Mais de quarenta pessoas acompanharam o funeral do músico Luís Varela, numa manhã de sol em Portimão

Figura muito popular na cidade de Portimão e, sobretudo, na Praia da Rocha, foi encontrado morto na sua habitação por bombeiros, agentes da PSP e pelo Delegado de Saúde, após ter sido arrombada a porta, com autorização do Ministério Publico. Tal sucedeu na sequência do alerta de um amigo às autoridades, surpreendido pelo facto de Luís Varela estar incontactável, com o telemóvel desligado, há vários dias e ninguém o ver.

José Manuel Oliveira

Luís Filipe Monteiro Varela

1954 * 2025

Cemitério de Portimão

Eu vou para o reino de Deus,

Mas não esquecerei aqueles

A quem amei na terra.

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Sua família reconhecidamente agradece a todas as pessoas que tomaram parte do funeral do seu ente querido.

É o que se podia ler nos cartões da Agência Funerária ‘Barlavento’, com sede em Portimão, colocados numa mesa à entrada da Igreja do Colégio dos Jesuítas, situada na Praça da República, nesta cidade, onde, na manhã da passada sexta-feira, 20 de Junho, decorreu o velório e a missa de corpo presente do antigo músico Luís Varela, encontrado sem vida no seu apartamento, no dia 11 deste mês, a poucos metros da Farmácia Amparo.

Completou 71 anos a 04 de Junho, poucos dias antes de falecer

Tal sucedeu, como o ‘Litoralgarve’ referiu na altura, após ter sido arrombada a porta da habitação por operacionais dos Bombeiros Voluntários de Portimão e na presença de agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP), com autorização do Ministério Público, depois de um amigo de Luís Varela ter alertado as autoridades para o facto de ele estar incontactável há vários dias, com o telemóvel desligado, e sem ninguém o ver. O Delegado de Saúde confirmou o óbito de Luís Varela, que estava deitado na cama do seu quarto e já com indícios de putrefacção, tendo o corpo sido levado para o Gabinete Médico Legal e de Ciências Forenses, instalado junto ao Hospital de Portimão, onde teve lugar a autópsia. Sofria de problemas de saúde, nomeadamente de hipertensão, tendo estado várias vezes hospitalizado.

Alguns dos cartões colocados pela agência funerária na Igreja do Colégio dos Jesuítas, junto ao livro de condolências, exibiam uma fotografia a cores de Luís Varela, de fato e gravata, na sua atividade profissional de baterista, sorridente e quando era ainda jovem. Outros cartões apresentaram uma foto diferente, com óculos e idade mais avançada, do conhecido músico, figura muito popular em Portimão e, sobretudo na Praia da Rocha, onde passava parte das noites. Recorde-se que Luís Filipe Monteiro Varela completou 71 anos no dia 04 de Junho de 2025. Foi delegado, no Algarve, do Sindicato dos Trabalhadores de Espectáculos, do Audiovisual e dos Músicos e esteve ligado ao Partido Comunista Português.

Familiares, antigos músicos, dirigente do PCP em Portimão, jornalistas e vários populares nas cerimónias fúnebres

No funeral participaram mais de quarenta pessoas, entre familiares, nomeadamente o irmão, Aníbal Varela, músico e professor de música no Algarve, a cunhada e sobrinhos, bem como antigos colegas e outros populares, o responsável da concelhia de Portimão do Partido Comunista Português (PCP), Pedro Purificação, e os jornalistas Tony Melo (ex-delegado do Jornal ‘Correio da Manhã’, em Portimão), Rui Pando Gomes (editor no Algarve e atual delegado do ‘Correio da Manhã’ e da CMTV, nesta cidade), Ana Palma (do ‘Correio da Manhã’ e da CMTV), Pedro Noel (repórter de imagem da CMTV), José Carlos Eusébio (ex-jornalista do ‘Correio da Manhã’ e da CMTV, no Algarve), e José Manuel Oliveira (‘Litoralgarve’). Refira-se que Luís Varela mantinha uma relação diária na Delegação de Portimão do ‘Correio da Manhã’, onde recolhia vários exemplares deste jornal para os distribuir a diversas pessoas e empresas, no centro da cidade e na Praia da Rocha. Era uma das suas actividades, incluindo fins-de-semana.

Missa de corpo presente celebrada pelo diácono Hélder Alberto na Igreja do Colégio dos Jesuítas

A urna foi colocada, por elementos da agência funerária, ao fundo do corredor situado do lado direito na ampla Igreja do Colégio dos Jesuítas e em frente ao altar da ‘Capela de S. Nicolau, Bispo’. Pouco depois das 10h00 teve início a missa de corpo presente, celebrada pelo acólito Hélder Alberto, que concluiu a desejar o “Eterno Descanso” a Luís Varela. Pelas 10h.48m., a urna foi levada do local onde estava, sempre fechada, atravessando o espaço central da igreja em direcção à porta principal e ao carro funerário. Às 10h.51m., já sob intenso calor, começou o cortejo fúnebre, com os acompanhantes a percorrerem parte da Praça da República, seguindo, depois, pela Rua Diogo Gonçalves, Rua Vicente Vaz das Vacas, Rua Mouzinho de Albuquerque, Rua da Olivença e Rua dos Bombeiros Voluntários de Portimão, onde se situa o cemitério. Profissionais da agência funerária iam controlando o trânsito de viaturas, que teve mesmo de parar nalgumas zonas para permitir a passagem do cortejo.

Quatro ramos com flores e uma fotografia sobre o coval

Eram 11h06m. quando o carro funerário entrou no Cemitério de Portimão, tendo parado perto do corredor onde se situa o edifício dos serviços administrativos. Pouco depois, a urna foi transportada em equipamentos próprios de rolamento, da agência funerária, em direcção ao coval nº. 19.518 – 2025. Pelas 11h10m., dois funcionários do cemitério (coveiros) e dois da agência funerária desceram a urna à cova, cobrindo-a de terra com o apoio de pás. Pouco depois, foram ali colocados quatro ramos com flores de diversas cores, além de uma foto de Luís Varela.

Antigo baterista Luís Varela está sepultado a cerca de um metro de distância do guitarrista e fadista Sérgio Nunes

Curiosamente, o antigo baterista está sepultado a cerca de um metro de distância de um outro músico, o guitarrista e fadista Sérgio Nunes, que faleceu com 19 anos de idade (1982-05-08 / 2001- 04-16), como se pode ler na vistosa laje de cor preta, no coval nº. 1403, em homenagem prestada pelos pais e outros familiares.

Vários pássaros encontrados mortos na habitação onde faleceu Luís Varela. “Seis salvaram-se”, contou-nos o irmão, Aníbal Varela, que os entregou a uma casa

No local, Aníbal Varela, de 61 anos, irmão de Luís Varela, recebia condolências e abraços de conforto. “Obrigado pela presença”, dizia. Já nas despedidas, contou-nos que, além de ter encontrado “centenas de jornais” no apartamento da família, onde vivia Luís Varela, solteiro e sem filhos, também viu, numa gaiola, “vários pássaros mortos.” “Seis salvaram-se” e foram entregues numa casa, em Portimão, acrescentou Aníbal Varela. Eram a companhia diária na habitação de Luís Varela, que, como o próprio nos referia muitas vezes, “alimento a passarada antes de sair de casa”. E no regresso, convivia com a “festa” dos seus animais de estimação.