Homem morre após discussões, com tiros, numa rixa, na rua, em Odiáxere, concelho de Lagos, em noite de baile de Carnaval

Depois de se ter colocado em fuga, o autor dos disparos, de origem africana, acabou por se entregar no posto da GNR, situado no Chinicato, onde reside. Tem 30 anos e já esteve preso, mas saiu da cadeia por ver ultrapassado o prazo de prisão preventiva, enquanto aguarda julgamento num processo envolvendo tráfico de droga. O corpo da vítima, de 56 anos e nacionalidade cabo-verdiana, seguiu para autópsia no Gabinete de Medicina Legal e Ciências Forenses, instalado no Hospital de Portimão.

Presidente da Junta de Freguesia de Odiáxere, Carlos Fonseca, lamenta o sucedido. E a presidente da Direção do Clube Desportivo de Odiáxere, Sofia Santos, já apresentou condolências à família do falecido.

José Manuel Oliveira

“Infelizmente é verdade. Aconteceu à porta do baile de Carnaval. A vítima foi baleada. Não tenho mais pormenores sobre o sucedido.” Foi desta forma que Carlos Fonseca, presidente da Junta de Freguesia de Odiáxere, do concelho de Lagos, reagiu, em resposta através de uma mensagem escrita por telemóvel ao início da manhã de quarta-feira, dia 05 de Março de 2025, na sequência de um pedido de esclarecimento solicitado pelo ‘Litoralgarve’, durante a madrugada, após o crime de homicídio cometido por um homem, “com dois ou três tiros” na rua, junto ao bar do Clube Desportivo de Odiáxere, perto do campo de futebol, durante a noite de Carnaval, como o nosso jornal noticiou em primeira mão.

Militares da GNR e inspectores da PJ montaram dispositivo de ‘caça ao homem’, o que levou à rendição do homicida

Depois dos disparos mortais, o homicida colocou-se em fuga, como referimos na altura. Contudo, após uma operação de ‘caça ao homem’, montada por militares da Guarda Nacional Republicana (GNR) e inspectores da Polícia Judiciária (PJ), o indivíduo acabou por se entregar no posto da GNR, situado no Chinicato, localidade do concelho de Lagos, onde reside. Estava a aguardar para ser presente a tribunal, que determinará as medidas de coação a aplicar, após primeiro interrogatório a cargo de um juiz de instrução criminal.

Já a vítima, António Martinho Martins, de 56 anos e residente na cidade de Lagos, onde esteve ligado, como profissional, à segurança em bares, foi levado numa ambulância para o Hospital de Portimão. Ali veio a ser declarado o óbito. O corpo será autopsiado no Gabinete de Medicina Legal e Ciências Forenses, instalado junto àquela unidade hospitalar, para apurar as causas da morte. Segundo nos referiram, António Martinho Martins é de nacionalidade cabo-verdiana e esteve, há tempos, no seu país, após o falecimento da mãe, a fim de tratar de assuntos relacionados com herança familiar. “Era um homem da noite em Lagos”, observou, lacónico, ao ‘Litoralgarve’, um popular.

A PJ procede a investigações para perceber o que esteve, de facto, na origem deste crime de homicídio ocorrido durante a noite de Carnaval junto às instalações do Clube Desportivo de Odiáxere, enquanto decorria mega baile.

“Desavenças”, mas sem consequências na altura, entre os dois homens terão começado durante a tarde de terça-feira junto a um bar situado no Largo da Alegria, onde decorreram o desfile de carros alegóricos e espetáculos musicais, um dos quais com Quim Barreiros, o Rei do Carnaval de 2025 em Odiáxere

Segundo contaram ao ‘Litoralgarve’, o problema entre os dois homens, ambos de origem africana e que já se conheciam, terá começado junto a um conhecido bar, situado a poucos metros do antigo moinho, no Largo da Alegria, em Odiáxere. Foi ali que decorreu o tradicional desfile de carros alegóricos na tarde de terça-feira de Entrudo, dia 04 de Março, com milhares de pessoas a assistir, a que se seguiram, no palco montado para o efeito, espetáculos musicais em que sobressaíram as atuações de Sónia Quim Costa Batucadas, Quim Barreiros (o Rei do Carnaval 2025, organizado pelo Clube Desportivo de Odiáxere), pelas 17h.30m, e de Ricardo Glória, tendo este artista terminado às 22.30 horas, como o ‘Litoralgarve’ constatou no local. Na altura, homens e mulheres de várias idades (e até crianças com os pais e outros familiares) dançavam e cantavam ao som da música, num ambiente descontraído, de imenso entusiasmo e ao ar livre no Largo da Alegria, em Odiáxere.

