Legislativas 2025 – Entrevista a Saúl Rosa, candidato do PAN: “O nosso objetivo é batalhar pela abertura de um precedente histórico com a eleição de um deputado pelo Círculo de Faro”

“Queremos que esta região tenha representação efetiva e ativa na Assembleia da República.” Foi este o desejo expresso em entrevista por escrito ao ‘site’ «Litoralgarve», pelo cabeça de lista do PAN – Pessoas-Animais-Natureza, Saúl Rosa, no Círculo Eleitoral de Faro, nas eleições legislativas antecipadas de domingo, 18 de Maio, nas quais aposta numa surpresa do seu partido. “O Algarve precisa urgentemente de uma voz que defenda os seus interesses, com independência e que traga para o debate nacional, temas como a proteção ambiental, o bem-estar animal e os direitos humanos”, vinca. Nesta corrida eleitoral, uma das suas principais prioridades é “combater a crise habitacional, que afeta gravemente o Algarve e empurra famílias para a exclusão”. Se não houver uma maioria absoluta, “o PAN continuará a procurar entendimentos em nome do bem comum, seja à esquerda ou à direita”, garante Saúl Rosa, prometendo, acima de tudo, sentido de responsabilidade na próxima legislatura.

José Manuel Oliveira

Litoralgarve – Que perspectiva tem o PAN – Pessoas-Animais-Natureza para estas eleições

legislativas antecipadas, a 18 de Maio de 2025, no Círculo Eleitoral de Faro? Quantos

deputados espera eleger?

Saúl Rosa – O nosso objetivo é claro: batalhar pela abertura de um precedente histórico com a

eleição de um deputado do PAN pelo círculo de Faro. O Algarve precisa urgentemente de uma

voz que defenda os seus interesses, com independência e que traga para o debate nacional

temas como a proteção ambiental, o bem-estar animal e os direitos humanos. Queremos que

esta região tenha representação efetiva e ativa na Assembleia da República.

“Garantir que a construção do Hospital Central do Algarve avança de forma célere e sem mais promessas adiadas”

“Queremos avançar com propostas de referendo à regionalização – o Algarve deve

poder decidir sobre o seu próprio futuro” 

Litoralgarve – E qual a primeira medida que tomará se for eleito?

Saúl Rosa – Há várias prioridades que precisam de ser colocadas em marcha, desde o primeiro

dia. Em primeiro lugar, combater a crise habitacional, que afeta gravemente o Algarve e

empurra famílias para a exclusão. Em seguida, garantir que a construção do Hospital Central

do Algarve avança de forma célere e sem mais promessas adiadas. Também defenderemos a

preservação da biodiversidade e uma gestão sustentável dos recursos naturais da região.

Queremos, ainda, avançar com propostas de referendo à regionalização – o Algarve deve

poder decidir sobre o seu próprio futuro  –  e continuaremos a lutar por um círculo nacional de

compensação, que permita corrigir a sub-representação das regiões menos populosas como a

nossa. Por fim, manteremos firme a nossa luta pelas políticas de bem-estar animal, uma causa

central do PAN desde a sua fundação.

“O Algarve tem vivido décadas de desinvestimento e negligência”

Litoralgarve – Quais são os principais problemas que sente no Algarve e como resolvê-los? O

que mais o preocupa?

Saúl Rosa – O Algarve tem vivido décadas de desinvestimento e negligência. Enfrentamos

problemas estruturais, como a falta de habitação acessível, a pressão sobre os recursos

naturais, a falta de mobilidade pública eficiente e a ausência de serviços de saúde adequados,

especialmente no interior.

Precisamos de um modelo de desenvolvimento mais equilibrado, que reduza as desigualdades

regionais, valorize os recursos locais e respeite os limites ambientais. Preocupa-me,

profundamente, a forma como continuamos a sobrecarregar o território, principalmente em

nome de um turismo pouco sustentável, enquanto deixamos as populações locais sem acesso

a serviços básicos e com rendimentos cada vez mais pressionados.

