Algarve despede-se, neste domingo, 10 de Maio, em Alcoutim, de Carlos Brito, antigo dirigente histórico do PCP, falecido aos 93 anos, que será cremado em Faro

Ao ‘Litoralgarve’, o médico e autarca Francisco Amaral (PSD) e o professor João Vasconcelos, dirigente do Bloco de Esquerda no Algarve, não poupam elogios à figura de Carlos Brito. O antigo presidente da Câmara Municipal de Alcoutim até diz que “faz sentido” a atribuição do nome do braço direito do antigo líder do PCP, Álvaro Cunhal, a uma artéria da cidade de Lisboa.

José Manuel Oliveira

“Carlos Brito foi aluno do meu pai, na escola primária, e segundo sei era bom aluno. Veio viver para Alcoutim, aos três anos de idade, com um padrinho”, após ter nascido em Lourenço Marques (atual Maputo), capital de Moçambique.

Esta é uma das recordações transmitidas ao ‘Litoralgarve’ pelo conhecido médico Francisco Amaral, militante do PSD, ex-presidente da Câmara Municipal de Alcoutim, de onde é natural, e de Castro Marim, e que agora preside à Assembleia Municipal de Vila Real de Santo António, sobre Carlos Brito, antigo dirigente histórico do Partido Comunista Português (PCP), falecido aos 93 anos, na passada quinta-feira, dia 07 de Maio de 2026.

Inicialmente, as informações apontavam para Carlos Brito, que sofria, há muito tempo, de problemas de saúde, nomeadamente respiratórios, ter morrido no Hospital de Faro, após contrair uma bactéria. Contudo, como esclareceu o presidente da Câmara Municipal de Alcoutim, socialista Paulo Paulino, e confirmou o ‘Litoralgarve’, óbito ocorreu na residência de Carlos Brito, situada na localidade de Alcoutim.

 Esteve internado várias vezes naquela unidade de saúde da capital algarvia, mas acabou por receber alta médica. Porém, não resistiu aos seus graves problemas de insuficiência respiratória, os quais, de resto, já tinham contribuído para recusar convites, segundo apurou o nosso Jornal, com vista a participar em cerimónias integradas no 52º. aniversário do 25 de Abril de 1974. Carlos Brito vivia com a esposa e deixa duas filhas, uma delas a viver em Lisboa, e a outra fora de Portugal.

Francisco Amaral (PSD): “No início do meu mandato, em Alcoutim, fomos juntos a uma cerimónia comemorativa do 25 de Abril na Assembleia da República. Aí pude perceber a saudade e o respeito que deixou naquela casa. Recordo, com particular simpatia, a forma como me apresentou a António Filipe: “É meu conterrâneo e diz-se de direita, mas faz uma política à esquerda.”

“No início do meu mandato, em Alcoutim, fomos juntos a uma cerimónia comemorativa do 25 de Abril na Assembleia da República. Aí pude perceber a saudade e o respeito que deixou naquela casa. Recordo, com particular simpatia, a forma como me apresentou a António Filipe:

“É meu conterrâneo e diz-se de direita, mas faz uma política à esquerda.” – lembra Francisco Amaral, numa publicação efectuada na sua página na rede social ‘Facebook’.

“Em Alcoutim, construímos uma forte amizade, onde as eventuais divergências políticas nunca tiveram espaço. Foi um dos meus grandes confidentes e conselheiros, a par do Dr. João Dias.”

“Por ser uma figura de prestígio nacional, cuja presença muito honrava Alcoutim, atribuímos o seu nome à urbanização social «Carlos Brito».”

E prossegue: “Em Alcoutim, construímos uma forte amizade, onde as eventuais divergências políticas nunca tiveram espaço. Foi um dos meus grandes confidentes e conselheiros, a par do Dr. João Dias. Por ser uma figura de prestígio nacional, cuja presença muito honrava Alcoutim, atribuímos o seu nome à urbanização social «Carlos Brito».”

“Nos últimos tempos, já fragilizado, visitei-o diversas vezes no Hospital de Faro, onde me desloco todas as quintas-feiras. Sempre que me aproximava da sua cama, esboçava um sorriso de alegria… e de esperança. Na última visita, há cerca de quinze dias, fez questão de me dizer que tinha passado pela minha casa para me entregar a sua última obra, mas que eu não estava.”

