Mesmo após o jogo, e apesar da vitória dos espanhóis por 1-0 já no prolongamento e a conquista do título de campeões do mundo, um grupo de argentinos manteve-se em ambiente festivo na Rua da Porta de Portugal. Pouco depois, chegaram carrinhas da Unidade Especial da Polícia, cujos agentes permaneceram, como forma de prevenção, na Praça Gil Eannes, em Lagos. Ali, perto da estátua do rei Dom Sebastião, um grupo de espanhóis, na sua maioria raparigas, celebrava o triunfo da selecção do seu país.
José Manuel Oliveira
Desta vez, por se tratar da final Espanha-Argentina para decidir o título de campeão do mundo de futebol sénior 2026, não faltaram blusas com o nome do veterano Messi, capitão da selecção sul-americana, e do jovem espanhol Lamine Yamal, além de bandeiras dos dois países, entre a multidão que se concentrou, ao final da tarde do passado domingo, dia 19 de Julho, no Largo da Porta de Portugal, na baixa de Lagos, a fim de assistir ao jogo através do ecrã gigante instalado no exterior da pastelaria e gelataria Taquelim Gonçalves. Pelo meio, também se viam uma ou outra blusa da selecção portuguesa, com o nome de Ronaldo e até de Pepe.
Porém, o que mais esteve em destaque foi a presença de dois grupos de jovens, um com vários turistas espanhóis, e o outro integrando imigrantes da Argentina, alguns deles a trabalhar no sector da restauração em Lagos, segundo nos contaram, a apoiarem com bandeiras as respectivas selecções junto à esplanada do estabelecimento Taquelim Gonçalves. Também se ouvia o som de cornetas.
“Argentina! Argentina! Argentina!”, gritavam, de um lado, rapazes e raparigas com equipamentos da equipa nacional daquele país, muitas vezes a incentivar a multidão e nessa altura de costas voltadas para o já referido ecrã gigante. A poucos metros de distância, num ambiente ordeiro, uma outra falange de apoio gritava: “Viva a Espanha! Viva a Espanha! Viva a Espanha”. Para ‘puxar’ pela assistência, os dois grupos opositores tiveram de subir para estruturas, uma por detrás da esplanada do estabelecimento Taquelim Gonçalves, e outra junto a uma das fontes existentes naquela zona da Rua da Porta de Portugal.
Gelados, cerveja, refrigerantes e pizas, num final de tarde com vento sueste
António Manuel, ao ‘Litoralgarve’: “Já dei uma volta por toda esta zona e estão entre 3.000 e 4.000 pessoas, desde a Praça Gil Eannes, junto à estátua do Dom Sebastião, e esta área da Rua da Porta de Portugal, a assistir ao jogo através de ecrãs gigantes instalados em cafés, snack-bares e a pastelaria Taquelim Gonçalves.”

E não teve dúvidas em considerar o ambiente festivo, proporcionado por espanhóis e argentinos, nesta final do Campeonato do Mundo de Futebol, “muito superior a qualquer dos jogos selecção portuguesa.”
O ambiente festivo e a final deste Mundial de Futebol convidavam muitos populares a recorrer a estabelecimentos para comprar gelados, cerveja, refrigerantes e pizas, entre outros produtos. Mas também não faltaram pessoas a passar no local, indiferentes ao futebol, como de resto aconteceu durante os jogos da selecção portuguesa.
A poucos metros do edifício da MEO, uma lata de refrigerante espalhada no chão e já pisada por algumas pessoas, terá provocado incómodo a um rapaz, com chinelos e sem meias, que atravessou esse espaço, acompanhado por outro jovem. Na altura, foi visível o sinal de desconforto a olhar para um dos pés e a tentar perceber se tinha sofrido algum corte.
Enquanto isso, a maioria dos populares acompanhava com entusiasmo a final Espanha-Argentina, como se estivesse a assistir ao jogo num estádio. Os momentos mais vibrantes prendiam-se com lances de ataque, tanto por parte dos espanhóis, como dos argentinos. “Oooohhhh”, ouvia-se quando a bola passava perto de qualquer das balizas, sem criar perigo.
“Já dei uma volta por toda esta zona e estão, seguramente, entre 3.000 e 4.000 pessoas, desde a Praça Gil Eannes, junto à estátua do Dom Sebastião, e esta área da Rua da Porta de Portugal, a assistir ao jogo através de ecrãs gigantes instalados em cafés, snack-bares e a pastelaria-gelataria Taquelim Gonçalves”, contou, ao ‘Litoralgarve’, António Manuel, numa altura em que alguns populares surgiram agasalhados devido ao vento sueste que se fazia sentir em Lagos. E não teve dúvidas em considerar o ambiente festivo, proporcionado por espanhóis e argentinos, nesta final do Campeonato do Mundo de Futebol, “muito superior a qualquer dos jogos da selecção portuguesa.” Apesar da multidão que se concentrou nesta zona da baixa da cidade de Lagos, não foi visível a presença de qualquer agente policial, como o ‘Litoralgarve’ verificou durante o intervalo do jogo.
