Lagos – Noite de ‘Cantar dos Reis’ na Igreja de São Sebastião, animada por dez grupos, com insistentes apelos à paz. Evento chegou a contar com mais duzentas pessoas no público

Houve menos gente a assistir do que no ano anterior e mais grupos a actuar. Clube Artístico Lacobrigense e Grupo Coral da Igreja de São Sebastião foram novidades. Cada conjunto recebeu um bolo-rei e uma garrafa de vinho do Porto, como ofertas habituais da Junta de Freguesia de São Gonçalo de Lagos, organizadora do evento, juntamente com as Paróquias do concelho.

José Manuel Oliveira

Centro de Estudos de Lagos, Clube Artístico Lacobrigense, Amodantiga, Grupo Coral da Igreja de São Sebastião, Entre Amigos, Liga dos Combatentes – Núcleo de Lagos, Sociedade Filarmónica Lacobrigense 1º. de Maio & Associação Grupo Coral de Lagos, Grupo de Amigos do Chinicato e Rancho Folclórico e Etnográfico de Odiáxere. Foram estes os grupos de instituições que animaram o espectáculo ‘Cantar dos Reis’, entre as 21h00 e as 23h15 de 05 Janeiro de 2026, na Igreja de São Sebastião, em Lagos, onde chegaram a estar mais de duzentas pessoas a assistir, como anotou o ‘Litoralgarve’. Mesmo assim, segundo nos confirmaram, a afluência de público foi menor em comparação com o ano anterior. E continua a ser visível o aspecto degradado do templo, há muito a necessitar de obras.

Noite fria, com dez graus centígrados na rua

A noite estava fria, tipicamente de Inverno, com os termómetros a assinalarem dez graus centígrados de temperatura na rua. No interior da igreja, o ambiente era acolhedor nesta iniciativa organizada pela Junta de Freguesia de São Gonçalo de Lagos, com o apoio das Paróquias. Várias pessoas embalavam ao som das músicas e canções dos diversos grupos e outras aproveitavam para captar imagens e procederem a filmagens em vídeo através dos seus telemóveis.

Um bolo-rei e uma garrafa de vinho do Porto para cada grupo

O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lagos, Pedro Cruz, o presidente da Direção do Clube Artístico Lacobrigense, Nuno Serafim, o ex-presidente da Junta da Junta de Freguesia de São Gonçalo de Lagos, Carlos Saúde, e o vice-presidente da Câmara Municipal de Lagos, Paulo Jorge Reis, eram algumas das figuras que se podiam ver na Igreja. Já a nova presidente da Junta de Freguesia de São Gonçalo de Lagos, socialista Patrícia Silva, ofereceu uma embalagem com um bolo-rei e uma caixa contendo uma garrafa de vinho do Porto a um representante de cada grupo no final da atuação de cada um, com três canções, entre aplausos da assistência. E numa altura em que se intensificam conflitos em várias partes do mundo e não faltam casos de insegurança em Portugal, o “apelo à paz”, com votos de “muita saúde, muita alegria” e “desejo de Bom Ano para todos” foram as frases que mais se ouviram por parte dos apresentadores dos grupos que participaram neste evento do ‘Cantar dos Reis’, em Lagos. Constituído por 15 elementos, entre crianças, jovens e adultos, o Grupo Coral da Igreja de São Sebastião foi uma das novidades.

Vice-Presidente da Câmara Municipal de Lagos, Paulo Jorge Reis: “Bem Hajam! São tradições para continuar”

Numa curta intervenção, Paulo Jorge Reis, vice-presidente da Câmara Municipal de Lagos (PS), após deixar votos de “Bom Ano para todos, com alegria e com saúde”, recordou que o ‘Cantar dos Reis’ e das Janeiras lhe “fazia lembrar outros tempos”, numa alusão às deslocações de grupos de pessoas pelas ruas, em animação, e junto a habitações para dedicar o momento a famílias. E apelou para que “grupos de jovens” se esforcem “para dar continuidade” a este tipo de iniciativas. “Bem Hajam! São tradições para continuar”, insistiu o autarca lacobrigense.

