Mais de quatrocentas pessoas encheram o templo para participar na Solene Vigília Pascal, na noite de sábado, 04 de Abril de 2026, e início da madrugada de domingo, dia 05, nesta cidade. Orações, cânticos, baptizados, fiéis com velas acesas depois da meia-noite, na Aleluia, e emoção, entre outros momentos, marcaram o ponto alto da cerimónia da Páscoa, em Lagos.
José Manuel Oliveira
O mau estado em que, há anos, se encontra a Igreja de São Sebastião – Monumento Nacional -, em Lagos, inclusivamente sem iluminação no adro, colocando em risco, por exemplo, a circulação de pessoas com dificuldades de mobilidade, em eventos nocturnos, e agora o vandalismo estampado numa parede no exterior, na Rua Conselheiro Joaquim Machado, não impediram uma nova enchente com mais de 400 fiéis durante a Solene Vigília Pascal, na noite de Sábado, 04 de Abril de 2026, até à 01h25m. da madrugada de domingo, dia 05, quando terminou esta celebração da Semana Santa, a cargo do padre Nelson Rodrigues.
Indivíduos de várias idades e, em particular, muitos jovens com sorrisos estampados nos rostos, participaram na cerimónia. No final, não faltaram momentos de convívio. E pelo meio, muitos telemóveis registaram o evento para as pessoas mais tarde recordarem.
Vigília Pascal na Noite Santa “constitui o centro culminante de todo o ano litúrgico, na qual a Igreja, em vigília, celebra a Ressureição do Senhor”, refere documento entregue às pessoas
“É a mãe de todas as vigílias, na qual a Igreja espera, em atitude de escuta e esperança, a vitória de Cristo sobre a morte.”
A Vigília Pascal na Noite Santa “constitui o centro culminante de todo o ano litúrgico, na qual a Igreja, em vigília, celebra a Ressureição do Senhor”, descreve o folheto distribuído aos fiéis. O documento sublinha que este evento, “durante a noite, «é a mãe de todas as vigílias», na qual a Igreja espera, em atitude de escuta e esperança, a vitória de Cristo sobre a morte”. “A liturgia desta noite propõe um percurso pela História da Salvação, manifestando a fidelidade de Deus ao seu povo”, lê-se.
Pessoas com velas acesas, na Aleluia
Padre Nelson Rodrigues, acompanhado por uma jovem, percorre a Igreja a lançar água benta aos fiéis
Numa celebração, com diversas orações e cânticos, já durante a madrugada de domingo os fiéis acenderam velas ao seu dispor, com o apoio de escuteiros e elementos do ‘staff’ das Paróquias de Lagos, para, sob a orientação do padre Nelson Rodrigues, levantar a voz: “Amen! Aleluia!” “Amen! Aleluia!”. Em seguida, já perante as velas apagadas, o sacerdote percorreu a Igreja de São Sebastião, acompanhado por uma jovem, para lançar água benta aos fiéis. Não faltou emoção.
15 adultos baptizados e 16 crismados. Homens e mulheres
Antes dessa cerimónia, foram baptizados 15 adultos e crismados 16, como nos indicaram, entre homens e mulheres. No final de cada uma dessas celebrações, a cargo do pároco Nelson Rodrigues, ouviram-se aplausos em toda a Igreja. Também não faltaram fotos e vídeos.
Já perto do final da missa pascal, os fiéis, com o apoio do padre Nelson Rodrigues e do grupo coral da Igreja, cantaram: “Cristo ressuscitou – Aleluia, Aleluia! Cristo ressuscitou – Aleluia, Aleluia”. E pouco depois: “Cristo vive, aleluia! Cristo vive, aleluia! Cristo vive, aleluia!”
