“Morreu o jornalista, apagou-se a memória para quem ele serviu em nome do interesse público. Para nós, a família, é eterno”, pode ler-se num comunicado divulgado por familiares.
José Manuel Oliveira
Dia 23 de Dezembro de 2024. Pouco depois das 14h30, na capela de S. Paulo, a primeira situada à direita no espaço mortuário, numa área do edifício da Igreja do Colégio dos Jesuítas, na Alameda da Praça da República, no centro de Portimão, apenas se encontravam, solitariamente, três familiares, entre eles a esposa, Maria Emília, do conhecido jornalista, fundador e antigo diretor do semanário algarvio ‘Barlavento’, com sede nesta cidade, falecido no dia anterior, 22 de Dezembro, aos 75 anos. Foi vítima de paragem cardíaca, na Unidade de Convalescença – Unidade de Média Duração e Reabilitação ‘Al-Vita’, localizada na zona da Ladeira do Vau, onde estava internado.

Homenagem com quatro coroas de flores, uma das quais do Município de Portimão, assinada pelo presidente do Executivo, Álvaro Bila
Junto à urna, fechada, além da foto de Hélder de Matos Nunes, que nasceu no dia 27 de Maio de 1949, encontravam-se quatro coroas de flores – uma da própria família, outra do Município de Portimão, assinada pelo Presidente da Câmara, Álvaro Bila, uma outra de “amigos” em homenagem ao falecido, e a última, colocada no canto direito, em nome da Agência Funerária ‘Barlavento’, sedeada na Rua dos Bombeiros Voluntários de Portimão.
Nos cartões desta agência, com uma foto de Hélder de Matos Nunes (1949-2024), colocados numa mesa junto ao livro de condolências, podia ler-se: “Aqueles que partem, não vão sós, não nos deixam sós, deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.”
E no canto esquerdo da capela, eis a mensagem pintada a preto e branco:
«Quando descanso?
Descanso no amor»
Madre Teresa de Calcutá
Quatro jornalistas e uma antiga colaboradora de grafismo do ‘Barlavento’ estiveram presentes no velório
Ali marcaram presença, entre outros, os jornalistas Tony Melo, antigo Chefe da Delegação de Portimão do ‘Correio da Manhã’; Idálio Revez, do ‘Publico’; Rui Pando Gomes, editor no Algarve do Jornal ‘Correio da Manhã’ e da televisão CMTV; e José Manuel Oliveira, do ‘site’ «Litoralgarve», que trabalhou, durante anos, no semanário ‘Barlavento’ e no ‘Sul Desportivo’, ambos dirigidos por Helder Nunes; além de Vanda Brazona, ex-colaboradora na área de ‘design’ do ‘Barlavento’, na remodelação gráfica do jornal, sob a responsabilidade do seu fundador. Também o advogado Cristiano Cerol, residente em Lagos e que esteve igualmente ligado à empresa do Jornal ‘Barlavento’, compareceu, com a esposa, no último adeus a Helder Nunes, apresentando condolências à família.
José Gouveia, Adjunto do Gabinete da Presidência da Câmara Municipal de Portimão, o vereador do PS José Cardoso e o engenheiro Castelão Rodrigues, antigo vice-presidente da autarquia e atual diretor regional do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas
A nível oficial, deslocaram-se à capela funerária José Gouveia, adjunto do Gabinete da Presidência da Câmara Municipal de Portimão; José Cardoso, vereador do PS no executivo camarário local; e o engenheiro Castelão Rodrigues, antigo vice-presidente da autarquia e atual director regional do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas. A essas figuram juntaram-se vários amigos de Helder Nunes.
