Participaram, neste espectáculo, o Grupo de Amigos do Chinicato, a Universidade Sénior de Lagos, o Rancho Folclórico e Etnográfico de Odiáxere, Grupo Entre Amigos, a Filarmónica Lacobrigense 1º. de Maio juntamente com o Grupo Coral de Lagos, o Grupo à Moda Antiga e a Liga dos Combatentes. Cada um apresentou três canções, tendo recebido como oferta das mãos de Carlos Saúde Fernandes, presidente da Junta de Freguesia de São Gonçalo de Lagos, entidade organizadora da iniciativa, com o apoio das paróquias do concelho, uma garrafa de vinho do Porto ‘Velhotes’ e um bolo-rei.
José Manuel Oliveira
A noite chuvosa de 05 de Janeiro de 2025 não convidava muita gente a sair de casa para assistir ao tradicional espectáculo ‘Cantar dos Reis’ na Igreja de São Sebastião, em Lagos, a partir das 21.00 horas. Mesmo assim, o evento, organizado como habitualmente pela Junta de Freguesia de São Gonçalo de Lagos, com o apoio das paróquias deste concelho, juntou mais de trezentas pessoas que não pouparam aplausos às actuações, em separado, dos seguintes conjuntos: Grupo de Amigos do Chinicato, Universidade Sénior de Lagos, Rancho Folclórico e Etnográfico de Odiáxere, Grupo Entre Amigos, Filarmónica Lacobrigense 1º. de Maio juntamente com o Grupo Coral de Lagos, Grupo à Moda Antiga e Liga dos Combatentes. Cada grupo cantou três canções e teve direito à oferta de uma caixa, contendo uma garrafa de vinho do Porto ‘Velhotes’, e outra com um bolo-rei. «É Natal / Nasceu o Deus Menino/ Filho da Virgem Maria», ouviu-se, a certa altura, pouco depois do início do espectáculo, ao som de guitarras, cavaquinhos e ferrinhos.
Na apresentação desta edição do ‘Cantar dos Reis’, o presidente do executivo da Junta de Freguesia de São Gonçalo de Lagos, socialista Carlos Saúde Fernandes, que cumpre o seu terceiro e último mandato consecutivo, não podendo por isso recandidatar-se ao cargo, como determina a lei, após expressar “votos de um ano próspero desta equipa fantástica” da autarquia que lidera “há doze anos”, disse: “espero estar aqui no próximo ano, mas não nestas funções. Ainda bem”. Lembrou, a propósito, a questão da limitação de mandatos, como referimos, para ter de dar o lugar a outro presidente.

“Quando pessoas pobres cantavam as Janeiras e os Reis para pedir mais alguma coisa para comer”, recorda Dora Silva, do Rancho Folclórico e Etnográfico de Odiáxere
Com mais de duas dezenas de elementos, na sua maioria senhoras trajadas a rigor, a que se juntaram algumas crianças, o Rancho Folclórico e Etnográfico de Odiáxere, ao som de acordeão a cargo de homens, entre outros instrumentos, registou uma das actuações mais marcantes da noite, tendo Dora Silva lembrado outros tempos “quando pessoas pobres cantavam as Janeiras e os Reis para pedir mais alguma coisa para comer.”
Agente da PSP de Lagos na igreja para prevenir eventuais problemas devido ao elevado número de pessoas no espetáculo
Antes da terceira e última canção daquele grupo, houve oportunidade para aquela senhora apresentar votos de “paz e muita saúde” ao público. À porta da Igreja de São Sebastião e pouco depois no seu interior, como o ‘Litoralgarve’ constatou, estava um agente da Esquadra de Lagos da Polícia de Segurança Pública (PSP), fardado, como forma de prevenção para eventuais problemas que pudessem surgir devido ao elevado número de pessoas que assistiam ao “Cantar dos Reis’, como nos explicou um dos membros de um grupo.
Joaquina Matos, presidente da Assembleia Municipal de Lagos e membro do Grupo Entre Amigos: “É do que mais precisamos: paz no mundo e no país.” E apontou para “momentos mais difíceis, muito incertos, muito perigosos”, numa alusão a conflitos em várias partes do globo
O espectáculo prosseguiu, junto ao altar principal, com a exibição do Grupo Entre Amigos, constituído por 17 elementos, maioritariamente senhoras. Depois de ter recebido as já referidas caixas com uma garrafa de vinho do Porto ‘Velhotes’ e um bolo-rei, e antes da terceira e última canção, Joaquina Matos, presidente socialista da Assembleia Municipal de Lagos e que integra aquele grupo coral, deixou apelos à paz. “É do que mais precisamos: paz no mundo e no país.” E apontou para “momentos mais difíceis, muito incertos e muito perigosos”, numa alusão a conflitos em várias partes do mundo. “Apresento votos de Bom 2025, com saúde e paz”, acrescentou Joaquina Matos, na condição de “mãe e avó.”

