Unidade dispõe de médico de família, enfermeiro e secretário clínico. Município de Loulé considera a intervenção uma medida de coesão territorial.
A Extensão de Saúde da Tôr reabriu esta quarta-feira, após obras de requalificação destinadas a melhorar as condições de atendimento e reforçar os cuidados de saúde de proximidade no interior do concelho de Loulé.
Integradas desde maio na Unidade de Saúde Familiar (USF) Soberana, as instalações vão prestar cuidados de saúde primários a 506 utentes. O serviço será assegurado por um médico de família, um enfermeiro e um secretário clínico.
A intervenção acontece quase um ano depois de a Tôr ter recuperado a autonomia administrativa, voltando a ser freguesia nas eleições autárquicas de 2025. Num território marcado pelo envelhecimento demográfico, a melhoria dos serviços públicos é também encarada como um instrumento para fixar e atrair população.
Durante a inauguração, o presidente da Junta de Freguesia da Tôr, André Pedro, recordou que o edifício apresentava, há vários anos, problemas de infiltrações e desgaste do mobiliário, prejudicando o trabalho dos profissionais e o atendimento à população.
“Os nossos profissionais de saúde mereciam um local digno para exercer a sua missão, e os nossos cidadãos mereciam ser recebidos com o máximo respeito e conforto”, afirmou.
Município destaca coesão territorial
O presidente da Câmara Municipal de Loulé, Telmo Pinto, classificou a obra como uma importante medida de coesão territorial, ao aproximar os cuidados de saúde dos habitantes do interior do concelho.
“É a garantia de que quem vive no interior do concelho não tem de percorrer quilómetros para ser atendido, não tem de adiar uma consulta, não tem de sentir que viver longe do litoral é viver com menos direitos”, salientou.
A reabertura da extensão complementa outras medidas municipais desenvolvidas na Tôr, entre as quais investimentos nas telecomunicações, a revisão do Plano Diretor Municipal para incluir áreas destinadas a infraestruturas públicas e a promoção do território através do Geoparque Algarvensis, reconhecido pela UNESCO.
Segundo Telmo Pinto, a disponibilização de melhores serviços de saúde contribui para “atrair pessoas e dar-lhes razões concretas para escolherem viver” na freguesia.
Investimentos previstos para outras unidades
O autarca recordou ainda os investimentos municipais na área da saúde, nomeadamente a construção do Centro de Saúde Universitário e do edifício do Instituto Nacional de Emergência Médica.
A Câmara de Loulé adquiriu também instalações temporárias para a USF Estrela do Mar, em Quarteira, para o Centro de Saúde de Loulé e para a USF Soberana. Estão em curso obras de melhoria no Centro de Saúde de Loulé e encontram-se planeadas as futuras instalações da USF Soberana, que serve atualmente 8.963 utentes.
Telmo Pinto anunciou igualmente que pretende pedir esclarecimentos ao Governo sobre o anunciado encerramento do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU).
Hospital Central do Algarve em destaque
Na cerimónia, o presidente da Câmara abordou também o futuro Hospital Central do Algarve, que considerou um projeto estruturante para toda a região.
A Associação de Municípios Loulé/Faro dispõe de 13 hectares de terreno para ceder à construção da unidade hospitalar. As duas autarquias definiram ainda um contributo de um milhão de euros para a execução das áreas envolventes.
“Loulé não é um espectador deste processo, é parte interessada e ativa. Não será por nós que o hospital não se concretizará”, declarou Telmo Pinto.
Em representação da Unidade Local de Saúde do Algarve, Rúben Martins destacou a colaboração com o Município de Loulé e reconheceu as dificuldades existentes na colocação de profissionais de saúde nas zonas do interior.
“A ULS procura constantemente as melhores soluções para colocar médicos de família em todos os locais, o que não é fácil porque há escassez de recursos humanos. Temos procurado que não falte apoio às comunidades ao nível da saúde”, concluiu.