Cerimónia no Crematório de Albufeira contou, apenas, com familiares, apesar de ter estado aberta a quem quisesse participar no último adeus a Helder Nunes

Sem cerimónia religiosa, como era desejo do fundador do Jornal ‘Barlavento’, nem qualquer discurso de homenagem na hora da despedida, a urna saiu, pelas 15h22m., da capela de S. Paulo em direcção ao carro funerário, levada por funcionários, devidamente fardados, da agência responsável pelo funeral. Pouco depois das 15h30, o carro funerário, transportando a urna de Helder Nunes, juntamente com as coroas de flores, saiu da Alameda da Praça da Republica, no centro da cidade de Portimão (onde, curiosamente, se ouvia música na ‘Aldeia de Natal’, com pista de gelo, ali instalada), em direção ao Crematório de Albufeira. Foi naquele local onde, também por vontade de Helder Nunes, veio a ser cremado o seu corpo, numa cerimónia em que, apenas, estiveram presentes a esposa e outros familiares do fundador do ‘Barlavento’, apesar de essa parte ter estado aberta a quem quisesse participar na derradeira homenagem ao jornalista.
“Esperava-se muita gente no funeral de Helder Nunes, embora a quadra natalícia, propícia a um período de férias e a outras deslocações para muitas pessoas, possa de alguma forma, justificar ausências. Mas está tudo na consciência de cada um”, desabafava, junto à Igreja do Colégio dos Jesuítas, em Portimão, um dos participantes no velório
“Esperava-se muita gente no funeral de Helder Nunes, embora a quadra natalícia, propícia a um período de férias e a outras deslocações para muitas pessoas, possa, de alguma forma, justificar ausências. Mas está tudo na consciência de cada um”, desabafava, junto à Igreja do Colégio dos Jesuítas, em Portimão, um dos participantes no velório. Pouco depois, passaram no local Fernando Gião, dirigente do CDS-PP, nesta cidade, e Luís Varela, coordenador no Algarve do Sindicato dos Músicos. A celeridade do funeral, com horas marcadas para a cremação, acabou por não lhes permitir despedirem-se de Helder Nunes, em Portimão.
As críticas de um familiar: “Será normal tanta gentinha da tanga andar por aí a dizer que eram amigos do meu pai, Helder de Matos Nunes, e que sentem muito a sua perda e nem se dignaram a ir à capela para o último adeus? Até disseram que iam ao crematório (pessoal do sotavento) e nada, nem um lá apareceu.”
“Um Homem que deu tudo e fez tudo por esta cidade e por tantas pessoas, teve uma dúzia de pessoas no seu velório.
Cambada de gente hipócrita, que se estão nos cargos que estão hoje inclusive cargos políticos, foi graças a ele.
Obrigado a todos aqueles que se diziam amigos e não apareceram, deu para ver os belos amigos que eram.
Não valem nada, nem a água que bebem.”
Poucos dias depois do funeral, no grupo ‘Portimão Sempre’, na rede social ‘Facebook’, Paulo Salgado, não escondendo a indignação da família, deixou um recado: “Será normal tanta gentinha da tanga andar por aí a dizer que eram amigos do meu pai, Helder de Matos Nunes, e que sentem muito a sua perda e nem se dignaram a ir à capela para o último adeus? Até disseram que iam ao crematório (pessoal do sotavento) e nada, nem um lá apareceu.
Um Homem que deu tudo e fez tudo por esta cidade e por tantas pessoas, teve uma dúzia de pessoas no seu velório.
Cambada de gente hipócrita, que se estão nos cargos que estão hoje, inclusive cargos políticos, foi graças a ele.
Obrigado a todos aqueles que se diziam amigos e não apareceram, deu para ver os belos amigos que eram.

Não valem nada, nem a água que bebem.”
E a concluir, dirigiu um agradecimento: “Um especial obrigado àqueles que lá estiveram no seu ultimo adeus, pois esses, sim, são os verdadeiros amigos do Helder. Obrigado, muito obrigado.”
“Em 2008, Helder Nunes, como reconhecimento público pelo seu desempenho profissional na área da informação e como cidadão interveniente e empenhado em prol do Município, foi agraciado com a Medalha de Mérito Municipal da Cidade de Portimão”
“Partiu o Homem, mas permanece um percurso de referência, cujo legado perdurará, inspirando futuras gerações de jornalistas”
No dia seguinte à morte deste profissional de informação, a Câmara Municipal de Portimão assinalou o facto de ter sido “com profundo pesar que foi recebida a notícia do falecimento de Helder Nunes, fundador do jornal ‘Barlavento’ e figura incontornável da comunicação social algarvia.”
