta faz ao Algarve!”, notou o responsável pela DORAL do Partido Comunista Português. Ao mesmo tempo, apelou à angariação de receitas, nomeadamente através da venda do jornal ‘Avante!’, no ano em que se vão comemorar “50 anos do 25 de Abril” de 1974.

Greve na hotelaria no último dia do mês de Dezembro, a coincidir com ‘reveillons”, em Albufeira e Monte Gordo, numa “luta dos trabalhadores, devido a baixos salários”

Antes de concluir a sua intervenção, destacou, ainda, a “grande adesão” à greve por parte dos funcionários da Administração Pública, no dia 27 de Outubro, e a prevista paralisação marcada para “o último dia do mês de Dezembro”, a coincidir com os ‘revéillons’ de fim-de-ano, nos hotéis de Albufeira e de Monte Gordo (concelho de Vila Real de Santo António), numa “luta dos trabalhadores, devido a baixos salários”, os quais, repetiu, ao citar o secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Nuno Fazenda, estão “abaixo dos trinta por cento” da média de vencimentos de outros sectores da economia do país.

“A grande arma do Chega é, também, a do PCP: o combate à corrupção!”

Já o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, durante o seu discurso, que se prolongou por quase quarenta minutos, sendo interrompido várias vezes por participantes no almoço, com aplausos, gritos «PCP! PCP! PCP» e bandeiras apenas do partido (e não da CDU) desfraldadas, concentrou parte da sua intervenção a entrar no terreno utilizado habitualmente pelo Chega no que diz respeito à “luta contra a corrupção” em Portugal” e que tem vindo a captar as atenções da população, ao ponto de o partido presidido por André ser o terceiro no nosso país, com perspetiva do aumento da votação em todas as sondagens efetuadas. “A grande arma do Chega é, também, a do PCP: o combate à corrupção!”, garantiu o principal responsável dos comunistas.

Por outro lado, e numa alusão ao PS, deu a entender que afasta o cenário de uma nova ‘geringonça’, ou seja, acordos com outras forças de esquerda. E num recado para o interior do seu próprio partido e da CDU, apelou aos militantes e simpatizantes no Algarve para a “mobilização” na campanha com vista às eleições legislativas antecipadas para o dia 10 de Março de 2024, tendo por objetivo a eleição de um deputado nesta região.

“Muito se vai gritar, muito se vai esbracejar” durante a campanha eleitoral, na defesa de quem trabalha, por parte de outros partidos. É preciso os portugueses “não caírem no canto da sereia”

Na sua intervenção, Paulo Raimundo começou por acusar o governo socialista de António Costa pela “falta de resposta aos problemas que o país enfrenta”, com a defesa de “grupos económicos”, provocando “injustiças e desigualdades”. “Muito se vai gritar, muito se vai esbracejar” durante a campanha eleitoral, na defesa de quem trabalha, por parte de outros partidos, perspectivou, avisando, que é preciso os portugueses “não caírem no canto da sereia.”

“PS, PSD, CDS, Iniciativa Liberal e Chega estão todos comprometidos”, acusou o secretário-geral do PCP, notando que “não há uma única palavra” contra “privatizações, negociatas, promiscuidade, tráfico de influências, com o apoio” desses partidos, em Portugal. ”Nem uma palavra. É um silêncio absoluto! Estão todos complacentes em crimes económicos”, reforçou, referindo-se às propostas de “legalização, regulamentação do ‘lobbying’”, contra as quais prometeu lutar

Ao apontar para problemas que afectam a maioria da população, destacou a existência de “crimes económicos” a contribuir para “mais injustiça social”, nomeadamente “25 milhões de euros de lucros por dia por parte dos bancos” e “12 mil milhões de euros” de impostos arrecadados pelo Estado aos contribuintes.

“PS, PSD, CDS, Iniciativa Liberal e Chega estão todos comprometidos” nesta situação, acusou o secretário-geral do PCP, notando que, por parte dos seus dirigentes, “não há uma única palavra” contra “privatizações, negociatas, promiscuidade, tráfico de influências, com o apoio” desses partidos, em Portugal. ”Nem uma palavra. É um silêncio absoluto! Estão todos complacentes em crimes económicos”, reforçou Paulo Raimundo, ao se referir às propostas de “legalização, regulamentação do ‘lobbying’”, contra as quais prometeu lutar, garantindo “não permitir” que tal aconteça. Ouviram-se aplausos e gritos «PCP! PCP! PCP!”.

“É notável que, perante estas negociatas que estão agora a vir ao de cima, perante a promiscuidade, perante o tráfico de influências, perante isto tudo, aquilo que se quer fazer hoje é simplesmente legalizar todos e cada um destes crimes que estão em cima da mesa”, reforçou o líder comunista.

O ‘lobbying’, que consiste em acionar mecanismos de representação de interesses com o objetivo de influenciar decisões públicas e políticas, é uma atividade que vários partidos, à exceção do PCP e do Bloco de Esquerda, já anunciaram que vão tentar regulamentar na próxima legislatura.

