Eleições Legislativas 2024 – Entrevista a José Gusmão, cabeça de lista do Bloco de Esquerda, no Algarve: “Esperamos recuperar o deputado que perdemos em 2019”

Na recta final da campanha eleitoral, o candidato a deputado do Bloco de Esquerda José Gusmão procura avivar a memória dos eleitores, nesta entrevista, por escrito, concedida ao ‘Litoralgarve: “O último governo das direitas cortou nas pensões dos portugueses. Foi a esquerda que impôs o fim desta política cruel em 2015.”

No Algarve, “o Bloco é o único partido à esquerda do PS que pode eleger um deputado para contar para uma maioria de esquerda que faz tanta falta ao país”, antevê José Gusmão, de 47 anos, garantindo, desde já, caso chegue ao parlamento, como primeira medida, “o início efetivo das obras do novo hospital do Algarve, há mais de 20 anos prometido pelo PS e PSD.” Refere, em pormenor, os problemas que sente nesta região e aponta soluções. Para o Bloco de Esquerda, o futuro do Algarve também passará pela regionalização.

José Manuel Oliveira

“O Bloco não tem ambiguidades. Só aceitaremos participar numa maioria de esquerda e combateremos a coligação da amnésia, formada pelos partidos que têm esquecido a região durante anos e anos a fio.”

“O último governo das direitas cortou nas pensões dos portugueses. Foi a esquerda que impôs o fim desta política cruel em 2015. Queremos novas fontes de financiamento para a Segurança Social. Nenhum pensionista, nenhum homem ou mulher que trabalhou a vida inteira pode ter uma pensão abaixo do limiar de pobreza.”

“A catástrofe da água exige que se concretizem, finalmente, os investimentos nas redes de regantes, distribuição e saneamento, impondo a utilização de águas residuais nos campos de golfe e outros equipamentos. Rejeitamos a penalização dos pequenos agricultores e das famílias através do aumento do custo de consumos essenciais.”

“A linha ferroviária deve ser articulada com ligações locais de transporte coletivo e parques de estacionamento gratuitos junto das estações. Defendemos, como sempre, o fim das portagens na Via do Infante e a requalificação da EN125.”

Litoralgarve – Como surgiu a sua candidatura como cabeça de lista a deputado do Bloco de Esquerda pelo Círculo Eleitoral de Faro a estas eleições legislativas antecipadas no dia 10 de Março de 2024?

José Gusmão – Com naturalidade. Fui candidato do Bloco nas últimas eleições legislativas e esta nova candidatura foi consensual. Mas nestas eleições concorremos com seis independentes nas listas, mais o mandatário António Branco, ex-reitor da Universidade do Algarve, que revelam um alargamento e abertura do Bloco. Essa abertura é um bom presságio para o nosso resultado no Algarve.

“É o Bloco que pode eleger um dos 9 deputados do Algarve e pode contar, com esse deputado, para uma maioria de esquerda na Assembleia da República”

Litoralgarve – Quantos deputados espera o partido eleger no Algarve?

José Gusmão – Esperamos recuperar o deputado que perdemos em 2019. Aliás, todas as sondagens mostram que o Bloco é o único partido à esquerda que está em condições de o fazer. Por isso, temos apelado a todos os eleitores de esquerda para que concentrem os votos no Bloco. Porque é o Bloco que pode eleger um dos 9 deputados do Algarve e pode contar, com esse deputado, para uma maioria de esquerda na Assembleia da República. O Bloco não tem ambiguidades. Só aceitaremos participar numa maioria de esquerda e combateremos a coligação da amnésia, formada pelos partidos que têm esquecido a região durante anos e anos a fio.

“A crise da habitação é pior no Algarve por causa da pressão turística e sazonalidade. A escassez de casas disponíveis e os preços insuportáveis exigem medidas corajosas como a proibição de venda a não-residentes, a regulação do mercado de arrendamento e a criação de um parque público de habitação.”

Litoralgarve – Quais os principais problemas que sente nesta região? E quais são as prioridades do Bloco de Esquerda para o próximo mandato?

José Gusmão – 1. Habitação. A crise da habitação é pior no Algarve por causa da pressão turística e sazonalidade. A escassez de casas disponíveis e os preços insuportáveis exigem medidas corajosas como a proibição de venda a não-residentes, a regulação do mercado de arrendamento e a criação de um parque público de habitação.

2. Saúde. A situação do SNS [Serviço Nacional de Saúde] no Algarve é uma emergência. Os hospitais perdem profissionais a cada ano que passa, seja para o setor privado, seja para a reforma, e funcionam, em vários casos, abaixo dos rácios mínimos legais. O Bloco bater-se-á para valorizar as carreiras dos profissionais de saúde, voltando a atraí-los para o SNS e investir na rede hospitalar e de cuidados primários.

