Responsável do Comando Regional de Emergência e Proteção Civil do Algarve alerta para a necessidade de criar rede de alerta de sismos e tsunamis

“Um segundo pode fazer a diferença na defesa da vida de uma pessoa”, avisa o comandante Vítor Vaz Pinto. Em declarações aos jornalistas, em Faro, e perante uma questão colocada pelo ‘Litoralgarve’, acabou por reconhecer que “não é provável” a criação desse sistema já em 2024. Isto, numa altura em que na cidade de Portimão até já foi testado esse projeto-piloto ali instalado.

 

José Manuel Oliveira

 

O comandante Vítor Vaz Pinto, principal responsável pelo Comando Regional de Emergência e Proteção Civil do Algarve, diz que é necessário criar uma rede para alertas de sismos e tsunamis nas zonas do litoral desta região do sul do país, como já existe na cidade de Portimão, com sinalética e altifalantes em locais de risco, devidamente identificados, de forma a avisar as pessoas perante uma catástrofe e procedimento de evacuações.

“O objetivo é a cobertura da orla costeira. Um segundo pode fazer a diferença na defesa da vida de uma pessoa”, sublinha.

Num encontro com jornalistas, no auditório da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve (CCDRA), ao final da manhã de quarta-feira, dia 15 de Novembro, após terem ali sido apresentados os resultados referentes ao Dispositivo Especial de Combate aos Incêndios Rurais, em 2023, entre 01 de Janeiro e 31 de Outubro, Vítor Vaz Pinto, respondendo a uma questão colocada pelo ‘Litoralgarve’, reconheceu que “é difícil’ esse sistema de alerta de tsunamis vir a ser instalado já durante o ano de 2024, em toda a zona do litoral algarvio.

São necessários “dois anos, com o apoio de autarquias e outras entidades”, além de “um estudo laboratorial” para colocar em funcionamento o sistema de alerta de tsunamis em toda a zona do litoral algarvio

“Não é provável” que tal se verifique, admitiu, apontando para o facto de serem necessários “dois anos, com o apoio das autarquias e de outras entidades, e envolvendo um estudo laboratorial”, de forma a colocar em funcionamento o sistema de alerta de sismos e tsunamis, com a indicação de locais de risco, sinalética e sirenes, para conhecimento das pessoas, além de mensagens por telemóveis, em caso de surgir uma catástrofe.

“As pessoas sentiram o que aconteceu em Marrocos” e já estão mais sensibilizadas e atentas

Um dia depois de terem sido registados, pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), mais quatro sismos no Algarve, de fraca intensidade (Albufeira – 1.5, Monchique – 0.5, Lagos (1.1) e Cabo de São Vicente, em Sagres – 1.1), além de um outro de 2.6 na Escala de Ritcher, ao largo de Faro, precisamente na data em que decorreu um simulacro a nível nacional, a 14 de Novembro, a cargo da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, para testar a capacidade de resposta perante uma catástrofe e sensibilizar as populações para este problema, o comandante Vítor Vaz Pinto garantiu, ao ‘Litoralgarve’, que as pessoas estão mais atentas para estas situações. “As pessoas aqui sentiram o que aconteceu em Marrocos”, observou aquele responsável, referindo-se ao terramoto de 6.8 a 9 na escala de Ritcher, ocorrido no dia 08 de Setembro de 2023 e que provocou quase três mil vítimas mortais em mais de 56.000 casas em 3.000 localidades naquele país do norte de África.

O exemplo do projeto-piloto instalado em Portimão, para prevenir risco sísmico e e tsunamis

Recorde-se que o plano especial para o risco sísmico e de tsunamis do Algarve acabou por ser testado, a 06 de Novembro de 2023, na cidade de Portimão, onde, através de um projeto-piloto, foram instalados três de sete altifalantes que se prevê como necessários para cobrir as zonas consideradas de risco. Na altura, 90 alunos de três turmas dos Agrupamentos das Escolas Poeta António Aleixo e da Bemposta desempenharam o papel de figurantes na praia, com o objetivo de ajudar a testar os sistemas de evacuação perante a ocorrência de um tsunami. O Edifício da Capitania do Porto de Portimão, situado junto à zona ribeirinha, no centro da cidade, a Fortaleza de Santa Catarina, na Praia da Rocha, e o Miradouro da Praia dos Três Castelos serviram de pontos de encontro para aquele exercício.

“Temos de estar actualizados e bem preparados”, sendo necessária a revisão do “plano de emergência”, com “um novo simulador”

Por outro lado, neste encontro com jornalistas, em Faro, o responsável do Comando Regional de Emergência e Proteção Civil do Algarve, Vítor Vaz Pinto, vincou a necessidade de “o plano de emergência [para prevenir tsunamis] ser revisto”, com “um novo simulador”, tendo por base o terramoto de 1755 e o tsunami que se seguiu. Nesse sentido, apelou à vontade da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve e de outras entidades para levar a efeito esse trabalho. “Temos de estar atualizados e bem preparados”, insistiu Vítor Vaz Pinto, reforçando ser preciso um novo estudo para “atualizar o risco existente” na região algarvia, com o levantamento, nomeadamente, dos edifícios existentes.

Sabe-se que um estudo levado a efeito em 2009 possibilitou ao Algarve traçar um plano de risco sísmico e de tsunami. Contudo, os dados foram baseados nos censos de 2001. Daí a necessidade de ser atualizado o estudo, de modo a que o simulador possa permitir perceber, de imediato, as consequências perante uma situação real de catástrofe.

Terramoto como o de 1755 poderia provocar mais de 1.200 vítimas mortais e quase 12.000 desalojados no Algarve, com Lagos e Portimão a serem as cidades mais afetadas

Baseado nos dados do simulador atual, um sismo como aquele que se registou no dia 01 de Novembro de 1755, iria provocar um número superior a 1.200 mortos no Algarve, onde as cidades mais afetadas seriam Lagos e Portimão. Nesse cenário, quase 12.000 pessoas ficariam desalojadas e várias infraestruturas consideradas críticas, como os três hospitais públicos da região (de Faro, Portimão e Lagos), acabariam por ficar comprometidas. Na perspetiva dos cientistas, um novo grande abalo sísmico é só uma questão de tempo no Algarve, numa altura em que quase todos os dias são registados tremores de terra em diversos locais, uns com maior e outros de menor intensidade.

 

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