Polémica na Volta ao Algarve, com meta em Lagos – “Só por acaso não houve acidentes” numa cidade que “entrará no anedotário do ciclismo”, alertam populares

Com a maior parte dos ciclistas a entrar a grande velocidade, por engano, num lado da Avenida dos Descobrimentos, que devia estar barrado pela organização da prova, o ciclista italiano Filippo Ganna, da equipa INEOS Grenadiers, ao seguir as indicações de um agente policial acabou por pedalar pelo trajecto correto, cortando, à vontade, a meta em primeiro lugar. Do outro lado da avenida, o pelotão quase foi parar ao parque de estacionamento, instalado junto ao tribunal, o que provocou o caos entre os ciclistas. A etapa, com partida de Portimão e chegada a Lagos, após passagem pelos concelhos de Monchique e Vila do Bispo, acabou por ser anulada por decisão do colégio de comissários. O diretor da prova, Sérgio Sousa, admite erros e promete “reforço da estrutura” para evitar mais problemas.

O caso caricato, que até já é comentado nos Estados Unidos da América, continua a ser tema dominante nas redes sociais, em cafés, bares, restaurantes, estabelecimentos comerciais e farmácias de Lagos. O ‘Litoralgarve’ foi ouvir pessoas que assistiram ao final de uma etapa, que, afinal, não valeu. Há quem receie a má imagem que tal situação possa provocar a nível internacional e até sugira que, em 2026, a meta seja instalada… na zona da Meia-Praia.

José Manuel Oliveira 

“É inadmissível, é uma situação caótica o que se passou, na tarde de quarta-feira, na Volta ao Algarve em Bicicleta, em Lagos! Um lapso grosseiro por parte da organização da prova levou a maioria dos ciclistas a entrar pelo lado errado, a caminho da meta na Avenida dos Descobrimentos, a qual devia estar barrada, do lado direito, junto à rotunda onde se situava o Hotel São Cristóvão. Só por acaso não houve acidentes entre a maior parte do pelotão, que circulava, de forma errada, na faixa, e pessoas que podiam ter atravessado essa zona da avenida para ir ver a chegada dos ciclistas à meta, instalada do outro lado, junto ao rio.”

Foi esta a reação espontânea de José Pitéu, residente em Lagos, em declarações ao ‘Litoralgarve’, que se mostrava estupefacto com a confusão registada sobre o final, considerado surreal, da primeira etapa da 51ª. edição da Volta ao Algarve em Bicicleta, com partida de Portimão e chegada a Lagos, após passagem pelos concelhos de Monchique e Vila do Bispo.

O lamento do habitante de Lagos José Pitéu, ao ‘Litoralgarve:“Tão frustrante para quem ‘cortou’ a meta em primeiro lugar, e, afinal, não valeu [a camisola amarela], como para os ciclistas que, após quilómetros de desgaste, entraram pelo lado errado, devido à falha junto à rotunda; e para o público que se juntou durante uma tarde para nada!”

“Isto transmite uma má imagem à cidade de Lagos, numa prova internacional, na qual participam ciclistas profissionais de vários países, que treinam diariamente para este tipo de competições”

“No meio da confusão, vi estrangeiros a sorrir, um agente policial a rir, naturalmente, com a situação, entendendo o que se tinha passado, enquanto um outro polícia apresentava um ar mais sério”

E prosseguiu: “Estava muita gente na avenida e ninguém percebia o que tinha acontecido. Pouco depois, ouviu-se que a etapa acabou por ser anulada pelo Colégio de Comissários, devido a um erro na fase final do percurso, que enganou grande parte dos ciclistas. Foi tão frustrante para quem ‘cortou’ a meta em primeiro lugar [o ciclista italiano Filippo Ganna, da equipa INEOS Grenadiers – n.d.r.], e, afinal, não valeu [a camisola amarela], como para os ciclistas que, após quilómetros de desgaste, entraram pelo lado errado, devido à falha junto à rotunda, e para o público que se juntou durante uma tarde para nada! E isto transmite, como é evidente, uma má imagem à cidade de Lagos, numa prova internacional, na qual participam ciclistas profissionais de vários países, que treinam diariamente para este tipo de competições”. “No meio da confusão, vi estrangeiros a sorrir, um agente policial a rir, naturalmente, com a situação, entendendo o que se tinha passado, enquanto um outro polícia apresentava um ar mais sério”, acrescentou aquele espectador

