Eleições legislativas 2024 – Entrevista a Yannick Schade, candidato do Volt Portugal no Algarve: “É importante existir um governo de coligação, para que haja diálogo entre partidos”

Depois de alertar que “governos de maioria absoluta não são benéficos para o país, como demonstrado na última legislatura”, este jovem luso-alemão, de 23 anos de idade, nesta entrevista concedida, por escrito, ao ‘Litoralgarve’, reconhece: “quanto à duração da próxima legislatura, tudo dependerá dos resultados da eleição e só depois conseguiremos dizer com maior certeza o que poderá acontecer.” Yannick Schade, que encabeça a lista de candidatos a deputados do Volt Portugal, no Algarve, quer “lutar pela criação de um círculo eleitoral nacional de compensação, de forma a assegurar a representação dos eleitores” e revela as ideias do seu partido para a região, onde o problema da seca e o desperdício de água, a economia, a saúde, o ensino, os transportes, a segurança, o ambiente e o empreendedorismo assumem especial destaque. Isto, numa altura em que, garante, o Volt Portugal está “sem dúvida” preparado para integrar o próximo Governo.

José Manuel Oliveira

“Eu decidi concorrer por considerar ser importante que o meu perfil fosse representado na política portuguesa: o perfil de um jovem trabalhador que não conseguiu financiar os seus estudos no ensino superior e que está cansado da estagnação do país e da região onde cresceu.”

Defender “medidas como a criação de um plano de investimento na reutilização da água residual tratada, como tem sido feito em Tóquio desde a década de 1980, a eliminação das perdas de água verificadas nas condutas, quer por fugas quer por avarias, garantindo que a rede é reabilitada onde necessário; e tornar as águas subterrâneas um bem público, de forma a que estas sejam geridas de acordo com as necessidades da região, sendo necessário fiscalizar a criação de furos ilegais.”

“É necessário investir nas infraestruturas do distrito, nomeadamente na ferrovia. Essa seria uma das melhores formas de capacitar a região com melhores transportes, tornando-a mais atrativa para as empresas e melhorando a qualidade de vida dos algarvios a longo prazo.”

“Na área de segurança, temos outra vez uma grande maioria dos profissionais dessa área descontentes com as condições nas quais têm de trabalhar. Questões como a falta de apoio jurídico, a falta de investimento no equipamento e instalações, e o facto de os profissionais terem de pagar as suas fardas e material necessário para poderem desempenhar as suas funções não permitem aos polícias focarem-se nas suas funções.”

Litoralgarve – Como surgiu a sua candidatura como cabeça de lista a deputado do Volt Portugal pelo Círculo

Eleitoral de Faro a estas eleições legislativas antecipadas no dia 10 de Março de 2024?

Yannick Schad – No Volt, realizam-se eleições primárias entre os membros do partido para decidir as lideranças das listas. Eu decidi concorrer por considerar ser importante que o meu perfil fosse representado na política portuguesa: o perfil de um jovem trabalhador que não conseguiu financiar os seus estudos no ensino superior e que está cansado da estagnação do país e da região onde cresceu.

“O sistema eleitoral atual não permite uma representação real da vontade dos eleitores, já que quase 180 mil votos não contaram para eleger nenhum deputado, em 2022. É natural, então, que os eleitores votem de forma estratégica, através do chamado “voto útil”, em vez de votarem no partido que, de facto, os representa.”

Litoralgarve – Quantos deputados espera o partido eleger no Algarve?

Yannick Schade – O sistema eleitoral atual não permite uma representação real da vontade dos eleitores, já que quase 180 mil votos não contaram para eleger nenhum deputado, em 2022. É natural, então, que os eleitores votem de forma estratégica, através do chamado “voto útil”, em vez de votarem no partido que, de facto, os representa. O meu objetivo é trazer para a mesa este e outros temas, assim como lutar pela criação de um círculo eleitoral nacional de compensação,

de forma a assegurar a representação dos eleitores.

“Queremos diversificar a economia algarvia, já que o facto de o Algarve depender em grande parte do sector de turismo não é seguro nem estratégico. No entanto, para que as empresas se fixem no Algarve, é necessário haver incentivos e condições favoráveis.”

Litoralgarve – Quais os principais problemas que sente nesta região? E quais as prioridades do Volt Portugal para o próximo mandato?

Yannick Schade – Queremos diversificar a economia algarvia, já que o facto de o Algarve depender em grande parte do sector de turismo não é seguro nem estratégico. No entanto, para que as empresas se fixem no Algarve, é necessário haver incentivos e condições favoráveis. É necessário investir nas infraestruturas do distrito, nomeadamente na ferrovia. Essa seria uma das melhores formas de capacitar a região com melhores transportes, tornando-a mais atrativa para as empresas e melhorando a qualidade de vida dos algarvios a longo prazo.