“Muito profissionalismo” e “dedicação” do grupo coral da Igreja, com “muitos ensaios”, destaca o padre Nelson Rodrigues
“Obrigado a todos!” – agradeceu, no final, o sacerdote, dirigindo-se, em particular, ao grupo coral da Igreja, dirigido pelo vigário paroquial, padre Vasco Figueirinha. Destacou a “dedicação” e o “muito profissionalismo” dos seus elementos, com “muitos ensaios”. “Muito obrigado pelo vosso trabalho e pela vossa dedicação”, reforçou o pároco. Nelson Rodrigues saudou, igualmente, os escuteiros presentes na Igreja de São Sebastião, os membros das várias freguesias das Paróquias de Lagos, que inclui Barão de São Miguel, pertencente ao vizinho concelho de Vila do Bispo, bem como o grupo sacerdócio que o acompanhou durante a missa, constituído por quatro dezenas de elementos, entre adultos, jovens e crianças de ambos os géneros. Nas despedidas, por onde passou, desejou um “bom Domingo de Páscoa”.
À saída da Igreja de São Sebastião, em Lagos, já depois da 01h.20m. da madrugada de domingo, dia 04 de Abril de 2026, os fiéis foram contemplados com uma pequena embalagem, contendo uma fatia de folar, e um postal em que se podia ler:
ANÚNCIO PASCAL
Paz a esta casa
E a todos os que nela habitam!
Aleluia! Aleluia!
O ministro toma o hissope e asperge os fiéis
Alegremo-nos.
Cristo ressuscitou verdadeiramente!
Aleluia! Aleluia!
Este é o dia que o Senhor fez,
Aleluia! Aleluia!
Dêmos glória ao Senhor ressuscitado,
Aleluia! Aleluia!
Cantemos a Deus Pai e ao seu Espírito,
Aleluia! Aleluia!
Agora e pelos séculos dos séculos,
Aleluia! Aleluia!
Oremos.
Senhor nosso Deus, que todos os anos nos alegrais com a solenidade da ressurreição de Cristo, concedei, pela vossa bondade, que, celebrando dignamente estas festas na terra, mereçamos chegar às alegrias do céu. Por Cristo nosso Senhor.
Amen
“Foi uma cerimónia muito bem organizada. O padre Nelson Rodrigues consegue cativar e arrastar muita gente”, reconhece um popular. Outros fiéis, sorridentes, conviviam e viam-se, também, pessoas em silêncio, reflexão e oração.
No final da celebração e enquanto a maioria das pessoas saiu da Igreja de São Sebastião, em Lagos, muitos fiéis preferiram manter-se sentados, em silêncio, oração e reflexão, diante de altares, nos quais durante o período da quaresma, as imagens estiveram cobertas. E também se via emoção estampada em rostos. Noutros casos, com sorrisos, não faltaram momentos de convívio entre pessoas. “Boa Páscoa”, ouvia-se, nas despedidas.
“Foi uma cerimónia muito bem organizada. O padre Nelson Rodrigues consegue cativar e arrastar muita gente. É natural que dentro de poucos anos acabe por ser destacado para uma outra paróquia do país, onde seja necessário atrair mais fiéis. Tem realizado um excelente trabalho em Lagos”, enalteceu, ao nosso Jornal, um popular, enquanto aguardava pela esposa para sair da Igreja. Já os sacerdotes Nelson Rodrigues e Vasco Figueirinha mantinham-se à conversa com várias pessoas.
Na noite da Sexta-Feira da Paixão, 03 de Abril, perto de 300 fiéis acompanham a procissão do Enterro do Senhor, ao longo de cerca de quatro quilómetros, desde a Igreja de Santa Maria, passagem pela Rua Lançarote de Freitas, zona do parque Anel Verde e várias ruas do centro da cidade de Lagos, entre restaurantes, bares, música e esplanadas, com muitos turistas a filmar através de telemóveis.

Polícia Municipal de Lagos orienta o trânsito e o desvio de mesas e cadeiras de esplanadas, na altura da procissão
Na noite anterior, Sexta-Feira Santa, 03 de Abril, a novidade foi o regresso da procissão do Enterro do Senhor, que substituiu a tradicional Via-Sacra, a qual se realizava entre a Praça d´Armas e o Farol da Ponta Piedade, em Lagos.
