Mais de 150 pessoas despedem-se da antiga jornalista algarvia Madalena Bentes, durante o velório na Capela de São Luís, em Faro, num dia nublado

Com graves problemas de saúde, estava internada no Hospital de Faro, onde acabou por falecer no primeiro dia deste ano, aos 60 anos de idade. O funeral teve lugar no domingo, 05 de Janeiro. Antes de a urna sair em direcção ao Crematório da capital algarvia, foi escutado um momento musical gravado ‘Ave Maria’, dos compositores Gounod e Bach.

José Manuel Oliveira

Onze dias após o falecimento, a 22 de Dezembro de 2024, do jornalista Helder Nunes, fundador e antigo director do semanário algarvio ‘Barlavento’, de Portimão, morreu, no dia 01 de Janeiro de 2025, a antiga jornalista da Delegação de Faro do ‘Correio da Manhã’ Madalena Bentes, com 60 anos de idade, apanhando de choque os seus colegas nesta região e noutras zonas do país, que a conheciam e com ela trabalharam e conviveram.

Nascida em Faro, a 01 de Julho de 1964, estava internada, com graves problemas de saúde, no hospital da capital algarvia. O funeral realizou-se no domingo, dia 05 de Janeiro de 2025, tendo o corpo chegado à capela da Igreja de São Luís, situada naquela cidade (perto do estádio com o mesmo nome, pertencente ao Sporting Clube Farense),pelas 09h30m., a que se seguiu o velório, com a urnasempre fechada e repleta de ramos flores. Pouco depois das 11h00, foi prestada uma homenagem em nome defamiliares e amigos. E pelas 11h.32m., quatro funcionários da Agência Funerária Dias / Servilusa, devidamente fardados, levaram, aos ombros, a urna para o carro funerário, que a transportou para o Crematório situado no Cemitério Novo de Faro, onde o corpo foi cremado.

Nos cartões, com a imagem de um ramo de flores brancas,colocados pela agência funerária sobre uma mesa junto ao livro de condolências, podia ler-se debaixo da foto da falecida:

Maria Madalena Bentes Pera

01-07-1964  –  01-01-2025

«A morte chega cedo

Pois breve é toda a vida

O instante é o arremedo

De uma coisa perdida.”

«O amor foi começado,

O ideal não acabou,

E quem tenha alcançado

Não sabe o que alcançou.»

«E tudo isto a morte

Risca por não estar certo

No caderno da sorte

Que Deus deixou aberto.»

Fernando Pessoa

Já junto a uma das portas de entrada para a sala, quem quisesse podia tomar café, numa máquina disponibilizada para o efeito.

Aventureirismo, profissionalismo, dignidade”

Na homenagem a Madalena Bentes, que contou com mais de 150 pessoas durante o velório, uma senhora leu uma mensagem de familiares e amigos da antiga jornalista, a poucos metros de distância da urna, considerando a falecida “algo especial.” “Neste momento de partida, Madalena fica a saudade”, começou por dizer, lembrando uma vida de “aventureirismo, profissionalismo, dignidade.”

“Cresceste sozinha. Até sempre, minha querida Mena” 

“Amo-te para todo o sempre, minha irmã”, sublinhou a apresentadora daquela mensagem, lamentando ter-se tratado de uma “partida tão cedo.” “Até um dia.”

“Ficarás para sempre na minha memória”, frisou.

“Há coisas que nunca mudam. Deixas uma marca de inteligência”

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Homenagem a Madalena Bentes terminouao som de música Ave Maria’, de Gounode Bach, durante dois minutos, a partir de uma coluna colocada perto da urna

A senhora recordou a adolescência de Madalena Bentes, destacando a sua “inteligência”. “Há coisas que nunca mudam. Deixas uma marca de inteligência”, reforçou, na mensagem escrita da família, enaltecendo a personalidade da antiga jornalista, “cheia de vida.” Pouco depois, pelas 11h20m., uma outra senhora prosseguiu, por breves instantes, parte do discurso. Às 11h.27m., a oradora inicial regressou ao palco, retomando a homenagem a Madalena Bentes, que terminou, ao som da famosa música gravada‘Ave Maria de Gounod’, durante dois minutos, a partir de uma coluna colocada no local.

Trata-se de chamada Saudação Angélica e é umaoração que saúda a Virgem Maria, baseada nos episódios da Anunciação e da Visitação. “Segundo  São Luís Maria Gringnon de Montfort, cada vez que se reza a Ave Maria, a Virgem Maria louva a Deu no Céu com seu canto”, lê-seno ‘Wikipédia’. A música é dos compositores Charles Gounod, de nacionalidade francesa, e de Johan Sebastian Bach, alemão.

Pelas 11h30m, quatro funcionários da agência funerária, como já referimos, entraram na sala da Capela de São Luís e levaram, aos ombros, a urna em direcção ao carro funerário, numa manhã nublada, após alguns chuviscos.

José Apolinário, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve, coronel da GNR na reserva, Silva Gomes, antigo Governador Civil de Faro, e Ana Passos, ex-deputada do PS e amiga de Madalena Bentes

O presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve (CCDRA), José Apolinário, o coronel da Guarda Nacional Republica (GNR), na reserva, Silva Gomes, antigo Governador Civil de Faro e dirigente da Casa de Primeira Infância de Loulé,e Ana Passos, ex-deputada do Partido Socialista pelo Círculo Eleitoral de Faro na Assembleia da República e amiga de Manuela Bentes, foram algumas das figuraspúblicas que compareceram no velório, apresentando condolências a familiares, nomeadamente à irmã, tias e primos da falecida.

