ARTIGO DE OPINIÃO – “Forças de segurança” DIREITO DE RESPOSTA

Direito de resposta a uma afirmação proferida por António Brito Guterres, comentador, investigador e ativista politicamente associado ao Bloco de Esquerda, num canal de televisão, a propósito de alegados casos de tortura em que são suspeitos agentes da PSP.

“…Agentes da PSP detidos por tortura enquadra-se numa tendência dos últimos anos entre as forças de segurança… ”,

Ora, utilizar uma expressão desta dimensão sem apresentar dados estatísticos credíveis, estudos comparativos ou qualquer fundamentação científica séria revela, no mínimo, uma aparente irresponsabilidade intelectual. Falar em “tendência” implica demonstrar padrões consistentes, contextualização e rigor metodológico. Sem isso, o que fica não é ciência nem análise rigorosa. É opinião ideológica apresentada como se fosse verdade absoluta.

Sempre que surge um caso mediático, reaparece imediatamente a narrativa da “tendência estrutural”, como se milhares de profissionais das forças de segurança pudessem ser reduzidos ao comportamento isolado de alguns indivíduos, ainda que OPC’s. Isso, só por si, não constitui prova de qualquer fenómeno estrutural. É generalização construída a partir de uma visão formatada sobre as polícias e sobre a própria autoridade do Estado.

Importa também dizer que António Brito Guterres dificilmente pode ser visto como um comentador neutro nesta matéria. Há anos que mantém um discurso marcadamente crítico das forças de segurança, nomeadamente da GNR e PSP, quase sempre alinhado com narrativas associadas ao racismo estrutural e a leituras políticas de natureza mais ativista. Naturalmente, tem direito à sua posição ideológica. Não obstante, o problema começa quando essa posição é apresentada ao público como se resultasse de uma conclusão científica imparcial, ignorando deliberadamente a complexidade operacional e humana da realidade policial no terreno.

Os crimes devem ser investigados e os culpados punidos. Ninguém está acima da lei, incluindo, obviamente, os elementos das FS. Contudo, utilizar casos isolados para construir uma imagem sistematicamente negativa de instituições que trabalham 24 horas por dia, 365 dias por ano, em ambientes de enorme pressão, violência e risco, revela uma visão simplista e profundamente desequilibrada da realidade social.

Curiosamente, raramente vemos a mesma intensidade mediática quando estão em causa agressões a agentes, criminalidade violenta, tráfico, bairros dominados pelo medo ou o desgaste físico e psicológico de quem trabalha diariamente na rua. A sensação que fica é simples: a presunção de inocência parece existir para todos… menos para os polícias.

Portugal continua, aliás, a ser reconhecido internacionalmente como um dos países mais seguros do mundo, algo que dificilmente pode ser dissociado do trabalho diário das forças de segurança. Criticar abusos concretos é legítimo e necessário. Não obstante, transformar episódios isolados numa suposta característica estrutural das polícias não é sério, nem intelectualmente honesto.

Rui Lopes Silva
Investigador em formação na área das Ciências Sociais | Sociologia
UAb