Homicida na noite de Carnaval em Odiáxere não quer primo assassino de turista inglês junto a bar em Lagos, na mesma prisão, “para não se matarem”

Samuel, que está detido preventivamente no Estabelecimento Prisional de Silves, fala em“ajuste de contas” contra Mário Freitas, seu familiar, para pedir não partilharem o mesmo espaço de reclusão. O autor das agressões, de que acabaram por resultar a morte de um turista inglês, há uma semana, durante a madrugada, junto a bares na Rua 25 de Abril de 1974, na cidade de Lagos, foi, por isso, levado para a cadeia de Faro, após ter estado na de Silves, depois de o Tribunal de Portimão lhe ter ordenado prisão preventiva, enquanto aguarda julgamento.

José Manuel Oliveira

“Não o quero aqui na cadeia. Há um ajuste de costas e ainda nos podemos matar.” Terão sido, segundo apurou o ‘Litoralgarve, essas as palavras de Samuel, que aguarda julgamento em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Silves – por suspeita de assassinar Martinho Moreira Martins (Tó), a 05 de Março de 2025, na noite de Carnaval em Odiáxere, no concelho de Lagos – após ter tomado conhecimento de que Mário Freitas, seu primo, que espancou mortalmente um turista inglês junto a um bar, nesta cidade, na madrugada do passado sábado, 31 Maio, viu o Tribunal de Portimão ordenar-lhe, também, prisão preventiva enquanto decorre aquele processo em que se encontra agora envolvido.

De acordo com informações recolhidas pelo nosso Jornal, Mário Freitas, que está indiciado de homicídio qualificado, entrou no Estabelecimento Prisional de Silves, na passada segunda-feira, dia 02 de Junho, mas acabou por sair cerca das 17h00 em direcção à cadeia de Faro. Problemas antigos com o seu primo Samuel terão estado na origem do sucedido e dessa forma foram tomadas medidas para “não se matarem”, como nos contaram.

Recorde-se que Mário Freitas, empresário e figura conhecida em Lagos, além de possuir alguns antecedentes criminais, arrisca a ser condenado até 25 anos de prisão por suspeita de homicídio qualificado, que acabou por vitimarum turista, de 62 anos e nacionalidade inglesa, após este ter sido violentamente agredido, cerca das 03h00 horas da madrugada de sábado, 31 de Maio, na via pública, junto a bares, na Rua 25 de Abril de 1974, nesta cidade, como noticiou o nosso Jornal.

Bombeiro de Lagos tentou manobras de reanimação, mas a vítima entrou em paragem cardiorrespiratória e faleceu no hospital local

Na altura, apesar das manobras de tentativa de reanimação por parte de um operacional da corporação dos Bombeiros Voluntários de Lagos, até à chegada de outros meios de socorro, incluindo a Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) do Barlavento e a Ambulância da SIV – Suporte Imediato de Vida, do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM),o turista inglês entrou em paragem cardiorrespiratória, ainda foi transportado com vida para o Hospital Terras do Infante, em Lagos, mas acabou por morrer. Já a autor das agressões foi detido pela Polícia de Segurança Pública (PSP) de Lagos e entregue a inspetores do Departamento de Investigação Criminal de Portimão da Polícia Judiciária (PJ).

Inglêsfoi expulso do bar ‘BonVivant’ por um elemento da segurança “por se estar a meter com mulheres”, mas voltou a entrar e acabou por “provocar” o cliente Mário Freitas

Tudo começouno interior do bar ‘BonVivant’, em Lagos, quando o inglês “se começou a meter com mulheres”, segundo descreveram ao ‘Litoralgarve’, após o que foi expulso por um elemento responsável pela segurança daquele estabelecimento de diversão noturna, para não perturbar o ambiente.

Contudo, mais tarde acabou por voltar alia entrar e nessa altura até “provocou” e terá agredido o cidadão Mário Freitas, que estava no bar como cliente e tinha defendido as senhoras, as quais tinham sido importunidades pelo turista inglês, já visivelmente embriagado.

Provocações continuaram na via pública, com o inglês a desafiar o português e até a baixar as calças

“Já saturado da confusão, [Mário Freitas] defendeu-se, só que com excessiva violência, atirando-o ao chão, onde o inglês acabou por bater com a cabeça, o que lhe foi fatal”

Quando Mário Freitas, português, de origem angolana, com 47 anos de idade e de forte compleição física, saiu do ‘BonVivant’,o turista inglês “continuou com provocações” na rua, garantiram ao ‘Litoralgarve’. “O homem tinha as unhas pintadas, até aparentava ser homossexual e, para surpresa geral, baixou as calças perante Mário Freitas, desafiando-o.Este, já saturado da confusão causada pelo inglês, defendeu-se, só que com excessiva violência, atirando-o ao chão, onde o inglês acabou por bater com a cabeça, o que lhe foi fatal”, referiu-nos um popular.

