“Esperamos aumentar a votação e o número de deputados eleitos por Faro, ficando à frente das restantes forças políticas”, admite, em entrevista por escrito ao ’site’ «Litoralgarve», a social-democrata Maria da Graça Carvalho, actual ministra do Ambiente e Energia e que encabeça a lista de candidatos a deputados da AD- Coligação PSD/CDS, por este círculo eleitoral às eleições para a Assembleia da República.
Entre os projectos em curso, aponta “dois anos” para possibilitar ao Algarve ficar “mais preparado para enfrentar períodos de seca”, devidoaos” investimentos que estamos já a executar, desde a tomada de água do Pomarão à Dessalinizadora de Albufeira, sem esquecer a modernização e melhoria da eficiência das redes de abastecimento”. E conta porque optou por esta região do Sul do País, na sua candidatura a deputada.
José Manuel Oliveira
Litoralgarve – Como surgiu a sua candidatura pelo Círculo Eleitoral de Faro à Assembleia da República? Foi um convite do presidente do PSD e primeiro-ministro? E como foi recebida pelos militantes do partido no Algarve?
Maria da Graça Carvalho – Foi um convite da direção do partido, que foi ao encontro da minha vontade. A partir do momento em que se colocou a hipótese de encabeçar uma lista nestas eleições legislativas, o meu pensamento focou-se sempre no Algarve, pela relação que tenho com esta região e com o Sul do País, e pelo muito trabalho que fiz no Algarve (e com o Algarve) ao longo do último ano, sobretudo no tema da água e da resiliência hídrica, mas também na Proteção do Litoral, na defesa da biodiversidade e nos transportes, entre outros. Fui muito bem recebida pelos militantes do Algarve e pelos meus colegas de lista, a começar pelo meu caro amigo, o senhor deputado Cristóvão Norte.
“O Algarve foi muito desprezado pelos governos socialistas”

“Acreditamos que, ao longo do último ano, demonstrámos que, para a AD, o Algarve é mesmo prioritário. Não é retórica eleitoral”
Litoralgarve – Que perspectivas tem a AD – Coligação PSD/CDS para estas eleições legislativas antecipadas, a 18 de Maio de 2025, no Círculo Eleitoral de Faro? Quantos deputados espera eleger?
Maria da Graça Carvalho – A expetativa da AD é melhorar significativamente os resultados alcançados no ano passado e vencer claramente as eleições legislativas. E sabemos que o Círculo Eleitoral de Faro é muito importante para esse fim. Esperamos aumentar a votação e o número de deputados eleitos por Faro, ficando à frente das restantes forças políticas. Temos, também, a consciência de que temos de merecer e justificar cada voto, porque o Algarve foi muito desprezado pelos governos socialistas, mas acreditamos que, ao longo do último ano, demonstrámos que, para a AD, o Algarve é mesmo prioritário. Não é retórica eleitoral.
Medidas a tomar? “Um conjunto alargado de ações, abrangendo a Saúde, a Educação, a Habitação, a Mobilidade, o Emprego, a Segurança, que são essenciais para os algarvios e que são há muito aguardadas pelos algarvios. Serão concretizadas se formos merecedores da confiança dos eleitores.”
Litoralgarve – E qual a primeira medida que tomará se for eleita?
Maria da Graça Carvalho – O meu compromisso, e o compromisso da AD – Coligação PSD/CDS-PP, não é com uma única medida, mas com um conjunto alargado de ações, abrangendo a Saúde, a Educação, a Habitação, a Mobilidade, o Emprego, a Segurança, que são essenciais para os algarvios e que são há muito aguardadas pelos algarvios. Serão concretizadas se formos merecedores da confiança dos eleitores.
“Com os investimentos que estamos já a executar, desde a tomada de água do Pomarão à Dessalinizadora de Albufeira, sem esquecer a modernização e melhoria da eficiência das redes de abastecimento, estamos a criar as condições para que, dentro de dois anos, o Algarve tenha um novo cenário: mais seguro do ponto de vista hídrico, mais preparado para enfrentar os períodos de seca e com uma gestão da água mais eficiente, moderna e sustentável”
Litoralgarve – Quais são os principais problemas que sente no Algarve e como resolvê-los? O que mais a preocupa?