Depois de sair da Igreja de Santa Maria (estava completamente cheia), na Praça do Infante Dom Henrique, pelas 21h.50m. e perante uma temperatura de 17 graus centígrados, assinalados na placa electrónica da Farmácia Telo, como registou o ‘Litoralgarve’, o cortejo, inicialmente acompanhado por quatro agentes da Polícia Municipal de Lagos e um carro, passou na Travessa do Mar, Rua Silva Lopes, Rua Lançarote de Freitas, onde se situa o Centro Cultural, em direcção à Praça d´Armas, entre cafés, restaurantes e bares, com esplanadas. A curiosidade levou várias pessoas, nomeadamente turistas, a fotografarem e a filmarem o cortejo, o qual integrava os padres Nelson Rodrigues, Vasco Figueirinha e José Manuel Chula, e dois andores – o de Nossa Senhora de Fátima e o de Jesus Cristo – um erguido por membros da Comenda de Lacóbriga da Ordem dos Templários e o outro por elementos da Associação de Paraquedistas das Terras do Infante. Também não faltou uma caixa de madeira a representar uma urna. Pelo meio, um homem segurava uma coluna com dois altifalantes, enquanto na frente da procissão um escuteiro orientava o percurso. Em duas alas seguiam perto de trezentos fiéis, como constatou a nossa reportagem, que acompanhou a procissão.
Depois de ter passado, a partir das 22h00, o início da Estrada da Ponta da Piedade, junto a duas denominadas estações da via-sacra (que representam o começo de Jesus a percorrer o seu calvário), a primeira com imagens do momento em que Jesus foi condenado à morte, e a segunda, alguns metros mais adiante, a tomar a cruz aos ombros, o cortejo seguiu, junto a uma rotunda (o que obrigou à interrupção do trânsito), em direcção ao Anel Verde, através da Rua José Afonso. Em seguida, percorreu a Rua da Gafaria, onde se situam a Escola de Santa Maria e o Templo de Sião, um parque de estacionamento, uma nova rotunda, até à Estrada do Biker. Pouco depois, e perante a interrupção do trânsito, perto das muralhas, a procissão desceu parte da Rua da Atalaia e a totalidade da Rua Infante de Sagres, até à Praça Luís de Camões.
Paragens durante o cortejo para escutar maracás, música que faz lembrar chocalhos
Pelo meio do percurso, houve várias pausas, em que os fiéis foram surpreendidos ao ouvir a gravação do som de maracás. Trata-se de um instrumento musical de percussão a agitação, de origem indígena sul-americana, feito tradicionalmente com uma cabaça seca e preenchida com sementes ou pedras. Essencial em rituais e na cultura popular, produz um som rítmico ao ser balançado, sendo também conhecido como chocalho. Neste caso, o som musical resulta de pedras e outros objectos colocados no interior de garrafas, com estas a abanar.
Entre a curiosidade de muitas pessoas, nomeadamente de turistas que estavam sentados em esplanadas e outros junto a estabelecimentos comerciais e que aproveitaram para filmar o evento através dos seus telemóveis, a procissão passou, pelas 22h.38m., na Rua Garrett (mais uma paragem durante um minuto para se ouvir a gravação de maracás), na Praça Gil Eannes, Rua Lima Leitão e Rua 25 de Abril de 1974. Nesta zona, agentes da Polícia Municipal de Lagos pediram aos responsáveis de restaurantes e bares para afastarem as mesas e as cadeiras das esplanadas (tudo decorreu sem problemas) perante a curiosidade de muitos turistas, que enchiam esses estabelecimentos em noite de calor.
Procissão do Enterro do Senhor surpreende turistas, nomeadamente raparigas, que dançavam à porta de um bar na Rua 25 de Abril de 1974, onde se ouvia música
Na altura, algumas raparigas, ingerindo bebidas, até dançavam junto a bares, ao som da música dali proveniente. A passagem da procissão levou, de novo, vários turistas a filmar este momento solene, através de telemóveis, de forma ordeira.
Depois de atravessar parte da Rua Silva Lopes, junto a estabelecimentos comerciais, restaurantes e bares, a procissão regressou à Travessa do Mar e à Praça do Infante Dom Henrique, para entrar na Igreja de Santa Maria. Eram 22h54m. O percurso decorreu ao longo de cerca de quatro quilómetros durante mais de uma hora. E pelas 23h04m, já nas despedidas, no interior da Igreja, como habitualmente, os fiéis, tratados por “irmãos” pelos padres, inclinaram-se para receber a bênção.