“Enfrentamos desafios urgentes como a crise climática, a perda de biodiversidade, o agravamento das condições de vida e o aumento do custo de vida. Também é preocupante a concentração de decisões políticas em Lisboa, em detrimento de uma verdadeira descentralização.”

Litoralgarve – E a nível nacional?

Saúl Rosa – A nível nacional enfrentamos desafios urgentes como a crise climática, a perda de

biodiversidade, o agravamento das condições de vida e o aumento do custo de vida. Também é

preocupante a concentração de decisões políticas em Lisboa, em detrimento de uma

verdadeira descentralização. O país precisa de políticas que promovam equidade, respeito pelo ambiente e qualidade de

vida. Isso implica agir com visão de futuro, criando soluções que sejam sustentáveis não só do

ponto de vista económico, mas também social e ecológico.

“O Governo falhou na gestão desta crise energética. O apagão revelou fragilidades graves na nossa infraestrutura e, sobretudo, uma preocupante falta de transparência. O PAN foi dos primeiros a exigir explicações claras. Não se pode descartar, de forma leviana, hipóteses como um ciberataque”      

Litoralgarve – A que se deve, na sua opinião, o recente corte energético, conhecido por

apagão? Admite ter-se tratado de um ciberataque? O que falhou? Como prevenir estas

situações no futuro?

Saúl Rosa – O Governo falhou na gestão desta crise energética. O apagão revelou fragilidades

graves na nossa infraestrutura e, sobretudo, uma preocupante falta de transparência. O PAN foi

dos primeiros a exigir explicações claras. Não se pode descartar, de forma leviana, hipóteses

como um ciberataque, especialmente quando estão em causa sistemas críticos do país.

A resposta do Governo foi confusa e insuficiente. Precisamos de investir seriamente na

cibersegurança e reforçar a resiliência do sistema energético nacional, apostando numa rede

mais descentralizada, diversificada e assente em fontes renováveis. A confiança da população

exige clareza e responsabilidade — e isso faltou.

“É essencial distinguir entre quem procura melhores condições de vida, tenta trabalhar e regularizar-se, e quem não tem intenção de respeitar as regras do país. Para isso, precisamos de uma política migratória estruturada, justa e responsável.”

Litoralgarve – A imigração é um problema em Portugal? Como encara a decisão do Governo de

notificar para deixarem o país, numa primeira fase, mais de quatro mil cidadãos imigrantes

indocumentados e que procuram trabalhar? Que repercussões poderá ter essa situação?

Saúl Rosa – A imigração não é, em si, um problema. O problema está na forma como tem sido

gerida. O fim do regime de manifestação de interesse foi uma medida populista, que transforma

uma questão complexa numa decisão administrativa simplista. Em vez de resolver, agrava a

situação e empurra milhares de pessoas para a clandestinidade, expondo-as a redes de tráfico

humano e exploração.

É essencial distinguir entre quem procura melhores condições de vida, tenta trabalhar e

regularizar-se, e quem não tem intenção de respeitar as regras do país. Para isso, precisamos

de uma política migratória estruturada, justa e responsável.

Além disso, é urgente implementar um verdadeiro programa de inclusão, que promova o

acesso à educação, saúde, habitação, ensino da língua portuguesa e conhecimento da cultura

nacional. Só assim evitaremos que estas pessoas fiquem isoladas em comunidades fechadas,

sem integração, o que pode levar a tensões sociais e à exclusão, tanto dos migrantes como

das populações locais.

“A duração da legislatura dependerá da maturidade democrática dos partidos com maior representação”

Litoralgarve – Se não houver, de novo, maioria absoluta nestas eleições legislativas, como

antevê a formação do próximo Governo em Portugal? Admite que venha a ser uma legislatura

de curta duração, como já sucedeu?

Saúl Rosa – O risco de instabilidade está sempre presente quando não há responsabilidade

política. O que precisamos é de partidos que saibam dialogar, encontrar compromissos e

trabalhar por soluções duradouras. O PAN tem sido um exemplo de responsabilidade

institucional e continuará a procurar entendimentos em nome do bem comum. A duração da

legislatura dependerá da maturidade democrática dos partidos com maior representação.

