Rancho Folclórico e Etnográfico de Odiáxere comemora 40º. aniversário a agradecer aos mais velhos e a apelar à participação dos jovens nesta zona do concelho de Lagos

“Precisamos todos de vocês. Juntem-se a nós e seremos muitos. Quantos mais melhor” – pede Luís Morgado, presidente, há 25 anos, da Direção do Rancho Folclórico e Etnográfico de Odiáxere. E insiste: “temos de ir para o terreno. Não é estar à espera. Há muito trabalho para fazer.” Já Luís Bandarra, vereador da Câmara Municipal de Lagos, recorda como surgiu este grupo, o único do género ainda em actividade na zona da Costa Vicentina.

José Manuel Oliveira

Eram 16h.17m. de domingo, dia 17 de Março de 2024, quando, após o almoço, um momento de dança e já no palco do salão do Clube Desportivo de Odiáxere, entre dois altifalantes e sob mais de seis dezenas de balões brancos, amarelos e verdes, Luís Morgado, presidente há 25 anos da Direção do Rancho Folclórico e Etnográfico de Odiáxere, juntamente com mais sete dirigentes, iniciou os discursos a assinalar o 40º. aniversário deste grupo cultural do concelho de Lagos.

Presidente da Direção do Rancho Folclórico e Etnográfico de Odiáxere, Luís Morgado: ”Num dia não havia Direção e uma pessoa disse-me: «tu és a pessoa indicada». “Eu? Não tenho tempo para isso” – respondeu-lhe. «Tu és a pessoa indicada para pegar nisto, nisto!”, insistiu esse popular. E acertou

“Não é fácil, antes pelo contrário, é difícil, mas conseguimos. Não esqueço os outros dirigentes há 25 anos atrás”, começou por afirmar Luís Morgado, sem esquecer, também, “os falecidos” neste trajecto do Rancho Folclórico e Etnográfico de Odiáxere e em homenagem aos quais foi celebrada, durante a manhã de domingo, uma missa na Igreja Paroquial desta localidade.

Em tempo de festa, Luís Morgado aproveitou para deixar recados, tanto aos presentes no salão do Clube Desportivo de Odiáxere (que comemorou, na mesma data, 43 anos de existência), como às próximas gerações, dizendo: “Precisamos todos de vocês. Juntem-se a nós e seremos muitos. Quantos mais melhor.”

A comemoração do 40º. aniversário do Rancho Folclórico e Etnográfico de Odiáxere foi, também, aproveitada para agradecer apoios recebidos: “à Câmara Municipal de Lagos – cinco estrelas, à Junta de Freguesia [de Odiáxere], igualmente”. Luís Morgado destacou, ainda, uma “mensagem” de apoio do presidente da “Junta de Freguesia de São Gonçalo de Lagos”, Carlos Saúde, que “não conseguiu estar presente neste almoço, por se encontrar em Loulé”; bem como ao presidente “João” [Reis], da [Junta de Freguesia] da “Luz”, que “não pode estar presente”; e ao “Duarte” [Rio], presidente da União de Freguesias de Bensafrim e Barão de São João, que “não pode estar presente.” “Todos os anos nos ajudam”, lembrou. “Para a nossa população, para o comércio local não há palavras. Muito obrigado a todos”, destacou, em sinal de reconhecimento, o presidente da Direção do Rancho Folclórico e Etnográfico de Odiáxere.

Em seguida, Luís Morgado recordou “dois pequenos episódios” naquele grupo. “Num dia não havia Direção e uma pessoa disse-me: «tu és a pessoa indicada». “Eu? Não tenho tempo para isso” – respondeu-lhe. «Tu és a pessoa indicada para pegar nisto, nisto!”, insistiu essa pessoa. E o certo é que Luís Morgado acabou por aceitar o desafio de assumir os destinos do Rancho Folclórico e Etnográfico de Odiáxere.