“Deu mais de dez pontapés a um homem que estava bêbado e estendido no chão. Havia sangue por todo o lado”

“Sangue a sair da cabeça do inglês”

Já uma mulher contou a um familiar, o qual, por sua vez, confidenciou ao ‘Litoralgarve’, que viu Mário Freitas a “pontapear” o inglês, mesmo quando este estava caído no chão. “Deu mais de dez pontapés a um homem que estava bêbado e estendido no chão. Havia sangue por todo o lado.” Essa versão foi corroborada por um outro popular, que disse ter visto “sangue a sair da cabeça do inglês”, na sequência das agressões provocadas por Mário Freitas.

Indiciado por homicídio qualificado, pelo qual arrisca até 25 anos de prisão, Mário Freitas poderá, no entanto, vir a ser condenado por excesso de legítima defesa (cinco anos de cadeia), ou ofensas corporais agravadas, que lhe valeriam até dez anos

Embora esteja a aguardar julgamento em prisão preventiva por suspeita de homicídio qualificado, cuja pena poderá atingir os 25 anos de cadeia, a defesa de Mário Freitas, a cargo de um advogado da zona de Lisboa, poderá ter vários trunfos em tribunal para atenuar a sua condenação. Entre esses trunfos poderão figurar, por exemplo, o crime de ofensas corporais, as quais se forem consideradas agravadas, irão até dez anos de prisão; ou o de excesso de legítima defesa, punida até cinco anos de prisão efetiva. O agressor poderá alegar, em tribunal, que não tinha intenção de matar, mas apenas defender-se das provocações de que foi alvo por parte do turista inglês e, por isso, já revoltado desferiu-lhe vários pontapés.

Por outro lado, a autópsia poderá ajudar a esclarecer as circunstâncias em que ocorreu o óbito.

“Se houvesse policiamento durante a noite junto a bares com maior afluência, aquela situação não teria ocorrido”

“Se houvesse policiamento durante a noite junto a bares com maior afluência, aquela situação não teria ocorrido”, observou, ao ‘Litoralgarve’, um residente em Lagos, acrescentando que “o problema é que cada um faz o que quer, sem qualquer controlo.” Também há cidadãos que evitam, agora, frequentar bares naquela área de Lagos, “de forma a evitar conflitos.” ”É preferível conviver noutros bares, mais calmos, situados em ruas do centro histórico da cidade”, acrescentou um outro indivíduo.

Dois homicídios no espaço de três meses e assaltos recentes a estabelecimentos, durante a madrugada,provocam insegurança entre a população de Lagos

O certo é que este novo caso de violência nas noites no concelho de Lagos, com dois homicídios em três meses (o outro foi em Março, na noite de Carnaval em Odiáxere, também na via pública, como já referimos), está a provocar um ambiente de indignação e insegurança entre a população local, que continua a questionar o papel das forças da autoridade.

Tal sucede numa altura em que tambémse têm registado assaltos a restaurantes e estabelecimentos comerciais durante as madrugadas, em Lagos, com vidros partidos, para furtar sobretudo dinheiro, nomeadamentede gorjetas,e quando se aproxima o Verão, de que resultará o consequente aumento da população turística em Lagos.

É usual a presença de elevado número de jovens, com garrafas de gás nitroso no chão, também conhecido por ‘droga do riso) e a encherem balões, transmitindo, a quem perante quem ali passa, junto a bares, um verdadeiro sentimento de impunidade e se sente inseguro

E, como nos garantiram, até começa a ser usual na mesma zona de Lagos – Rua 25 de Abril de 1974 – onde ocorreram, há uma semana, junto a bares, as agressões fatais a um turista inglês,a presença de um grande número de jovens, com garrafas de gás nitroso no chão e a encherem balões, transmitindo um verdadeiro sentimento de impunidade perante quem por ali passa e se sente inseguro. O gás nitroso, também conhecido por ‘droga do riso’, tem ganho popularidade pelo seu efeito de euforia, relaxamento e sentido de desconexão. Poderá provocar problemas de saúde, inclusivamente envenenamentos, queimaduras e lesões, entre outros traumas.