José Ribeiro e Castro, advogado, ex-líder do CDS e antigo governante, ao ‘Litoralgarve’: “Não creio que o Chega faça parte de uma solução governativa estável”

“Ainda é cedo para dizer” se deve haver coligação entre o PSD e o CDS, com vista às eleições legislativas antecipadas, marcadas para 10 de Março de 2024, afirmou o ex-presidente do CDS – Partido Popular José Ribeiro e Castro, defendendo que “a Iniciativa Liberal também pode fazer parte” desse processo.

Numa breve entrevista ao ‘Litoralgarve’, após uma palestra sobre o 25 de Novembro de 1975, durante a tarde do passado sábado, no Teatro Municipal de Portimão, José Ribeiro e Castro, de 69 anos de idade, reconheceu que o CDS atravessa um momento “difícil”, ao ter ficado sem deputados na Assembleia da República, deixou recados ao seu partido e nem quer pensar que a esquerda continue no poder em Portugal. “Isso será muito mau para o país, uma desgraça. Ficaremos cada vez mais pobres, cada vez mais na cauda da Europa e com tensões sociais muito graves”, avisou o antigo governante de executivos da Aliança Democrática (AD), liderados por Francisco Sá Carneiro e Pinto Balsemão, quando Freitas do Amaral era presidente dos democratas-cristãos.

 

José Manuel Oliveira

 

Litoralgarve – O que é necessário para a Direita, em Portugal, vencer as eleições legislativas antecipadas que terão lugar no dia 10 de Março de 2024? É preciso o apoio do partido Chega?

 

José Ribeiro e Castro – A Direita precisa de ter votos próprios para uma solução governativa estável. Não creio que o Chega faça parte de uma solução governativa estável.

 

“O CDS está numa situação muito difícil. Esperamos que seja capaz de recuperar e fazer parte dessa solução governativa estável.”

 

“A Direita não pode faltar à chamada. Tem de provocar uma mudança política que passa pelos partidos pesados, tanto o PSD, como o CDS.”

 

Litoralgarve- E se não houver uma maioria por parte do PSD na próxima composição da Assembleia da República, o que poderá acontecer?

 

José Ribeiro e Castro – Tem de haver maioria. A Direita não pode faltar à chamada. Tem de provocar uma mudança política que passa pelos partidos pesados, tanto o PSD, como o CDS.

Litoralgarve – Acha que o CDS pode fazer parte dessa solução para a estabilidade governativa de que o PSD necessita?

 

José Ribeiro e Castro – Esperemos que sim. O CDS está numa situação muito difícil. Esperamos que seja capaz de recuperar e fazer parte dessa solução governativa estável.

“Não é preciso ter maioria absoluta. Sim, ter maioria de governo. Acho que é necessário que acabe a maioria de esquerda.”

Litoralgarve – Sem maioria absoluta à Direita, o país poderá ficar ingovernável, tendo em conta os votos dos partidos à esquerda?

 

José Ribeiro e Castro – Não. Não é preciso ter maioria absoluta. Sim, ter maioria de governo. Acho que é necessário que acabe a maioria de esquerda. Não haver uma maioria de esquerda é fundamental e que se forme um governo à Direita, democrático, estável e duradouro, que seja capaz de conduzir o futuro do país.

“A esquerda tem sido um desastre e quanto mais poder tem, como se viu com a maioria absoluta, é uma vergonha”

Litoralgarve – E caso haja maioria de esquerda, novamente?

 

José Ribeiro e Castro – Isso será muito mau para o país, uma desgraça. Ficaremos cada vez mais pobres, cada vez mais na cauda da Europa e com tensões sociais muito graves. As tensões sociais estão a aumentar. A esquerda tem sido um desastre e quanto mais poder tem, como se viu com a maioria absoluta, é uma vergonha. Nem com maioria absoluta aguentou sequer metade da legislatura, o que mostra a instabilidade que a esquerda, nesta altura, representa.

“O importante” é que PSD e CDS “tenham maioria” no parlamento

Litoralgarve – Deve ser formada uma coligação entre PSD e CDS para estas eleições legislativas?

 

José Ribeiro e Castro – Ainda é cedo para dizer. O que é importante é que tenham maioria.

 

Litoralgarve – Afasta, para já, coligações?

 

José Ribeiro e Castro – Não. A Iniciativa Liberal também pode fazer parte.

“Quem dita os resultados das eleições são os eleitores”

Litoralgarve – Antes, ou só após as eleições para a Assembleia da República?

 

José Ribeiro e Castro – Sejam quais forem as formas, os eleitores têm de responder à chamada. Quem dita os resultados das eleições são os eleitores. Portanto, nós temos de nos apresentar e confiar que os eleitores saberão escolher.

O CDS “tem, obviamente, de recuperar das suas dificuldades, mas às vezes estes tempos de desafio são momentos que despertam as pessoas”

Litoralgarve – E o que deve fazer o CDS para voltar a ter representação parlamentar? Tem de se reorganizar?

José Ribeiro e Castro – Tem. E tem, obviamente, de recuperar das suas dificuldades, mas às vezes estes tempos de desafio são momentos que despertam as pessoas. Esperemos que isso aconteça.

 

Foto: Rádio Renascença