Depois de pedir “palmas para a nossa Sofia” [Santos], presidente da Direção do Clube Desportivo de Odiáxere, instituição que, como já referimos celebrou, também no domingo, dia 17 de Março de 2024, o seu 43º. aniversário, Luís Morgado deu, pelas 16h.25m., a palavra a uma senhora, que agradeceu “a todos os que nos ajudaram nesta caminhada, que não é fácil.” Seguiu-se a oferta de uma blusa a Luís Morgado, com as palavras «o que significa resistência», em homenagem aos seus 25 anos como presidente da Direção do Rancho Folclórico e Etnográfico de Odiáxere, o único em actividade na zona da Costa Vicentina. De resto, aquele dirigente recebeu várias placas alusivas ao aniversário do grupo, entregues por autarcas presentes no almoço-convívio.

Carlos Fonseca, presidente da Junta de Freguesia de Odiáxere: “Ver familiares reunidos e três gerações [deste rancho folclórico] é muito bom, um motivo de grande orgulho para todos nós”

Na altura, estavam presentes no evento Carlos Fonseca, presidente da Junta de Freguesia de Odiáxere, Luís Bandarra, vereador da Câmara Municipal de Lagos e Paulo Jorge Reis, vice-presidente do executivo camarário local. Pelas 16h.33m., foi a vez de o presidente da Junta de Freguesia de Odiáxere, Carlos Fonseca, subir ao palco para um breve discurso, tendo destacado a “resistência” e a “dedicação” do Rancho Folclórico e Etnográfico desta vila do concelho de Lagos, ao longo de “quarenta anos.”

“Ver [aqui] familiares reunidos e três gerações [deste rancho folclórico] é muito bom, um motivo de grande orgulho para todos nós”, sublinhou o autarca, enaltecendo “os bastiões do folclore neste cantinho” do Algarve e deixando, ao mesmo tempo, uma palavra de incentivo “para todos os que hão-de vir.”

O tempo em que muitos populares ouviam dizer «Nada acontece em Odiáxere. É só sucata…», recorda o vereador da Câmara Municipal de Lagos, Luís Bandarra

Pouco depois, às 16h.35m., foi Luís Bandarra, vereador da Câmara Municipal de Lagos, quem se dirigiu aos participantes neste aniversário do Rancho Folclórico e Etnográfico de Odiáxere. “São quarenta anos e a minha mensagem vai para os mais jovens”. Foram estas as primeiras palavras daquele autarca, que, em seguida, ao recordar a fundação do rancho e do Clube Desportivo de Odiáxere, durante a década de 80 do século XX, lembrou, em jeito de lamento, uma frase muito ouvida naquele tempo pelos populares desta localidade: «Nada acontece em Odiáxere. É só sucata…»

“Tentámos contagiar os mais velhos. Foi um safanão na nossa terra” com “o gira-discos da dona Carolina” a servir de impulso para o rancho folclórico. “O que conseguimos foi com a nossa persistência”

Luís Bandarra apontou, então, a estratégia para a mudança, a qual viria a obter os resultados que estão à vista de todos. “Tentámos contagiar os mais velhos. Foi um safanão na nossa terra”, salientou, elogiando, em particular, o papel de “duas senhoras”, na altura, e “o gira-discos da dona Carolina” a servir de impulso para o rancho folclórico. “O que conseguimos foi com a nossa persistência”, congratulou-se aquele vereador da Câmara Municipal de Lagos, que também já exerceu vários cargos associativos em Odiáxere, além de ter sido presidente da Junta de Freguesia local.

“Passados quarenta anos é muito orgulho que sinto. Foram vocês a resistência e os jovens são o sinal para continuar esta forma de dançar”, reforçou Luís Bandarra, formulando votos para que o Rancho Folclórico e Etnográfico de Odiáxere chegue “aos cem anos”, numa altura em que “muitos de nós já não vão estar cá.” Transmitiu, dessa forma, um sentimento de alguma emoção para alguns dos presentes na sala onde decorreu este encontro.

