“Cartografias Transatlânticas” é a exposição que pode ser visitada nos dias do Festival, na Galeria de Arte do Convento do Espírito Santo, e que tem inauguração marcada para a próxima sexta-feira, 20 de junho, pelas 17h30.
Esta mostra reúne o trabalho de quatro artistas cuja ligação a Cabo Verde é simultaneamente íntima e deslocada. Apesar de viverem fora do Arquipélago, com ele constroem um diálogo contínuo — silencioso por vezes, mas sempre presente. As suas obras revelam como o país se prolonga para além das suas fronteiras físicas, expandindo-se nas vozes e práticas daqueles que, de fora, continuam a habitá-lo afetivamente. Fidel Évora propõe, com a série “Fake Self-Portraits”, um jogo entre identidade e ficção, presença e construção. Jacira da Conceição invoca, através de cerâmica, ferro, tecido e vídeo, a força da linhagem feminina africana. Amadeu Carvalho apresenta “50 Faces Incógnitas – Retratos de Ausência”, uma série de retratos sem nome que assinalam os cinquenta anos da independência de Cabo Verde. Carlos Noronha Feio encerra este percurso com uma instalação sonora e visual onde Cabo Verde e o Atlântico se escutam mutuamente.
A curadoria vai estar a cargo de Ricardo Barbosa Vicente e de João Serrão. A exposição prolonga-se até 19 de julho.
No sábado, 21, vai falar-se de Literatura Cabo-Verdiana, na Casa da Cultura de Loulé – Edifício Atlético. A partir das 17h30, os escritores José Luiz Tavares e Dina Salústio são os oradores da conferência inserida no programa do Festival. Dois nomes de destaque na cultura de Cabo Verde e que trarão uma visão sobre o universo das Letras deste país.
Nascido na Ilha de Santiago, José Luiz Tavares tem colaboração em jornais e revistas de Cabo Verde, Portugal e Brasil. De entre os vários prémios que recebeu destaca-se o Prémio Mário António de Poesia 2004, atribuído pela Fundação Calouste Gulbenkian à melhor obra de autor africano de língua portuguesa e de Timor-Leste publicada no triénio 2001-2003, com o seu primeiro livro publicado, “Paraíso Apagado por um Trovão”. Já a poetisa e escritora Dina Salústio é natural da Ilha de Santo Antão. Sócia-fundadora da Associação dos Escritores Cabo-verdianos, da Sociedade Cabo-verdiana de Autores, membro-fundador da Academia Cabo-verdiana de Letras e do PEN Clube de Cabo Verde, foi galardoada, entre outros, com o Prémio RDP África Literatura para a Lusofonia (2021).
A sétima arte encerra este fim de semana cultural com a exibição do filme “Sodade”, realizado pela cabo-verdiana Sarah Grace, apresentado no domingo, 22, pelas 18h00, no Solar da Música Nova. O filme, distinguido internacionalmente, explora temas profundos como amor, traição e ódio, através da história de personagens que vivem os desafios e dilemas da diáspora. Filmado nas belas e impactantes paisagens vulcânicas da Ilha do Fogo, “Sodade” destaca-se pela sua cinematografia impressionante e por captar a essência da cultura e do espírito cabo-verdianos. É o primeiro filme cabo-verdiano a ser distribuído comercialmente em salas de cinema em Portugal e noutros territórios internacionais.
Todas as iniciativas deste fim de semana dedicado a Cabo Verde são de entrada livre.
“Este programa espelha a riqueza cultural de um país-irmão, com quem o concelho de Loulé tem fortes laços de amizade. Este fim de semana vai ser uma oportunidade imperdível para o público ficar a conhecer melhor este país”, nota o presidente da Autarquia de Loulé, Vítor Aleixo.
Já o diretor do Festival MED, Carlos Carmo, afirma: “Vamos arrancar da melhor forma esta 21ª edição do Festival MED. E porque este é um evento multidisciplinar, apesar de ter a sua tónica na world music, é importante também valorizarmos as outras manifestações artísticas. É precisamente isso que iremos fazer nestes três dias, termos aqui uma montra desta abrangência cultural, que se irá prolongar pelos dias do Festival. Convidamos todos a juntarem-se a nós para celebrar Cabo Verde!”.










