Lagos: “Nunca esperei este desfecho. Ele era uma pessoa tranquila, impecável. Ela era mais nervosa, com alguns problemas psicológicos”, afirma, ao ‘Litoralgarve’, um vizinho 

A senhora, ao que foi possível apurar, estava no quarto, com sinais de agressão e uma corda no pescoço. Já o marido acabou por ser encontrado enforcado no quintal da moradia. Perante este cenário, as autoridades admitem ter-se tratado de um homicídio, seguido de suicídio. Filho recebeu uma mensagem de telemóvel do pai a pedir que se deslocasse com urgência à casa dos pais.

“Nunca esperei este desfecho. Ele era uma pessoa tranquila, impecável. Ela era mais nervosa, com alguns problemas psicológicos”. Quem o diz, em declarações ao ‘Litoralgarve’, é um vizinho, ainda estupefacto perante a morte de um casal de idosos, ocorrida durante a madrugada de domingo, 13 de Março de 2002, na moradia onde vivia, situada na Rua Dr. António Guerreiro Tello, em Lagos, a poucos metros de distância do edifício da Junta de Freguesia de São Gonçalo. Trata-se de uma zona de passagem na parte urbana desta cidade.

Foi o filho do casal quem deu o alerta à PSP

Como o nosso Jornal avançou, a Polícia Judiciária, através da Diretoria do Sul, está a investigar o falecimento de um casal idoso, o homem de 77 anos e a mulher de 74 anos de idade, em Lagos. Foi o filho do casal quem deu o alerta à Polícia de Segurança Pública local, ao explicar às autoridades ter recebido uma mensagem de telemóvel do progenitor a pedir que se deslocasse com urgência à casa dos pais. Ao que foi possível apurar, a senhora estava no quarto, com sinais de agressão e uma corda no pescoço, enquanto que o marido foi encontrado enforcado no quintal. Perante este cenário, as autoridades admitem ter-se tratado de um homicídio, seguido de suicídio.  

Queixas, há anos, na Assembleia Municipal de Lagos, por “barulhos durante a madrugada” num hostel

Já um outro vizinho contou ao ‘Litoralgarve’ que a senhora denotava “problemas psicológicos”, na sequência de “barulhos” provocados, em tempos, num hostel, localizado junto à habitação do casal. “Foi uma justificação para dizer que estava doente. Há anos, ela foi, com o marido, a uma sessão da Assembleia Municipal de Lagos e queixou-se de barulhos durante a madrugada, quando clientes chegavam ao hostel, falavam aos gritos e iam tomar banho. E até disse: «estou a passar-me… Tenho de ir dormir para a cave»”, lembrou aquele popular, lamentando o que agora aconteceu a este casal de idosos.

Obras garantiram isolamento para evitar ruído

Segundo garantiu ao «Litoralgarve» o proprietário do hostel, foram efetuadas obras “há três, quatro anos, de forma a proceder ao isolamento do quarto do casal com uma parede para resolver o problema do barulho proveniente da casa de banho”, desta unidade de alojamento local, nomeadamente ao nível dos canos de água. “Mandei isolar ainda melhor” o espaço, acrescentou, recordando que a senhora, sempre que o via, “cumprimentava-me bem” e o marido “era uma pessoa tranquila”.

Os corpos do casal seguiram para o Gabinete Médico Legal do Hospital do Barlavento, em Portimão, para serem autopsiados.

José Manuel Oliveira

Paulo Silva