Entrevista a Paulo Dias, vereador do CHEGA na Câmara de Lagos: “Comigo não há amarras políticas ou interesses pessoais para limitar o papel fiscalizador” necessário, sendo de “esperar oposição a sério”

“Na cidade, a sujidade, a insegurança e a descaracterização da nossa identidade portuguesa são problemas crescentes que preocupam todos os lacobrigenses de bem e merecem ser trabalhados”

“É verdade que a nossa candidatura foi projetada e preparada para uma vitória, mas passar de sete por cento para mais de vinte por cento dos votos autárquicos não tem como ser motivo de desilusão.”

“O Partido Socialista, mesmo com toda a sua máquina, perdeu uma freguesia [Bensafrim – n.d.r] pela primeira vez em décadas e baixou 25% da sua percentagem eleitoral habitual. Isto significa que algo está a mudar no panorama político” no concelho de Lagos

“Perspetivo mais quatro anos da mesma gestão burocrática. Apesar do crescente desgaste dos socialistas, é de esperar uma continuidade da arrogância institucional, bem como dos tiques de abuso de poder ou vaidade”

No dia em que toma posse como vereador do CHEGA na Câmara Municipal de Lagos, nesta segunda-feira, 03 de Novembro, numa sessão solene com início a partir das 16h00, no Centro Cultural, Paulo Rosário Dias, de 42 anos e um dos novos rostos deste órgão autárquico para o quadriénio 2025/2029, assume-se, em entrevista ao ‘Litoralgarve’, como “oposição a sério” ao PS, o qual mantém a maioria absoluta.

“Mesmo os que não votaram, ou que votaram em outras opções políticas, sabem que Lagos precisa do CHEGA para termos mais ordem e justiça no nosso concelho”, sublinha Paulo Rosário Dias. E aponta algumas das suas prioridades para resolver, desde a “sujidade” e a “descaracterização da nossa identidade portuguesa”, à “insegurança”, numa cidade onde continua a dominar o tráfico de droga.

Paulo Silva

José Manuel Oliveira

Litoralgarve- Como reage aos resultados nestas eleições autárquicasno concelho de Lagos, onde o PS mantém a maioriaabsoluta e o CHEGA conseguiu eleger, pela primeira vez,um vereador para o executivo municipal, posicionando-secomo a terceira força política a seguir à AD (PSD e CDS/PP)? Ficoudesiludido?

Paulo Rosário Dias – Com estes resultados em Lagos, o Chega não passousomente a integrar o executivo, como passou de umdeputado municipal para cinco, de um membro defreguesia para nove. É verdade que a nossa candidaturafoi projetada e preparada para uma vitória, mas passar desete por cento para mais de vinte por cento dos votosautárquicos não tem como ser motivo de desilusão.

Porseu lado, o Partido Socialista, mesmo com toda a suamáquina, perdeu uma freguesia pela primeira vez emdécadas e baixou 25% da sua percentagem eleitoralhabitual. Isto significa que algo está a mudar nopanorama político.

“Marcámos uma diferença audaciosa, apostando em caras novas, mas estávamos conscientes de que estas levam o seu tempo a consolidar influência eleitoral”

“Recordo como André Ventura começou sozinho no Parlamento, em 2019, como deputado único e hoje lidera a oposição e arrisca ser o próximo Presidente da República”

Litoralgarve- Nas eleições legislativas antecipadas, em 2025, o Chegafoi o partido mais votado no município de Lagos, com4.419 votos. Agora, nestas autárquicas, obteve 2.646votos. Como justifica esta quebra?

Paulo Rosário Dias – Todos sabemos que eleições legislativas são diferentes das autárquicas, onde o conforto individual e a resistência à mudança são sempre maiores. Olhando ao futuro, marcámos uma diferença audaciosa, apostando em caras novas, mas estávamos conscientes de que estas levam o seu tempo a consolidar influência eleitoral.

Recordo como André Ventura começou sozinho no Parlamento, em 2019, como deputado único e hoje lidera a oposição e arrisca ser o próximo Presidente da República. E por isso estes2.646 votos, além de um marco histórico para o que têm sido os resultados da oposição, são um verdadeiro mandato de oposição a sério.

Na noite eleitoral, “obviamente, felicitei o vencedor e ambos desejámos um bom mandato, respectivamente”

No Chega, “confirmámos que Lagos integra um dos vinte melhores resultados do país e que o Algarve continuou, de longe, a ser a região em que o partido tem os melhores resultados eleitorais”

Litoralgarve- Com quem falou na noite eleitoral? O que disse aopresidente reeleito, socialista Hugo Pereira?E o que lhe disse o deputado e presidente da ComissãoPolítica Distrital de Faro do Chega, João Paulo Graça?

Paulo Rosário Dias – A noite eleitoral teve o seu ambiente de ansiedade. Foi passada em equipa, como não poderia deixar de ser. Obviamente, felicitei o vencedor e ambos desejámos um bom mandato, respetivamente. Quanto ao Presidente da Distrital do Algarve, que conseguiu ele próprio um fantástico resultado em Portimão, confirmámos, juntos, que Lagos integra um dos vinte melhores resultados do país e que o Algarve continuou, de longe, a ser a região em que o partido tem os melhores resultados eleitorais.

“Mesmo os que não votaram, ou que votaram em outras opções políticas, sabem que Lagos precisa do CHEGA para termos mais ordem e justiça no nosso concelho”

Litoralgarve- O que lhe dizem os habitantes, nas ruas e noutros locaispúblicos, após estas eleições?