Anos depois, “no meu primeiro 25 de Abril como autarca de Castro Marim, convidei-o, juntamente com Teresa Rita Lopes, sua prima, para uma tertúlia evocativa da data. Encantaram todos os presentes. Mais tarde, seguiram-se vários convívios em Cacela, em casa da Teresa”, acrescenta Francisco Amaral.

O médico e autarca conta que, “nos últimos tempos, já fragilizado, visitei-o diversas vezes no Hospital de Faro, onde me desloco todas as quintas-feiras.” “Sempre que me aproximava da sua cama, esboçava um sorriso de alegria… e de esperança. Na última visita, há cerca de quinze dias, fez questão de me dizer que tinha passado pela minha casa para me entregar a sua última obra, mas que eu não estava.”, refere, com saudade, Francisco Amaral.

“Desligou-se. Foi um corte absoluto” com o PCP, diz Francisco Amaral, apontando para pontos de vista diferentes, quando Carlos Brito deixou o partido

Em declarações ao ‘Litoralgarve’, o social-democrata não esquece a saída de Carlos Brito do PCP em ruptura com a linha seguida pelo próprio partido. “Desligou-se. Foi um corte absoluto”, disse, de forma sucinta, apontando para pontos de vista diferentes.

“Faz sentido” que seja atribuído a uma artéria da cidade de Lisboa o nome de Carlos Brito, antigo líder da bancada do PCP e nº. 2 de Álvaro Cunhal, histórico dirigente comunista e na altura secretário- geral do partido

Para Francisco Amaral, “faz sentido” que seja atribuído a uma artéria da cidade de Lisboa o nome de Carlos Brito, antigo líder da bancada do PCP e nº. 2 de Álvaro Cunhal, histórico dirigente comunista e na altura secretário geral do partido. No Algarve, nomeadamente em Faro, o nome de Carlos Brito numa avenida, uma praça, ou rua, “não sei.” Mas admite. Já em Alcoutim, com a já referida urbanização social «Carlos Brito», Francisco Amaral pensa que “as homenagens estão feitas”.

“Foi há mais de 20 anos. Carlos Brito, presidente da associação transfronteiriça Alcoutim/Sanlúcar, a Dra. Vitória Cassinelo, dirigente da ATAS, e eu, então presidente da Câmara Municipal de Alcoutim, fizemos várias viagens a Lisboa, [ao] Gabinete do Primeiro-Ministro, Ministério das Obras Públicas, JAE [Junta Autónoma das Estradas) e outros [organismos].”

“Levávamos conosco um sonho que parecia maior do que o rio: a ponte entre Alcoutim e Sanlúcar [em Espanha]. E durante algum tempo acreditámos, entusiasmados, como uma criança que acredita no Pai Natal.”

Numa outra publicação, também na sua página na rede social ‘Facebook’, intitulada «A luta dos sonhadores», Francisco Amaral faz questão de lembrar: “Foi há mais de 20 anos. Carlos Brito, presidente da associação transfronteiriça Alcoutim/Sanlúcar, a Dra. Vitória Cassinelo, dirigente da ATAS, e eu, então presidente da Câmara Municipal de Alcoutim, fizemos várias viagens a Lisboa, [ao] Gabinete do Primeiro-Ministro, Ministério das Obras Públicas, JAE [Junta Autónoma das Estradas) e outros [organismos]. Levávamos connosco um sonho que parecia maior do que o rio: a ponte entre Alcoutim e Sanlúcar [em Espanha]. E durante algum tempo acreditámos, entusiasmados, como uma criança que acredita no Pai Natal.”

“O projeto chegou à mesa da Cimeira Ibérica entre Aznar [na altura primeiro-ministro espanhol] e Guterres [então chefe do governo português]. O povo mobilizou-se. Milhares de pessoas assinaram o abaixo-assinado. Organizámos uma manifestação inesquecível no rio, com barcos alinhados a desenhar simbolicamente a ponte que sonhávamos ver construída.”

“Os estudos prévios arrancaram. Fizeram-se sondagens no fundo do rio. O sonho começava a ganhar forma. Mas depois… Depois chegou o peso do centralismo. A distância das decisões. O silêncio dos gabinetes. E o sonho foi ficando parado, suspenso entre duas margens que continuam à espera.”