Enquanto isso, no interior do estabelecimento Taquelim Gonçalves, onde se encontravam instalados três ecrãs gigantes, 14 pessoas estavam numa fila a aguardar a sua vez para acesso às instalações sanitárias. Alguns desses populares, nomeadamente mulheres, exibiam pinturas na face, com as cores do equipamento da selecção argentina.
Mesmo durante o intervalo da final, manteve-se o calor humano nesta zona da Rua da Porta de Portugal, em Lagos, com adeptos argentinos e alguns brasileiros, de um lado, e espanhóis, do outro. “Argentina! Argentina! Argentina!”, gritavam os sul-americanos. “Espanha! Espanha! Espanha!”, respondiam os ‘nuestros hermanos’.
“São só milhões! É o dinheiro que está aqui em jogo!”
Assobios quando surgiu a imagem do presidente dos Unidos da América, Donald Trump, no ‘MetLife Stadium’, em Nova Jersey
Na segunda parte, que teve início pelas 21h.22m., o ambiente festivo foi reforçado por cada lance de ataque quer da selecção espanhola, quer da Argentina. Numa mesa da pastelaria-gelataria Taquelim Gonçalves, um popular, ao ver a publicidade durante a pausa para hidratação, comentou: “São só milhões! É o dinheiro que está aqui em jogo!”
Quando, a certa altura, surgiu nos ecrãs televisivos a imagem do presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, sentado numa das tribunas do ‘MetLife Stadium’, em Nova Jersey, onde se disputou esta final, ouviram-se assobios junto à esplanada. Entretanto, vinte pessoas entraram no estabelecimento e formaram mais uma fila para acesso ao WC. “Por curiosidade, vou ver se os sanitários públicos instalados por detrás do antigo edifício dos Paços do Concelho de Lagos, podem ser utilizados”, disse-nos António Santos, que estava sentado numa das mesas.
“É incrível, mas mesmo numa altura de bastante movimento, no interior daquele espaço público [situado por detrás do antigo edifício dos Paços do Concelho de Lagos], as portas de cada uma das instalações sanitárias estão fechadas. E assim, cada um que se desenrasque. Por isso, há pessoas a utilizar a traseira do edifício do Tribunal como se fosse uma casa de banho…”, lamentou António Santos
Pouco depois, ao regressar ao estabelecimento, apresentou o ponto da situação, lamentando: “É incrível, mas mesmo numa altura de bastante movimento, no interior daquele espaço público as portas de cada uma das instalações sanitárias estão fechadas. E assim, cada um que se desenrasque. Por isso, há pessoas a utilizar a traseira do edifício do Tribunal como se fosse uma casa de banho…”
Com as atenções, de novo, voltadas para a final Espanha-Argentina, ouviam-se gritos de incentivo perante jogadas de ataque de ambas as equipas. “Vai, vai, vai!” E bateram-se palmas quando o guarda-redes argentino, Dipu Martínez, se esticou, evitando um golo da Espanha. “Melhor é impossível”, elogiou um popular no interior do estabelecimento Taquelim Gonçalves, enquanto era imensa a azáfama de uma funcionária a servir clientes, nomeadamente cafés e tostas mistas.
Populares comentaram:
“A Espanha vai ganhar, agora a jogar contra 10 jogadores da Argentina”, após a expulsão de Enzo Fernandez
“O guarda-redes da Argentina foi o melhor”, ao garantir o nulo, levando o jogo para prolongamento
E quando o árbitro esloveno Slavko Vincic deu por terminado o jogo, empatado a zero, o que levou ao prolongamento de trinta minutos, alguém comentou: “O guarda-redes da Argentina foi o melhor.” “A Argentina defende-se bem”, acrescentou Carlos Dias.
Pouco depois da expulsão do argentino Enzo Fernandez, ao ver o segundo cartão amarelo e o consequente vermelho, após uma entrada dura sobre o espanhol Pau Cubarsi, António Santos foi peremptório ao afirmar a quem estava na mesma mesa: “A Espanha vai ganhar, agora a jogar contra 10 jogadores da Argentina.”
“É um risco muito grande e não estou para perder dinheiro. Oferecem uma pequena quantia [pouco mais de dez euros] pela vitória da Espanha e mais de vinte euros se a Argentina for campeã do mundo”, reagiu um popular ao ver, no seu telemóvel, o jogo de apostas desportivas ‘Placard’
Ainda antes do início do prolongamento, mais duas dezenas de populares entraram na gelataria e casa de doces regionais Taquelim Gonçalves e formaram uma nova fila para acesso aos sanitários. Muitos vestiam equipamentos da selecção da Argentina. Pelas 22h.20m., na primeira parte do prolongamento, um cliente consultou, no seu telemóvel, as quantias em jogo no ‘Placard’ para esta final Espanha-Argentina, mas decidiu não apostar. “É um risco muito grande e não estou para perder dinheiro. Oferecem uma pequena quantia [pouco mais de dez euros] pela vitória da Espanha e mais de vinte euros se a Argentina for campeã do mundo”, observou.
