A urna foi coberta pela bandeira do Clube de Futebol Esperança de Lagos e o funeral teve lugar na sexta-feira, dia 05 de Junho, em Sagres, terra da família e onde ele também nasceu. Tinha 80 anos e trabalhou como desenhador, inicialmente na localidade de Sagres. Em Lagos, um popular afirma, ao ‘Litoralgarve’, que vai pedir à Câmara e Assembleia Municipal para que seja atribuída uma placa toponímica a uma rua, ou avenida, como forma de homenagem a Aníbal Camacho. E um busto poderá servir de atração turística, num espaço verde da cidade.
José Manuel Oliveira
Aníbal José Pinheiro Faustino Camacho
Nasceu em 05 de Outubro de 1945
Faleceu em 02 de Junho de 2026
«Se me amas não chores»
«Se conhecesses o mistério imenso do Céu onde agora vivo, este horizonte sem fim, esta luz que tudo reveste e penetra, não chores, se me amas! Estou já absorvido no encanto de Deus, na sua infindável beleza. Permanece em mim o teu amor, uma enorme ternura que nem tu consegues imaginar. Vivo numa alegria puríssima. Nas angústias do tempo pensa nesta casa onde um dia estaremos reunidos para além da morte, matando a sede na fonte inesgotável da alegria e do amor infinito. Não chores, Se verdadeiramente me amas!”
Santo Agostinho
É o texto que se pode ler nos cartões da Agência Funerária Guerreiro & Guerreiro, sedeada em Lagos, que se encontravam numa mesa junto ao livro de condolências, colocada numa das capelas mortuárias do Cemitério Novo desta cidade, onde decorreu o velório durante a manhã de sexta-feira, 05 de Junho de 2026, com missa de corpo presente a cargo do conhecido padre Vasco Figueirinha, perante mais de 70 pessoas.
Sepultura Temporária no Cemitério de Sagres
Depois de ter falecido com 80 anos de idade, a 02 de Junho, na passada terça-feira, no Hospital de Portimão, vítima de doença prolongada, segundo nos contaram, Aníbal Camacho, antigo futebolista e treinador, sobretudo dos escalões jovens do Clube de Futebol Esperança de Lagos, foi sepultado, ao início da tarde de sexta-feira, dia 05, no Cemitério de Sagres, numa “Sepultura Temporária”, como refere a agência funerária, sem número indicado.
Fernando Filipe, que foi dirigente do Clube de Futebol Esperança de Lagos, e a sua esposa, Maria Emília Mendes, António Matos, conhecido empresário de restauração com quem Aníbal Camacho colaborou, nomeadamente ao nível de trabalhos em computador, como nos disseram, José António Viegas Gonçalves, empresário de construção civil, José Mariano, comerciante, Luís Barroso, seu antigo jogador, e Carlos Conceição, antigo treinador de futebol das camadas jovens e do sector feminino, foram alguns dos populares que o ‘Litoralgarve’ viu no Cemitério Novo de Lagos. No total, estava cerca de uma centena de pessoas na despedida a Aníbal Camacho. Pelo menos duas dezenas preferiram permanecer no exterior da capela mortuária.
O lamento de um popular à saída da capela mortuária no Cemitério Novo de Lagos, onde decorreu o velório: “Teve colegas na sua actividade profissional de desenhador, em Lagos, e muitos jovens jogadores de futebol, que saíram valorizados nas suas carreiras, foram treinados por ele. Hoje não os vi aqui.”

Pelas11h.14m., a viatura, com três familiares de Aníbal Camacho junto à urna, coberta com a bandeira do Clube de Futebol Esperança de Lagos, saiu do Cemitério Novo de Lagos em direcção a Sagres, no concelho de Vila do Bispo, para o funeral. Foi na localidade de Sagres, terra da família, onde Aníbal Camacho nasceu.
Eram 11h.00 quando a urna foi levada para o carro funerário por funcionários da agência Guerreiro & Guerreiro, juntamente com cerca de uma dezena de coroas e ramos de flores. Pouco depois, pelas11h.14m., a viatura, com três familiares de Aníbal Camacho junto à urna, coberta com a bandeira do Clube de Futebol Esperança de Lagos, saiu do Cemitério Novo de Lagos em direcção a Sagres, no concelho de Vila do Bispo, para o funeral. Foi na localidade de Sagres, terra da família, onde Aníbal Camacho nasceu.