Enquanto isso, durante a tarde, os já dois referidos indivíduos desavindos terão entrado em “discussões, desavenças”, mas“sem consequências”, ao que nos disseram, muito contribuindo para tal a presença de militares da GNR na zona, como forma de garantir a segurança do Carnaval.

Homicida “foi a casa buscar uma arma e junto à porta do bar do Clube Desportivo de Odiáxere, disparou três tiros à queima- roupa, acabando por matar o outro homem”, contou, ao ‘Litoralgarve’, um habitante nesta localidade

Já à noite, e após mais consumo de bebidas alcoólicas, os dois homens terão continuado as discussões entre eles, com ameaças de parte a parte. Mais tarde, numa altura em que decorria o mega baile na sede do Clube Desportivo de Odiáxere, onde atuaram os artistas Humberto Silva e Cláudio Rosário, os problemas entre os dois indivíduos agravaram-se na via pública. Depois de mais uma discussão, como nos confidenciaram, o homicida “foi a casa buscar uma arma e junto à porta do bar do Clube Desportivo de Odiáxere, disparou três tiros à queima- roupa, que acabaram por matar o outro homem.” Após o alerta às autoridades por parte de populares que estavam no local, as forças envolvidas na prestação socorro, nomeadamente os Bombeiros Voluntários de Lagos, foram rápidas à chegar à vítima, mas já nada havia a fazer, apesar de tentativas de manobras de reanimação, enquanto o homicida fugiu. Com sangue na rua, em frente à sede do Clube Desportivo de Odiáxere, foi montado um perímetro de segurança por parte das autoridades, limitando o acesso ao local.

Também de acordo com informações obtidas pelo nosso Jornal, o crime poderá ter resultado de um “possível ajuste de contas” ligado ao consumo de droga.

Tinha estado preso por envolvimento num processo de tráfico de estupefacientes, mas acabou por ficar em liberdade, devido a “excesso de prisão preventiva”, enquanto aguarda julgamento

Tal como o ‘Litoralgarve’ já descreveu, o homem, na ‘casa’ dos trinta anos, que efetuou os disparos, tinha estado pressupor envolvimento em tráfico de droga, mas acabou por ficar em liberdade, devido a “excesso de prisão preventiva”, enquanto aguarda julgamento.

“Antigamente, muitas discussões na rua resolviam-se à pancada. Nos tempos que decorrem, é aos tiros! Sucedeu, há meses, durante a madrugada junto a um bar, em Lagos, perto da Praça do Infante Dom Henrique, com um traficante de droga, obrigando muitas pessoas a se refugiarem com medo de serem atingidas, e agora foi este problema ocorrido em Odiáxere”

“Este tipo de casos não acontece só no concelho de Lagos, que já se transformou numa espécie de ‘faroeste’, como muita gente diz, mas em todo o país. Não existe segurança suficiente para as pessoas andarem na rua à vontade e, sobretudo, durante a noite, pois nunca se sabe se, por qualquer problema, surgem facadas ou tiros”

O certo é que mais este caso envolvendo tiros na via pública, no concelho de Lagos, está a provocar um ambiente de imensa indignação e insegurança entre muitos populares, que continuam a questionar o papel das forças da autoridade.

“Há anos, viam-se sempre agentes da PSP ou militares da GNR junto a espaços onde decorriam eventos, como bailes de Carnaval e outros espetáculos, além de locais de diversão noturna, o que transmitia um sentimento de segurança nas pessoas que se divertiam”, recordou-nos um popular em Lagos.

Por outro lado, “antigamente muitas discussões na rua resolviam-se à pancada. Nos tempos que decorrem, é aos tiros! Sucedeu, há meses, durante a madrugada junto a um bar, em Lagos, perto da Praça do Infante Dom Henrique, com um traficante de droga, obrigando muitas pessoas a se refugiarem com medo de serem atingidas, e agora foi este problema ocorrido em Odiáxere. Este tipo de casos não acontece só no concelho de Lagos, que já se transformou numa espécie de ‘faroeste’, como muita gente diz, mas em todo o país. Não existe segurança suficiente para as pessoas andarem na rua à vontade e, sobretudo, durante a noite, pois nunca se sabe se, por qualquer problema, surgem facadas ou tiros”, lamentou, ao ‘Litoralgarve, esse mesmo cidadão, revoltado com toda a situação e preferindo, tal como outros populares com quem falámos, não ser identificado nesta reportagem.

