Na pitoresca cidade de Lagos, onde a imagem turística esconde tantas vezes a realidade vivida pelos seus habitantes, há um drama social que clama por justiça: o abandono dos reformados e a paralisia da política local perante situações de emergência humana. A política social lacobrigense, embora cheia de discursos e planos bonitos no papel, continua a falhar onde mais importa no terreno.
Um caso particularmente revoltante é o de um ex-funcionário da própria autarquia, atualmente reformado, que, juntamente com os seus netos e restante família, irá ser forçado a viver na rua. Sim, na rua em pleno século XXI, numa cidade com tantos recursos destinados ao turismo, há quem possivelmente irá ter que dormir ao relento com crianças ao seu lado, mesmo tendo dedicado anos de serviço público ao município.
E o mais chocante? A autarquia tem pleno conhecimento da situação. As estruturas sociais sabem. Os responsáveis políticos sabem. E, mesmo assim, nada foi feito. O silêncio é ensurdecedor. A resposta é a indiferença. Fazem de ouvidos moucos, como se este problema não lhes dissesse respeito. Como se a dignidade humana fosse descartável.
Este é apenas um exemplo, mas representa uma ferida profunda e aberta na política social de Lagos. Os reformados vivem com reformas insuficientes, enfrentam o aumento do custo de vida, a solidão, a exclusão. E quando caem numa situação extrema, como esta, nem mesmo o seu histórico de serviço público parece contar.
É imperativo que a Câmara Municipal de Lagos deixe de se refugiar no formalismo e nas desculpas burocráticas. Os cidadãos exigem ação — não amanhã, mas hoje. Exigem habitação urgente, apoio social eficaz, respeito e humanidade. Porque uma cidade que abandona os seus idosos, especialmente os que serviram a própria autarquia, trai os seus princípios mais básicos.
É hora de agir.
Paulo Silva