“Teve colegas na sua atividade profissional de desenhador, em Lagos, e muitos jovens jogadores de futebol, que saíram valorizados nas suas carreiras, foram treinados por ele. Hoje não os vi aqui”, lamenta um popular à saída da capela mortuária do Cemitério Novo de Lagos, após o velório. “O falecimento do Aníbal Camacho foi pouco divulgado no ‘Facebook’. A agência funerária não publicou a informação na Internet”, nota, por sua vez, uma senhora, admitindo que “muita gente em Lagos não saberia” do velório na manhã de sexta-feira, dia 05 de Junho.
“O tabaco é que deu cabo do Aníbal”
“Em tempos viveu com uma senhora inglesa. Atualmente vivia com uma portuguesa, que tem dois filhos. Mas ele não tem filhos. Em Lagos, vive uma irmã. O Aníbal era uma excelente pessoa. Lembro-me de um ‘atelier’ em que exercia a sua atividade de desenhador, na Rua Cândido dos Reis, em Lagos. Mais tarde, passou para a Praça Luís de Camões, perto do edifício onde funcionava a sede do Clube de Futebol Esperança de Lagos”, recorda-nos um taxista.
Ludgero Barroso: “Toda a gente gostava dele. Fazia de pai para as crianças e os jovens que treinava nas escolinhas A e B, nos infantis A e B do Esperança de Lagos, nos juvenis e nos juniores. E não é fácil treinar crianças e jovens. Transmitia-lhes muito incentivo.”
“O tabaco é que deu cabo do Aníbal. Quando estava no campo a treinar é claro que não fumava. Mas depois, eram cigarros e cigarros, infelizmente. Sempre foi magro e acabou por emagrecer ainda mais”, conta, ao ‘Litoralgarve’, Ludgero Barroso. “Toda a gente gostava dele. Fazia de pai para as crianças e os jovens que treinava nas escolinhas A e B, nos infantis A e B do Esperança de Lagos, nos juvenis e nos juniores. E não é fácil treinar crianças e jovens. Transmitia-lhes muito incentivo”, enaltece este antigo futebolista do Esperança de Lagos, que, no entanto, não chegou a ser treinado por Aníbal Camacho, mas acompanhava os treinos e jogos. “Também me lembro que ele treinou jovens, que considerava seus netos, devido a relações familiares.”
“Foi treinador do meu primo Luís Barroso precisamente nesse tempo, na equipa de juniores, e o Esperança de Lagos conseguiu subir às competições nacionais pela primeira vez nesse escalão. Treinou, então, a equipa no Nacional de juniores. E 17 anos depois, o Aníbal conseguiu a mesma proeza. Ou seja, com ele foram duas subidas de divisão. Ainda foi convidado pela direcção do Esperança de Lagos para continuar no clube, mas não aceitou.”
Um das memórias que Ludgero Barroso também destaca com particular ênfase diz respeito à conquista de dois títulos distritais do Esperança de Lagos, no escalão de juniores, que permitiu a subida do clube às competições nacionais.
“Foi treinador do meu primo Luís Barroso precisamente nesse tempo, na equipa de juniores, e o Esperança de Lagos conseguiu subir às competições nacionais pela primeira vez nesse escalão. Treinou, então, equipa no Nacional de juniores. E 17 anos depois, o Aníbal conseguiu a mesma proeza. Ou seja, com ele foram duas subidas de divisão. Ainda foi convidado pela direcção do Esperança de Lagos para continuar no clube, mas não aceitou”, diz Ludgero Barroso.
E acrescenta: “Lembro-me dele a atuar como médio direito na equipa sénior do Esperança de Lagos, na III Divisão Nacional, com o Lelecas, Edmundo e os brasileiros Zezé, Beiró e Edmar, entre outros jogadores, que marcaram uma época no clube.”
António Santos afirma ao ‘Litoralgarve’ , que seria “boa ideia” um busto e uma rua ou avenida em Lagos com o nome de Aníbal Camacho e vai apresentar o pedido à Câmara e Assembleia Municipal
Já António Santos, conhecido cidadão lacobrigense pelas suas posições reivindicativas e polémicas nesta cidade, revela, em declarações ao ‘Litoralgarve’, que vai pedir, aos autarcas, na próxima sessão da Assembleia Municipal, no dia 22 de Junho, bem como em reunião camarária, a atribuição de “uma placa toponímica em Lagos com o nome de Aníbal Camacho, além de um busto.”
“Há tantas ruas em Lagos com nomes de pessoas que ninguém conhece. Por exemplo, uma rua paralela ao Cemitério Velho, tem o nome de José Vieira, pessoa, que, com o devido respeito, ninguém conhece em Lagos. Essa rua fica situada perto da antiga Rua dos Burros, hoje designada Rua da Capelinha. Por isso, a Rua José Vieira poderia passar a ter o nome de Aníbal Camacho.”