”É necessário haver mais atenção na próxima edição da Volta ao Algarve em Bicicleta, em 2026.”

José Pitéu insistiu que a organização da prova, incluindo a Câmara Municipal de Lagos, devia ter tomado medidas adequadas, ao colocar uma barreira junto da rotunda à entrada da cidade (onde se situou, em tempos, como já referimos, o Hotel São Cristóvão), com alguém a fazer, antecipadamente, sinais para impedir os ciclistas de entrar pelo lado errado, indicando-lhes a faixa do lado do rio, para poderem caminhar para a meta”, instalada perto do Mercado Municipal. A concluir esta curta entrevista ao ‘Litoralgarve’, aquele habitante de Lagos ainda aproveitou para deixar um recado: ”É necessário haver mais atenção na próxima edição da Volta ao Algarve em Bicicleta, em 2026.”

”Lagos vai entrar no anedotário do ciclismo, depois do que se passou nesta primeira etapa da Volta ao Algarve”, ironiza, ao ‘Litoralgarve’, José da Silva

“Por ironia, podemos dizer que no final da primeira etapa, em Lagos, que acabou por ser anulada, até parecia ter havido duas provas: uma de ciclismo, em que um italiano cortou a meta, à vontade perante o engano dos outros ciclistas, que seguiam noutra faixa; e outra prova… esta de BTT…”

Já José Silva, que se encontrava junto à meta, comentou à nossa reportagem: ”Lagos vai entrar, certamente, no anedotário do ciclismo, depois do que se passou na primeira etapa da Volta ao Algarve. Até a estação televisiva CNN, nos Estados Unidos da América, referiu esta cena caricata. Aqui vi ciclistas, que depois de terem entrado, em pelotão, na Avenida dos Descobrimentos, erradamente no percurso de acesso ao parque de estacionamento, situado junto ao tribunal, acabaram por atravessar baias, instaladas junto ao público, e a trazer bicicletas às costas, como se fosse uma prova de BTT, não escondendo a sua irritação e frustração, após tanto esforço despendido durante quilómetros para nada. Valeu, apenas, um prémio de montanha. E por ironia, podemos dizer que no final da primeira etapa, em Lagos, que acabou por ser anulada, até parecia ter havido duas provas: uma de ciclismo, em que um italiano cortou a meta, à vontade perante o engano dos outros ciclistas, que seguiam noutra faixa; e outra prova… esta de BTT…”

”Se em vez da primeira etapa, fosse a última e a classificação estivesse renhida, se calhar a esta hora ainda se estaria a discutir quem seria o vencedor desta Volta ao Algarve”

E adiantou: ”Se em vez da primeira etapa, fosse a última e a classificação estivesse renhida, se calhar a esta hora ainda se estaria a discutir quem seria o vencedor desta Volta ao Algarve em Bicicleta. É preciso ter mais cuidado no futuro. Trata-se de uma competição para ciclistas profissionais de vários países do mundo e não de uma competição destinada a ciclistas amadores, e mesmo em provas desse tipo nota-se muita precaução para evitar problemas.”

“Como é possível isto ter acontecido? Quem é o responsável?”, questiona-se em Lagos

O sucedido no final da primeira etapa da Volta ao Algarve, em Lagos, inundou as redes sociais e continua a ser tema de conversa, com alguma à mistura, em cafés, pastelarias, bares, restaurantes e estabelecimentos comerciais, incluindo até farmácias. “Como é possível isto ter acontecido? Quem é o responsável?” – interrogam-se muitas pessoas, ainda surpreendidas.