Idoso, emocionado, no final da procissão, confessa ao ‘Litoralgarve’: “Estas coisas comovem-me muito!”

Outro popular enaltece a “grande capacidade de iniciativa e de mobilização” dos fiéis, por parte do padre Nelson Rodrigues
“Estas coisas comovem-me muito!”, confessou-nos, visivelmente emocionado, um idoso, à saída da Igreja de Santa Maria. Outro popular, por sua vez, não poupava elogios ao padre Nelson Rodrigues, devido “à sua grande capacidade de iniciativa e mobilização” dos fiéis, em Lagos. “Esta paróquia já é pequena para ele. Mais ano, menos ano, deverá ser destacado para outra. E, naturalmente, o padre Vasco Figueirinha, também. Têm ambos muito nível”, observou.
Na quinta-feira, dia 02 de Abril, houve Missa Vespertina da Ceia do Senhor, com a cerimónia de ‘lava-pés’, seguida de procissão, desde a Igreja de Santa Maria à Igreja de Nossa Senhora do Carmo/Igreja das Freiras, onde os fiéis (inicialmente cerca de 150), na «Adoração ao Santíssimo», permaneceram em silêncio até à meia-noite, acompanhados por um agente da PSP de Lagos à porta. Nalguns momentos, ouviam-se orações e cânticos.
Também em Lagos, na Quinta-Feira Santa, 02 de Abril de 2026, a seguir à tradicional «Missa Vespertina da Ceia do Senhor”, na Igreja de Santa Maria, com cerimónia de ‘Lava-pés’ («Se Eu vos lavei os pés, sendo Senhor e Mestre, quanto mais vós deveis lavar os pés uns aos outros.” – lia-se num documento entregue aos fiéis), teve lugar a habitual procissão nocturna, que juntou, com início pelas 22h30m. e sob uma temperatura de 15 graus centígrados, mais de uma centena de pessoas, entre jovens, adultos e idosos. O percurso decorreu desde a Praça do Infante Dom Henrique, até à Igreja de Nossa Senhora do Carmo (antiga Igreja das Freiras Carmelitas), com dois agentes num carro da Polícia de Segurança Pública (PSP) a controlar o trânsito.
Com orações e cânticos, a procissão percorreu, junto a vários bares e restaurantes, a Travessa do Mar, Rua Lançarote de Freitas (em frente ao Centro Cultural de Lagos), subida da Rua Cândido dos Reis, desvio para a Rua Gil Vicente, passagem por uma parte da Rua Cardeal Netto e, finalmente, às 22h53m., chegada ao Largo Dr. Vasco Gracias, em frente ao qual se situa a Igreja de Nossa Senhora do Carmo. Pelo meio, houve uma paragem.

A poucos metros de distância, recorde-se, fica o Parque Dr. Júdice Cabral, também conhecido por Parque das Freiras, com auditório ao ar livre, junto a muralhas e há anos encerrado. Já a Igreja de Nossa Senhora do Carmo está localizada junto ao edifício da antiga Escola Comercial e Industrial de Lagos, numa zona sem iluminação e com difíceis condições de estacionamento, onde se encontra, agora, um prédio em construção.
Depois da procissão, na Igreja de Nossa Senhora do Carmo, os fiéis – chegaram a estar cerca de 150 sentados – permaneceram em silêncio, reflexão e escutando, nalguns momentos, orações de vozes masculinas e femininas, e cânticos de um grupo coral, num ambiente de quase completa escuridão. Tratou-se da «Adoração ao Santíssimo», com escuteiros e um agente policial à porta. Vários fiéis acabaram por deixar as cadeiras e sair antes do final da celebração, que terminou pouco depois da meia-noite – 00h05m. E pelas 00h15m., o carro da PSP saiu do local.
Já os padres Nelson Rodrigues e Vasco Figueirinha, que estiveram sentados entre os fiéis durante parte da cerimónia, em silêncio, na Igreja de Nossa Senhora do Carmo, após terem integrado a procissão, no final conviveram com pessoas.










