Pedro Moreira, vereador do PSD na Câmara Municipal de Lagos, ao ‘Litoralgarve’: “Nos últimos anos, o funcionamento da ETAR foi mau e o tempo necessário para corrigir as deficiências foi muito longo”

Em entrevista concedida por escrito ao nosso Jornal, o vereador social-democrata do executivo camarário de Lagos, Pedro Moreira, que moderou o seminário promovido pela Assembleia Municipal, sobre a Estação de Tratamento de Águas Residuais – “ETAR e a sua influência no Ecossistema Marinho”, admite que, “em princípio”, os investimentos previstos pela autarquia ao nível do saneamento básico, nos próximos anos, resolverão os problemas resultantes da ETAR e os maus cheiros na Ribeira de Bensafrim, de forma a controlar a intrusão da água do mar nas tubagens.

 “O aumento da salinidade nos efluentes que chegam à ETAR inviabiliza o seu bom funcionamento”, lamenta Pedro Moreira. Num município liderado pelos socialistas, este autarca destaca, ainda, outros problemas, em termos ambientais e urbanísticos, e lança alertas.

José Manuel Oliveira

Litoralgarve – Que balanço faz sobre o seminário que moderou no auditório do Edifício dos Paços do Concelho Século XXI, nas IV Jornadas de Lagos, sobre a ‘ETAR e sua influência no Ecossistema Marinho’?

Pedro Moreira – Faço um balanço bastante positivo. Este tema é bastante oportuno e uma fonte de preocupação para os lacobrigenses. Penso que os esclarecimentos e informações dadas pelos oradores permitiram uma melhor compreensão do problema e do que foi feito para o resolver. O bom ou mau funcionamento da ETAR influencia de forma importante a qualidade de vida dos Lacobrigenses, assim como de quem nos visita. Infelizmente, nos últimos anos, esse funcionamento foi mau e o tempo necessário para corrigir as deficiências foi muito longo.

Neste seminário em Lagos, “a falta de comparência presencial de público foi preocupante”

Litoralgarve – Quais os aspectos positivos e negativos que destaca neste encontro?

Pedro Moreira – Os positivos já os indiquei. Penso que saímos todos deste seminário mais esclarecidos. Os negativos foram a falta de comparência presencial de público. Apesar de este seminário ser transmitido ‘on-line’ e poder inclusive ser visionado posteriormente, considero que a falta de interesse por assuntos do município que nos afetam a todos é preocupante.

“Podia ter sido abordada com mais profundidade a questão do futuro da ETAR, tendo em conta as alterações climáticas com a consequente falta de água na região”

Litoralgarve – Que outras questões gostaria de ter visto abordadas em relação e este tema?

Pedro Moreira –  Em relação a este tema, as questões foram esclarecidas de forma satisfatória. Podia ter sido abordada com mais profundidade a questão do futuro da ETAR, tendo em conta as alterações climáticas com a consequente falta de água na região.

Litoralgarve – Os investimentos previstos em infra-estruturas ao nível do saneamento básico, num montante de cerca de vinte milhões de euros, nos próximos anos, resolverão os problemas resultantes da ETAR de Lagos e os maus cheiros de que muitos populares se queixam na zona da Ribeira de Bensafrim?

Pedro Moreira – Em princípio, sim. São uma série de investimentos que são necessários, principalmente na manutenção ou substituição de condutas existentes, mas que são importantes para assegurar que problemas como a intrusão salina (introdução da água do mar nas tubagens) se mantenham a níveis mínimos. Lembro que o aumento da salinidade nos efluentes que chegam à ETAR inviabiliza o seu bom funcionamento.

Impacto para a Ribeira de Bensafrim, devido ao empreendimento junto à ponte Dona Maria, em Lagos? “O impacto maior daquilo que considero uma aberração urbanística (…) é a volumetria do edifício naquele local de entrada na cidade. Ainda falta construir um edifício no espaço da antiga Adega, o que irá criar visualmente uma muralha de betão com uma pequena abertura de acesso à Avenida dos Descobrimentos, condicionando o seu alargamento”

Litoralgarve – Na sua perspectiva, qual o impacto que poderá ter para a Ribeira de Bensafrim, o empreendimento em construção junto à ponte Dona Maria, em Lagos?

Pedro Moreira – O impacto na Ribeira de Bensafrim não será grande. O impacto maior daquilo que considero uma aberração urbanística naquele local, é a volumetria do edifício naquele local de entrada na cidade. Lembro que ainda falta construir um edifício no espaço da antiga Adega, o que irá criar visualmente uma muralha de betão com uma pequena abertura de acesso à Avenida dos Descobrimentos, condicionando o seu alargamento futuro. Quanto a mim, quem licenciou estes projetos não teve em consideração o interesse público.

“Encaro com tristeza” a perda da Bandeira Azul em várias praias deste concelho. “A nossa imagem enquanto destino turístico fica prejudicada pela lentidão e inércia das entidades responsáveis na prevenção e reação a problemas que são expectáveis”

Litoralgarve – Como vereador de um partido da oposição na Câmara Municipal de Lagos, como encara o facto de este concelho ter tido, apenas, três praias com Bandeira Azul, na época balnear de 2023 (Meia-Praia, Praia da Luz e Porto de Mós), após ter perdido aquele símbolo de qualidade ambiental numa das praias mais frequentadas e emblemáticas do município, como é a da Dona Ana, entre outras?

Pedro Moreira – Encaro com tristeza. Somos um município com a sua economia alicerçada no turismo e a nossa imagem enquanto destino turístico fica prejudicada pela lentidão e inércia das entidades responsáveis na prevenção e reação a problemas que são expectáveis.

“A água, ou a falta dela, será no futuro próximo o nosso grande problema e desafio (…) Lembro as grandes plantações de abacates em Barão de S. João e agora em Odiáxere/Arão, que são verdadeiros atentados ao direito da comunidade em ter acesso a um bem essencial como a água”

——————–

“Apesar dos avisos e alertas, é com amargura que assisto a dezenas de fregueses de Barão S. João virem reclamar nas reuniões de câmara, porque os seus poços e furos estão a secar, sem que tenham alternativas viáveis para manterem as suas actividades de pequenos produtores agrícolas”

Litoralgarve – Que outros problemas, ao nível ambiental, destaca neste concelho? E como poderão ser resolvidos?

Pedro Moreira – A água, ou a falta dela, será no futuro próximo o nosso grande problema e desafio. Não vejo da parte do Estado central, apesar dos anúncios e boas intenções, uma acção efectiva para resolver ou evitar este problema. A autarquia também não parece ser capaz de agir ou reagir em tempo útil. Lembro as grandes plantações de abacates em Barão de S. João e agora em Odiáxere/Arão, que são verdadeiros atentados ao direito da comunidade em ter acesso a um bem essencial como a água. Apesar dos avisos e alertas, é com amargura que assisto a dezenas de fregueses de Barão S. João virem reclamar nas reuniões de câmara porque os seus poços e furos estão a secar, sem que tenham alternativas viáveis para manterem as suas actividades de pequenos produtores agrícolas.

“Penso” que estão a ser bem aproveitados, no concelho de Lagos, os fundos europeus do Plano de Recuperação e Resilência

Litoralgarve – Os fundos europeus, no âmbito do Plano de Recuperação e Resilência (PRR), estão a ser devidamente aproveitados no concelho de Lagos?

Pedro Moreira – Penso que sim. A autarquia tem uma série de projectos a decorrer, tendo-se candidatado a estes fundos.

Mais Artigos