Morte de idoso em Portimão leva Gabinete Sénior a propor novas regras nas urgências

O Gabinete Sénior – Associação de Apoio Jurídico e Social manifestou indignação com a morte de um utente de 87 anos no Serviço de Urgência do Hospital de Portimão e apresentou um conjunto de propostas para melhorar o acompanhamento das pessoas idosas nos hospitais.

Numa tomada de posição, a associação refere que o utente terá aguardado mais de dez horas por atendimento, considerando inaceitável uma espera desta duração para um doente urgente daquela idade.

O Gabinete Sénior alerta também para situações de pessoas idosas que permanecem durante várias horas em urgências sobrelotadas, por vezes sozinhas e sem reavaliação do seu estado de saúde. Na perspetiva da associação, é necessário traduzir os direitos das pessoas idosas em procedimentos obrigatórios dentro dos hospitais.

Entre as medidas propostas para os serviços de urgência que atendam pessoas com 65 ou mais anos está a informação sobre o direito de acompanhamento logo na admissão, permitindo a presença de um acompanhante durante a permanência no serviço.

A associação defende ainda que os utentes idosos que chegam sozinhos sejam sinalizados e que, com o seu consentimento, seja contactado um familiar, cuidador ou médico de família.

Outra das propostas passa por dar prioridade às pessoas idosas dentro do mesmo nível de triagem, sobretudo a partir dos 80 anos ou em situações de dependência.

Reavaliação e vigilância durante a espera

O Gabinete Sénior propõe que os doentes sejam reavaliados sempre que o tempo-alvo da triagem seja ultrapassado. No caso de uma pessoa com pulseira amarela que aguarde mais de 60 minutos, a associação defende uma nova medição dos sinais vitais e, se necessário, a alteração da prioridade clínica, com reavaliações regulares e devidamente registadas.

A vigilância ativa das salas de espera, através de rondas periódicas de profissionais de saúde, é outra das medidas apresentadas. O objetivo é verificar o estado de cada pessoa idosa durante a espera.

A associação pede também condições adequadas de permanência, incluindo cadeira ou maca, água, acesso a instalações sanitárias, alimentação compatível e medicação habitual, mediante avaliação clínica.

Entre as restantes propostas estão a informação ao doente e à família sobre o tempo previsível de espera e alterações do estado de saúde, bem como a ativação de planos de contingência em períodos de maior afluência, com reforço da triagem e encaminhamento dos casos menos urgentes.

O Gabinete Sénior defende igualmente a publicação dos tempos de espera por cor de triagem e por idade, para permitir o acompanhamento pelos cidadãos e pela Entidade Reguladora da Saúde.

O óbito ocorreu na madrugada de 4 de novembro. A ULS Algarve anunciou a abertura de um inquérito interno para esclarecer as circunstâncias do caso, incluindo as condições de acompanhamento do utente durante a espera e os procedimentos adotados. A instituição assegurou colaboração com as entidades competentes e apelou a que não sejam antecipadas conclusões nem atribuídas responsabilidades antes do apuramento dos factos.