“A avenida a que recentemente foi dado pomposamente o nome de Alcácer Quibir, infelizmente a maior derrota da História de Portugal, é que devia chamar-se Avenida Aníbal Camacho, figura de prestígio e que irá perdurar na memória dos lacobrigenses.”
“Vejo como boa ideia uma rua, ou uma avenida com o nome de Aníbal Camacho. Há tantas ruas em Lagos com nomes de pessoas que ninguém conhece. Por exemplo, uma rua paralela ao Cemitério Velho, tem o nome de José Vieira, pessoa, que, com o devido respeito, ninguém conhece em Lagos. Fica situada perto da antiga Rua dos Burros, hoje designada Rua da Capelinha. Por isso, a Rua José Vieira poderia passar a ter o nome de Aníbal Camacho. Por outro lado, a avenida a que recentemente foi dado pomposamente o nome de Alcácer Quibir, infelizmente a maior derrota da História de Portugal, é que devia chamar-se Avenida Aníbal Camacho, figura de prestígio e que irá perdurar na memória dos lacobrigenses”, defende, ao nosso Jornal, António Santos.
Seria “digno colocar um busto de Aníbal Camacho num espaço relvado junto à ponte Dona Maria, em Lagos, o que poderia servir de atração turística.” Por isso, “a Câmara Municipal deve pedir ao conhecido escultor Tolentino Albergoaria, que efectue esse trabalho.”
Ao mesmo tempo, aponta, também, como “digno colocar um busto de Aníbal Camacho num espaço relvado, por exemplo, junto à ponte Dona Maria, em Lagos, o que poderia servir de atração turística.” Por isso, “a Câmara Municipal deve pedir ao conhecido escultor Tolentino Albergoaria que efetue esse trabalho. É o apelo que vou deixar aos autarcas em sessões públicas do município de Lagos”, antecipa António Santos, em homenagem a Aníbal Camacho.
“Muito boa pessoa, muito solidário e falava com toda a gente. Nunca o vi zangado com quem quer que fosse.”

“Como futebolista e treinador de jovens do Esperança de Lagos, nunca evidenciava situações de fanatismo. Era muito simpático, muito educado para com os adversários. E amava a formação de jovens no futebol.”
“Sempre foi muito boa pessoa, muito solidário e falava com toda a gente. Nunca o vi zangado com quem quer que fosse. Como futebolista e treinador de jovens do Esperança de Lagos, nunca evidenciava situações de fanatismo. Era muito simpático, muito educado para com os adversários. E amava a formação de jovens no futebol”, elogia António Santos.
Fernando Santana, presidente da Junta de Freguesia de Sagres: “Como jogador sénior do Clube Recreativo Infante de Sagres joguei contra ele várias vezes. Perdi uns jogos, ganhei outros. Foi sempre uma pessoa muito correcta.”
Em Sagres, terra natal de Aníbal Camacho, o presidente da Junta de Freguesia, Fernando Santana, recorda, com saudade, ao ‘Litoralgarve’, os tempos em que defrontou o antigo futebolista do Esperança de Lagos, nos Distritais do Algarve. “Como jogador sénior do Clube Recreativo Infante de Sagres joguei contra ele várias vezes. Perdi uns jogos, ganhei outros. Foi sempre uma pessoa muito correcta”, observa Fernando Santana, que não pôde estar presente no funeral realizado na sexta-feira, dia 05 de Junho, no cemitério de Sagres, por se encontrar numa reunião fora do Algarve.
“Tive sempre uma grande consideração por Aníbal Camacho. A família dele é de Sagres, mas a maioria já faleceu. Boas pessoas. Uma das irmãs, ainda viva, era comerciante e vive em Lagos”, lembra Fernando Santana.
Afonso Nascimento: “O Aníbal foi técnico, desenhador das habitações da minha família. Trabalhou muito para o concelho de Vila do Bispo. Mais tarde, deixou de trabalhar porque era uma carga de trabalhos aprovar projectos de obras na Câmara Municipal de Vila do Bispo. Por isso, qualquer técnico evitava exercer aqui a sua actividade profissional.”
Também Afonso Nascimento, residente em Sagres e atual vereador do Chega na Câmara Municipal de Vila do Bispo, não poupa elogios a uma “família humilde, impecável” como era a de Aníbal Camacho. “Algumas primas dele que aqui viviam e trabalharam na restauração e na hotelaria também já faleceram, assim como a maior dos familiares”, lamenta.