Pouco depois, pelas 22h.21m., entraram em cena a Filarmónica Lacobrigense 1º. de Maio e o Grupo Coral de Lagos, com mais de duas dezenas de elementos e três canções, enquanto duas senhoras percorreram a igreja levando sacos para pedir dinheiro a quem assistia ao espectáculo.
Sandra Oliveira, vereadora da Câmara Municipal de Lagos: “São tradições culturais que não se devem deixar perder”
Seguiu-se a atuação do Grupo À Moda Antiga, com uma dúzia de membros, entre eles, Ângelo Mariano (tambor) e José Bandarra (guitarra), e também ao som de acordeão, entre outros instrumentos.
“São tradições culturais que não se devem deixar perder”, sublinhou Sandra Oliveira, vereadora da Câmara Municipal de Lagos, aproveitando para reiterar votos de “paz e um excelente ano”. “A saúde é o bem que mais pretendemos”, observou a autarca, que agradeceu ao padre Nelson Rodrigues a cedência da Igreja de São Sebastião para o ‘Cantar dos Reis’ na primeira semana de 2025.
Recados do coro da Liga dos Combatentes / Núcleo de Lagos: Combatentes do Ultramar / Bravos heróis aguerridos / Que acabaram por ficar / Eternamente esquecidos
Jesus veio a este mundo / Para salvar a humanidade / O seu desgosto mais profundo / Foi ver tanta falsidade
O espectáculo terminou com a estreia, nesta iniciativa, do coro da Liga dos Combatentes (Núcleo de Lagos), formado por duas dezenas de membros. Eis alguns dos versos que constam na folha deixada dentro de uma pasta daquela instituição, junto a uma das portas da Igreja de São Sebastião:
Esta noite é de Janeiras
E estamos todos contentes
Porque pela vez primeira
Temos a Liga dos Combatentes
—
Combatentes do Ultramar
Bravos heróis aguerridos
Que acabaram por ficar
Eternamente esquecidos
—
Um Bom Ano
Um Bom Ano
Vimos aqui desejar
Um Bom Ano
Um Bom Ano
Paz, saúde
E amor para dar
—
Nesta vida de canseiras
De angústias e incertezas
Vamos cantar as Janeiras
Para afastar as tristezas
—
Nós não pedimos chorando
Escondendo nossa dor
Pois se pedirmos cantando
Talvez nos dêem amor
—
Neste mundo violento
Cheio de ódio e de guerra
Pedimos com sentimento
Que haja paz e amor na Terra
—
Jesus veio a este mundo
Para salvar a humanidade
O seu desgosto mais profundo
Foi ver tanta falsidade
—
Dos males do universo
Nós pensamos que o primeiro
É o desejo perverso
De querer sempre mais dinheiro
—
E por isso nós cantamos
Cantamos ao nosso povo
E a todos desejamos
Um Próspero e Feliz Ano Novo
“O futuro a Deus pertence”, reage Carlos Saúde Fernandes, ao ser questionado pelo ‘Litoralgarve’ sobre o seu futuro político

No final, pouco depois das 23.00 horas, o presidente da Junta de Freguesia de São Gonçalo de Lagos, Carlos Saúde Fernandes, em declarações ao ‘Litoralgarve’, considerou “positivo” o balanço do espectáculo, apelando para “que as tradições se continuem a manter.”
Sobre o facto de esta ter sido a última edição ‘Cantar dos Reis’, organizada por aquela junta de Freguesia, sob a sua presidência (recorde-se que não se poderá recandidatar ao cargo devido à limitação de mandatos) e qual será a sua disponibilidade em termos políticos no futuro (o seu nome começa a ser apontado para integrar a lista do PS candidata à Câmara Municipal de Lagos, liderada por Hugo Pereira, nas próximas eleições autárquicas, as quais terão lugar em Setembro ou Outubro de 2025), Carlos Saúde Fernandes limitou-se a responder, com a já conhecida frase: “O futuro a Deus a Deus pertence.”
Início da obra para as novas instalações da sede da Junta de Freguesia de São Gonçalo de Lagos, numa das alas do edifício da Escola Secundária Júlio Dantas, na zona de Santo Amaro, aguarda aprovação do Tribunal de Contas e lançamento do concurso para a empreitada – “A burocracia é muito burocrata…” – lamenta o autarca
Além de várias iniciativas de animação e de âmbito cultural, entre as quais destacou a exposição ‘As Maias’ e os Passeios Seniores, o autarca apontou o lançamento da obra para as novas instalações da sede da Junta de Freguesia de São Gonçalo de Lagos, numa das alas do edifício da Escola Secundária Júlio Dantas, na zona de Santo Amaro, como a principal aposta até final deste seu terceiro e último mandato.
“O projecto foi aprovado pela Câmara Municipal de Lagos e a obra vai custar cerca de um milhão e meio de euros. Agora terá de ser aprovada pelo Tribunal de Contas e depois lançado o concurso para a empreitada”, esclareceu Carlos Saúde Fernandes. Terá uma duração de cerca de dois anos até esta obra, que consiste na requalificação de um espaço contíguo à Escola Secundária Júlio Dantas, ficar concluída, com o apoio do Município de Lagos.
O principal problema prende-se, neste momento, com a questão burocrática. “A burocracia é muito burocrata…”, observou, em jeito de lamento e ironia à mistura, o autarca. Já o exercício das funções como presidente da Junta de Freguesia de São Gonçalo de Lagos tem sido, na sua opinião, positivo. Trata-se de uma “fantástica experiência, muita boa”, reconheceu Carlos Saúde Fernandes.
Imagens: Créditos Junta de Freguesia de São Gonçalo de Lagos










