“Carnaval de Verão, em Agosto de 2024, será inovação para dinamizar a actividade económica na vila de Odiáxere”, revela, ao ‘Litoralgarve’, Sofia Santos, presidente do Clube Desportivo local

Em entrevista concedida, em exclusivo, ao nosso Jornal, logo a seguir ao Enterro do Carnaval de Odiáxere, com fogo-de artifício, no Largo da Alegria, a poucos metros do moinho, na noite de 14 de Fevereiro (quarta-feira de cinzas), a presidente da Direção do Clube Desportivo de Odiáxere, Sofia Santos, responsável pela organização, apontou para a necessidade de apostar em “festas temáticas” no próximo Verão, de forma a animar esta localidade do concelho de Lagos. E o Carnaval de Verão em Odiáxere será uma delas, como evento inovador. “Já tínhamos a ideia há dois, três anos de levar a efeito este evento, mas em 2024 decidimos mesmo fazê-lo porque Odiáxere tem de ficar muito mais animado e com mais vida. E nós temos essa capacidade”, garantiu Sofia Santos, em jeito de apelo para sensibilizar a população.

Por outro lado, num breve balanço ao último Carnaval, destacou mudanças introduzidas, lamentou o facto de as condições atmosféricas terem condicionado parte dos festejos, nomeadamente ao nível das crianças, bem como impedido o retorno financeiro desejado durante os quatro dias do programa. E aproveitou para anunciar, nomeadamente, “melhorias ao nível do estacionamento”, em 2025, apelando, ainda, à compreensão dos residentes. “Enquanto o Carnaval de Loulé é a referência no sotavento, nós pretendemos reforçar a aposta de o Carnaval de Odiáxere marcar a diferença na zona do barlavento”, vincou, ao ‘Litoralgarve’, Sofia Santos, em estilo de mais um dos seus recados a tentar reforçar a posição desta freguesia ao nível do Algarve.

José Manuel Oliveira

Litoralgarve – Que balanço faz sobre a 28ª. edição do Carnaval de Odiáxere, que decorreu de 10 a 14 de Fevereiro de 2024?

Sofia Santos – A afluência foi, talvez, mais de oito mil pessoas, praticamente a mesma do ano passado. Desta vez, tivemos mais gente de fora, estrangeiros [nomeadamente ingleses e espanhóis – n.d.r.], bem como visitantes das freguesias vizinhas do concelho de Lagos, de Portimão e de Albufeira.

Litoralgarve – Os visitantes estrangeiros vieram de outros países, ou residem no concelho de Lagos?

Sofia Santos – Vieram mesmo de propósito. Mas não sei de onde vieram. Perguntaram-nos se este desfile era anual e dissemos que sim.

“Gastámos, no total, cerca de 48.000 euros. Da Câmara Municipal de Lagos, tivemos a comparticipação de 40.000 euros e a Junta de Freguesia de Odiáxere colaborou nalgumas despesas. As pessoas pensam que não é importante, mas é importante o apoio do comércio. É muito importante porque a nossa oferta é a festa, a oferta deles, também”

Litoralgarve – Qual o investimento realizado?

Sofia Santos – Gastámos, no total, cerca de 48.000 euros.

Litoralgarve – E com que apoios contaram?

Sofia Santos – Da Câmara Municipal de Lagos, tivemos a comparticipação de 40.000 euros e a Junta de Freguesia de Odiáxere colaborou nalgumas despesas.

Litoralgarve – E o comércio?

Sofia Santos – Foi algum apoio. Mas é normal, também, as pessoas deixarem de ajudar, visto nós termos uma verba da Câmara Municipal. As pessoas pensam que não é importante, mas é importante o apoio do comércio. É muito importante porque a nossa oferta é a festa, a oferta deles, também. E isto é uma mais-valia para todo o comércio local.

“Houve mais ‘stands’ do que no ano passado. É uma aposta para que o clube, dentro de anos, de uma forma diferente e gradual, possa colher resultados para que este evento consiga um impacto muito maior”

Litoralgarve – Neste Carnaval de Odiáxere estiveram mais de duas dezenas de ‘stands’, roulottes, pequenas barracas, espalhadas no Largo da Alegria, entre a zona onde se encontrava instalado o palco para os espectáculos e o espaço no qual se situa o moinho. De onde vieram os comerciantes?

Sofia Santos – São de várias zonas. Estão habituados a este tipo de eventos e vieram de todo a região do Algarve.

Litoralgarve – Foram mais ou menos do que em 2023?

