Ao longo da última semana, a redação deste jornal regional tem vindo a receber diversas denúncias e queixas de munícipes relativas ao abate de árvores em vários pontos da cidade de Lagos. As preocupações prendem-se sobretudo com a dimensão das intervenções e o impacto ambiental no espaço urbano.
Perante a crescente contestação, a nossa redação solicitou esclarecimentos à autarquia lacobrigense, que remete para um comunicado emitido a 24 de fevereiro, onde explica as razões das intervenções em curso.
Segundo o município, a gestão do arvoredo público assenta em avaliações técnicas regulares, que incluem inspeções visuais detalhadas e o recurso a equipamentos de diagnóstico especializados. Estas análises determinam as ações, privilegiando podas e tratamentos, sendo o abate considerado apenas em último recurso.
De acordo com a avaliação mais recente, realizada em outubro de 2025, foram identificadas 59 árvores com risco elevado de queda em diferentes zonas da cidade, nomeadamente na Praça Gil Eanes, Ameijeira Verde, Ameijeira de Baixo e Torraltinha. A autarquia refere que estes exemplares apresentavam fragilidade estrutural e sinais de degradação fitossanitária, constituindo um risco para pessoas e bens.
O município acrescenta ainda que, entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026, as condições meteorológicas adversas — com temporais, ventos fortes e solos saturados — provocaram a queda de 25 árvores.
Neste contexto, foi iniciado um processo que inclui a remoção de cepos, preparação das caldeiras e posterior replantação com espécies autóctones, assegurando a substituição legal dos exemplares abatidos.
Como medida complementar, e no âmbito da Semana Verde, que decorre entre 23 e 27 de março, a autarquia prevê a plantação de mais de 300 árvores em todo o concelho, começando pelo centro histórico. A iniciativa contará com a participação da comunidade escolar, promovendo a sensibilização ambiental e o envolvimento cívico.
A Câmara Municipal de Lagos garante que continuará a monitorizar o estado do arvoredo urbano, defendendo uma gestão responsável e sustentável, adaptada aos desafios das alterações climáticas. Ainda assim, entre os munícipes, persistem dúvidas e preocupações quanto ao equilíbrio entre segurança e preservação ambiental.










