“Vou ver o jogo Portugal-Uzbequistão na minha casa, em Lagos, com amigos e amigas.” É desta forma que Ludgero Barroso, antigo futebolista do Grupo Desportivo Amador de Lagos (GDAL) e do Centro de Educação Desportiva de Lagos, tendo atuado como defesa e médio, se prepara para assistir à segunda partida da seleção das ‘quinas’ nesta fase de grupos do Campeonato do Mundo de Futebol 2026. Agora, joga ‘walking football’, uma variante do futebol, que é “futebol a andar”, destinado à prática desportiva para pessoas com mais de 50 anos, no Clube Desportivo de Odiáxere, concelho de Lagos. Para já, disputa a Liga da Associação de Futebol do Algarve.
Nesta entrevista ao ‘Litoralgarve’, Ludgero Barroso apresenta o ‘onze’ titular que, na sua perspectiva, poderia ser o ideal para a selecção portuguesa vencer a do Uzebequistão e aponta aquilo que falhou contra o Congo. Entende que Cristiano Ronaldo poderá ser mais influente se tiver bola e destaca Cabo Verde e Marrocos num primeiro balanço deste Mundial.
José Manuel Oliveira
Litoralgarve- Se estivesse no lugar do seleccionador nacional, Roberto Martínez, qual o onze inicial que escolheria para o jogo de Portugal frente ao Uzbequistão, nesta terça-feira, dia 23 de Junho? E porquê?
Ludgero Barroso – Diogo Costa (guarda-redes), João Cancelo (defesa esquerdo), Diogo Dalot (defesa direito), Ruben Dias e Renato Veiga (defesas centrais), Vitinha, Bruno Fernandes e João Neves (médios), João Félix, Trincão e Cristiano Ronaldo, como avançados.
Já agora, como suplentes: José Sá, Nuno Mendes, Gonçalo Inácio, Bernardo Silva, Rafael Leão e Gonçalo Ramos.
E apostaria num sistema táctico de 4x3x3. Porquê este onze titular? A equipa de Portugal tem de ter mais posse de bola e ser mais ofensiva.
“A equipa portuguesa não pode abordar os jogos com a leveza que tem demonstrado. O Uzbequistão vai lutar para vencer Portugal, pois encara este jogo como se fosse uma final.”
“Não existem jogos fáceis, nem selecções acessíveis. Hoje, tudo é difícil no futebol.”
“Se o jogo frente ao Uzbequistão corresse mal e não ganhássemos é que já seria grave. Um galo pode bater uma vez com a cabeça na parede; duas é que seriam demais. E não acredito que isso aconteça a Portugal.”
Litoralgarve – Como antevê este jogo? O que espera da equipa do Uzbequistão?
Ludgero Barroso – Espero um jogo difícil, tal como o anterior frente à selecção da República Democrática do Congo. A equipa portuguesa não pode abordar os jogos com a leveza que tem demonstrado. O Uzbequistão vai lutar para vencer Portugal, pois encara este jogo como se fosse uma final. Não existem jogos fáceis, nem selecções acessíveis. Hoje, tudo é difícil no futebol.
O meu objectivo é que seja um Mundial positivo para a selecção portuguesa, que tem tudo para triunfar. Se o jogo frente ao Uzbequistão corresse mal e não ganhássemos é que já seria grave. Um galo pode bater uma vez com a cabeça na parede; duas é que seriam demais. E não acredito que isso aconteça a Portugal.
Litoralgarve – O que falhou, em sua opinião, na partida da selecção portuguesa contra a da República Democrática do Congo? Qual o melhor jogador e o menos produtivo?
Ludgero Barroso – Notou-se falta de agressividade na finalização. A equipa de Portugal teve muita posse de bola, mas não rematou o suficiente à baliza e, assim, não se conseguem golos.
O melhor jogador? Na minha opinião, houve alguns mais influentes: o João Neves, pelo golo que marcou e o que jogou, o João Cancelo, pela movimentação em campo, e o Pedro Neto, pelo passe que efectuou para o golo de João Neves. O jogador menos produtivo? Prefiro não referir quem quer que seja.
“A equipa tem de jogar é entre todos e não só para o Cristiano Ronaldo ou para qualquer outro jogador. Tem de ser o colectivo a funcionar.”