“Ainda hoje, quem vive esta terra sabe: há sonhos que nunca morrem. Como diria Carlos Brito: “a luta continua.””

O antigo autarca alcoutenejo refere que “o projeto chegou à mesa da Cimeira Ibérica entre Aznar [na altura primeiro-ministro espanhol] e Guterres [então chefe do governo português]. O povo mobilizou-se. Milhares de pessoas assinaram o abaixo-assinado. Organizámos uma manifestação inesquecível no rio, com barcos alinhados a desenhar simbolicamente a ponte que sonhávamos ver construída.”

E continua Francisco Amaral: “Os estudos prévios arrancaram. Fizeram-se sondagens no fundo do rio. O sonho começava a ganhar forma.”

“Mas depois… Depois chegou o peso do centralismo. A distância das decisões. O silêncio dos gabinetes. E o sonho foi ficando parado, suspenso entre duas margens que continuam à espera”, lamenta.

“Ainda hoje, quem vive esta terra sabe: há sonhos que nunca morrem. Como diria Carlos Brito: “a luta continua.””, finaliza Francisco Amaral.

Bloco de Esquerda do Algarve destaca Carlos Brito como “um dos grandes lutadores da resistência antifascista e um dirigente que marcou toda a história da esquerda portuguesa”

Já a Comissão Coordenadora Distrital do Bloco de Esquerda do Algarve, numa Nota de Pesar, aponta Carlos Brito como “um dos grandes lutadores da resistência antifascista e um dirigente que marcou toda a história da esquerda portuguesa.” “A sua vida, atravessada pela clandestinidade, prisão política e exílio, é um exemplo de coragem, consequência e dedicação inabalável à causa dos trabalhadores e do povo”, realça o Bloco de Esquerda.

“Um dirigente histórico do Partido Comunista Português, [um] homem que nunca se vergou perante a ditadura e que, até ao fim, se manteve fiel aos seus ideais de justiça social e liberdade, num percurso pessoal e intransmissível, que a todos nos inspira.”

“Carlos Brito honra a política como serviço e a militância como forma de vida. Foi um exemplo de serviço à democracia honrando o princípio de “servir e nunca se servir da política”.

E continua o comunicado: “A Coordenadora Distrital do Bloco de Esquerda do Algarve assinala o percurso de um dirigente histórico do Partido Comunista Português, do homem que nunca se vergou perante a ditadura e que, até ao fim, se manteve fiel aos seus ideais de justiça social e liberdade, num percurso pessoal e intransmissível, que a todos nos inspira. Carlos Brito honra a política como serviço e a militância como forma de vida. Foi um exemplo de serviço à democracia honrando o princípio de “servir e nunca se servir da política”.

“O Algarve, terra de resistência e de luta, recorda com respeito os que, como Carlos Brito, deram tudo para que hoje pudéssemos viver em democracia. O seu exemplo permanecerá vivo em todos quantos não desistem de um mundo mais justo”

Depois de endereçar “à sua família, aos seus amigos e camaradas as nossas mais sentidas condolências”, o Bloco de Esquerda sublinha que “o Algarve, terra de resistência e de luta, recorda com respeito os que, como Carlos Brito, deram tudo para que hoje pudéssemos viver em democracia.” “O seu exemplo permanecerá vivo em todos quantos não desistem de um mundo mais justo”, concluiu o comunicado da Comissão Coordenadora Distrital do Bloco de Esquerda Algarve.

“O trato afável, o respeito, a coerência e o espírito combativo” de Carlos Brito, “braço direito de Álvaro Cunhal”, enaltecido pelo bloquista João Vasconcelos

Em declarações ao ‘Litoralgarve’, João Vasconcelos, professor de História em Portimão, ex-vereador da câmara local e antigo deputado do Bloco de Esquerda pelo Círculo Eleitoral de Faro, não esquece “o trato afável, o respeito, a coerência e o espírito combativo” de Carlos Brito, “braço direito de Álvaro Cunhal.”

“Um indivíduo íntegro, que lutou pela liberdade durante o Estado Novo, contra a ditadura, esteve preso durante oito anos e evadiu-se, tendo vivido na clandestinidade.”