“Isto vai para penáltis e nessa altura a Argentina leva a melhor”
Quando, aos 106 minutos, o espanhol Ferran Torres inaugurou o marcador, houve saltos, gritos e aplausos. “Ainda não acabou”, notou, Carlos Dias, cauteloso
Pouco depois, gritou-se “gooolooo” da Espanha, mas o lance foi, de imediato, anulado por fora-de-jogo. Na segunda parte do prolongamento, com início pelas 22h.42m., manteve-se a expectativa entre quem assistia à final. “Isto vai para penáltis e nessa altura a Argentina leva a melhor”, perspectivou um popular. Quando, aos 106 minutos, o espanhol Ferran Torres inaugurou o marcador, houve saltos, gritos e aplausos. “Ainda não acabou”, notou Carlos Dias, numa das mesas. A pressão exercida pelos argentinos na fase final do jogo, com vários pontapés de canto, muitos a cargo de Lionel Messi, provocou o suspense, além dos remates à baliza espanhola. Um contra-ataque dos espanhóis, nos minutos finais, levou alguns populares a levantarem-se das cadeiras à espera do segundo golo… que não aconteceu. “A Espanha se ganhar merece”, admitiu António Santos. Em seguida, o apito final do árbitro confirmou a vitória da selecção espanhola por 1-0 e o consequente título de campeã do mundo de futebol 2026. “Foi merecido”, reconheceu, ao ‘Litoralgarve’, Carlos Dias, destacando a postura colectiva da equipa comandada pelo técnico Luís de la Fuente.
“Se fosse o Cristiano Ronaldo já se teria ido embora e nem queria receber a medalha. O Messi é mais humilde”.
No final da partida, quando as imagens televisivas mostravam Messi, sentado no relvado e naturalmente abalado pela derrota da Argentina, António Santos observou: “Se fosse o Cristiano Ronaldo já se teria ido embora e nem queria receber a medalha. O Messi é mais humilde”.
Depois do jogo, e apesar da derrota, adeptos sul-americanos ainda gritavam: “Argentina! Argentina! Argentina!” A poucos metros de distância, vários espanhóis comemoravam o título mundial, voltados para os adversários nesta final: “E viva a Espanha!”
Na rua, junto à esplanada do estabelecimento Taquelim Gonçalves, apesar da derrota, adeptos sul-americanos ainda gritavam: “Argentina! Argentina! Argentina!” A poucos metros de distância, vários espanhóis comemoravam o título mundial, voltados para os adversários nesta final: “E viva a Espanha!”, cantavam, eufóricos. Enquanto se aguardava pelas imagens da entrega da taça, viram-se luzes de carrinhas da Unidade Especial da Polícia (UEP) da Polícia de Segurança Pública a chegarem à Praça Gil Eannes, onde estão situadas instalações da PSP e da Polícia Municipal de Lagos. Pelo que se percebeu, tratou-se de uma medida preventiva devido aos festejos dos espanhóis.
António Santos: Troféu “é de ouro. Vale muitos milhões”

“Então, até daqui a quatro anos…”, gracejou, nas despedidas. Alguém respondeu: “E já estamos apurados.” Referiam-se ao próximo Campeonato do Mundo de Futebol, em 2030, que se disputará em Portugal, Espanha e Marrocos
Após algum tempo de espera, quando o capitão da selecção de Espanha, Rodri, recebeu o troféu, António Santos deixou um reparo: “É de ouro. Vale muitos milhões.” E nas despedidas, referindo-se já ao próximo Campeonato do Mundo de Futebol, que terá lugar em 2030, em Portugal, Espanha e Marrocos, gracejou para um amigo: “Então, até daqui a quatro anos…” Alguém respondeu: “E já estamos apurados.”
“Vitória merecida da Espanha”, reconheceu Rui Alberto
“Portugal é que não podia chegar à final e ser campeão do mundo, com um seleccionador espanhol. Ele não iria permitir que a selecção do seu país perdesse o jogo frente a Portugal… Por isso, nem arriscou”, desabafou
Pelas 23h03m. e com os ecrãs gigantes já desligados, Rui Alberto, que acompanhou o jogo também numa mesa no interior do estabelecimento Taquelim Gonçalves, após destacar a “vitória merecida da Espanha”, desabafou: “Portugal é que não podia chegar à final e ser campeão do mundo, com um seleccionador espanhol. Ele não iria permitir que a selecção do seu país perdesse o jogo frente a Portugal… Por isso, nem arriscou.”
Espanhóis, eufóricos, comemoraram título mundial, com agentes policiais atentos
Perto da estátua do rei Dom Sebastião, na Praça Gil Eannes, um grupo de espanhóis, eufóricos e na sua maioria constituído por raparigas, celebrava o título mundial, acabado de conquistar pela sua selecção. A poucos metros de distância, eram visíveis dois agentes da Unidade Especial da PSP entre duas carrinhas desta força de segurança. A prevenção policial não inibiu um indivíduo atravessar numa trotinete, entre populares, a zona, passando pela Rua Garret e Rua Infante de Sagres, em Lagos, colocando em risco os utentes destas vias pedonais. Enquanto isso, numa noite em que a temperatura atingiu os 21 graus centígrados, os espanhóis continuaram em festa.