Sofia Santos – Houve mais ‘stands’ do que no ano passado. É uma aposta para que o clube, dentro de anos, de uma forma diferente e gradual, possa colher resultados para que este evento consiga um impacto muito maior. E é um trabalho que estamos a iniciar agora, leva algum tempo, mas é esta linha que queremos seguir. Fazer um evento totalmente diferente daquilo que há nesta zona do Algarve. De resto, somos os únicos a fazer isto.

“Não queremos brincar ao Carnaval; queremos crescer. Tivemos, em programa, outros tipos de iniciativa neste Carnaval, mais dias, mais animação, mais atracção, tanto para os adultos, como para a população infantil. Achámos, também, por bem fazer ainda outro percurso no desfile dos carros alegóricos na terça-feira de Entrudo, de modo a que as pessoas se pudessem dispersar neste espaço do Largo da Alegria, em Odiáxere. Como tal, desta vez, houve mais uma volta junto à zona do moinho. Este é um trabalho que vai demorar mais algum tempo”

Litoralgarve – Após o Enterro do Carnaval de Odiáxere, no ano passado, a senhora disse que não queria continuar a brincar ao Carnaval, tendo apontado para um trabalho a sério nesse sentido. O que mudou desde essa altura até agora?

Sofia Santos – Infelizmente, não mudou muito. Onde existe uma grande dificuldade é em termos um espaço nosso. E de momento ainda não temos. O tempo também passa num instante. Um ano passa a correr. E neste ano, o Carnaval foi muito mais cedo. Entretanto, tivemos outro tipo de eventos, como a nossa festa de Natal, em 2023, e a passagem-de-ano. E isso fez com que também não conseguíssemos estar mais preparados. Mas falámos com a autarquia para nos ajudar nesse sentido, em relação ao espaço. Porque, continuo a dizer, nós não queremos brincar ao Carnaval; queremos crescer. Tivemos, em programa, outros tipos de iniciativa neste Carnaval, mais dias, mais animação, mais atracção, tanto para os adultos, como para a população infantil. Achámos, também, por bem fazer ainda outro percurso no desfile dos carros alegóricos na terça-feira de Entrudo, de modo a que as pessoas se pudessem dispersar neste espaço do Largo da Alegria, em Odiáxere. Como tal, desta vez, houve mais uma volta junto à zona do moinho. Este é um trabalho que vai demorar mais algum tempo e nós, directores do clube, não nos podemos também agarrar só a um evento. O nosso clube é muito activo, tem mais de trezentas atletas que praticam futebol. Temos muito trabalho e não nos conseguimos dedicar só ao Carnaval. Mas caminhamos para melhorar este evento.

Torres Vedras “apoiou-nos com sete figuras para os carros alegóricos”, entre as quais “o tambor” e “peças que serviram para nós criarmos um carro chinês.” E “menos de um mês” foi o tempo que demorou a preparar o Carnaval de Odiáxere

Litoralgarve  – Qual o apoio neste Carnaval, resultante do protocolo com a Câmara Municipal de Torres Vedras , na sequência da geminação desta cidade com Lagos?

Sofia Santos – Apoiou-nos com sete figuras para os carros alegóricos. Trouxemos algumas peças e começámos a trabalhar nos nossos carros alegóricos, como por exemplo o tambor. E para o efeito convidámos a Fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Albufeira. Também trouxemos peças que serviram para criarmos um carro chinês. E é justo salientar, igualmente, a forte ajuda de Fernando Canelas, um grande artista de Lagos, que se prontifica sempre para nos ajudar na elaboração dos carros. No total, tivemos nove carros alegóricos a cargo do clube.

Litoralgarve – Quanto tempo demorou a preparar este Carnaval de Odiáxere?

Sofia Santos – Menos de um mês.

Litoralgarve – E quantas pessoas estiveram envolvidas? Foi só a direcção do clube ou houve mais?

Sofia Santos – Tivemos alguns apoios. Se calhar trabalharam dez pessoas naqueles carros alegóricos. Todos nós estamos de parabéns porque nos dedicámos, diria, a quinhentos por cento neste projecto e [o Carnaval] saiu à rua no dia previsto. Isso para nós é uma grande honra. Quero agradecer à Tânia Bandarrinha e a outros dirigentes do Clube Desportivo de Odiáxere a ajuda neste evento. A todas as pessoas envolvidas no nosso Carnaval.