O defensor de “uma união de esquerda”

“Não conheço” defeitos em Carlos Brito

“Foi um indivíduo íntegro, que lutou pela liberdade durante o Estado Novo, contra a ditadura, esteve preso durante oito anos e evadiu-se, tendo vivido na clandestinidade”, destaca João Vasconcelos. Outra das memórias que este ex-autarca e deputado guarda de Carlos Brito tem a ver com “a defesa de uma união de esquerda”. “Tive oportunidade de contactar com ele algumas vezes e reafirmo que sempre foi um homem coerente”, salienta João Vasconcelos, lembrando, ainda, o facto de Carlos Brito ter sido director do Jornal ‘Avante’, órgão de comunicação social do PCP. Em relação a defeitos de Carlos Brito, “não conheço”, nota o dirigente bloquista no Algarve.

“Talvez. Porque não? Carlos Brito é merecedor dessa homenagem”, diz, ao ‘Litoralgarve”, o bloquista João Vasconcelos sobre a possibilidade de ser atribuído o nome do histórico dirigente comunista a uma artéria da cidade de Portimão

Sobre a possibilidade de vir a ser atribuído o nome do antigo dirigente histórico comunista a uma artéria da cidade de Portimão, João Vasconcelos admitiu ao nosso Jornal: “Talvez. Porque não? Carlos Brito é merecedor dessa homenagem.”

Bloco de Esquerda desloca-se a Alcoutim para assistir à missa de corpo presente de Carlos Brito e colocar uma coroa de flores junto à urna

Este dirigente bloquista no Algarve desloca-se, com outros companheiros do partido, a Alcoutim, neste domingo, dia 10 de Maio, onde terá o velório na Igreja Matriz, pelas 14h00, e colocar uma coroa de flores em nome do Bloco de Esquerda na região, junto à urna de Carlos Brito. Já “a cremação em Faro, penso que será uma cerimónia reservada à família.”

O “legado cívico, cultural e político” de Carlos Brito, destacando-se “o seu contributo para o desenvolvimento regional”, evoca a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve, presidida por José Apolinário (PS)

Por sua vez, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve (CCDRA), presidida pelo socialista José Apolinário, “no momento da despedida de Carlos Brito”, em comunicado, emitido a 08 de Maio (sexta-feira), “evoca o seu legado cívico, cultural e político, destacando o seu contributo para o desenvolvimento regional.”

Palavras de Carlos Brito, escritas em 5 de Outubro de 2005, sobre a água, seca e vulnerabilidades no mundo rural, ao nível do Algarve, reproduzidas agora pela CCDRA

“Nesta data, destaca-se a publicação “25 Anos que mudaram o Algarve”, editada em 2005 pela CCDR Algarve. Sublinhando a evolução do papel da CCDR, destacando os desafios que à época colocava o PROTAL [Plano Regional de Ordenamento Territorial do Algarve] em elaboração e da subsequente revisão dos PDM [Planos Directores Municipais], Carlos Brito acentuava duas questões que já então considerava de premente actualidade”, refere a CCDRA. E passa a explicar:

– “A seca extrema está a confirmar que a água é uma das maiores vulnerabilidades da região algarvia e mostra como não tiveram a necessária continuidade as medidas de emergência tomadas em matéria de recursos hídricos depois do alarme da década de 80.”

– “As sucessivas intervenções no mundo rural, nas zonas de baixa densidade, na serra, conferiram importantes benefícios às populações aí residentes em matéria de acessibilidades, de saneamento e de outros apoios básicos, mas não sustaram o processo de desertificação humana, nem implementaram novas dinâmicas económicas”.

Foram palavras de Carlos Brito, lembra a CCDRA, antes de apresentar “os nossos sentidos pêsames à família e amigos.”

A memória da Câmara Municipal de Alcoutim (PS), que decretou três dias de luto

Por sua vez, o município de Alcoutim, cuja câmara é presidida pelo socialista Paulo Paulino, após manifestar “o seu profundo pesar pelo falecimento de Carlos Brito”, ocorrido no dia 7 de Maio, elogia a “figura ímpar da vida cívica, política e intelectual portuguesa, cujo percurso deixa uma marca indelével na história recente do país e, de forma muito especial, no concelho de Alcoutim.”

