«O amor que deixaste, ninguém pode levar,
Nem a bala, nem o tempo vai apagar», lia-se, entre outras frases, nos cartões apresentados, no velório, pela Agência Funerária Guerreiro & Guerreiro, com sede em Lagos.
Martinho Moreira Martins (Tó), de 56 anos, foi vítima de homicídio, com três tiros disparados de uma pistola à queima-roupa, por um homem, de 28 anos, traficante de droga e com quem tinha desavenças antigas. O crime ocorreu na noite de despedida do Carnaval de 2025, em plena rua, junto à porta do bar do Clube Desportivo de Odiáxere, enquanto decorria um megabaile, que acabou em sinal de solidariedade para com a vítima.
José Manuel Oliveira
Lembrai-vos diante do Senhor
e nas vossas orações de:
Martinho Moreira Martins
(Tó)
Nasceu em 12 de novembro de 1968
Faleceu em 05 de março de 2025
Cemitério Novo de Lagos
Sepultura nº. 1059
Eterno No Vento
«O Sol se põe, mas tua luz não some,
Ecoa no tempo, vive no nome.
O amor que deixaste, ninguém pode levar,
Nem a bala, nem o tempo vai apagar.
Tua risada no vento ainda dança,
Tua energia é chama, é esperança.
No coração, és raiz que não cai,
No ritmo da vida, és reggae que vai.
Os bons nunca morrem, só mudam de plano,
Virando estrelas no céu soberano.
E cada batida que o mundo fizer,
É tua alma dizendo: “Ainda estou a viver”.»
Capela foi pequena para receber tantas pessoas no velório, com homilia
São estas as frases expressas nos cartões, com a imagem, na capa, de uma flor branca na areia de uma praia, junto ao mar, apresentados pela Agência Funerária Guerreiro & Guerreiro, Lda., sedeada em Lagos, durante o velório de Martinho Moreira Martins, conhecido por Tó, realizado no passado dia 12 de Março, no Cemitério Novo desta cidade, onde a capela situada logo à entrada foi pequena para receber tantas pessoas na despedida deste homem, de 56 anos e nacionalidade cabo-verdiana. Recorde-se que Martinho Moreira Martins acabou por ser assassinado,com três tiros disparados à queima-roupa por um traficante de droga (que está, de novo, em prisão preventiva, a aguardar julgamento), na rua, durante a noite, à porta dobar do Clube Desportivo de Odiáxere, onde decorria um megabaile a encerrar o Carnaval de 2025, e na sequência de problemas antigos entre ambos.
Padres Nelson Rodrigues pediu “orações” para os que sofrem os efeitos da “violência e guerra”
Durante a homilia, em frente à urna, de cor castanha claro, que esteve fechada, o conhecido padre Nelson Rodriguespediu “orações” para os que sofrem os efeitos da “violência e guerra”. Na terra, “a vida passa e dizemos a Deus, que estamos partilhar a Vida Eterna com Ele”, afirmou, a determinada altura, apelando à “misericórdia” para com o falecido.
Um minuto de silêncio em memória do falecido
“Não homenagens, não elogios fúnebres”, referiu o sacerdote, que levou as dezenas de pessoas, na sua maioria de origem africana, umas sentadas e outras de pé até à porta, na capela, a rezar o Pai Nosso, num sentimento de “fé.” E em seguida, foi cumprido um minuto de silêncio em memória de Martinho Moreira Martins (Tó).
Numa parte da missa de corpo presente, o padre Nelson Rodrigues entoou cânticos religiosos, ao seu estilo, como sucede noutras celebrações em igrejas de Lagos, nomeadamente na de Santa Maria, tendo concluído a cerimónia a encomendar “a alma à divina providência”. “Dai-lhe Senhor o Eterno Descanso. Amém. ”
Aplausos de dezenas de pessoas, no exterior da capela, à passagem da urna em direcção ao carro funerário
Pouco depois, a urna, levada aos ombros por vários homens, saiu da capela em direcção ao carro funerário, no interior do qual já estava, bem visível, um cachecol do Clube Desportivo de Odiáxere, com o qual Martinho Moreira Martins (Tó) colaborou, designadamente, no ingresso de futebolistas oriundos de Cabo Verde. Ouviram-se, então, fortes aplausos de dezenas de pessoas, sobretudo de origem africana, com a emoção estampadanos rostos, que também se encontravam no exterior daquela capela do Cemitério Novo de Lagos. No total, como constatou o ‘Litoralgarve’, acompanharam este funeral mais de duas centenas de pessoas, entre as que estavam no interior e no exterior da capela.
Sobre a urna, já na cova, foram colocados um cachecol do Clube Desportivo de Odiáxere e uma blusa do equipamento de futebolista, na presença da presidente da Direcção, Sofia Santos
Seguiu-se um percurso de poucos metros até à sepultura nº. 1.059, em torno da qual se juntaram, em particular, familiares e amigos de Martinho Moreira Martins (Tó).Quando a urna começou a descer à terra, ouviram-se choros, gritos e uma senhora, ao desmaiar, teve de ser amparada pelo menos por duas pessoas. Pouco depois,surgiram rituais de origem africana, nomeadamente com cânticos. Por cima da urna foi colocado o já referido cachecol do Clube Desportivo de Odiáxere, a que se juntou uma blusa do equipamento de futebolista, na presença da presidente da Direcção, Sofia Santos. Viam-se lágrimas a escorrer nos rostos de homens e mulheres.Enquanto isso, mesmo junto à sepultura, quatro pessoas de origem africana, entrelaçadas, embalavam-se ao som demúsica e de cânticos, na despedida a Martinho Moreira Martins (Tó).
“Tão alegre que eras. Até já mano, a morte não vai ficar assim…” – disse uma senhora junto à sepultura
A poucos metros de distância e ao nosso lado, umasenhora, olhando para a urna, deixou algumas palavras, com um sinal de aviso pelo meio: “Tão alegre que eras.Até já mano, a morte não vai ficar assim…”
Depois, dois homens abriram uma caixa de madeira, da qual voaram três pombos brancos, entre aplausos dos acompanhantes neste funeral. Após dois trabalhadores da Câmara Municipal de Lagos terem tapado a sepultura, utilizando pás e terra, foram ali colocadas cerca de duas dezenas de coroas de flores e simples ramos com flores de diversas cores. Faltava pouco para as 16h.00 do dia 12 de Março. Enquanto isso, muitos eram os abraços e beijos de solidariedade, com apresentação de condolências e sinais de conforto a familiares e amigos de Martinho Moreira Martins (Tó), num ambiente de visível consternação e numa tarde com parte do céu encoberto.