Padre Vasco Figueirinha: “Nós, cristãos, desejamos a todos alegria e paz”. A Igreja é uma “casa especial”

Sentado discretamente numa das pontas de um amplos bancos instalados no lado esquerdo da Igreja de São Sebastião, o padre Vasco Figueirinha foi, a certa altura, chamado a intervir perto do altar principal, onde os grupos cantaram os Reis. Depois de referir que esta é “Casa habitual dos Cristãos, da paz”, o sacerdote sublinhou tratar-se de uma “Casa especial, dos espaços mais sagrados.” “Nós, cristãos, desejamos a todos alegria e paz”, insistiu. Em seguida, rezou uma pequena oração, concluindo com a bênção “Pai, Filho, Espírito Santo” e o sinal da cruz. Foi acompanhado por parte dos presentes na Igreja.

Paz e amor “é tudo o que faz falta neste mundo” – o lamento de um elemento do grupo da Liga dos Combatentes – Núcleo de Lagos, ao desejar um “Bom Ano”

Com três canções em cerca de dez minutos, o grupo da Liga dos Combatentes – Núcleo de Lagos, tendo um elemento a segurar o estandarte, ao desejar um “Bom Ano, com saúde, paz e amor”, lembrou que “é tudo o que faz falta neste mundo.” Na última canção, um dos seus elementos puxou pelo público, que correspondeu.

Seguiu-se a actuação conjunta do Grupo Coral de Lagos e da Sociedade Filarmónica Lacobrigense 1º. de Maio, com um total de trinta membros. Eis algumas das canções apresentadas, enquanto dois elementos recolhiam dinheiro com sacos junto do público:

 «Hoje é dia de Janeiro

E de grande merecimento

Por ser dia primeiro

Que Jesus passou tormento»

«Obrigado, minha senhora

Pela sua Janeirinha

Para o ano cá estaremos

Nós e mais as criancinhas»

«Os tormentos que passou

De sua livre vontade

O seu sangue derramou

P´ra salvar a Cristandade»

Após a actuação do Grupo de Amigos do Chinicato, em que uma senhora surgiu a tocar tambor, a noite terminou com o Rancho Folclórico e Etográfico de Odiáxere. Como é tradição, as senhoras apresentarem-se vestidas a rigor, com xailes, saias e lenços na cabeça. E como também é habitual, as quase três dezenas de elementos deste grupo atravessaram a igreja em direcção ao local da actuação, já a cantar:

 «Os anjos cantam

 Tocam os sinos

 Lá em Belém

Jesus Cristo nasceu para nosso bem». 

Além dos Reis, o Rancho Folclórico e Etnográfico de Odiáxere cantou as Janeiras, tendo Dora Silva lembrado ao público que o reportório é imenso. Se todas as canções fossem apresentadas, “nunca mais acabávamos”, notou. A última foi dedicada a agradecer a “esmola” oferecida pelas pessoas na igreja, quando um dos seus elementos, como habitualmente, foi recolhendo dinheiro para um amplo saco branco.

“Foi uma noite verdadeiramente especial, marcada pela música, pela tradição e pela partilha, que proporcionou uma entrada memorial em 2026” – Presidente da Junta de Freguesia de São Gonçalo de Lagos, Patrícia Silva

Quem não escondeu a sua satisfação foi a recém-eleita presidente da Junta de Freguesia de São Gonçalo de Lagos, Patrícia Silva: “Foi uma noite verdadeiramente especial, marcada pela música, pela tradição e pela partilha, que proporcionou uma entrada memorial em 2026.”

Os grupos, “cada um à sua maneira, com as suas próprias características, os seus estilos e as suas canções, completaram-se neste espectáculo em noite de Reis”, enalteceu uma senhora, no final

À saída da Igreja de São Sebastião, muitas pessoas procuravam aconchegar-se para enfrentar os dez graus centígrados de temperatura na noite fria de Reis. De um modo geral, todos os grupos mereceram elogios. “Cada um à sua maneira, com as suas próprias características, os seus estilos e as suas canções, completaram-se neste espetáculo em noite de Reis”, dizia, ao ‘Litoralgarve’, uma senhora. Mesmo assim, admitiu ter apreciado, em particular, o Grupo dos Amigos do Chinicato e o Rancho Folclórico e Etnográfico de Odiáxere, neste caso particular pelos trajes tradicionais apresentados pelos seus elementos.