Ao início da noite de terça-feira, 26 de Julho de 2022, continuavam de prevenção cerca de seiscentos operacionais nos locais atingidos pelo incêndio, que foi considerado dominado de manhã, pelas 09.00 horas.
“Ou foi fogo posto, ou poderá ter havido negligência com o lançamento de alguma beata”, admitiu, ao ‘Litoralgarve’, um habitante de São Bartolomeu de Messines, no concelho de Silves, que tem familiares residentes perto das zonas do interior atingidas pelo violento incêndio, o qual deflagrou na segunda-feira, dia 25 de Julho de 2022, por volta das 13h.13m., em Fica Bem, numa área muito íngreme e onde existem muitas linhas de média e alta tensão, o que dificultou a ação dos meios aéreos no combate às chamas.
Segundo apurou o nosso Jornal, moradores em povoações da freguesia de São Bartolomeu de Messines acreditam em fogo posto e vão estar especialmente “atentos à presença de pessoas e carros estranhos”, podendo organizar vigilâncias para alertar as forças de segurança em caso de surgir alguma anomalia.
IC1 e autoestrada do Sul A2 encontram-se reabertos à circulação do trânsito rodoviário
O incêndio, que chegou a contar com três frentes ativas, foi considerado dominado ao início da manhã de terça-feira, 26 de Julho de 2022, permitindo a sua circunscrição, numa altura em que o IC1 – Itinerário Complementar de Portugal, o qual liga o concelho de Albufeira a várias cidades do país, bem como a autoestrada do Sul A2 já tinham sido reabertos à circulação do trânsito rodoviário entre São Bartolomeu de Messines e Ourique.
Ao início da noite cerca de seiscentos operacionais continuavam de prevenção no local atingido pelas chamas e o Posto de Comando mantinha-se instalado junto ao IC1, entre o Algarve e o Baixo Alentejo, para “avaliação” a todo o momento dos riscos existentes. Isto, depois de sete meios aéreos, entre helicópteros e aviões ‘Fire Boss’, terem atuado, durante o dia, no teatro das operações.
Já regressou às suas habitações a maioria dos 82 idosos retirados “preventivamente” pela GNR de povoações e moradias dispersas quando o incêndio atingiu as freguesias de São Marcos da Serra e São Bartolomeu de Messines
Por outro lado, já regressou às suas casas a maioria dos 82 habitantes idosos, retirados “preventivamente” por militares da Guarda Nacional Republicana (GNR) de, pelo menos, dez povoações e de habitações dispersas pelas freguesias de São Bartolomeu de Messines e de São Marcos da Serra, no interior concelho de Silves – Monte das Zurras, Alcarias, Novas, Corte Peral, Chaminé, Boião, Casas Velhas, Ribeira de Odelouca, Vale da Horta e Pardeiro – na sequência deste violento incêndio que chegou a percorrer 2.400 quilómetros por hora.
Na altura em que aquelas zonas foram evacuadas, muitos dos seus moradores, com mais de 80 e 90 anos de idade, ficaram em casa de familiares, enquanto pelo menos cinco tiveram de ser levados para a Escola Básica de São Bartolomeu de Messines. Uma pessoa, residente em Perna Seca e que se encontra acamada, foi conduzida às instalações da Santa Casa da Misericórdia de Silves.
“As pessoas nunca querem abandonar as suas casas, mas conseguimos convencê-las de que era uma questão de segurança para elas próprias”, disse, ao ‘Litoralgarve’, a presidente da Junta de Freguesia de São Bartolomeu de Messines, Carla Benedito.
Perante este tipo de situações com incêndios, “as pessoas nunca querem abandonar as suas casas, mas conseguimos convencê-las de que era uma questão de segurança para elas próprias, tendo ficado mais tranquilas ao verem bombeiros e militares da GNR de prevenção nas zonas onde residem”, contou, ao «Litoralgarve», Carla Benedito, presidente da Junta de Freguesia de São Bartolomeu de Messines. Entretanto, “a maioria das pessoas já voltou às suas moradias”, acrescentou a autarca.
Naquela freguesia do concelho de Silves, o incêndio atingiu as zonas de Perna Seca e Perna de Cima, Cimalhas e Monte do Zurra, onde além de vegetação, existem, nomeadamente, sobreiros e terrenos de apicultores, desconhecendo-se, para já, os prejuízos.
(em continuação)
José Manuel Oliveira
Paulo Silva