“Cidadão de Portimão, dedicou a sua vida ao jornalismo regional, criando em 1975 um semanário que se tornou referência na informação local portuguesa. O seu compromisso com a verdade e a proximidade às comunidades locais deixaram uma marca singular na história da imprensa regional, contribuindo ativamente para a desejada coesão regional”, destacou, em comunicado, a autarquia, de maioria socialista.
“Em 2008 – lembrou – Helder Nunes, como reconhecimento público pelo seu desempenho profissional na área da informação e como cidadão interveniente e empenhado em prol do Município, foi agraciado com a Medalha de Mérito Municipal da Cidade de Portimão.”
“Partiu o Homem, mas permanece um percurso de referência, cujo legado perdurará, inspirando futuras gerações de jornalistas. À família, amigos e aos colegas de profissão, o Município de Portimão apresenta as mais sentidas condolências”, sublinhou, a terminar, a Câmara Municipal de Portimão, neste comunicado.
Câmara Municipal de São Brás de Alportel elogia Helder Nunes como “ícone do jornalismo regional”: “Aos 15 anos, sonhava ser jornalista e construir um veículo de comunicação que trouxesse as notícias da proximidade, servindo a comunidade e dando voz às suas preocupações e conquistas. O sonho concretizou-se.”
Também o Município de São Brás de Alportel, presidido pelo PS, manifestou pesar pelo falecimento de Helder Nunes, considerando-o “um ícone do jornalismo regional, fundador do jornal Barlavento e figura incontornável da comunicação social algarvia.”
Em comunicado, a autarquia enalteceu “o papel visionário de Helder Nunes, que, aos 75 anos, deixou um legado marcante de mais de quatro décadas dedicadas à imprensa regional. “Aos 15 anos, sonhava ser jornalista e construir um veículo de comunicação que trouxesse as notícias da proximidade, servindo a comunidade e dando voz às suas preocupações e conquistas. O sonho concretizou-se”, frisou.
“Fundador do Barlavento, em 1975, Helder Nunes foi reconhecido por um jornalismo incisivo, comprometido com a verdade e a transparência. A sua independência e deontologia tornaram-no uma referência para gerações de jornalistas. Com coragem e dedicação, Helder Nunes dedicou-se a um jornalismo muitas vezes inovador, sempre comprometido com a verdade e a transparência. Respeitado no meio político algarvio e não só, foi um exemplo de independência e deontologia”, salientou o Município de São Brás de Alportel.
“Além do trabalho no jornalismo escrito, Hélder Nunes também se destacou no universo da rádio, mantendo sempre o foco na informação local e na ligação direta às pessoas. A sua trajetória profissional é um testemunho de entrega, resiliência e amor pela profissão”, acrescentou, neste comunicado, aquela edilidade do sotavento algarvio.
“Que o seu legado continue a inspirar novas gerações e que a sua memória seja uma luz para todos aqueles que, como ele, acreditam no poder transformador da informação e na força da proximidade”
Neste momento de luto, o município de São Brás de Alportel expressou as suas condolências à família, amigos e colegas de profissão, reforçando o impacto do legado de Helder Nunes. “Que o seu legado continue a inspirar novas gerações e que a sua memória seja uma luz para todos aqueles que, como ele, acreditam no poder transformador da informação e na força da proximidade”, apelou.
“O falecimento de Hélder Nunes representa uma perda irreparável para o jornalismo regional, mas também um tributo ao impacto duradouro de quem dedicou a vida a servir a comunidade e a dar-lhe voz”, concluiu o comunicado da Câmara Municipal sambrazense.
“Ao resíduo número, não mais do que uma dezena de pessoas, dos que estiveram presentes no último adeus a Helder Nunes, a família agradece o gesto de solidariedade neste derradeiro acto de homenagem em prol da luta pela defesa e dignidade deste jornalista. Pela Redação do Jornal ‘Barlavento’, liderada durante mais de 40 anos por Helder Nunes, passaram alguns dos jornalistas que, hoje, trabalham na imprensa nacional e nas televisões.”