“Tivemos azar. Houve tanto tempo para chover e choveu naquele domingo. Iniciámos o programa no sábado [dia 10] e não decorreu como estava previsto. No domingo, o dia dedicado às crianças, também não foi como o desejado. Não trouxemos nenhum carro alegórico para não estragar. Por isso, as crianças estiveram só aqui [no Largo da Alegria], onde tivemos animação infantil e pouco mais”

Litoralgarve – Houve receio da chuva que acabou mesmo por cair durante os festejos?

Sofia Santos – Claro que sim. Tivemos azar. Houve tanto tempo para chover e choveu naquele domingo [dia 11 de Fevereiro]. Iniciámos o programa no sábado [dia 10] e não decorreu como estava previsto. No domingo, o dia dedicado às crianças, também não foi como o desejado. Não trouxemos nenhum carro alegórico para não estragar. Por isso, as crianças estiveram só aqui [no Largo da Alegria], onde tivemos animação infantil e pouco mais. Não houve desfile com crianças. O Centro Infantil de Odiáxere, que habitualmente participa no Carnaval, neste ano, devido às condições atmosféricas, não lhe foi possível comparecer com crianças, o que animaria mais a nossa festa.

Litoralgarve – Admitiram, por exemplo, remarcar o desfile das crianças, com carros alegóricos, para outra data, como sucedeu noutros concelhos do Algarve?

Sofia Santos – Não, porque também já tínhamos outro tipo de eventos agendados para a semana seguinte.

Litoralgarve – Na Terça-Feira de Entrudo, dia 13 de Fevereiro, é que decorreu tudo normalmente, com animação, o desfile dos carros alegóricos, acompanhantes e os concertos logo a seguir…

Sofia Santos – Sim. E foi um sucesso como previsto. Tal como também o dia seguinte [quarta-feira de cinzas], com o Enterro do Carnaval, que faz parte da nossa cultura.

“Durante este ano, vamos ter de ceder o armazém”, onde decorre a preparação dos carros alegóricos. Responsáveis da Câmara Municipal de Lagos “prontificaram-se a ajudar-nos. Poderá estar em mente um [espaço] mais pequeno, se calhar metade do actual. E se for esse em que tivermos de trabalhar, assim trabalharemos”

Litoralgarve – Como está a situação do armazém, situado na zona do Sargaçal, no concelho de Lagos, há anos emprestado pelo proprietário para a preparação e ornamentação dos carros alegóricos que participam no Carnaval de Odiáxere?

Sofia Santos – Durante este ano, vamos ter de ceder o armazém.

Litoralgarve – E como irá a Direcção do clube resolver esse problema?

Sofia Santos – Quem terá de nos ajudar será a autarquia de Lagos, com a qual já entrámos em contacto nesse sentido. Os responsáveis prontificaram-se a ajudar-nos.

Litoralgarve – Onde fica o novo espaço?

Sofia Santos – Será necessário um armazém com um espaço idêntico àquele. Mas não temos ideia se existe ou não. Com aquelas dimensões [do armazém actualmente utilizado pelo Clube Desportivo de Odiáxere], de momento não temos. Poderá estar em mente um [espaço] mais pequeno, se calhar metade do actual. E se for esse em que tivermos de trabalhar, assim trabalharemos.

Litoralgarve – O armazém poderá colocar o próximo Carnaval de Odiáxere em risco?

Sofia Santos (de pronto, sem qualquer hesitação) – Não! Isso é impensável.

No Carnaval de Odiáxere, em 2025, haverá “melhorias ao nível do estacionamento”

Litoralgarve – O que poderá mudar no ano de 2025? Já começaram a pensar na próxima edição do Carnaval?

Sofia Santos – Já! E o que pensamos é em melhorias.

Litoralgarve – Como, por exemplo?

Sofia Santos – Melhorias ao nível do estacionamento. Neste ano, já conseguimos arranjar um terreno e também sensibilizar as pessoas residentes nesta zona que é importante para a vila de Odiáxere e para o concelho de Lagos levar a efeito o Carnaval. E teremos em atenção, igualmente, a necessidade de não estacionarem os seus carros aqui [no Largo da Alegria], onde decorrem o desfile e outro tipo de animação. É preciso as pessoas serem mais sensíveis para com essa situação e esse é um trabalho que vai demorar ainda algum tempo.

“Foi um investimento em que não foi possível ter o retorno que merecíamos”

Litoralgarve – Mas porquê essas reticências, digamos assim, por parte das pessoas?

Sofia Santos – Provavelmente não estarão habituadas a isto. Mas pensamos que, no próximo ano, irão estar mais receptivas à nossa acção.