Taxista conta ao ‘Litoralgarve’:”Foi um dia de caos para nós. Tivemos de sair da praça de táxis, situada no centro de Lagos, pelas 08.00 horas, e só regressámos às 20.00 horas. De resto, o estacionamento de outras viaturas esteve proibido durante mais tempo, devido à organização da prova. Tanto trabalho, tantos condicionalismos, tantas restrições, para nada!”

“É negativo para a imagem de Lagos e poderá levar a que ciclistas profissionais de vários países, com grandes patrocinadores, não queiram voltar a competir nesta zona”

Numa volta pela cidade de Lagos, perto do final da noite de quarta-feira, dia 19 de Fevereiro, com passagem junto ao percurso errado por onde entrou a maioria dos ciclistas na Avenida dos Descobrimentos, um taxista disse-nos: ”Foi um dia de caos para nós. Tivemos de sair da praça de táxis, situada no centro de Lagos, pelas 08.00 horas, e só regressámos às 20.00 horas. De resto, o estacionamento de outras viaturas esteve proibido durante mais tempo, devido à organização da prova. Tanto trabalho, tantos condicionalismos, tantas restrições, para nada! Isto é negativo para a imagem de Lagos e poderá levar a que ciclistas profissionais de vários países, com grandes patrocinadores, não queiram voltar a competir nesta zona.”

“E se tivesse ocorrido um acidente, afinal quem seria o responsável? Se uma criança, ou qualquer outra pessoa, na ânsia de ver os ciclistas, tivesse atravessado essa faixa da avenida e fosse atropelada, quem seria o culpado? Os ciclistas, ou quem lhes permitiu a passagem de forma errada?”

Durante a prova, que terminou em Lagos, lembrou o taxista, “tivemos de ficar instalados nos lugares reservados para táxis junto ao Mercado de Levante, na zona de São João, onde o trânsito estava complicado, devido ao estacionamento de outras viaturas, em dia de ‘mercadinho’, como é habitual às quartas-feiras, e a circulação de autocarros no Terminal Rodoviário.”

“Quando os ciclistas estavam a passar a Avenida dos Descobrimentos – observou aquele profissional – a maior parte deles, afinal, pelo lado errado, vi vários carros nessa faixa e até pensei que seriam veículos de apoio às equipas e à organização da Volta ao Algarve. Só pouco depois é que o público e esses próprios ciclistas se aperceberam do sucedido, com a confusão a instalar-se, enquanto na outra faixa, a correta, seguiam ciclistas em direção à meta. Tudo para uma etapa que acabou por ser anulada. Foi ridículo!”

“E se tivesse ocorrido um acidente, afinal quem seria o responsável? Se uma criança, ou qualquer outra pessoa, na ânsia de ver os ciclistas, tivesse atravessado essa faixa da avenida e fosse atropelada, quem seria o responsável?” Os ciclistas, ou quem lhes permitiu a passagem de forma errada?”- questionou, incrédulo, o taxista.

“No ano passado, choveu e mesmo assim correu tudo bem na etapa em Lagos. Desta vez, com bom tempo, foi o que se viu, naturalmente por culpa da organização da Volta ao Algarve”

Um colega recordou: “No ano passado, choveu e mesmo assim correu tudo bem na etapa em Lagos. Desta vez, com bom tempo, foi o que se viu, naturalmente por culpa da organização da Volta ao Algarve.”