 “Combatente pela liberdade e homem de fortes convicções democráticas, Carlos Brito dedicou grande parte da sua vida à causa pública, destacando-se o exercício das funções de Deputado à Assembleia Constituinte, Deputado à Assembleia da República e Membro da Assembleia Municipal de Alcoutim”, lembra o executivo, na página deste município do sotavento algarvio, na rede social ‘Facebook’.

“Ao longo da sua vida, manteve uma ligação profunda ao concelho, participando de forma ativa e apaixonada na vida comunitária, cultural e social de Alcoutim, contribuindo para a valorização do território, da memória coletiva e da identidade local.”

“Em reconhecimento pelo seu percurso e pelo legado humano, político e cultural que deixa às gerações futuras, o Município de Alcoutim atribuiu-lhe, ao longo dos anos, a Medalha de Mérito Municipal e a Medalha de Honra do Município.”

E prossegue com a evocação à memória de Carlos Brito: “Ao longo da sua vida, manteve uma ligação profunda ao concelho, participando de forma ativa e apaixonada na vida comunitária, cultural e social de Alcoutim, contribuindo para a valorização do território, da memória coletiva e da identidade local. Em reconhecimento pelo seu percurso e pelo legado humano, político e cultural que deixa às gerações futuras, o Município de Alcoutim atribuiu-lhe, ao longo dos anos, a Medalha de Mérito Municipal e a Medalha de Honra do Município.”

“Carlos Brito permanecerá na memória coletiva de Alcoutim como um homem de pensamento, de liberdade e de profundo compromisso com a sua terra e com as pessoas.”

 Luto Municipal nos dias 8, 9 e 10 de maio, com a colocação da Bandeira do Município a meia-haste”

Já perto do final, a nota de pesar informa que, “neste momento de dor e consternação, o Presidente da Câmara Municipal de Alcoutim, Paulo Paulino, em representação do Executivo Municipal, determinou Luto Municipal nos dias 8, 9 e 10 de maio, com a colocação da Bandeira do Município a meia-haste.” “Este gesto simbólico pretende expressar o sentimento de pesar da população do concelho, bem como manifestar solidariedade e sentidas condolências à família, amigos e a todos aqueles que com ele privaram e partilharam o seu percurso de vida”, frisa.

“Carlos Brito permanecerá na memória coletiva de Alcoutim como um homem de pensamento, de liberdade e de profundo compromisso com a sua terra e com as pessoas”, conclui o Município, de maioria socialista.

Quando Carlos Brito foi suspenso do PCP, em 2002, por ter criticado o “imobilismo” do então secretário-geral, Carlos Carvalhas, e consolidou a sua saída do partido já na liderança de Jerónimo de Sousa

Recorde-se que Carlos Brito, escritor, político e antigo funcionário do PCP, deixou o partido, após ter sido suspenso em 2002, no tempo em que Carlos Carvalhas era secretário-geral, por criticar o seu “imobilismo”. E consolidou o abandono, quando Jerónimo e Sousa assumiu a liderança.

Como elemento de um movimento de “renovadores”, Carlos Brito defendia uma modernização do partido, o abandono do centralismo democrático e uma maior abertura ao debate, opondo-se à linha que classificava como sectária.

Mais recentemente, foi uma das vozes críticas em relação à escolha de Paulo Raimundo para secretário-geral do PCP, considerando-o um militante “totalmente desconhecido” e uma “completa incógnita” no panorama político

 Pertencente a um movimento de “renovadores” no seio do PCP, Carlos Brito defendia uma modernização do partido, o abandono do centralismo democrático e uma maior abertura ao debate, opondo-se à linha que classificava como sectária. E foi uma das vozes críticas em relação à escolha de Paulo Raimundo para secretário-geral do PCP, considerando-o um militante “totalmente desconhecido” e uma “completa incógnita” no panorama político.

Partido Comunista Português recorda Carlos Brito, com apenas 28 palavras, e a pedido de “vários órgãos de órgãos de comunicação social”, como fez questão de referir sobre o seu falecimento

No passado dia 07 de Maio e “a pedido de vários órgãos de comunicação social sobre o falecimento de Carlos Brito”, como fez questão de referir, Partido Comunista Português tomou a seguinte posição pública: “Sem prejuízo das conhecidas diferenças e distanciamento político, registamos em Carlos Brito o seu percurso antifascista e a sua contribuição na Revolução de Abril, nomeadamente no plano parlamentar.”

Foram, apenas, 28 palavras.