Autor do homicídio com tiros em Odiáxere, no concelho de Lagos, está “nervoso e chora”, porque não teria intenção de matar, conta, ao ‘Litoralgarve’, João Grade, advogado de defesa

O causídico pediu, ontem, ao juiz de instrução criminal do Tribunal de Portimão, nas alegações finais, que o seu cliente fique em prisão domiciliária, como medida de coacção, enquanto aguarda julgamento pelo crime de homicídio cometido junto à porta do Clube Desportivo de Odiáxere, na noite da passada terça-feira de Carnaval. Já o Procurador do Ministério quer prisão preventiva. Decisão será conhecida nesta sexta-feira, dia 07 de Maio.

José Manuel Oliveira

Um juiz de instrução criminal do Tribunal de Portimão, designado para o efeito, decide, hoje, sexta-feira, dia 07 de Março de 2025, numa sessão com início pelas 10.00 horas, a medida de coacção a que ficará sujeito enquanto aguarda julgamento, o suspeito do homicídio de que foi vítimaAntónio Martinho Martins, de 56 anos e nacionalidade cabo-verdiana, atingido por três tiros de uma pistola, cerca das 23h.30m. da passada terça-feira de Carnaval, após discussões na rua, junto ao bar do Clube Desportivo de Odiáxere, no concelho de Lagos, onde decorria uma megabaile, como o ‘Litoralgarve’ noticiou em primeira mão.

“Não está suficientemente provado que, com os tiros, quisesse matar”, considera o advogado

Homicida “diz que disparou um primeiro tiro para o ar, como sinal de aviso para o outro homem se ir embora. Depois, houve um tiro que lhe acertou na barriga e a vítima acabou por falecer já no Hospital de Portimão. Como o viu estendido no chão, pensou e estava só ferido”

Depois da primeira audiência realizada na quinta-feira, 06 de Março, enquanto o Procurador do Ministério Público, nas alegações finais, pediu prisão preventiva para o autor dos disparos mortais, o advogado João Grade, de Portimão, contratado pelo homicida, apelou ao juiz para que o seu cliente fique a aguardar julgamento em prisão domiciliária. Isto, porque, considerou, em declarações ao ‘Litoralgarve, João Grade, “não está suficientemente provado que, com os tiros, quisesse matar.” “Diz que disparou um primeiro tiro para o ar, como sinal de aviso para o outro homem se ir embora. Depois, houve um tiro que lhe acertou na barriga e a vítima acabou por falecer já no Hospital de Portimão. Como o viu estendido no chão, pensou e estava só ferido”, contou-nos o advogado.

Enquanto aguarda a decisão do juiz, o autor do crime cometido em Odiáxere, tem-se mostrado “nervoso e chora”, acrescentou João Grade.

Arrisca-se a ter de cumprir uma pena de prisão até 25 anos por homicídio qualificado

Entretanto, de acordo com outras informações recolhidas pelo ‘Litoralgarve’, poderá vir a ser condenado pelo crime de homicídio qualificado e, assim, ter de cumprir uma pena até 25 anos de prisão.

Para já, segundo nos admitiram, tudo indica que, por ordem do juiz de instrução criminal, ficará em prisão preventiva, como medida de coacção máxima, enquanto aguarda julgamento pelo crime agora cometido.

Crime premeditado com arma de fogo de calibre 6.35 milímetros

Ainda no Chinicato deslocou-se, também, ao posto da GNR, para apresentações periódicas a que está obrigado em termos judiciais, após ter saído da cadeia por ter sido ultrapassado o prazo de prisão preventiva a que estava sujeito, enquanto aguarda julgamento num processo envolvendo tráfico de droga

Samuel, de 30 anos, casado e com três filhos, poderá ter utilizado uma arma de fogo de calibre 6.35 milímetros que foi buscar à sua residência, situada na localidade do Chinicato, perto da cidade de Lagos, para cometer o crime premeditado. Curiosamente, ainda no Chinicato deslocou-se, também, ao posto da Guarda Nacional Republicana (GNR) para apresentações periódicas a que está obrigado em termos judiciais, após ter saído da cadeia por ter ultrapassado o prazo de prisão preventiva a que estava sujeito, enquanto aguarda julgamento num processo envolvendo tráfico de droga, com vários recursos judiciais pelo meio. Desconhece-se se entrou nas instalações da GNR, já armado. O facto de muitos edifícios das forças da autoridade não possuírem dispositivos de segurança nesse sentido, tem permitido a vários indivíduos envolvidos em crimes entrarem ali com pistolas e outras armas, ameaçando os agentes de serviço.