Já num comunicado que nos remeteu, na segunda-feira, dia 30/12/2024, e que também divulgou nas redes sociais, a família de Helder Nunes começou por dirigir a seguinte mensagem em título:
“Morreu o jornalista, apagou-se a memória”

“Faleceu o jornalista Helder Nunes, fundador do semanário algarvio ‘Barlavento’, editado em Portimão.
O seu funeral, ocorrido no passado dia 23 de Dezembro, ficou marcado pela ausência de entidades oficiais, apenas duas marcaram presença, situação no mínimo estranha, porquanto durante a vida este profissional da comunicação social recebeu vários votos de reconhecimento público.
O Município de Portimão limitou-se a enviar, pela florista, uma coroa de flores, assinada pelo Presidente.”
E aproveitou para esclarecer: “Helder Nunes, após tratamento no Hospital de Portimão, onde tinha dado entrada no dia 06 de Setembro deste ano, devido a uma insuficiência renal, sofreu vários episódios relacionados com esta doença. Na Unidade de Convalescença – Unidade de Média Duração e Reabilitação ‘Al-Vita’, acabaria por falecer devido a paragem cardíaca.”
“Ao resíduo número, não mais do que uma dezena de pessoas, dos que estiveram presentes no último adeus a Helder Nunes, a família agradece o gesto de solidariedade neste derradeiro acto de homenagem em prol da luta pela defesa e dignidade deste jornalista. Pela Redação do Jornal ‘Barlavento’, liderada durante mais de 40 anos por Helder Nunes, passaram alguns dos jornalistas que, hoje, trabalham na imprensa nacional e nas televisões”, destaca a família.
“O nome deste jornalista fica, igualmente, ligado à ‘Radio Barlavento’ e ao Jornal ‘Sul Desportivo’, órgãos de informação de que também foi fundador e director, ambos com sede em Portimão, bem como a uma coluna no semanário ‘Barlavento’ (que fez história na região do Algarve) de sátira política, ‘Gramofone’ ”, lembram os familiares de Helder Nunes
No mesmo comunicado, recorda que “o nome deste jornalista fica, igualmente, ligado à ‘Radio Barlavento’ e ao Jornal ‘Sul Desportivo’, órgãos de informação de que também foi fundador e director, ambos com sede em Portimão, bem como a uma coluna no semanário ‘Barlavento’ (que fez história na região do Algarve) de sátira política, ‘Gramofone’.”
“Morreu o jornalista, apagou-se a memória para quem ele serviu em nome do interesse público. Para nós, a família, é eterno”, conclui o comunicado familiar.
Sob a direção de Hélder Nunes, o Jornal ‘Barlavento’ tornou-se, ao longo dos anos, um dos principais órgãos de comunicação social regionais do Algarve, tendo recebido, em 2006, o Prémio Gazeta Imprensa Regional, atribuído pelo Clube de Jornalistas, e entregue na altura pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva. Foi, então, reconhecido como o melhor Jornal regional a nível nacional
“O ‘Barlavento’ foi uma verdadeira escola de jornalismo, tendo muitos jovens, que ingressaram nesta profissão, adquirido imensa experiência neste Jornal, o que lhes permitiu transitar, mais tarde, para órgãos de informação nacionais”, disse-nos, há meses, Hélder Nunes, com visível orgulho
Fundado em Abril de 1975, o ‘Barlavento’, sob a direcção de Hélder Nunes, tornou-se, ao longo dos anos, um dos principais órgãos de comunicação social regionais do Algarve, tendo recebido, em 2006, o Prémio Gazeta Imprensa Regional, atribuído pelo Clube de Jornalistas, e entregue na altura pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva. Foi, então, reconhecido como o melhor Jornal regional a nível nacional.
“O ‘Barlavento’ foi uma grande referência no Algarve, uma verdadeira escola de jornalismo, tendo muitos jovens, que ingressaram nesta profissão, adquirido imensa experiência neste Jornal, o que lhes permitiu transitar, mais tarde, para órgãos de informação nacionais”, disse-nos, há meses, com orgulho, Hélder Nunes, que, recorde-se, estava aposentado desde 2014.