“É necessário perceber quanto nos vai custar a compra das dessalinizadoras e não fazer nada sobre alterações climáticas, em vez apostar em medidas que tragam respostas à seca no Algarve”

Litoralgarve –  Qual será a sua primeira medida se for eleito no dia 10 de Março?

Yannick Schade – Propor um estudo sério sobre as dessalinizadoras, incluindo o custo de inação sobre as alterações climáticas. É necessário perceber quanto nos vai custar a compra das dessalinizadoras e não fazer nada sobre alterações climáticas, em vez apostar em medidas que tragam respostas à seca no Algarve e que ajudem a combater as alterações climáticas, como defendemos no Volt. Medidas como a criação de um plano de investimento na reutilização da água residual tratada, como tem sido feito em Tóquio desde a década de 1980, a eliminação das perdas de água verificadas nas condutas, quer por fugas quer por avarias, garantindo que a rede é reabilitada onde necessário; e tornar as águas subterrâneas um bem público, de forma a que estas sejam geridas de acordo com as necessidades da região, sendo

necessário fiscalizar a criação de furos ilegais.

“Reconheço que existe um risco de não haver consenso entre os partidos devido à polarização atual na política e acredito que o Volt pode ter um papel essencial, já que, por natureza, procuramos o diálogo para encontrar soluções”

Litoralgarve – Se não houver maioria absoluta do Partido Socialista, nem da Aliança Democrática, como encara a formação do próximo Governo? Poderá ser uma legislatura de curta duração?

Yannick Schade – Governos de maioria absoluta não são benéficos para o país, como demonstrado na última legislatura. É, por isso, importante e saudável existir um governo de coligação, para que haja diálogo entre partidos e que estes cheguem a compromissos. Quanto à duração da próxima legislatura, tudo dependerá dos resultados da eleição e só depois conseguiremos dizer com maior certeza o que poderá acontecer. No entanto, reconheço que existe um risco de não haver

consenso entre os partidos devido à polarização atual na política e acredito que o Volt pode ter um papel essencial, já que, por natureza, procuramos o diálogo para encontrar soluções.

“As nossas listas contam com muitas pessoas com currículos e experiências muito relevantes para um futuro governo. É difícil apontar qual seria o ministério que o Volt teria mais interesse em gerir, já que temos motivação e soluções para trabalhar nas mais variadas áreas.”

Litoragarve – Num acordo de incidência parlamentar, o Volt Portugal estaria preparado para integrar o próximo governo? Em que ministérios?

Yannick Schade – Sem dúvida. As nossas listas contam com muitas pessoas com currículos e experiências muito relevantes para um futuro governo. Pessoas como a nossa candidata nacional nestas eleições, a Inês Bravo Figueiredo, que conhecem a realidade das pequenas empresas, já que eles próprios têm ou tiveram uma. Pessoas como eu, que se voluntariam para organizações sem fins lucrativos, em áreas sociais, de conservação de animais selvagens, de animais

abandonados, de educação não-formal de jovens e crianças e que, devido a esse trabalho, conhecem as realidades que estas organizações enfrentam – muitas delas sem recursos financeiros suficientes, ainda que sejam enormes mais-valias para Portugal. Pessoas como a nossa cabeça de lista por Beja, Iris La Feria, que percebem o que significa termos de ser nós

próprios a financiar os nossos estudos e sermos obrigados a sair dos nossos distritos de origem devido à falta de oportunidades. Estas experiências fazem-nos entender de perto os problemas de Portugal, como a ineficácia da burocracia envolvida em todas as áreas referidas, e dão-nos imensa motivação para trazer novas soluções para a Assembleia da República e para um eventual governo.

É difícil apontar qual seria o ministério que o Volt teria mais interesse em gerir, já que temos motivação e soluções para trabalhar nas mais variadas áreas.

“Temos inúmeros desafios a enfrentar em Portugal. Mas temos também soluções de vários partidos, incluindo o Volt, para darmos a volta. Mas tal só será possível se houver diálogo e vontade de chegar a compromissos entre os partidos. O papel do Volt será contribuir com a nossa visão onde queremos que o país esteja daqui a 10 anos e da forma como propomos chegar à nossa meta de termos salários europeus em Portugal.”

Litoralgarve – Como encara o futuro de Portugal?