“A AD e a Iniciativa Liberal partilham uma visão demasiado centrada no mercado, com propostas que fragilizam os serviços públicos, reduzem o papel do Estado e desvalorizam a proteção do território. O PAN tem fortes reservas quanto a esse modelo de governação.”

Litoralgarve – Como encara o cenário de um governo constituído pela AD – Coligação PSD/CDS, com o apoio da

Iniciativa Liberal?

Saúl Rosa – A AD e a Iniciativa Liberal partilham uma visão demasiado centrada no mercado,

com propostas que fragilizam os serviços públicos, reduzem o papel do Estado e desvalorizam

a proteção do território. O PAN tem fortes reservas quanto a esse modelo de governação.

Ainda assim, sendo um partido de pontes, manteremos abertura ao diálogo com todas as

forças políticas que demonstrem sentido de responsabilidade institucional, seja à esquerda ou

à direita.

“Não basta formar maiorias parlamentares se não houver coragem para enfrentar os desafios centrais do país”

Litoralgarve – E de uma nova ‘geringonça’, entre partidos de esquerda, liderada pelo PS?

Saúl Rosa – Uma repetição da chamada ‘geringonça’ não será necessariamente uma solução.

O que precisamos é de projetos claros e compromissos com reformas estruturais. Não basta

formar maiorias parlamentares se não houver coragem para enfrentar os desafios centrais do

país. O PAN manterá a sua independência e espírito crítico, mas estará sempre disponível para

contribuir construtivamente.

Na queda do atual Governo, “Montenegro transformou um problema pessoal num problema do país. A forma como tudo foi conduzido deixou a sensação de que quis fugir ao escrutínio e às explicações que os portugueses exigiam”

Litoralgarve – O que pensa da queda do actual Governo, liderado pelo social-democrata Luís

Montenegro, na sequência da moção de confiança apresentada pelo primeiro-ministro e a

dissolução da Assembleia da República, com a consequente convocação de eleições

legislativas antecipadas por parte do Chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa?

Saúl Rosa – Como afirmou Inês Sousa Real [porta-voz do PAN e deputada na Assembleia da República], Montenegro transformou um problema pessoal num problema do país. A forma como tudo foi conduzido deixou a sensação de que quis fugir ao escrutínio e às explicações que os portugueses exigiam. A dissolução da Assembleia da República

foi o desfecho lógico de um impasse provocado por falta de transparência e responsabilidade

governativa.

“A ausência de diálogo, a instabilidade e a incapacidade de cumprir com a confiança que o eleitorado lhe deu” por parte do primeiro-ministro

Litoralgarve – Que aspetos negativos e positivos destaca no atual governo?

Saúl Rosa – O lado negativo foi a ausência de diálogo, a instabilidade e a incapacidade de

cumprir com a confiança que o eleitorado lhe deu. Do lado positivo, talvez a intenção inicial de

mudança, mas que nunca se concretizou de forma estruturada. Ficou aquém do que o país

precisava.

“Os eleitores estão cansados e desiludidos. Sentem que os partidos do costume não

respondem às suas necessidades. Mas também vejo esperança — as pessoas querem

alternativas, querem projetos sérios, coerentes e com resultados práticos.”

Litoralgarve – O que lhe dizem os eleitores nos contactos que tem estabelecido? Estão

saturados de eleições, querem mudança?

Saúl Rosa – Sim, estão cansados e desiludidos. Sentem que os partidos do costume não

respondem às suas necessidades. Mas também vejo esperança — as pessoas querem

alternativas, querem projetos sérios, coerentes e com resultados práticos. É isso que tentamos

levar a cada conversa: uma política mais ética, mais próxima e mais comprometida com causas

urgentes e concretas.

“A abstenção é o maior adversário da democracia. Para combatê-la, temos de fazer política com verdade, proximidade e propostas realistas”

Litoralgarve – Receia o aumento da abstenção? Como é possível cativar votos?