Litoralgarve – Cristiano Ronaldo continua a ser um jogador influente? A equipa terá de jogar para ele?
Ludgero Barroso – Frente ao Congo, Cristiano Ronaldo teve pouca bola e mesmo assim podia ter feito o golo que daria a vitória à selecção portuguesa. Ele continua a ser um jogador influente se tiver bola. A equipa jogar para Ronaldo? A equipa tem de jogar é entre todos e não só para o Cristiano Ronaldo ou para qualquer outro jogador. Tem de ser o colectivo a funcionar. Caso contrário torna-se difícil.
Litoralgarve – Quais os jogadores que deveriam estar na selecção e que ficaram em Portugal por opção técnica?
Ludgero Barroso – Pedro Gonçalves, António Silva e Ricardo Horta. Mas é difícil fazer escolhas numa selecção recheada dos melhores jogadores do mundo. E são tantos nesta geração de futebolistas, que é uma das melhores de todos os tempos.
“Penso que as idas à praia foram mais para confraternização entre jogadores, num ambiente de lazer.”

Litoralgarve – E o que pensa das idas à praia antes do jogo contra o Congo, que tantas críticas têm merecido em Portugal? Foi estratégia para adaptação às elevadas temperaturas que a selecção enfrenta no continente americano?
Ludgero Barroso – Não penso que seja estratégia. Penso que as idas à praia foram mais para confraternização entre jogadores, num ambiente de lazer. O convívio é importante.
Litoralgarve – No seu tempo de jogador, também havia deslocações à praia antes dos treinos, em dias de mais calor? Como é que o treinador geria essa e outras situações?
Ludgero Barroso – No meu tempo de jogador no GDAL – Grupo Desportivo Amador de Lagos e no Centro de Educação Desportiva de Lagos, não íamos à praia antes dos treinos, nem dos jogos. E na noite anterior aos jogos, o treinador ‘fiscalizava’ os futebolistas nos bares e nas discotecas. Se alguém fosse apanhado nesses estabelecimentos, nem que fosse à porta, ou noutros locais fora das suas residências, já não jogaria.
Cabo Verde e Marrocos têm sido as primeiras surpresas nesta fase de grupos
Litoralgarve – Qual é o primeiro balanço que faz desta fase final do Campeonato do Mundo de Futebol 2026?
Ludgero Barroso – Num primeiro balanço nesta fase de grupos, tem havido muitas surpresas, como as selecções de Cabo Verde e Marrocos. Sobretudo as selecções africanas têm revelado bom desempenho.
Pausas para hidratação? “É bom os jogadores ouvirem mais informações por parte dos seus treinadores, para além da necessidade de hidratação. Não vão quebrar o ritmo dos jogos.”
Litoralgarve – São positivas as pausas durante os jogos para hidratação, com aproveitamento dos técnicos para ajustamentos tácticos, ou tal quebra o ritmo das equipas?
Ludgero Barroso – As pausas são positivas em todos os aspectos. É bom os jogadores ouvirem mais informações por parte dos seus treinadores, para além da necessidade de hidratação. Não vão quebrar o ritmo dos jogos. Trazem mais benefícios aos jogadores.
“Num tempo em que dominam novas tecnologias, além do VAR (videoárbitro como assistente), penso que seria interessante o árbitro poder contar, por exemplo, com o apoio de um sinal sonoro nas linhas laterais e de fundo, bem como na linha da baliza para assinalar golo. Teria um efeito mais rápido e eficaz”, de forma a desfazer dúvidas
Litoralgarve – Que outras mudanças sugere à FIFA, a Federação Internacional de Futebol?
Ludgero Barroso – Tudo o que a FIFA faz é para melhorar o futebol. Mas, se me permitem, num tempo em que dominam novas tecnologias, além do VAR (vídeoárbitro como assistente), penso que seria interessante o árbitro poder contar, por exemplo, com o apoio de um sinal sonoro nas linhas laterais e de fundo, bem como na linha da baliza para assinalar golo. Isto, se a bola ultrapassar mesmo a linha na baliza, de forma a evitar dúvidas. Teria um efeito mais rápido e eficaz. Mas é só uma opinião.