Em Portugal, recorde-se, o ‘lobbying’ já esteve próximo de ser regulamentado, mas o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, vetou esse diploma em 2019. Em 2021, a tentativa de regulamentação da atividade voltou a ser interrompida pela dissolução do parlamento.

“O PCP sempre alertou que maiorias absolutas não permitem estabilidade governamental”, contribuindo para uma “política de direita”. E num recado ao PS, Paulo Raimundo considerou haver “vitimização há dois anos”, o que “já não cola.” “Há dois anos, com um Orçamento do Estado mais à esquerda, o PS fez chantagem”, lamentou, numa alusão à queda do governo, no tempo de ‘geringonça’

Ao insistir sobre a “crise política e as dificuldades das pessoas” no dia-a-dia, Paulo Raimundo lembrou que “o PCP sempre alertou que maiorias absolutas” não permitem estabilidade governamental, “nem social”, contribuindo para uma “política de direita”. E num recado ao PS, considerou haver “vitimização há dois anos”, o que “já não cola.” “Há dois anos, com um Orçamento do Estado mais à esquerda, o PS fez chantagem”, lamentou o líder dos comunistas, numa alusão à queda do governo, no tempo de ‘geringonça’, que acabaria por conduzir o país a uma maioria absoluta no parlamento por parte dos socialistas. “É preciso melhorar as condições de vida das pessoas”, apelou Paulo Raimundo, entre aplausos e mais gritos de apoio ao PCP.

“Há emissários deste governo ao serviço dos interesses da banca. Mas isto vai mudar com o PCP a partir de 10 de Março” de 2024. Os portugueses foram “levados pelo canto da sereia do PS” nas últimas eleições legislativas, em 2022.

Considerou que “a instabilidade vem de cima e é um verdadeiro euromilhões para grupos económicos”, acusando, uma vez mais, de “cumplicidade” partidos como “o PS, PSD, CDS, Iniciativa Liberal e Chega nesta situação escandalosa, difícil para a maioria das pessoas.”

A propósito, lembrou que, no Orçamento do Estado para 2024, recentemente aprovado, estão “dois mil milhões de euros para privatizações” e “mais de duzentos milhões de euros para Parcerias Público Privadas”, a que se juntam “1.600 milhões de euros para benefícios fiscais”, além de “mais milhões para grupos económicos e mais desmantelação para o Serviço Nacional de Saúde.”

“Há emissários deste governo ao serviço dos interesses da banca. Mas isto vai mudar com o PCP a partir de 10 de Março” de 2024, frisou Paulo Raimundo, alertando, de novo, para o facto de os portugueses terem sido “levados pelo canto da sereia do PS”, nas últimas eleições legislativas, em 2022.

Voltando a apelar ao “reforço do PCP”, aquele dirigente lembrou que, em Portugal, o que “está em jogo é a eleição de 230 deputados na Assembleia da República” e não quem será o próximo primeiro-ministro.

“A corrupção não resulta desta ou daquela pessoa. A corrupção não cai do céu. A corrupção é uma palavra oca? Não! A corrupção é uma consequência do sistema capitalista, da promiscuidade em si. Como é possível, ao contrário do que alguns dizem, isolar a corrupção do confronto de outras realidades?”

Na ressaca da recente demissão do primeiro-ministro, na sequência da Operação ‘Influencier’, levada a efeito pela Polícia de Segurança Pública, sob a tutela do Ministério Público, e que acabou por provocar a queda do governo, com suspeitas de crimes de corrupção e tráfico de influência no caso da exploração do lítio em Romano (Montalegre) e Barroso (Boticas), além de uma central de produção de hidrogénio e armazenamento de dados digitais, em Sines, envolvendo, entre outras figuras, o então ministro das Infraestruturas, João Galambra, e o chefe de gabinete de António Costa (entretanto demitido), num total de novo arguidos (estão todos em liberdade), Paulo Raimundo sublinhou: “A corrupção não resulta desta ou daquela pessoa. A corrupção não cai do céu (…). A corrupção é uma palavra oca? Não! A corrupção é uma consequência do sistema capitalista (ouviram-se palmas na sala), da promiscuidade em si. Como é possível, ao contrário do que alguns dizem, isolar a corrupção (…) do confronto de outras realidades? É que só é possível combater a corrupção se combatermos as desigualdades.”

“Diziam que, na Madeira, a CDU ia descambar. O povo da Madeira não foi em sondagens e deu mais votos à CDU. Quem manda é o povo e não as sondagens”

“A confiança é a base da tarefa que temos em mãos”, disse Paulo Raimundo, enquanto muitos participantes no almoço voltaram a gritar «PCP! PCP! PCP». E aproveitou o resultado das eleições, no dia 24 de Setembro de 2023, para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira, onde o PSD perdeu a maioria absoluta, para desvalorizar as sondagens. “Por exemplo, diziam que, na Madeira, a CDU ia descambar. O povo da Madeira não foi em sondagens e deu mais votos à CDU. Quem manda é o povo e não as sondagens”, insistiu, apelando para “reforçar o PCP e a CDU, com confiança nas eleições a 10 de Março” de 2024 para a Assembleia da República.

