Líderes do projeto europeu “One Health 4 Cities” visitaram Loulé

Marlène Dussauge, da cidade de Lyon, líder e coordenadora do projeto europeu “One Health 4 Cities”, esteve em Loulé nos dias 7 e 8 de novembro, para uma visita técnica a este município algarvio, um dos territórios que integra a rede do programa URBACT.

Promover uma cidade que aposta num estilo de vida saudável e no envelhecimento ativo, sobretudo através da atividade desportiva, são as premissas da participação de Loulé em mais uma rede europeia. Depois de “Vital Cities” e de “Healthy Cities”, Loulé mergulha agora num novo desafio em que tem a seu lado mais oito cidades: Lyon (França), Estrasburgo (França), Suceava (Roménia), Kuopio (Finlândia), Lathi (Finlândia), Benissa (Espanha), Elefsina (Grécia) e Munique (Alemanha).

Em Loulé, a representante do “One Health” reuniu-se com a equipa local, coordenada por Tiago Guadalupe, bem como com alguns dos agentes locais, entre os quais as juntas de freguesia de S. Clemente e de Almancil, o Clube de Ténis de Loulé, o Clube BBT Terras de Loulé ou o ABC – Algarve Biomedical Center, este último um novo parceiro que terá um papel muito importante neste projeto. Não admira, pois, que durante a visita ao terreno, a comitiva tivesse estado no Centro de Competências de Envelhecimento Ativo e nos terrenos onde futuramente será criado o Centro Active Life, em Vilamoura. Pedro Castelo Branco, presidente do ABC, juntou-se ao grupo para apresentar as várias ações em curso que fazem já de Loulé o principal polo do envelhecimento ativo do país.

A título de balanço de dois dias de trabalho, Marlène Dussauge considerou ter sido este um momento inspirador para um projeto que agora arranca, até pela experiência que Loulé já tem em anteriores cooperações. “Foi interessante ver a variedade dos stakeholders, entre eles os responsáveis das juntas, agentes desportivos ou ‘atores’ ligados à área da saúde. É muito complementar e isso expressa bem a ideia do “OneHealth” já que junta à mesma mesa muitas pessoas dedicadas e conhecedoras, de diferentes quadrantes. Foi também muito interessante compreender Loulé como uma cidade – e um município -, muito grande e diverso. Têm aqui muitos ativos e pontos fortes, como é o caso do parque municipal com diversos equipamentos desportivos. Há aqui muitas coisas inspiradoras para as outras cidades”, sublinhou.

Da parte dos responsáveis locais, Tiago Guadalupe disse que o objetivo é “dar continuidade ao trabalho iniciado em 2015, promovendo a saúde da nossa população, através da atividade física informal”. No entanto, neste caso, o “foco” vai estar nos seniores e no envelhecimento ativo. “O objetivo não é que se viva até aos 120 ou 140 anos mas sim dar qualidade de vida para que essas pessoas vivam com mais qualidade”, explicou o coordenador que salientou a grande mais-valia desta partilha de experiências com outros parceiros europeus. “É muito interessante este tipo de projetos porque os problemas a nível europeu são basicamente os mesmos; a forma como cada país os vê e os trata é que difere. E nós aprendemos muito uns com os outros”, sublinhou ainda Tiago Guadalupe.

Nesta passagem por Loulé, a representante de Lyon foi recebida pelo vereador com o pelouro do Desporto, Carlos Carmo, que relembrou o percurso que Loulé tem feito no URBACT. “Fizemos muita questão de tentarmos, mais uma, vez estar neste programa. Foram mais de duas centenas de municípios que, por toda a Europa, concorreram para fazer parte desta rede. Para o Município de Loulé esta já é uma versão 3.0”, notou este responsável. E recordou as intervenções levadas a cabo no espaço público, em Loulé e Quarteira, no contexto das “Vital Cities”, “virado para as pessoas, para aquilo que é o desporto informal e a promoção da atividade física”. Em relação às “Healthy Cities”, o envolvimento da Autarquia passou sobretudo pela questão da mobilidade suave, em particular junto das escolas do 1º Ciclo. Dando corpo ao projeto, o Município investiu no apetrechamento das escolas com bicicletas e também na promoção do primeiro contacto das crianças com as bicicletas, através de aulas nos recintos escolares, “dado o elevado número de crianças que não sabia andar de bicicleta”.

A acompanhar os trabalhos esteve também Maria João Matos, da Direção-Geral do Território, em representação da URBACT Portugal, que frisou o facto de Loulé ser “um município resistente do Algarve”. “Temos muita dificuldade em captar municípios do Algarve para parceiros das redes URBACT mas Loulé tem-se mantido fiel e com resultados que apreciamos muito”, disse.

O projeto “One Health 4 Cities” propõe criar uma rede de cidades de forma a abordar os desafios da saúde humana de forma integrada, partindo, no caso de Loulé, de uma abordagem centrada na promoção da atividade física informal e de hábitos de vida saudáveis de forma a fortalecer a saúde a nível local e melhorar a resiliência das populações. As cidades podem considerar ações de diferentes pontos de vista e por meio de políticas diferentes, mas a perspetiva da saúde global irá fornecer uma estrutura comum e irá permitir desenvolver metodologias de partilha.

O horizonte temporal do projeto estende-se até 2027.

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