Yannick Schade – O país encontra-se numa situação precária em muitos setores da sociedade, como é o caso da educação, onde não temos professores suficientes para as nossas crianças e os professores que temos estão descontentes com as suas condições de trabalho. Na saúde, observamos, nas notícias, várias unidades de saúde a encerrarem total ou parcialmente os seus serviços, nomeadamente de urgência, forçando as populações a procurarem acompanhamento médico longe do seu local de residência. Para além disso, têm sido muitos os profissionais de saúde a saírem do Serviço Nacional de Saúde, ou a saírem mesmo do país, uma vez mais devido às condições deploráveis em que trabalham. Na área de segurança, temos outra vez uma grande maioria dos profissionais dessa área descontentes com as condições nas quais têm de trabalhar. Questões como a falta de apoio jurídico, a falta de investimento no equipamento e instalações, e o facto de os profissionais terem de pagar as suas fardas e material necessário para poderem desempenhar as suas funções não permitem aos polícias focarem-se nas suas funções.

Outras áreas, entre as quais o ambiente e o empreendedorismo, têm sofrido de uma grande falta de consideração por parte dos atores políticos. Se tivermos apenas um foco a curto prazo, como tem sido a tendência na política portuguesa, acabamos por apenas adiar os problemas para o futuro. Temos inúmeros desafios a enfrentar em Portugal. Mas temos também soluções de vários partidos, incluindo o Volt, para darmos a volta. Mas tal só será possível se houver diálogo e

vontade de chegar a compromissos entre os partidos. O papel do Volt será contribuir com a nossa visão de onde queremos que o país esteja daqui a 10 anos e da forma como propomos chegar à nossa meta de termos salários europeus em Portugal.

“Tanto Portugal como uma boa parte dos países europeus não estão em condições de se defenderem a curto prazo. É importante que apostemos rapidamente neste setor, de forma a que, a médio e longo prazo, consigamos mudar a realidade atual e ter Forças Armadas com capacidade de responder a ameaças externas.”

Um tema que me chama em especial a atenção neste momento é a defesa. Tanto Portugal como uma boa parte dos países europeus não estão em condições de se defenderem a curto prazo. É importante que apostemos rapidamente neste setor, de forma a que, a médio e longo prazo, consigamos mudar a realidade atual e ter Forças Armadas com capacidade de responder a ameaças externas. Alguns primeiros passos a tomar neste momento incluem a compra de armamento, equipamento e veículos em conjunto com outros países; a integração de unidades em exércitos de outros países, como já fazem os Países Baixos e a Alemanha; e tornar a carreira militar mais atrativa. A longo prazo, é necessário um exército comum europeu que responda perante o Parlamento Europeu, para que tenhamos uma força militar que seja capaz

de servir como dissuasor eficaz a atuais e futuras ameaças.

QUEM É YANNICK SCHADE

“Eu gosto muito de marisco e peixe no geral. Não consigo dizer que não a uns camarões com pão torrado e manteiga”

Natural de São Brás de Alportel e residente em Lisboa, é operador de ‘Call Center’, ocupa os tempos livres a ler e a jogar jogos no computador, reconhece como principal defeito ser “impaciente”, aprecia a “resiliência” das pessoas perante tempos difíceis e destaca Ricardo Araújo entre figuras a nível nacional.

Nome completo: Yannick Schade

Data do nascimento: 16/06/2000

Estado Civil: Solteiro

Filhos: Não tenho.

Naturalidade: São Brás de Alportel

Residência: Lisboa

Filiação partidária: Volt Portugal

Cargos políticos que já desempenhou: Não aplicável

Profissão: Operador de Call Center

Habilitações literárias: Ensino secundário

Clube desportivo da sua preferência: Não tenho necessariamente um clube preferido, já que prefiro acompanhar UFC e nesse caso o meu lutador preferido é o Israel Adesanya.

Como ocupa os tempos livres? A ler e a jogar jogos no computador

Gastronomia/qual é o prato preferido? Eu gosto muito de marisco e peixe no geral. Não consigo dizer que não a uns camarões com pão torrado e manteiga.

Onde costuma passar férias e porquê? Não tenho um lugar fixo, gosto de conhecer novos lugares e por isso visito locais diferentes.

Filmes que mais aprecia e porquê? A maioria dos filmes da Disney, gosto das histórias que contam, especialmente os mais recentes. Permitem-nos relacionar facilmente com os protagonistas.

E livros? E porquê? Fantasia, ficção científica. Gosto de ler para me “desligar” do mundo e recarregar energias.

Religião: Não sou religioso

Qual a sua principal virtude? Facilidade em conectar-me com qualquer tipo de pessoa

E qual o seu principal defeito? Ser impaciente

O que mais aprecia nas pessoas? A resiliência perante tempos difíceis

E o que mais detesta? Falta de capacidade de nos colocarmos na posição de outros

Qual a figura nacional que mais aprecia e porquê? Ricardo Araújo Pereira. Gosto muito do seu tipo de humor e acredito que o trabalho que faz acaba por ser muito importante para que as gerações mais recentes mantenham o interesse pela política e não só.

E a nível internacional? Trevor Noah. Acho que deu para perceber que gosto de comediantes e acho que ele é muito inteligente nas suas piadas.

Mais Artigos