Litoralgarve – Qual o impacto económico deste Carnaval de Odiáxere?

Sofia Santos – Não sabemos. Ainda não tivemos oportunidade de fazer essas contas.

Litoralgarve – Todos ganharam dinheiro com o evento?

Sofia Santos – Sim. Mas talvez não o desejado. Tínhamos em mente os quatro dias do programa e praticamente só na terça-feira de Entrudo é que trabalharam e muito bem. Foi um investimento em que não foi possível ter o retorno que merecíamos.

“Não podemos dizer que tivemos lucro”

Litoralgarve – Os 48.000 euros de investimento por parte do clube permitiu obter lucro?

Sofia Santos – Não. Não podemos dizer que tivemos lucro.

Litoralgarve – Perderam dinheiro?

Sofia Santos – Sim, claro que perdemos dinheiro. Investimos dinheiro para ter um retorno maior e foi impossível.

Litoralgarve – Quanto esperavam?

Sofia Santos – Talvez uns 30 ou 40 mil euros. E talvez tivéssemos conseguido só 20.000 euros, num evento que tem muita despesa, nomeadamente ao nível da animação, com os artistas contratados.

“Se não tivesse chovido teria sido um grande sucesso este evento”

Litoralgarve – A animação esteve condicionada, por exemplo, com a cantora Rosinha, devido ao mau tempo?

Sofia Santos – Não. A Rosinha fez o seu espectáculo. Não dentro do previsto. Mas correu tudo bem. Tivemos o Largo da Alegria cheio e as pessoas saíram daqui muito satisfeitas. Elas mereciam ter este espectáculo com a Rosinha.

Litoralgarve – Os ‘stands’, de comes e bebes, só trabalharam bem na terça-feira de Entrudo?

Sofia Santos – Sim. No domingo, infelizmente, não conseguiram rentabilizar o pretendido. Se não tivesse chovido teria sido um grande sucesso este evento.

“Agora é focarmo-nos nas nossas marchas populares, em Junho”

Litoralgarve – Quais são as próximas iniciativas?

Sofia Santos – Agora é focarmo-nos nas nossas marchas populares, em Junho.

Litoralgarve – Já há tema?

Sofia Santos – Não, ainda não temos. O clube leva-nos muito tempo a nível desportivo.

Litoralgarve – Onde decorrerá o evento?

Sofia Santos – Será na nossa sede.

Litoralgarve – E o que está previsto sobre as comemorações dos 50 anos da Revolução do 25 de Abril de 1974?

Sofia Santos – Colaboramos sempre com a Junta de Freguesia de Odiáxere, com um baile nas nossas instalações, no âmbito das celebrações do 25 de Abril.

“No Verão haverá festas temáticas. Posso adiantar que uma delas será o Carnaval de Verão. O clube necessita destas festas. Será em Agosto. Se tudo decorrer como está a ser programado haverá desfile de carros alegóricos e muita animação (…) Já tínhamos a ideia há dois, três anos de levar a efeito este evento, mas em 2024 decidimos mesmo fazê-lo porque Odiáxere tem de ficar muito mais animado e com mais vida”

Litoralgarve – Que outras iniciativas vai o clube preparar com vista ao próximo Verão?

Sofia Santos – No Verão haverá festas temáticas. Posso adiantar que uma delas será o Carnaval de Verão. Temos de apostar num Carnaval de Verão porque tem de ser. O clube necessita destas festas. Será em Agosto. Se tudo decorrer como está a ser programado haverá desfile de carros alegóricos e muita animação, trio eléctrico, para dinamizar a actividade económica na vila de Odiáxere. Estamos a trabalhar não só para o clube, mas também para o comércio local. O Carnaval de Verão será um evento inovador. Já tínhamos a ideia há dois, três anos de levar a efeito este evento, mas em 2024 decidimos mesmo fazê-lo porque Odiáxere tem de ficar muito mais animado e com mais vida. E nós temos essa capacidade. Alguns carros alegóricos utilizados no último Carnaval vão ser reutilizados. Já temos muita coisa em mente e decorrerá no Largo da Alegria, em Odiáxere.

Litoralgarve – Mantém a aposta de tornar o tradicional Carnaval de Odiáxere, no Inverno, numa referência no barlavento do Algarve?

Sofia Santos (sem rodeios) – Sim. Enquanto o Carnaval de Loulé é a referência no sotavento, nós pretendemos reforçar a aposta de o Carnaval de Odiáxere marcar a diferença na zona do barlavento.

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