Ministério Público investiga violência entre público e jogadores no jogo de futebol júnior Esperança de Lagos – Bela Vista

Jogador da Associação Académica da Bela Vista, do concelho de Lagoa, agrediu um adversário e foi expulso, após o que se sucederam cenas de violência dentro e fora do relvado do Estádio Municipal de Lagos, entre futebolistas e adeptos. O árbitro, que também acabou por ser alvo de ameaças, deu o jogo por concluído quando ainda faltavam 15 minutos para o final, ao não sentir condições de segurança. A PSP foi chamada ao local e identificou vários elementos envolvidos em cenas de pancadaria. Incidentes seguem para a justiça.

José Manuel Oliveira

“É pá, pára c……!” Esta foi uma das frases polémicas escutadas, através de um vídeo divulgado nas redes sociais, proferida, de forma exaltada, por uma senhora que assistia ao jogo de futebol júnior (Sub19) entre as equipas do Clube de Futebol Esperança de Lagos e da Associação Académica da Bela Vista, da localidade do Parchal, concelho de Lagoa,realizado no dia 30/03/2025, no Estádio Municipal de Lagos nº.2, na zona de São João, nesta cidade, a contar para a 1ª.jornada da segunda fase da Liga Algarve eque ficou marcado por agressões entre elementos do público e jogadores, tendo sido dado por concluído a 15 minutos do final, quando o árbitro, após ter sido ameaçado, considerou não existirem condições de segurança. Na altura, o resultado era 1-1.

Os confrontos terão começado após a expulsão de um jogador da equipa da Associação Académica da Bela Vista, por agressão a um futebolista do Esperança de Lagos. Ao que se sabe, a mãe de um jogador terá ficado ferida. Depois de ter sido alertada a Esquadra de Lagos da Polícia de Segurança Pública (PSP), localizada a poucos metros de distância do estádio, vários agentes deslocaram-se ao local e identificaram os envolvidos nos desacatos.

“O policiamento não é obrigatório nos jogos de futebol dos escalões mais jovens e a PSP também se debate com falta de agentes em Lagos”, alerta um popular

“Contudo para garantir o mínimo de segurança, os clubes e as entidades responsáveis pelo futebol deviam tomar medidas, por exemplo com a presença de elementos ligados à segurança dos adeptos no interior dos estádios, os chamados ‘stewarts’”

“Infelizmente, o policiamento não é obrigatório nos jogos de futebol dos escalões mais jovens e a PSP tambémse debate com falta de agentes em Lagos”, alertou, ao ‘Litoralgarve’, um residente nesta cidade.“Contudo para garantir o mínimo de segurança, os clubes e as entidades responsáveis pelo futebol deviam tomar medidas, por exemplo com a presença de elementos ligados à segurança dos adeptos, no interior dos estádios, os chamados ‘stewarts’ ”, defendeu.

Já outros populares contaram, ao nosso Jornal, que “um responsável do Clube de Futebol Esperança de Lagos, curiosamente com responsabilidades ao nível da segurança nesta cidade, também costuma incitar à violência nos jogos de futebol em Lagos. É o que temos.”

“Há pais e mães que incitam os filhos à violência em jogos de futebol. «Parte-lhe uma perna», «bate nesse filho da p…» são algumas das frases que se ouvem em recintos desportivos desta região”, recorda antigo árbitro algarvio

Por sua vez, um antigo árbitro do Algarve contou-nos: “Há pais e mães que incitam os filhos à violência contra os adversários em jogos de futebol. «Parte-lhe uma perna», «bate nesse filho da p…» são algumas das frases que se ouvem em recintos desportivos desta região.”

Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto investiga o sucedido e enviará para o Ministério Público toda a informação “que se afigure útil para a prossecução da justiça”

Em comunicado, a Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto revelou que vai investigar o sucedido e enviará para o Ministério Público toda a informação “que se afigure útil para a prossecução da justiça, atendendo à competência das autoridades judiciárias para a investigação de matéria criminal.” Tal sucede numa altura em que as últimas semanas têm sido marcadas por vários casos de violência no desporto nacional.

