Quem é o diz, em declarações, ao ‘Litoralgarve’, é Fernando Santana, presidente da Junta de Freguesia de Sagres, do concelho de Vila do Bispo. “Já é hábito a terra tremer aqui e por isso ninguém liga. Estive no clube e ninguém comentou”. O abalo foi sentido em Lagos e na Praia da Rocha, em Portimão. Não houve vítimas, nem danos. Apenas sustos.
José Manuel Oliveira
“Ninguém sentiu nada. Já é hábito a terra tremer aqui e por isso ninguém liga. Estive no clube e ninguém comentou. As pessoas só sentem o vento norte, que faz tremer esta zona”, afirmou, ao ‘Litoralgarve’, Fernando Santana, presidente da Junta de Freguesia de Sagres, do concelho de Vila do Bispo, quando o questionámos sobre o sismo de magnitude 4.1 na escala de ‘Ritcher’, a uma profundidade de 31 quilómetros e com epicentro a cerca de 70 de kms. a Oeste-Sudoeste do Cabo de São Vicente, pelas 07h.59m., no domingo, dia 28 de Junho de 2026, segundo o comunicado emitido pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera.
| Data/hora (UTC) | Latitude | Longitude | Profundidade | Magnitude | Referência | Fonte |
| 2026-06-28 06:59:44 | 36.705 N | 9.733 W | 31 km | 4.1 | SW Cabo S.Vicente | IPMA |
“Este sismo, de acordo com a informação disponível até ao momento, não causou danos pessoais e foi sentido com intensidade máxima II/III (escala de Mercali modificada), nos concelhos de Lagos e Portimão”, referiu o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, acrescentando que “se a situação o justificar serão emitidos novos comunicados.”
Surpreendido com a indicação sobre o sismo de magnitude 4.1 e com epicentro a cerca de 70 quilómetros do Cabo de São Vicente, no barlavento algarvio, ficou o vice-presidente da Câmara Municipal de Vila do Bispo, Luís Miguel Paixão. “Não sei de nada. Estou em Miami, onde vim ver o jogo Colômbia-Portugal para o Campeonato do Mundo de Futebol, e a minha mulher nada me disse”, observou, ao ‘Litoralgarve’, o autarca, que, ao final da tarde de domingo, em Portugal, encontrava-se no aeroporto daquela cidade dos Estados Unidos da América, a fim de embarcar no avião para regresso a casa.
“Moro num quarto andar, estava deitado a ouvir música portuguesa, num programa de Ana Carvalheira, na Antena 1, das 07h00 às 08h00, quando senti tremer a cama. Lembrei-me dos sismos na Venezuela e ainda pensei que agora é em Portugal. Fiquei assustado”, conta, ao ‘Litoralgarve’, António Santos, em Lagos
Já em Lagos, António Santos não ganhou para o susto. “Moro num quarto andar, estava deitado a ouvir música portuguesa, num programa de Ana Carvalheira, na Antena 1, das 07h00 às 08h00, quando senti tremer a cama. Lembrei-me dos sismos na Venezuela e ainda pensei que agora é em Portugal. Fiquei em alerta e assustado”, contou, ao ‘Litoralgarve’, António Santos, cujo apartamento não sofreu quaisquer danos. “Estava em casa sozinho. No prédio, pelo que me apercebi, as pessoas não sentiram o tremor de terra”, notou António Santos. E na rua, ouviu barulho, gritos? – perguntámos. “Não. O único barulho que se ouve nesta zona é quando os ‘camones’ andam bêbados na rua e falam alto”, respondeu, com alguma ironia à mistura.
A partir de agora é “ficar o menos possível em casa”
Uma das medidas que António Santos vai, agora, tomar passa por “ficar o menos tempo possível em casa.” “Como estou num quarto andar, se houver um terramoto não irei, como é óbvio, utilizar o elevador para sair do prédio. Terei de fugir pelas escadas”, disse, admitindo que o receio o obrigará a “dormir o menos possível.”
“É meu hábito ver, no snack-bar Britaica, em Lagos, os jogos da selecção de Portugal a contar para o Mundial de Futebol. Desta vez, vi o Colômbia-Portugal na minha casa, pelo facto de o jogo ter sido durante a madrugada. Se estiver na Britaica e ocorrer um tremor de terra, será mais possível fugir para a rua, do que se estiver em casa”, acrescentou António Santos.
João Candeias reside no 15º. andar de um prédio na Praia da Rocha, em Portimão, “ouviu o barulho de copos a abanar e percebeu logo que se tratava de um tremor de terra”, afirma, ao nosso Jornal, o seu primo Hélder Costa
Também na Praia da Rocha, em Portimão, o sismo foi sentido com intensidade, sobretudo em edifícios com maior altura. “O meu primo João Candeias mora no 15º. andar e sentiu o apartamento a abanar. Ouviu o barulho de copos a abanar e percebeu logo que se tratava de um tremor de terra”, contou, ao ‘Litoralgarve’, Hélder Costa, que, apesar de também residir em Portimão, “nada senti.”
O sismo também passou despercebido a Maria Emília, que vive no segundo andar de um prédio entre Portimão e Alvor, e que só soube do sucedido pelas notícias. “A minha cadela esteve sempre quieta, não deu qualquer sinal. E nós sabemos que os animais costumam dar sinais quando ocorre um tremor de terra”, notou a senhora.
Mais três abalos a sudoeste do Cabo de São Vicente, pouco depois do sismo de maior intensidade, sentido em Lagos e Portimão
Depois do sismo, como referimos, de magnitude 4.1 na escala de Ritcher, com epicentro a cerca de 70 quilómetros a Oeste-Sudoeste do Cabo de São Vicente, em Sagres, ao início da manhã de domingo, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera registou, pouco depois, mais três tremores de terra, estes de fraca intensidade, na mesma zona do Algarve.
Um dos abalos foi de magnitude 1.0 e a 21 quilómetros de profundidade; o outro, de magnitude 1.3 e a uma profundidade de 32 quilómetros; e o terceiro, pelas 08h.43m., de magnitude 1.6 e 22 quilómetros de profundidade, também a sudoeste do Cabo de São Vicente.