Paulo Rosário Dias – Felicitações e encorajamento são o sentimento geral. Mesmo os que não votaram, ou que votaram em outras opções políticas, sabem que Lagos precisa do CHEGA para termos mais ordem e justiça no nosso concelho.

Em Lagos, “uma nova vinda do André Ventura [presidente do Chega] poderia, de facto, ter tido algum impacto acrescido, mas dificilmente bateria o festival de porcos no espeto, em que a campanha dos socialistas apostou na recta final para confirmar a sua típica base eleitoral”

Litoralgarve- Se o líder do Chega, André Ventura, tivesse participado numa arruada em Lagos, como sucedeu em Portimão e noutros locais do Algarve, durante a campanha eleitoral, poderia ter alcançado um melhor resultado? Poderia ter tirado a maioria absoluta ao PS?

Paulo Rosário Dias – Era expetável que a direção do Partido, seja emorçamento ou em presença de André Ventura,concentrasse o seu investimento de campanha nosmunicípios maiores e onde candidata os seus deputados.

Em Lagos, com o esforço das equipas candidatas,conseguimos uma proeza eleitoral ao ter dos melhoresrácios de voto conseguido por despesa investida. Umanova vinda do André Ventura poderia, de facto, ter tidoalgum impacto acrescido, mas dificilmente bateria ofestival de porcos no espeto,em que a campanha dossocialistas apostou na recta final para confirmar a suatípica base eleitoral.

“A administração da Câmara Municipal [de Lagos] pode esperar uma oposição a sério como nunca teve”

“Entre as primeiras medidas estarão a exigência das condições do exercício do mandato e a análise dos gastos do dinheiro dos contribuintes”

Litoralgarve- Qual é a primeira medida, ou proposta, que irá apresentar quando assumir o cargo de vereador e porquê?

Paulo Rosário Dias – Enquanto vereador sem funções executivas, aadministração da Câmara Municipal pode esperar umaoposição a sério como nunca teve. Quem me conhecesabe que comigo não há amarras políticas ou interessespessoais para limitar o papel fiscalizador que Lagosprecisa. Entre as primeiras medidas estarão a exigênciadas condições do exercício do mandato e a análise dosgastos do dinheiro dos contribuintes.

“Perspetivo mais quatro anos da mesma gestão burocrática. Apesar do crescente desgaste dos socialistas, é de esperar uma continuidade da arrogância institucional, bem como dos tiques de abuso de poder ou vaidade, o que já vem sendo característica de alguns elementos”

“A diferença estará num menor conforto por terem agora uma oposição atenta do CHEGA”

Litoralgarve- Com o PS em maioria absoluta, como perspectiva agestão camarária nos próximos quatro anos no municípiode Lagos?

Paulo Rosário Dias –Infelizmente,perspetivo mais quatro anos da mesmagestão burocrática. Apesar do crescente desgaste dossocialistas, é de esperar uma continuidade da arrogânciainstitucional, bem como dos tiques de abuso de poder ouvaidade, o que já vem sendo característica de algunselementos. A diferença estará num menor conforto porterem agora uma oposição atenta do CHEGA.

“Na cidade [de Lagos], a sujidade, a insegurança e a descaracterização da nossa identidade portuguesa são problemas crescentes que preocupam todos os lacobrigenses de bem e merecem ser trabalhados”

Litoralgarve- E como será a sua actuação? O que mais o preocupa?

Paulo Rosário Dias – Posso dizer que a minha atuação corresponderá aos eleitores que sancionaram o nosso programa e que continuará sendo de grande proximidade aos cidadãos comuns e às suas necessidades reais. Terá, também, o objetivo de influenciar um melhor planeamento para o concelho, para que áreas como a educação ou a habitação passem a ser geridas com visão de futuro. Na cidade, a sujidade, a insegurança e a descaracterização da nossa identidade portuguesa são problemas crescentes que preocupam todos os lacobrigenses de bem e merecem ser trabalhados.

Proibição da burca em locais públicos, em Portugal, “é uma proposta considerada legítima aos olhos do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos para proteger a segurança e os direitos das mulheres”

“É algo que deveria ser um interesse nacional comum e surpreende-me que os socialistas se tenham aliado à extrema-esquerda para votar contra esta medida” proposta pelo Chega e aprovada na Assembleia da República

Litoralgarve- O que pensa daproibição da burca em locais públicos, em Portugal?

Paulo Rosário Dias – A proposta do Chega, aprovada pela Assembleia da República, é para acabar com a ocultação integral da face em locais públicos, salvaguardando exceções por motivos profissionais, de saúde ou artísticos.

É uma proposta considerada legítima aos olhos doTribunal Europeu dos Direitos Humanos para proteger asegurança e os direitos das mulheres. Isto é algo quedeveria ser um interesse nacional comum e surpreende-me que os socialistas se tenham aliado à extrema- esquerda para votar contra esta medida.

Houve “algumas deselegâncias e comportamentos antidemocráticos, inclusive ataques pessoais completamente descabidos, por parte de alguns responsáveis e eleitos socialistas”

Nesta entrevista ao ‘Litoralgarve’, o vereador do Chega na Câmara Municipal de Lagos, Paulo Rosário Dias, para o mandato 2025/2029, enaltece aspectos ao longo da recente campanha eleitoral e lamenta outros, nomeadamente “ataques pessoais” que lhe foram dirigidos por autarcas do PS.

“Gostaria, apenas, de saudar o clima democrático quepautou a generalidade das forças candidatas na disputaeleitoral em período de campanha, não obstante termosregistado algumas deselegâncias e comportamentosantidemocráticos, inclusive ataques pessoaiscompletamente descabidos, por parte de algunsresponsáveis e eleitos socialistas”, frisa.