E para evitar problemas, no futuro, esse taxista até sugeriu que a meta poderia ficar instalada na zona da Meia-Praia, junto ao antigo apeadeiro. Esse ponto de vista não é, no entanto, partilhado pela maioria das pessoas com quem o ‘Litoralgarve’ falou, já que a zona da Meia-Praia, em Lagos, obriga a deslocações em transportes, o que provocaria imenso trânsito no local. ”A Avenida dos Descobrimentos tem sido o local destinado à meta e assim deverá continuar a ser. Desta vez, houve um erro no percurso final, situação que irá servir de lição e certamente o problema não se repetirá”, observou um morador em Lagos.

Recorde-se que o momento em que o pelotão ‘partiu’ a meio foi já dentro do último quilómetro, na Avenida dos Descobrimentos. Nas imagens televisivas, é possível ver que o pelotão estava mais posicionado para direita da avenida e grande parte dos ciclistas acaba por seguir o caminho da moto à sua frente – o caminho errado – rumo à meta, antes de uma rotunda. Um caminho que deveria estar fechado aos ciclistas.

A sorte, como muitas pessoas referiram, é que ”não havia público espalhado na faixa, seguida de forma errada por muitos ciclistas”. Estes acabaram por passar nas costas de quem assistia à prova

Um agente policial de trânsito ainda indicou que o caminho era para a esquerda, do lado do rio, sendo que essa rota (a certa) foi seguida por poucas dezenas de ciclistas, com o italiano Ganna a sprintar de forma fácil e tranquila para a vitória. Os ciclistas que foram pelo lado errado continuaram a sprintar e a maioria só percebeu que estava do lado errado quando viu o pórtico da meta à sua esquerda. Acabaram por passar nas costas do público que estava junto ao gradeamento, para ver a chegada. A sorte, como muitas pessoas referiram, é que “não havia público espalhado na faixa, seguida de forma errada por esses muitos ciclistas”. Caso contrário, ”poderia ter havido consequências físicas para atletas e para espectadores que assistiam ao final da etapa em Lagos”, notaram.

De um suposto “esquecimento” para colocar barreiras do lado direito da Avenida dos Descobrimentos, à “falta de sinalização adequada e atempada para o Trajeto correto” pelo lado esquerdo, junto ao rio

Entretanto, de acordo com informações recolhidas pelo ‘Litoralgarve’, o erro poderá ter surgido na sequência de um alegado “esquecimento” por parte de um agente da PSP em colocar as baias do lado direito da Avenida dos Descobrimentos, de modo a impedir a passagem dos ciclistas por esse lado. Como tal não aconteceu, tanto a GNR, como a maioria dos ciclistas acabaram por seguir pela faixa errada, gerando a já referida confusão a poucos metros da meta.

“Houve vários erros, como falta de sinalização adequada e atempada para o trajeto correto e de baias para bloquear a faixa que acabou por ser utilizada pela maioria do pelotão, de forma errada. Teria de estar nesse local, por exemplo, um carro da PSP para impedir a passagem dos ciclistas, como sucede muitas vezes numa operação ‘stop’ em relação ao trânsito em geral”, observou, ao nosso Jornal, um residente em Lagos.

Nos dados da etapa, entretanto anulada, após a ligação de 192,2 quilómetros entre Portimão e Lagos, o ciclista italiano Filippo Ganna tinha chegado ao fim de 04h.28m.30s., seguido do francês Romain Grégoire (Groupama – FDJ), a um segundo, com o suíço Jan Christen (UAE Team Emirates) a fechar o pódio da etapa inaugural. O melhor português, e único no top-10 da etapa, tinha sido Ivo Oliveira (UAE Team Emirates), 8.º classificado, a três segundos de Ganna.

Sérgio Sousa, Director da prova, admite erros: “Analisámos várias imagens, tentámos perceber internamente o que é que levou a isto ter acontecido. Percebemos que é um conjunto de pequenos erros. Logicamente, a organização tem de assumir. Como responsáveis da organização, temos de assumir a nossa parte”

Em declarações aos jornalistas, em Lagoa, na quinta-feira, dia 20 de Fevereiro, antes da partida para a segunda etapa, a ligar esta cidade e a Fóia, em Monchique, o diretor da Volta ao Algarve, Sérgio Sousa, admitiu a necessidade de existir “uma estrutura mais robusta” para esta prova. E considerou que a anulação da primeira etapa, entre Portimão e Lagos, foi “o mal possível”, de forma a evitar prejudicar os ciclistas que não cortaram a meta instalada na Avenida dos Descobrimentos.