Saúl Rosa – Sem dúvida. A abstenção é o maior adversário da democracia. Para combatê-la,

temos de fazer política com verdade, proximidade e propostas realistas. Não basta prometer,

é preciso apresentar soluções concretas, ouvir as pessoas e devolver-lhes a confiança na

política. A nossa forma de trabalhar, com base no respeito, na transparência e no compromisso

com causas essenciais, é a melhor forma de mobilizar os eleitores.

Litoralgarve – Como é a campanha do PAN no Algarve? Quais os custos?

Saúl Rosa – A nossa campanha é feita com o que temos: muito trabalho, dedicação e sentido

de missão. Os recursos são limitados, mas isso nunca nos impediu de estar próximos das

pessoas e de defender as nossas propostas com firmeza. Fazemos uma campanha limpa,

transparente, com contas claras e mensagens que representam verdadeiramente aquilo em

que acreditamos.

“Portugal pode ser uma referência global em sustentabilidade e qualidade de vida — só precisa de vontade política e de representantes com coragem para fazer diferente”

Litoralgarve – Que futuro para o país?

Saúl Rosa – Um futuro mais ético, mais justo e mais consciente, em que o desenvolvimento não

dependa do esgotamento dos recursos, onde os direitos humanos e o respeito pelo ambiente

caminhem lado a lado. Portugal pode ser uma referência global em sustentabilidade e

qualidade de vida — só precisa de vontade política e de representantes com coragem para

fazer diferente. É isso que o PAN quer ser: uma força de mudança construtiva e coerente.

Com 34 anos, natural de Vila Real de Santo António e residente em Castro Marim, Saúl Rosa prepara-se para ser pai de uma menina durante o mês de Julho deste ano, é benfiquista e CEO de uma empresa ligado ao sector hoteleira. Considera “uma pessoa resiliente e disciplinada” e com “alguma impaciência e teimosia por vezes”

Nome completo: Saúl José Lopes Rosa

Data do nascimento: 13 de agosto de 1989. Tem 34 anos de idade.

Estado Civil: Casado

Filhos: “Tornar-me-ei pai pela primeira vez de uma menina chamada Leonor que espera-se que nasça por volta de 13 de julho deste ano.”

Naturalidade: Vila Real de Santo António

Residência: Castro Marim

Filiação partidária: PAN – Pessoas-Animais-Natureza

Cargos políticos que já desempenhou (e exerce):

 Membro da Comissão Política Concelhia de Vila Real de Santo António (desde

2021); Membro da Comissão Política Distrital do Algarve (desde 2020); Membro da Comissão Política Nacional do PAN (desde 2023)

Profissão: CEO de uma empresa ligada ao setor hoteleiro

Habilitações literárias: Licenciado

Idioma que domina: Português “(e também inglês, presumivelmente, por razões

profissionais)”

Trompete, artes marciais, família e viagens

Clube desportivo da sua preferência: Sport Lisboa e Benfica

Como ocupa os tempos livres: “a tocar trompete, a praticar artes marciais, estar com a família, a viajar”

Gastronomia / prato preferido: Feijoada de cogumelos

Religião: Agnóstico

A sua principal virtude: Ser uma pessoa resiliente e disciplinada

E o seu principal defeito: Alguma Impaciência e teimosia por vezes

Contra a hipocrisia e indiferença

O que mais admira nas pessoas: Honestidade e empatia

E o que mais detesta: Hipocrisia e indiferença

A figura nacional que mais aprecia e porquê: “Inês de Sousa Real – pelo seu

compromisso com a ética na política e a coerência na defesa dos princípios do PAN”.

E a que mais detesta e qual o motivo: “Políticos que colocam e colocaram interesses

pessoais acima do interesse público, sem mencionar nomes específicos.”

E a nível internacional, que destaca e porquê: “Greta Thunberg – pelo impacto global na

consciencialização climática e na mobilização das gerações mais jovens para a ação.

Se formos ao passado, Winston Churchill sem sombra de dúvida, pela forma como

salvou a Europa de si própria.”