Maria da Graça Carvalho – Os principais problemas estão nos temas que referi: Saúde, Educação, Habitação, Mobilidade, Emprego, Diversidade das atividades económicas. Existe, ainda, um problema ao nível da resiliência hídrica, que é comum a outras regiões do Sul da Europa, mas a minha convicção é que, com os investimentos que estamos já a executar, desde a tomada de água do Pomarão à Dessalinizadora de Albufeira, sem esquecer a modernização e melhoria da eficiência das redes de abastecimento, estamos a criar as condições para que, dentro de dois anos, o Algarve tenha um novo cenário: mais seguro do ponto de vista hídrico, mais preparado para enfrentar os períodos de seca e com uma gestão da água mais eficiente, moderna e sustentável.
O Algarve tem um potencial extraordinário de crescimento, não apenas nas áreas em que já sobressai atualmente, como o turismo e a agricultura, mas em muitas outras, desde a Economia Azul à aposta na produção de renováveis e na criação de oportunidades de emprego e de negócios na chamada economia digital. Mas para que esse potencial possa ser aproveitado, é preciso criar as condições de contexto, que passam por melhorar o acesso a direitos básicos, como saúde, educação e habitação de qualidade. Desde logo por quem já vive no Algarve, mas também por aqueles que poderão elegê-lo como local para fixarem a sua residência e/ou a sua atividade.
“A estratégia do governo da AD tem sido apostar na dinamização da economia, em todos os setores, como estratégia para criar riqueza e melhorar a vida das pessoas”
“Os nossos principais adversários políticos não acreditam em políticas expansionistas e por isso estruturam toda a sua estratégia no pressuposto da estagnação. Nós somos uma coligação com uma forte matriz social-democrata e humanista.”
Litoralgarve – E a nível nacional?
Maria da Graça Carvalho – Desde o início, a estratégia do governo da AD tem sido apostar na dinamização da economia, em todos os setores, como estratégia para criar riqueza e melhorar a vida das pessoas. Os nossos principais adversários políticos não acreditam em políticas expansionistas e por isso estruturam toda a sua estratégia no pressuposto da estagnação. Nós somos uma coligação com uma forte matriz social-democrata e humanista. Acreditamos na justiça social e na redistribuição. Mas sabemos – e demonstrámo-lo ao longo do último ano – que a melhor forma de promover essa justiça é criando valor acrescentado. Por isso, reforçámos os apoios às classes sociais e às faixas etárias mais desfavorecidas, mas a Segurança Social está hoje mais robusta do que estava há um ano.
Apagão? “O mais importante, na minha opinião, é que Portugal foi capaz de resolver por si este problema, recorrendo aos mecanismos de arranque autónomo que existiam, e fê-lo inclusivamente mais depressa que a Espanha, que tem a vantagem da ligação elétrica a França”
Litoralgarve – A que se deve, na sua opinião, o recente corte energético, conhecido por apagão? Admite ter-se tratado de um ciberataque? O que falhou? Como prevenir estas situações no futuro?
Maria da Graça Carvalho – Não se trata de uma opinião. Está estabelecido que o corte teve origem num conjunto de incidentes ocorridos em Espanha, cujas causas ainda estão a ser apuradas. Não tenho quaisquer elementos neste momento que me levem a acreditar que possa ter existido alguma origem maliciosa por detrás do sucedido. O mais importante, na minha opinião, é que Portugal foi capaz de resolver por si este problema, recorrendo aos mecanismos de arranque autónomo que existiam, e fê-lo inclusivamente mais depressa que a Espanha, que tem a vantagem da ligação elétrica a França.
“Portugal precisa dos imigrantes para crescer. O que é um problema é a imigração feita sem regras nem estratégia, como aquela que foi promovida pelo anterior governo, com os resultados que se vêem”
“A notificação [a mais de quatro mil imigrantes indocumentados] não foi uma decisão do governo, mas a consequência do funcionamento normal dos serviços que acompanham a imigração”
Litoralgarve – A imigração é um problema em Portugal? Como encara a decisão do Governo de notificar para deixarem o país, numa primeira fase, mais de quatro mil cidadãos imigrantes indocumentados e que procuram trabalhar? Que repercussões poderá ter essa situação?