“Desavenças” entre os dois homens começaram na tardede terça-feira junto a um bar situado no Largo da Alegria, onde decorreram o desfile de carros alegóricos e espectáculos musicais, um dos quais com Quim Barreiros, o Rei do Carnaval de 2025 em Odiáxere

Recorde-se que, como o ‘Litoralgarve’ já referiu, com base em informações obtidas em Odiáxere, o problema entre os dois homens, ambos de origem africana e que já se conheciam há muito tempo, começou no interior deum conhecido bar, situado a poucos metros do antigo moinho, no Largo da Alegria, naquela localidade, enquanto decorria o desfile de carros alegóricos na tarde de terça-feira de Entrudo, dia 04 de Março, com milhares de pessoas a assistir, a que se seguiram, no palco montado para o efeito, espetáculos musicais em que sobressaíram as atuações de Sónia Quim Costa Batucadas, Quim Barreiros (o Rei do Carnaval 2025, organizado pelo Clube Desportivo de Odiáxere), pelas 17h.30m, e de Ricardo Glória, tendo este artista terminado às 22.30 horas.

Enquanto isso, durante a tarde, os já dois referidos indivíduos desavindos entraram em “discussões, desavenças”, mas“sem consequências”, ao que nos confidenciaram, muito contribuindo para tal a presença de militares da GNR na zona, como forma de garantir a segurança do Carnaval em Odiáxere.

“Problemas antigos” e “ajuste de contas”, na sequência de agressões ao pai do homicida

“O Samuel, sobretudo quando está com amigos, gosta de se mostrar mais forte para com outras pessoas, desafiando-as. Foi o que terá acontecido, mais uma vez, perante o Tó, como era conhecida a vítima, António Martinho Martins, com notável compleição e que trabalhou como porteiro em bares de Lagos”

“Os problemas entre eles são antigos. O Samuel, sobretudo quando está com amigos, gosta de se mostrar mais forte para com outras pessoas, desafiando-as. Foi o que terá acontecido, mais uma vez, perante o Tó, como era conhecida a vítima, António Martinho Martins, com notável compleição e que trabalhou como porteiro em bares de Lagos. Era um homem da noite. Há tempos, ao que se sabe, ele agrediu o pai do Samuel, proprietário de um estabelecimento comercial nesta cidade e agora terá chegado o momento de um ajuste de contas por esse e outros casos. Aconteceu no Carnaval de Odiáxere, onde se cruzaram, como poderia ter sido noutra situação e noutro local”, lembrou, ao nosso Jornal, quem conhece os problemas entre o homicida e a vítima mortal.

“Fez uma espera” ao rival junto à sede do Clube Desportivo de Odiáxere, onde decorria um mega baile, após ter ido buscar a arma a casa

Já à noite, os dois homens terão continuado as discussões entre eles. Após ter ido buscar a casa a arma de fogo, que possui, Samuel “fez uma espera” a António Martinho Martins, sabendo que este se deslocaria até junto à sede do Clube Desportivo de Odiáxere. E numa altura em que decorria o megabaile nas instalações daquela colectividade, os problemas entre os dois indivíduos agravaram-se na via pública.

“Dá-lhe agora! Dá-lhe agora!” – terá incentivado um amigo de Samuel, antes dos disparos fatais

“Uma questão de orgulho para mostrar que é o mais forte e, ao mesmo tempo, vingar-se de problemas há muito existentes entre eles”

Depois de mais uma discussão, de acordo com várias fontes, “o Samuel, incentivado por um amigo, que lhe disse: «Dá-lhe agora! Dá-lhe agora!», disparou três tiros à queima-roupa, acabando por matar António Martinho Martins. Para o Samuel foi uma questão de orgulho para mostrar que ele é o mais forte e, ao mesmo tempo, vingar-se de problemas há muito existentes entre eles.”