A intervenção do Ministério Público nesta situação ocorrida em Lagos dever-se-á a um caso de “alarme social”, segundo apurou o nosso Jornal.

Direção do Clube de Futebol Esperança de Lagos culpa jogador adversário pelos incidentes, ao ter “violentamente agredido o nosso atleta Tomé Duarte”, reconhece que, depois, “houve um conjunto de ações de elementos de ambas as equipas, dentro e fora das quatro linhas, que não são aceitáveis à luz do espírito de fair-play com que nos regemos”, e “está à disposição para prestar esclarecimentos adicionais às instâncias desportivas e policiais, se assim for exigido, para que sejam devidamente apuradas todas as responsabilidades, desportivas e até eventualmente criminais”

Também a Direção do Clube de Futebol Esperança de Lagos decidiu divulgar um comunicado, na sequência das já referidas cenas de agressões entre jogadores juniores, adeptos e outros elementos das equipas, ocorridas na partida frente à Associação Académica da Bela Vista, no Estádio Municipal de Lagos nº. 2.

Comunicado do Clube de Futebol Esperança de Lagos

“No passado domingo, dia 30 de Março, o encontro da Liga Algarve Futebol Júnior, a contar para a 1ª. jornada da 2º. Fase (Apuramento 13º. a 19º. classificados), que opôs o Clube de Futebol Esperança de Lagos e a Associação Bela Vista, foi interrompido aos 78 minutos por o juiz considerar não estarem reunidas condições de segurança para que o jogo fosse concluído dentro da normalidade.

Face ao sucedido, o Clube de Futebol Esperança de Lagos vem por este meio tornar pública a sua posição:

1 – O CFEL demarca-se totalmente deste tipo de atitudes que não se coaduna com a forma de estar do nosso emblema que, recorde-se, orgulhosamente ostenta a bandeira da ética desportiva, num claro reconhecimento das entidades públicas que tutelam o Futebol algarvio sobre a forma de estar do clube no desporto, independentemente do escalão etário, modalidade, género ou importância desportiva da competição em causa;

2 – O CFEL manifesta o total repúdio pela forma como o nosso atleta Tomé Duarte foi violentamente agredido por um adversário, logo após ter sido expulso em função de uma entrada violenta e potenciadora de lesão, que, recorde-se, foi devidamente sancionada pelo árbitro da partida;

3 – O CFEL reconhece que, depois desse acto irreflectido e que não dignifica o Desporto e todos os que o envolvem, houve um conjunto deações de elementos de ambas as equipas, dentro e fora das quatro linhas, que não são aceitáveis à luz do espírito de fair-play com que nos regemos, apesar de não podermos ignorar que as mesmas surgiram como resposta às agressões iniciais, agravadas com a participação de elementos alheios ao jogo;

4 – O CFEL está à disposição para prestar esclarecimentos adicionais às instâncias desportivas e policiais, se assim for exigido, para que sejam devidamente apuradas todas as responsabilidades, desportivas e até eventualmente criminais, reiterando uma vez mais que este tipo de comportamentos é inadmissível em recintos desportivos, sobretudo quando se trata de uma competição de escalões de formação;

5 -Por fim, apelamos a todos os atletas e seus familiares, assim como aos sócios e adeptos do nosso clube, para que mantenham a sua forma de estar nos mais diversos recintos desportivos, como têm feito até aqui, algo que felizmente nos destinge enquanto clube, uma vez que orgulhosamente procuramos não contribuir para outro tipo de actuações, mais ou menos reiterado, que infelizmente têm sido habituais nos últimos anos nos recintos desportivos do nosso país.

A Direção do Clube de Futebol Esperança de Lagos

Lagos, 2 de Abril de 2025

Adeptos incorrem em penas até três anos de prisão, ou multas, por ofensas corporais

De acordo com informações recolhidas pelo ‘Litoralgarve’, os elementos do público identificados no Estádio Municipal de Lagos, por agentes da PSP, poderão incorrer em penas até três anos de prisão, ou penas de multa, em valores a determinar pelo tribunal, devido à prática do crime de ofensas corporais durante aquele jogo de futebol júnior.