“O Aníbal foi técnico, desenhador das habitações da minha família. Trabalhou muito para o concelho de Vila do Bispo. Mais tarde, deixou de trabalhar aqui porque era uma carga de trabalhos aprovar projectos de obras na Câmara Municipal de Vila do Bispo. Por isso, qualquer técnico evitava exercer aqui a sua actividade profissional”, afirma, ao ‘Litoralgarve’, Afonso Nascimento.
“No dia do funeral estive ocupado em reuniões de associações fora de Sagres, mas o Aníbal sabe que estive presente em pensamento. Jamais me esquecerei dele”, assinala.
“Há pessoas que, pelo legado do que fizeram, torna-se impossível explicar por palavras o vazio que deixam entre os demais. É o caso do Aníbal. Atleta do nosso clube durante sete temporadas, nas décadas de 60 e 70, foi no entanto como treinador dos escalões jovens que mais se destacou (sobretudo Juniores e Infantis), com trabalhos notáveis e um espírito de dedicação que fizeram dele uma referência na formação desportiva da nossa região.”
(Clube de Futebol Esperança de Lagos)
A morte de Aníbal Camacho foi do conhecimento de muitas pessoas através de um comunicado do Clube de Futebol Esperança de Lagos, na sua página na rede social ‘Facebook’, em que aproveitou para enaltecer a figura do desportista: “O Clube de Futebol Esperança de Lagos vem por este meio manifestar publicamente o enorme pesar pelo falecimento, no dia 2 de Junho, de um dos grandes nomes do nosso clube: Aníbal Camacho. Há pessoas que, pelo legado do que fizeram, torna-se impossível explicar por palavras o vazio que deixam entre os demais. É o caso do Aníbal. Atleta do nosso clube durante sete temporadas, nas décadas de 60 e 70, foi no entanto como treinador dos escalões jovens que mais se destacou (sobretudo Juniores e Infantis), com trabalhos notáveis e um espírito de dedicação que fizeram dele uma referência na formação desportiva da nossa região.”
“Chegou a ser treinador da equipa principal nos anos 80 e depois de uma curta passagem pelo Silves Futebol Clube (onde também tinha sido jogador durante uma temporada), mas deixou as lides do futebol durante quase uma década”
Entre a temporada de 1992/93 “e a última ao serviço do nosso clube, foram 20 épocas a trabalhar diariamente, sobretudo com o escalão de Infantis, passando pelas suas mãos verdadeiras pérolas do futebol da nossa região, como são exemplos Diogo Amado, Diogo Viana, Cristiano, Diogo Freitas, Tiago Freitas ou, ainda, Eric Dier, atual internacional inglês que deu os primeiros passos no mundo do futebol em Lagos.”
“É por tudo isto e muito, muito mais, que falar de Aníbal Camacho é falar de entrega, de amor ao próximo, de paixão pelo Desporto e, acima de tudo, de um excelente formador de atletas e de homens.”
Neste comunicado, o Clube de Futebol Esperança de Lagos sublinha que Aníbal Camacho “chegou a ser treinador da equipa principal nos anos 80 e depois de uma curta passagem pelo Silves Futebol Clube (onde também tinha sido jogador durante uma temporada), mas deixou as lides do futebol durante quase uma década, até que Carlos Conceição, José Maria Bailote e Arlindo Fernandes o resgataram de novo, em 92/93, para reforçar o setor da formação. Em boa hora o fizeram pois, nesse mesmo ano, Aníbal Camacho conduziu os Juniores a um título distrital inédito e, desta forma, levando a equipa às competições nacionais.”
E adianta: “Entre essa temporada e a última ao serviço do nosso clube, foram 20 épocas a trabalhar diariamente, sobretudo com o escalão de Infantis, passando pelas suas mãos verdadeiras pérolas do futebol da nossa região, como são exemplos Diogo Amado, Diogo Viana, Cristiano, Diogo Freitas, Tiago Freitas ou, ainda, Eric Dier, atual internacional inglês que deu os primeiros passos no mundo do futebol em Lagos. É por tudo isto e muito, muito mais, que falar de Aníbal Camacho é falar de entrega, de amor ao próximo, de paixão pelo Desporto e, acima de tudo, de um excelente formador de atletas e de homens.”
Depois de ter comunicado a data do velório no Cemitério Novo de Lagos e do funeral em Sagres, a nota informativa apresenta condolência aos familiares e amigos de Aníbal Camacho. “À família enlutada e aos amigos mais próximos, o Clube de Futebol Esperança de Lagos deixa uma palavra de apoio, garantindo que a memória do nosso Aníbal nunca será esquecida entre a família lacobrigense.
Até Sempre Aníbal”, conclui o comunicado, divulgado na rede social ‘Facebook’.