E interrogou-se: “Como é possível um indivíduo andar armado, após ter estado preso e sair da cadeia, devido ao facto de ver ultrapassado o tempo limite de prisão preventiva, enquanto aguarda julgamento por envolvimento em tráfico de droga? Quem controla isto? Que justiça existe neste país, com tantos atrasos e adiamentos de processos nos tribunais? Depois, é o que se vê…”

Cancelado o tradicional Enterro do Carnaval de Odiáxere, que estava programado para a noite de quarta-feira, com partida junto à sede do clube organizador e passagem por várias zonas da localidade até ao Largo da Alegria, onde seria lido o habitual ‘testamento’

Entretanto, ao contrário do que estava programa, não se realizou, na noite de quarta-feira, 05 de Março, o tradicional Enterro do Carnaval de Odiáxere, que teria desfile com partida junto à sede do clube organizador, passagem por várias zonas daquela localidade e chegada ao Largo da Alegria, onde é habitual o ‘padre’ proceder à leitura do ‘testamento’, deixando alguns agradecimentos e muitos recados para toda a gente, incluindo políticos locais e nacionais. Tudo isso perante a ‘viúva’, o ‘morto’ -um boneco de trapo colocado numa caixa a servir de urna – e discussões de quem ficou sem o ‘marido’ e as ‘choradeiras’, que serviriam de ‘amantes’, num ambiente de diversão, no qual se juntam, todos os anos, mais de cem pessoas, como o ‘Litoralgarve’ tem presenciado.

O cancelamento do Enterro do Carnaval ficou a dever-se ao crime de homicídio ocorrido junto à porta do bar do Clube Desportivo de Odiáxere, como nos foi confirmado no local. Apesar do sucedido, o ambiente na noite de quarta-feira esteve calmo, com vários homens, na sua maioria jovens, a assistirem, através de um écran gigante instalado no bar, ao jogo de futebol de futebol entre o Benfica e o Barcelona, a contar para a primeira mão dos oitavas-de-final da Liga dos Campeões Europeus.

Já no campo relvado do Clube Desportivo de Odiáxere, vários futebolistas treinavam, nomeadamente lances de bola parada, apesar da chuva intensa que acabou por cair a determinada altura.

Três flores brancas e uma vela acesa no interior de um recipiente vermelho, colocadas no passeio em frente ao bar do Clube Recreativo de Odiáxere, em sinal homenagem a António Martinho Martins 

Poucos antes das 23.00 horas, quando o repórter do ‘Litoralgarve’ saiu do local, estavam colocadas no passeio em frente ao bar do Clube Desportivo de Odiáxere, três flores brancas e uma vela acesa dentro de um pequeno recipiente vermelho, naturalmente em homenagem a António Martinho Martins, a vítima mortal do crime de homicídio ali cometido na véspera.

“Estava muita gente no baile quando aquilo aconteceu aqui na rua”

“Estava muita gente no baile quando aquilo aconteceu aqui na rua”, contou-nos uma senhora residente em Odiáxere, ainda estupefata com a tragédia em noite de Carnaval, quando muitos se divertiam sem saber do sucedido. Só mais tarde, as pessoas começaram a tomar conhecimento do homicídio, com tiros, sobretudo no regresso a casa.

“Uma pessoa que ajudou o nosso clube e muitos jovens cabo-verdianos com o sonho de jogar futebol europeu. Ficará sempre nas nossas memórias”, escreveu a presidente da Direção do Clube Desportivo de Odiáxere, Sofia Santos, na rede social ‘Facebook’

Já a presidente da Direção do Clube Desportivo de Odiáxere, Sofia Santos, deixou a seguinte mensagem na sua página na rede social ‘Facebook’: “O Clube Desportivo de Odiaxere vem por este meio prestar as condolências aos familiares do estimado Martinho Martins(Tó). Sem dúvida uma pessoa que ajudou o nosso clube e muitos jovens cabo-verdianos com o sonho de jogar futebol europeu.Ficará sempre nas nossas memórias.”