Depois, numa alusão ao PS e a eventuais acordos pós-eleitorais, Paulo Raimundo deixou um aviso: “não somos, nem seremos acessórios de ninguém.” Lamentou que, em Portugal, haja “três milhões de pessoas que não ganham mil euros por mês” de salário, e “800.000 que recebem 500 euros mensais de reforma”. “É altura de alterar para uma política de esquerda”, apelou. “Não contem como PCP para alimentar ilusões. O país não precisa de gritarias hipócritas, precisa é de soluções e respostas aos problemas das pessoas. Esperamos uma política em defesa dos trabalhadores. É hora de mudar de política”, vincou Paulo Raimundo. “Não venham com [histórias] de que não há dinheiro. Há dinheiro, há riqueza. O que é preciso é distribuir melhor”, adiantou, enquanto militantes e simpatizantes do PCP aplaudiram.

“A inflação baixa e o custo dos alimentos continua a subir, como sucede no Continente e no Pingo Doce. Isto é especulação, especulação, roubo!”

Paulo Raimundo também não poupou críticas às grandes superfícies comerciais, devido ao aumento dos preços dos produtos alimentares. “A inflação baixa e o custo dos alimentos continua a subir, como sucede no Continente e no Pingo Doce. Isto é especulação, especulação, roubo!”, acusou o secretário-geral do PCP, apontando para “600 milhões de euros de lucros do grupo Jerónimo Martins”, detentor dos supermercados Pingo Doce. Ao mesmo tempo, lamentou a situação de “exploração” dos trabalhadores de cadeias de distribuição alimentar.

Do alerta para o “aumento da pobreza infantil” em Portugal, à exigência de mais, no “mínimo, 70 euros por cada pessoa” ao nível das reformas e pensões 

Exigiu, por outro lado, aumento de “7,5 por cento” do valor das reformas e pensões, de modo a que, “o mínimo seja 70 euros” para cada pessoa nessa situação. E voltou a criticar os “12 milhões de euros de lucros por dia dos bancos”, enquanto “muitas pessoas enfrentam problemas”, nomeadamente “crianças”, com o “aumento da pobreza infantil.”

Ao lembrar a exoneração do Governo de António Costa, no dia 07 de Dezembro de 2023, Paulo Raimundo referiu que o executivo “vai manter-se em funções” até às eleições legislativas antecipadas para 10 de Março de 2024. “Não vamos permitir que se diga que não existem condições para resolver os problemas do país. O Governo tem condições para responder aos problemas”, frisou, apontando, nomeadamente para o Serviço Nacional de Saúde e para o ensino público.

Solidariedade para com o povo da Palestina e “luta pela paz em Israel”

“Portugal tem futuro, confiem em nós para o nosso povo ter uma vida melhor”, reforçou o secretário-geral do PCP, que, já na parte final da sua alocução, neste almoço-convívio com militantes e simpatizantes do partido, deixou uma palavra de solidariedade ao povo da “Palestina”, na sequência da invasão das tropas de Israel na Faixa de Gaixa, em luta contra o Hamas e os reféns ainda em poder deste grupo islâmico. Houve aplausos na sala e bandeiras do PCP a desfraldar, enquanto Paulo Raimundo apelou à “luta pela paz em Israel.”

Contudo, como alguém nos fez notar, nem uma palavra se ouviu em relação à invasão da Ucrânia por parte das tropas da Rússia, que também já causou milhares de vítimas mortais e a destruição de parte do território.

“Vão para as ruas, vão para as feiras, vão para os mercados, para as empresas. E preciso dar esperança, confiança” ao eleitorado, mostrando que “somos alternativa”, “esclarecendo as pessoas” e “contrapondo” pontos de vista que se coloquem por parte do eleitorado

A concluir, e numa altura em que a CDU tenta recuperar o deputado perdido na Assembleia da República, pelo Círculo Eleitoral de Faro, o secretário-geral do PCP deixou um recado aos militantes e simpatizantes, exortando a “acções de esclarecimento e mobilização junto das pessoas, por parte de cada um de nós”, nesta campanha eleitoral. “Vão para as ruas, vão para as feiras, vão para os mercados, para as empresas. E preciso dar esperança, confiança” ao eleitorado, mostrando que “somos alternativa”, “esclarecendo as pessoas” e “contrapondo” pontos de vista que se coloquem por parte do eleitorado.

Na sala, ouviram-se, de novo, gritos «PCP! PCP! PCP!» e desfraldaram-se bandeiras. “Vamos para a frente, com enorme confiança e alegria”, pediu Paulo Raimundo, com palavras de “viva a CDU, viva o PCP». Eram 14h56. Em seguida, ao som das respectivas músicas, com as letras, o público cantou o ‘Avante Camarada’, o Hino da Internacional Socialista e o Hino de Portugal, tal como, no palco, aí abraçados, o secretário-geral comunista e mais sete elementos, entre os quais João de Oliveira, Celso Costa e três senhoras, nomeadamente da concelhia de Faro do partido.