Após o alerta às autoridades por parte de popularesque estavam no local, as forças envolvidas na prestação do socorro, nomeadamente os Bombeiros Voluntários de Lagos, foram rápidas à chegar à vítima, mas já pouco ou nada havia a fazer, apesar de manobras de reanimação, enquanto o homicida fugiu. Com sangue na rua, em frente à sede do Clube Desportivo de Odiáxere, foi montado um perímetro de segurança por parte das autoridades, limitando o acesso ao local. António Martinho Martins foi transportado numa ambulância para o Hospital de Portimão, onde acabou por ser declarado o óbito. O corpo seguiu para o Gabinete do Instituto de Medicina Legal e Ciências Forenses, instalado junto àquela unidade de saúde, a fim de ser autopsiado para determinar as causas da morte.

Já o autor dos disparos fatais acabou por se entregar no posto da GNR de Lagos, situado na localidade do Chinicato. O megabailena despedida do Carnaval, que decorria nas instalações do Clube Desportivo de Odiáxere, acabou por ser cancelado quando se soube do sucedido.

A vítima “era um homem da noite. Sempre o conheci como boa pessoa, muito simpático e cumprimentava toda a gente”, recordou, ao ‘Litoralgarve’ um popular

“Isto de negócios da noite envolve também outros problemas, é muito complicado e muitas vezes nem se sabe o que se passa em concreto”

António Martinho Martins, de 30 anos, nacionalidade cabo-verdiana, casado e com três filhos menores, residia numa urbanização, situada na zona de São João, em Lagos, cidade onde trabalhou como porteiro em bares. “Era um homem da noite. Sempre o conheci como boa pessoa, muito simpático e cumprimentava toda a gente”, disse, ao ‘Litoralgarve’ um popular, notando que “isto de negócios da noite envolve também outros problemas, é muito complicado e muitas vezes nem se sabe o que se passa em concreto”. “Há anos, ele teve problemas com a justiça devido a droga”, lembrou outro indivíduo com quem falámos.

“Antigamente, muitas discussões na rua resolviam-se à pancada. Nos tempos que decorrem, é aos tiros! Sucedeu, há meses, durante a madrugada junto a um bar, em Lagos, perto da Praça do Infante Dom Henrique, com um traficante de droga, obrigando muitas pessoas a se refugiarem com medo de serem atingidas, e agora foi este problema ocorrido em Odiáxere”

“Este tipo de casos não acontece só no concelho de Lagos, que já se transformou numa espécie de ‘faroeste’, como muita gente diz, mas em todo o país. Não existe segurança suficiente para as pessoas andarem na rua à vontade e, sobretudo, durante a noite, pois nunca se sabe se, por qualquer problema, surgem facadas ou tiros”

O certo é que, como já descrevemos, mais este caso envolvendo tiros na via pública, no concelho de Lagos, está a provocar um ambiente de imensa indignação einsegurança entre muitos populares, que continuam a questionar o papel das forças da autoridade.

“Há anos, viam-se sempre agentes da PSP ou militares da GNR junto a espaços onde decorriam eventos, como bailes de Carnaval e outros espectáculos, além de locais de diversão nocturna, o que transmitia um sentimento de segurança às pessoas que se divertiam”, recordou-nos um popular em Lagos.

Por outro lado, acrescentou, “antigamente muitas discussões na rua resolviam-se à pancada. Nos tempos que decorrem, é aos tiros! Sucedeu, há meses, durante a madrugada junto a um bar, em Lagos, perto da Praça do Infante Dom Henrique, com um traficante de droga, obrigando muitas pessoas a se refugiarem com medo de serem atingidas, e agora foi este problema ocorrido em Odiáxere.”

“Este tipo de casos não acontece só no concelho de Lagos, que já se transformou numa espécie de ‘faroeste’, como muita gente diz, mas em todo o país. Não existe segurança suficiente para as pessoas andarem na rua à vontade e, sobretudo, durante a noite, pois nunca se sabe se, por qualquer problema, surgem facadas ou tiros”, lamentou, ao ‘Litoralgarve, esse mesmo cidadão, revoltado com toda a situação e preferindo, tal como outros populares, não ser identificado nesta reportagem, “para evitar problemas.”

E interrogou-se: “Como é possível um indivíduo andar armado, após ter estado preso e sair da cadeia, devido ao facto de ver ultrapassado o tempo limite de prisão preventiva, enquanto aguarda julgamento por envolvimento em tráfico de droga? Quem controla isto? Que justiça existe neste país, com tantos atrasos e adiamentosde processos nos tribunais? Depois, é o que se vê…”

(Em actualização)