3. Escola Pública. A escola pública e o seu projeto de igualdade dependem da valorização de professores,

técnicos especializados e assistentes operacionais. Estes profissionais têm um papel insubstituível na vida das escolas, no combate ao insucesso escolar, mas também na identificação de problemas familiares e sociais nos contextos em que as escolas se inserem.

4. Trabalho. Quem trabalha no Algarve dá um enorme contributo para a economia, mas tem os salários mais baixos do país, muito por força da precariedade e sazonalidade das atividades turísticas. O Bloco defende um novo impulso para a contratação coletiva, a

penalização do recurso a trabalho precário e o apoio a atividades económicas em época baixa.

5. Água. A catástrofe da água exige que se concretizem, finalmente, os investimentos nas redes de regantes, distribuição e saneamento, impondo a utilização de águas residuais nos campos de golfe e outros equipamentos. Rejeitamos a penalização dos pequenos agricultores e das famílias através do aumento do custo de consumos essenciais.

Se for eleito, a primeira medida será “o início efetivo das obras do novo hospital do Algarve, há mais de 20 anos prometido pelo PS e PSD. Queremos, também, que se melhorem as valências e as condições dos hospitais de Faro, Portimão e Lagos.”

Litoralgarve – Qual será a sua primeira medida se for eleito no dia 10 de Março?

José Gusmão – O início efetivo das obras do novo hospital do Algarve, há mais de 20 anos prometido pelo PS e PSD. Queremos, também, que se melhorem as valências e as condições dos hospitais de Faro, Portimão e Lagos. O novo hospital deve servir para aumentar e não

para substituir a capacidade atual do Serviço Nacional de Saúde no Algarve. Deve, também, melhorar a sua

relação com a Universidade do Algarve para assegurar a formação e retenção de mais profissionais.

“O que vai interessar é se a maioria do parlamento será composta pelo PS e os partidos à sua Esquerda, ou será da direita e da extrema-direita”

Litoralgarve – Se não houver maioria absoluta do Partido Socialista, nem da Aliança Democrática, como encara o Bloco de Esquerda a formação do próximo Governo? Poderá ser uma legislatura de curta duração?

José Gusmão – Não vai haver maiorias absolutas de ninguém. Isso já ficou muito claro. O que vai interessar é se a maioria do parlamento será composta pelo PS e os partidos à sua Esquerda, ou será da direita e da extrema-direita. O Bloco é o único partido à esquerda do PS que pode eleger um deputado para contar para uma maioria de esquerda que faz tanta falta ao país.

Regresso à ‘geringonça’? “Estaremos disponíveis, como sempre. O Bloco trará para a mesa de negociações a defesa do Serviço Nacional de Saúde, da Escola Pública e de todos os seus profissionais, os direitos de quem trabalha e trabalhou toda uma vida, da defesa do ambiente e da água”

Litoralgarve – Num eventual acordo de incidência parlamentar, o Bloco de Esquerda estaria disponível para voltar à chamada ‘geringonça’ para constituir governo?

José Gusmão – Estaremos disponíveis, como sempre. O Bloco trará para a mesa de negociações a defesa do Serviço Nacional de Saúde, da Escola Pública e de todos os seus profissionais, os direitos de quem trabalha e trabalhou toda uma vida, da defesa do ambiente e da água. Defenderemos, também, os investimentos no país que têm sido tantas vezes adiados, como se vê no Algarve.

“Estamos prontos para todas as responsabilidades, mas não estamos aqui para discutir lugares. O que nos interessa é que o próximo Governo esteja à altura das exigências do país.”

Litoralgarve – O Bloco de Esquerda sente-se preparado para integrar o próximo executivo governamental se vier a ser convidado para o efeito em face dos resultados das

eleições? Em que ministério?

José Gusmão – Estamos prontos para todas as responsabilidades, mas não estamos aqui para discutir

lugares. O que nos interessa é que o próximo Governo esteja à altura das exigências do país. Há milhões de portugueses que estão fartos de esperar. Um governo da esquerda não pode falhar.

“Durante esta campanha, temos percebido que os portugueses não querem um regresso ao passado. Não querem novos ataques aos salários, às pensões ou aos direitos das mulheres. As pessoas lembram-se do que foi o último

Governo das direitas. Mas também sabem que a maioria absoluta do PS deixou tudo a desejar. O melhor Governo que tivemos em democracia foi o Governo em que a esquerda foi determinante.”

Litoralgarve – Como encara o futuro de Portugal?

José Gusmão – Com muita esperança. Durante esta campanha, temos percebido que os portugueses

não querem um regresso ao passado. Não querem novos ataques aos salários, às pensões ou aos direitos das mulheres. As pessoas lembram-se do que foi o último

Governo das direitas. Mas também sabem que a maioria absoluta do PS deixou tudo a desejar. O melhor Governo que tivemos em democracia foi o Governo em que a

esquerda foi determinante. É possível continuar esse trabalho se a esquerda tiver mais força. Começa aqui no Algarve, voltando a eleger um deputado do Bloco.

