Lagos vai animar o centro histórico, com música, exposições e outros eventos durante todo o ano para atrair a população e turistas e dinamizar a actividade económica

Reunião de empresários com a Associação do Comércio e Serviços da Região do Algarve (ACRAL), em Março, servirá, como antecipou ao ‘Litoralgarve’ Ângelo Mariano, coordenador desta entidade, no concelho de Lagos, após o sorteio dos cupões da campanha de Natal, para “lançar ideias e apresentar um projeto à Câmara Municipal.” E a vereadora Sara Coelho quer “estimular a população a sair de casa”.

José Manuel Oliveira

Sábado, 06 de Janeiro de 2024, Dia de Reis, com tarde de sol em Lagos e 21 graus centígrados de temperatura. No Posto de Turismo, instalado no rés-do-chão do antigo edifício dos Paços do Concelho de Lagos, na Praça Gil Eannes, pelas 15.00 horas, Ângelo Mariano, coordenador da Associação do Comércio e Serviços da Região do Algarve (ACRAL), neste concelho, deu os primeiros passos para iniciar o sorteio da campanha ´Natal em Lagos 2023’, que se prolongou até ao dia 05 de Janeiro, organizada por aquela entidade, com o apoio do município local, após várias voltas à tômbola ali colocada, contendo milhares de cupões de pessoas, as quais fizeram compras no valor mínimo de 10 euros em vários estabelecimentos comerciais da cidade durante a quadra festiva.

Os 60 contemplados no sorteio da campanha ‘Natal em Lagos 2023’ têm direito a adquirir, até final de Fevereiro, peças de vestuário, calçado e produtos de artesanato, no valor de 100 euros, nos estabelecimentos que contribuíram para esta iniciativa

Em seguida, coube à vereadora da Cultura e Turismo, entre outros pelouros na Câmara Municipal de Lagos, Sara Coelho, tirar os primeiros três cupões, como estava estipulado. O coordenador da ACRAL recebeu-os e, junto a uma janela, tomou nota desses nomes contemplados, numa folha. Depois, foi o próprio Ângelo Mariano a tirar mais três cupões do interior da tômbola e a escrever os nomes sorteados. Sara Coelho voltou a tirar mais três cupões e o mesmo fez uma funcionária da Divisão de Cultura da Câmara Municipal de Lagos, Patrícia Correia. Em pouco mais de vinte minutos, e depois de várias voltas à tômbola, foram retirados por aqueles três elementos 80 cupões, 60 dos quais com a indicação das pessoas completadas e os restantes 20 a funcionarem como suplentes. O coordenador da ACRAL ficou com a lista de todos os nomes e respetivos números de telemóveis ou telefones e ‘emails’ para contactar os 60 premiados. Se após três tentativas, eles não responderem, serão contactados os nomes que figuram como suplentes neste sorteio.

O processo deverá ficar concluído até ao final desta semana e os nomes dos premiados serão divulgados na página da ACRAL/Lagos, na rede social ‘Facebook’, a exemplo dos anos anteriores. Os contemplados têm direito a adquirir produtos nos estabelecimentos que aderiram a esta campanha, no valor de 100 euros para usufruir até ao fim do mês de Fevereiro.

 

Ângelo Mariano, da ACRAL: “Aderiram à campanha ‘Natal em Lagos 2023’ mais de 40 estabelecimentos comerciais desta cidade, na sua maioria de venda de vestuário, calçado e artesanato. Foram mais do que no ano anterior”. Isto, apesar da crise económica e social

“Aderiram à campanha ‘Natal em Lagos 2023’mais de 40 estabelecimentos comerciais desta cidade, na sua maioria de venda de vestuário, calçado e artesanato. Foram mais do que no ano anterior”, contou, ao ‘Litoralgarve’, Ângelo Mariano, coordenador da ACRAL neste concelho, reconhecendo que “a crise económica e social refletiu-se bastante nesta situação”. Apesar de terem sido contactados, proprietários de ‘snack-bares’ e de outros estabelecimentos do sector da restauração “não quiseram aderir a esta campanha, que visa dinamizar a economia local”. “Também várias lojas de outros ramos de atividade não entraram na nossa iniciativa pelo facto de os donos não se encontrarem no Algarve e os funcionários não conseguirem transmitir-lhes a informação necessária”, observou Ângelo Mariano, assumindo, também, que “é necessário trabalhar nesta campanha com mais antecedência.”

Já a vereadora Sara Coelho, em declarações ao ‘Litoralgarve’, admitiu ter sido “igual ou superior” a adesão à campanha ´Natal em Lagos 2023’. “Correspondeu às expectativas com a população a aderir a esta iniciativa”, embora reconhecendo “dificuldades devido à crise” económica.

“Encher restaurantes, bares e outros estabelecimentos, além do comércio em geral”

Por outro lado, o dirigente da ACRAL vai participar, durante o mês de Março, numa reunião com empresários de Lagos, que terá por objetivo “lançar ideias para traçar um projeto, a fim de proporcionar uma nova dinâmica à zona do centro histórico, e apresentá-lo à Câmara Municipal.” “A aposta é garantir, de uma forma ativa, animação durante todo o ano na cidade de Lagos, a vários níveis, por exemplo, com música, exposições e festas para atrair pessoas e visitantes de outras zonas do Algarve e contribuir, assim, para encher restaurantes, bares e outros estabelecimentos, além do comércio em geral, fortalecendo a economia local ”, sublinhou, ao ‘Litoralgarve’, Ângelo Mariano.