“Muitos consideram que o folclore é foleiro, passou de moda (…) Não se deixem influenciar e façam o favor de dar continuidade”

“Muitos consideram que o folclore é foleiro, passou de moda”, observou, a certa altura, Luís Bandarra, insistindo num novo apelo aos atuais e futuros membros do rancho de Odiáxere: “Não se deixem influenciar e façam o favor de dar continuidade. [Isto] tem de continuar!”

Por outro lado, em mais uma curta viagem ao passado, lembrou que o Rancho Folclórico e Etnográfico de Odiáxere, após ter surgido, efetuou um desfile na Quinta do Areão, onde os elementos levaram os seus próprios lenços brancos para ornamentar os trajes. “Temos pessoas com muita vontade e acredito na nossa gente. Somos filhos da vila de Odiáxere!”, concluiu Luís Bandarra, entre aplausos.

“Danço muito mal…”, reconhece Paulo Jorge Reis, vice-presidente da Câmara Municipal de Lagos

Já pelas 16h.40m., coube ao vice-presidente da Câmara Municipal de Lagos, Paulo Jorge Reis, dar os “parabéns” ao Rancho Folclórico e Etnográfico de Odiáxere. Mas, desde logo, deixou um aviso, com alguma ironia à mistura: “Danço muito mal…” O autarca enalteceu o aniversariante, referindo que “leva o nome de Lagos a outras zonas” do país e do estrangeiro. E destacou o papel de Luís Morgado, há “25 anos presidente” da Direção. “Parabéns a todos”, sublinhou. Ouviram palmas no salão.

A actuação do Rancho Folclórico de São Bartolomeu de Messines, do concelho de Silves, como convidado, e o desejo de um responsável deste grupo: “Bem-haja a todos e venham mais quarenta anos. [Que] as novas gerações continuem o vosso trabalho de excelência”. E recorda que esta atividade “não é um trabalho fácil. É dispendioso”

Luís Morgado aproveitou, então, para voltar ao palco, lançando mais um repto: “temos de ir para o terreno. Não é estar à espera. Há muito trabalho para fazer.”

Pouco depois das 16h.50m., como convidados entraram em cena 24 elementos do Rancho Folclórico de São Bartolomeu de Messines, do concelho de Silves, incluindo três acordeonistas e mulheres a exibir lenços nas cabeças. Sete pares dançaram durante algum tempo. Depois de mais de meia dúzia de canções, agora doze elementos (seis homens, sobretudo jovens, ostentando chapéus pretos e seis mulheres) mostravam os seus dotes dançarinos. Depois, algumas mulheres, sozinhas, chegaram a formar uma roda. E ali perto, enquanto outras cantavam, outros pares dançavam, com situações típicas do Rancho Folclórico de São Bartolomeu de Messines.

“Não é fácil chegar aos 40 anos”, notou um elemento daquele grupo, destacando a acção dos seus colegas do Rancho Folclórico e Etnográfico de Odiáxere, em prol do “nosso Algarve, nosso pais e das nossas tradições.” E insistiu: “não é um trabalho fácil. É dispendioso, precisamos do vosso apoio”. Já a terminar, ainda aproveitou para deixar uma mensagem: “Bem-haja a todos e venham mais quarenta anos. [Que] as novas gerações continuem o vosso trabalho de excelência.”

Pouco depois, pelas 17h.28m., entrou no salão de festas do Clube Desportivo de Odiáxere o presidente da Junta de Freguesia de São Gonçalo de Lagos, Carlos Saúde. E mais tarde, às 17h.55m., os participantes neste espaço cantaram, então, os “parabéns a você” junto ao bolo do 40º. aniversário do Rancho Folclórico e Etnográfico de Odiáxere, entre música e momentos de emoção.

Imagens de arquivo