“Analisámos várias imagens, tentámos perceber internamente o que é que levou a isto ter acontecido. Percebemos que é um conjunto de pequenos erros. Logicamente, a organização tem de assumir. Como responsáveis da organização, temos de assumir a nossa parte”, reconheceu o diretor da Volta ao Algarve, sobre a confusão instalada em Lagos, com ciclistas a entrarem pelo lado correto, a caminho da meta, enquanto a maioria seguiu por engano o trajecto errado.

As motos da GNR que seguiam na frente da corrida, também poderiam ter induzido em erro os ciclistas

“Estamos conscientes, junto das equipas, junto dos atletas, que disponibilizámos toda a informação que indicava corretamente como é que era o desvio dos carros, que teriam que fazer a rotunda pelo lado esquerdo, mas, infelizmente, no momento do desvio dos carros, houve ali uma hesitação da nossa parte humana, da organização”, observou aquele responsável, para quem as motos da GNR que iam na frente da corrida, também poderiam ter induzido em erro os ciclistas.

“O ciclismo, naquela velocidade, na verdade basta o primeiro ciclista tomar a trajetória errada, que todo o pelotão depois vai atrás. Acabaram por sair pelos desvios dos carros de apoio, porque era ali que teríamos de fazer o filtro, quem pode entrar na reta da meta e quem não pode. Foi um procedimento que correu menos bem”, lamentou Sérgio Sousa, garantindo que a organização irá “certamente reforçar a questão do desvio dos carros”.

“Temos de ter uma estrutura mais robusta, ter uma atenção maior neste momento, mas custa-me atribuir toda a responsabilidade para a organização, porque há um conjunto de fatores por detrás, o que levou isto a acontecer, nomeadamente o instinto de [os ciclistas] seguirem uma moto que seguiu o desvio dos carros de apoio”

“Percebemos que temos de ter uma estrutura mais robusta, ter uma atenção maior neste momento, mas custa-me atribuir toda a responsabilidade para a organização, porque há um conjunto de fatores por detrás, o que levou isto a acontecer, nomeadamente […] o instinto de [os ciclistas] seguirem uma moto que seguiu o desvio dos carros de apoio”, acrescentou o diretor da prova. A decisão do colégio de comissários de anular a etapa foi considerada difícil, mas a possível ao abrigo dos regulamentos em vigor.

“Acaba por ser a única forma que tínhamos de recolocar estes 92 ciclistas que, na quarta-feira, não passaram a linha de meta. É um mal possível. Temos a consciência de que a etapa não era decisiva para a classificação geral da Volta ao Algarve e para o desfecho final desta Volta ao Algarve, e por isso acaba por ser um mal menor nesse sentido”, referiu Sérgio Sousa.

A opção de anular a etapa penalizou, no entanto, o italiano Filippo Ganna (INEOS), o primeiro a cortar a meta no percurso correto, com a decisão do colégio a ser muito criticada no pelotão.

“Logicamente, compreendo essa postura e essa visão, mas o que é certo é que todos temos a consciência de que a verdade desportiva não estava ali vincada e não é essa também a nossa forma de estar no ciclismo. Acima de tudo, devia prevalecer um bom espetáculo desportivo, um espetáculo televisivo, e na verdade isso não aconteceu”, conclui Sérgio Sousa, diretor da Volta ao Algarve em Bicicleta 2025, nestas declarações aos jornalistas, a propósito do sucedido em Lagos, e que já circula pelo mundo.