“As pessoas estão desiludidas com o centro histórico de Lagos, onde não há dinâmica. E como tal, muitos empresários até preferem fechar os seus estabelecimentos mais cedo, ou até durante algum tempo, no Inverno, do que perder dinheiro, por falta de animação que cativam clientes”

“As pessoas estão desiludidas com o centro histórico de Lagos, onde não há dinâmica. E como tal, muitos empresários até preferem fechar os seus estabelecimentos mais cedo, ou até durante algum tempo, no Inverno, do que perder dinheiro, por falta de animação que cativaria clientes”, lamentou aquele dirigente da ACRAL. “Os eventos, a animação não devem ter lugar, apenas, no Verão, ou no Natal e na passagem-de-ano. É necessário ter ideias e encontrar soluções para atrair pessoas durante todo o ano à cidade de Lagos”, reforçou.

Vereadora Sara Coelho aposta em criar condições para prolongar o horário de muitos estabelecimentos e numa “boa gestão do espaço público, nomeadamente ao nível das esplanadas” 

Quem, também, aposta em condições para dinamizar o centro histórico é Sara Coelho, vereadora do executivo camarário local, sobretudo, como referiu ao nosso Jornal, com “atividades culturais, exposições, espetáculos e outros eventos, para atrair a população, além de uma boa gestão do espaço público, nomeadamente ao nível das esplanadas” dos estabelecimentos ligados ao sector da restauração em Lagos. “Há que dinamizar o centro da cidade durante o ano inteiro, com animação na rua”, insistiu a autarca, defendendo, nesse sentido, a criação de condições para muitos estabelecimentos poderem prolongar os seus horários de funcionamento, mesmo durante a denominada época baixa.

Carnaval em “Odiáxere como referência” no concelho e a continuação dos festejos para crianças na Avenida dos Descobrimentos, em Lagos

Por outro lado, a um mês do Carnaval, que terá lugar de 10 a 13 (Entrudo) de Fevereiro, a vereadora Sara Coelho garantiu que a Câmara Municipal de Lagos continua a apostar na localidade de “Odiáxere como a referência” dos festejos neste concelho, além da “animação dedicada às crianças na Avenida dos Descobrimentos” ao nível da cidade, como é habitual. “O nosso objetivo é esse, em vez de dispersar o evento por vários locais”, notou.

Da comemoração dos 50 anos do 25 de Abril de 1974, às Marchas Populares, Arte Doce e ao Banho de 29 de Agosto, entre outros eventos

Numa altura em que se começam a programar as comemorações dos 50 anos da data de 25 de Abril de 1974, a partir da qual surgiu a democracia em Portugal, a autarca, sem adiantar pormenores, perspetiva a realização, nomeadamente de “atividades ao ar livre” no concelho de Lagos para assinalar a efeméride. “É preciso estimular a população a sair de casa”, defendeu Sara Coelho. O que também não faltará são as Marchas Populares, em Junho, na Praça do Infante Dom Henrique, com vários espetáculos, para assinalar os tradicionais festejos alusivos ao Santo António, São João e São Pedro. Isto, além de outras iniciativas, entre as quais o já famoso concurso Arte Doce e o Banho de 29 de Agosto.

Forte da Ponta da Bandeira aguarda recrutamento de funcionários nas áreas do turismo e da museologia para reabrir ao público “antes do Verão de 2024” 

Já em relação ao Forte da Ponta da Bandeira, há meses encerrado, o que tem suscitado tantas críticas ao nível da população, a vereadora Sara Coelho disse, ao ‘Litoralgarve’, que este monumento deverá reabrir ao público “antes do Verão de 2024”. Nesse sentido, está “em vias de resolução o concurso para recrutamento de pessoal nas áreas do turismo e da museologia”, acrescentou.

Reabilitação da Igreja de São Sebastião, em Lagos, terá de contar com verbas da União Europeia, através do Plano de Recuperação e Resiliência, podendo a situação ficar clarificada durante este ano

No tocante à Igreja de São Sebastião, monumento nacional que se encontra, há anos, em estado de degradação, a autarca reconheceu a existência de “algumas dificuldades” para definir o investimento necessário com as obras a levar a efeito para a sua reabilitação. “O Estado terá de definir a sua comparticipação, com verbas da União Europeia, através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR)”, frisou Sara Coelho, admitindo que, durante o ano de 2024, a situação poderá ficar clarificada para a abertura do respetivo concurso público destinado à recuperação deste edifício religioso.

Estender, em 2025, às ruas e a outros locais públicos o cantar das Janeiras e dos Reis

Por outro lado, esta vereadora da Câmara Municipal de Lagos, presença habitual no espetáculo ‘Cantar dos Reis’ na Igreja de São Sebastião, em Lagos, e na Igreja Paroquial de Odiáxere, para dar as boas-vindas ao novo ano, lança, desde já, um repto: “Gostaria de ver, em 2025, a iniciativa estender-se, também, às ruas e a outros locais públicos, como acontecia noutros tempos”. Nessa altura, grupos de populares cantavam as Janeiras e, poucos dias depois, os Reis, junto dos moradores de habitações e em várias instituições do concelho, acabando por receber, como ofertas, filhoses e outros doces, além de bebidas e até dinheiro. Recuperar essa tradição surge, agora, como uma aposta em Lagos, numa altura em que a mesma já está enraizada noutros concelhos do Algarve.

Mais Artigos