1. Pensões

O último governo das direitas cortou nas pensões dos portugueses. Foi a esquerda que impôs o fim desta política cruel em 2015. Queremos ir mais longe. Queremos novas fontes de financiamento para a Segurança Social. Nenhum pensionista, nenhum

homem ou mulher que trabalhou a vida inteira pode ter uma pensão abaixo do limiar de pobreza.

2. Agricultura

A atividade agrícola no Algarve é marcada por grandes desigualdades nos apoios financeiros e no acesso a recursos comuns, como a água. Defendemos uma

distribuição mais justa dos fundos comunitários, apoiando a transição ecológica, os projetos de transformação alimentar local e a sua integração noutras fileiras produtivas.

3. Ambiente

O Bloco está em todas as lutas pela defesa do ambiente, desde a proteção da biodiversidade até ao combate à poluição e predação de recursos comuns. A aposta na

transição energética é uma prioridade que pode criar milhares de bons empregos no Algarve e contribuir para aliviar a fatura da energia das famílias.

4. Mobilidade

O Bloco defende a eletrificação de toda a linha do Algarve e o investimento no material circulante. A linha ferroviária deve ser articulada com ligações locais de

transporte coletivo e parques de estacionamento gratuitos junto das estações. Defendemos, como sempre, o fim das portagens na Via do Infante e a requalificação da EN125.

5. Regionalização

Uma região do Algarve legitimada pelo voto dos que aqui vivem será um primeiro passo para, finalmente, desbloquear os investimentos urgentes que têm sido

sistematicamente preteridos, na saúde, na educação, na universidade, nos transportes, nas infraestruturas ou no ambiente. A democracia é o caminho.

6. Cultura

Queremos um aumento do orçamento para a cultura que possibilite às instituições culturais uma estabilidade financeira que lhes permita desenvolver programas,

valorizar os seus profissionais e proteger o processo criativo de interesses externos. Defendemos, ainda, a consignação de uma parte das taxas turísticas ao Plano Nacional das artes para a formação cultural dos jovens e de futuros públicos.

QUEM É JOSÉ GUSMÃO

Solteiro e pai de duas meninas, de 6 e 10 anos, nasceu em Lisboa, mora em Loulé e é economista. Deputado ao Parlamento Europeu, tem o Sporting como clube preferido, ocupa os tempos livres com cinema, futebol, xadrez e dança, gosta de polvo à lagareiro e destaca o facto de estar “sempre contactável” como a sua principal virtude, reconhecendo, por outro lado, que “passo demasiado tempo ao telemóvel”, o seu maior defeito. “Frontalidade” é o que mais aprecia nas pessoas e “oportunismo” aquilo que mais detesta.

Nome completo: José Guilherme Figueiredo Nobre de Gusmão

Data do nascimento: 20 de Julho de 1976

Estado Civil: Solteiro

Filhos: 2 filhas de 6 e 10 anos

Naturalidade: lisboa

Residência: Loulé

Filiação partidária: Bloco de Esquerda

Cargos políticos que já desempenhou: Deputado à Assembleia da República – vice-presidente da comissão de orçamento e finanças;

Deputado ao Parlamento Europeu – coordenador da esquerda nas comissões de assuntos económicos e monetários e assuntos fiscais, membro das comissões de emprego e assuntos sociais e liberdades cívicas e Copresidente do Grupo interparlamentar da deficiência;

Membro da Mesa Nacional, da Comissão Política e Secretariado do Bloco de Esquerda

Profissão: Economista

Habilitações literárias: Licenciatura

Clube desportivo da sua preferência: Sporting

Como ocupa os tempos livres: Cinema, Futebol, Xadrez e Dança

Gastronomia/qual é o prato preferido? Polvo à Lagareiro

Onde costuma passar férias e porquê? Algarve, porque dá para passar férias de todo o tipo: praia, campo, montanha, gastronomia e cultura.

Filmes que mais aprecia e porquê? Recordações da Casa Amarela, porque é um dos retratos sociais mais implacáveis da época do cavaquismo.

E livros? Levantado do Chão, porque mostra que se pode fazer romance politicamente comprometido sem comprometer a qualidade literária.

Religião: Não tenho

Qual a sua principal virtude? Estou sempre contactável

E qual o seu principal defeito? Passo demasiado tempo ao telemóvel

O que mais aprecia nas pessoas? Frontalidade

E o que mais detesta? Oportunismo

Qual a figura nacional que mais aprecia e porquê? A senhora que confrontou Luís Montenegro com o corte nas pensões.

E a nível internacional? Neste momento, António Guterres

Mais Artigos