Maria da Graça Carvalho – A imigração não é um problema para Portugal. Pelo contrário: precisamos de imigração em todos os setores, desde a agricultura, às pescas e à hotelaria, aos postos de trabalho altamente qualificados. Portugal precisa dos imigrantes para crescer. O que é um problema é a imigração feita sem regras nem estratégia, como aquela que foi promovida pelo anterior governo, com os resultados que se vêem. Quando não existe uma regulação clara, surgem oportunistas a explorar quem tem o sonho de vir para o nosso país em busca de um futuro melhor. As principais vítimas dessa desregulação são os próprios imigrantes. Queremos que quem vem para Portugal venha para efetivamente melhorar a sua vida e contribuir para a economia nacional.
A notificação a que faz referência não foi uma decisão do governo, mas a consequência do funcionamento normal dos serviços que acompanham a imigração. Quatro mil é um número significativo, mas, quando o encaramos no contexto das dezenas e centenas de milhar de pessoas que procuram Portugal para trabalhar, já não o é.
Legislatura de curta duração se não houver maioria absoluta? “Neste momento, a única coisa que admito é a vitória da AD – Coligação PSD/CDS, com uma maioria clara, a “maioria maior” ”
Litoralgarve – Se não houver, de novo, maioria absoluta nestas eleições legislativas, como antevê a formação do próximo Governo em Portugal? Admite que venha a ser uma legislatura de curta duração, como já sucedeu?
Maria da Graça Carvalho – Neste momento, a única coisa que admito é a vitória da AD – Coligação PSD/CDS, com uma maioria clara, a “maioria maior” de que falava Sá Carneiro.
Residente em Lisboa e natural de Beja, tem 70 anos, é licenciada em Engenharia Mecânica e professora Catedrática, tendo desempenhado vários cargos a nível nacional e internacional. Actual ministra do Ambiente e Energia, gosta de “ler e de ver um bom filme ou série” e elege xerém como o seu prato favorito
Nome completo: Maria da Graça Martins da Silva Carvalho
Data do nascimento: 9 de abril de 1955. Tem 70 anos de idade
Estado Civil: Divorciada
Filhos: Não tenho
Naturalidade: Beja
Residência: Lisboa
Filiação partidária: PPD-PSD
Cargos políticos que já desempenhou: Ministra da Ciência e do Ensino Superior (2003 a 2004), Ministra da Ciência, Inovação e Ensino Superior (2004 a 2005), Conselheira do Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, para as áreas de Ciência, Inovação, Energia e Clima (2006 a 2009), Deputada ao Parlamento Europeu (2009-2014), Deputada ao Parlamento Europeu (2019-2024), Ministra do Ambiente e Energia (2024-2025).
E a outro nível: Professora Universitária e Investigadora, membro do Conselho Diretivo e Presidente do Conselho Científico do Instituto Superior Técnico, vice-presidente da Direção da Ordem dos Engenheiros, membro do Conselho Nacional de Educação e do Conselho Nacional de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, presidente do Instituto Francisco Sá Carneiro, membro do Conselho Executivo do ‘Wilfried Martens Center for European Studies’ e do Conselho Consultivo do ‘European Network of European Foundations (ENoP)’. Membro da Academia das Ciências e Membro Fundadora da Academia Portuguesa de Engenharia.
Profissão: Professora Catedrática do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa.
Habilitações literárias: Licenciada em Engenharia Mecânica pelo Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa; doutorada pelo ‘Imperial College of Science, Technology and Medicine’, no Reino Unido; e Agregação, Universidade de Lisboa.
“Persistência” é a principal virtude de Maria da Graça Carvalho, que admira “a sinceridade” nas pessoas e detesta “a hipocrisia”
Idiomas que domina: Português, Inglês e Francês.
Clube desportivo da sua preferência: Prefiro a Seleção Nacional.
Como ocupa os tempos livres: Não tenho muitos. Gosto de ler e de ver um bom filme ou série.
Gastronomia/prato preferido: Xerém
Religião: Católica
A sua principal virtude: Persistência
E o seu principal defeito: Demasiado persistente
O que mais admira nas pessoas: A sinceridade
E o que mais detesta: A hipocrisia.
A figura nacional que mais aprecia: Fernando Pessoa