Uma dezena de antigos colegas no velório

Entre os jornalistas presentes no último adeus a Madalena Bentes, encontravam-se Rui Pando Gomes, editor do ‘Correio da Manhã’, no Algarve, e repórter do canal televisivo CMTV, ao lado da sua colega Ana Palma; Maria Augusta Casaca, da rádio TSF, residente em Faro; Luís Forra, repórter fotográfico da Agência Lusa; Idálio Revez, do Jornal ‘Público’; Mário Antunes, da RDP, em Faro; Carlos Guerreiro, da RDP, em Lisboa; Alexandre Moura, da Sport TV no Algarve; João dos Reis, antigo Chefe da Delegação de Faro do Jornal ‘Correio da Manhã’; Raul Coelho, ex-jornalista deste diário; e José Manuel Oliveira, do ‘site’ «Litoralgarve’.

Tinha uma imensa capacidade de trabalho, que a todos contagiava”, destacou Jorge Santos, antigo jornalista do ‘Correio da Manhã’, em Faro

Também Ana Isabel Coelho e Jorge Santos, antigos jornalistas do ‘Correio da Manhã, em Faro, compareceram no velório de Madalena Bentes. O mesmo sucedeu com responsáveis da empresa produtora ‘Take 5’, sedeada em Faro, na qual Madalena Bentes também trabalhou. Rui Dias foi um dos presentes. José Encarnação (Foto Mira),técnico superior da Câmara Municipal de Loulé, deslocou-se, igualmente, à Capela de São Luís.  

“Foi minha madrinha no jornalismo”, contou, ao ‘Litoralgarve’, sem esconder a emoção, Jorge Santos, antigo colega de Madalena Bentes, destacando que ela“tinha imensa capacidade de trabalho, que a todos contagiava.”

Madalena Bentes, que iniciou a sua carreira na comunicação socia, nos anos 80 do século passado, no Jornal ‘Al Faghar’ (já extinto), transitando, em seguida,para o «Correio da Manhã’, passou a dedicar-se à produção de conteúdos digitais e consultoria de media, quando deixou o jornalismo. Agora, era especialista na criação de peças de artesanato.

“Estava sempre disponível e bastava-lhe ter conhecimento de alguma informação para escrever qualquer notícia sem problemas”, recordou, ao ‘Litoralgarve’, Ana Isabel Coelho, que também foi vizinha de Madalena Bentes

Por sua vez, Ana Isabel Coelho, que trabalhou no ‘Correio da Manhã’, na altura em que Madalena Bentes chefiava a Delegação de Faro, elogiou o seu “profissionalismo”. “Estava sempre disponível e bastava-lhe ter conhecimento de alguma informação para escrever qualquer notícia sem problemas”, recordou, ao ‘Litoralgarve’, Ana Isabel Coelho, actualmente no Gabinete de Comunicação da Câmara Municipal de Olhão. “Eramos muito amigas e vizinhas, pois residíamos no mesmo prédio”, acrescentou,com saudade e amargura estampada no rosto.

“Até à próxima”, assim se despediu dos colegas um jornalista após o velório. “Que não seja aqui…”, respondeu outro

Já no exterior da Capela de São Luís e após o carro funerário, com a urna, ter deixado o local em direcção ao Crematório de Faro, um jornalista despediu-se dos colegas, dizendo: “até à próxima”. Um outro respondeu: “que não seja aqui…”

O ‘Litoralgarve’ apresenta as mais sentidas condolências à família de Madalena Bentes.

Jornalistas residentes no Algarve, falecidos nos últimos anos

João Pina (26 de Janeiro de 2023. Tinha 67 anos e morreu após doença neurodegenerativa) – Foi fundador e director da revista ‘Algarve Mais’, editada em Armação de Pera, no concelho de Silves; do Jornal ‘Praia Dourada’, dosemanário desportivo algarvio ‘Campeão’ e da revista ‘Boxing’, já extintos.

António Vinagre (05 de Agosto de 2023). Vivia na zona de Montes de Alvor, perto do Aeródromo Municipal de Portimão, onde se dedicava à agricultura na sua quinta, depois de se ter reformado como jornalista. Tinha 81 anos e faleceu no Hospital de Faro, em consequência de doença prolongada. Foi jornalista da revista ‘Flama’, do vespertino ‘A Capital’ (já extintos), da Agência Noticiosa de Portugal Anop (que acabou por se fundir com a Agência NP – Notícias de Portugal, dando origem à Agência Lusa); e Chefe da Delegação de Portimão do ‘Diário de Notícias’ (DN), passando a ser mais tarde, o principal responsável deste Jornal, em Faro, como editor adjunto no quadro a nível nacional. Estas estruturas regionais do DN já não existem.

Viegas Gomes (14 de Novembro 2023. Tinha 85 anos).Foi jornalista do ‘Diário de Notícias’, em Faro, onde também colaborou com o semanário ‘Barlavento’, além de outras publicações.

António Silva (05 de Setembro de 2024. Tinha 70 anos e morreu após doença prolongada). Jornalista da Agência Lusa, em Évora, acabou por ser transferido para Faro, onde chefiou a delegação, na década de 90 do século XX.

Imagem : créditos Jornal Sulinformação