O Sindicato da Hotelaria do Algarve manifestou fortes críticas ao acordo de revisão do Contrato Coletivo de Trabalho celebrado entre a AHETA – Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve e a FETESE – Federação dos Sindicatos da Indústria e Serviços, considerando que o entendimento prejudica os trabalhadores do sector do turismo na região.
A posição foi tornada pública após a reunião mensal ordinária da direção do sindicato, realizada no dia 2 de março, na qual foi analisada a situação social no Algarve e, em particular, as dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores ligados à atividade turística.
De acordo com o sindicato, o acordo publicado no Boletim do Trabalho e Emprego, na edição de 29 de janeiro de 2026, estabelece uma tabela salarial que “fica muito aquém das necessidades dos trabalhadores”. Segundo a estrutura sindical, os valores previstos situam-se, na maioria dos casos, entre o Salário Mínimo Nacional e os mil euros mensais, existindo ainda situações em que os salários previstos ficam abaixo do mínimo nacional.
A organização sindical afirma que este tipo de acordos tem contribuído para a perda contínua do poder de compra dos trabalhadores do sector, apontando que, entre 2014 e 2024, as receitas do turismo cresceram cerca de 192%, enquanto os salários aumentaram apenas 52%. No mesmo período, acrescenta, os preços de bens essenciais registaram subidas significativas, pressionando o orçamento das famílias.
O sindicato destaca ainda o aumento do custo de vida, referindo que, entre dezembro de 2021 e dezembro de 2025, os produtos alimentares subiram cerca de 31%, enquanto as rendas aumentaram 22% e as prestações do crédito à habitação cresceram 56%. Em paralelo, acusa as empresas do sector de registarem resultados recorde, incluindo em 2025, ano em que as receitas turísticas voltaram a crescer.
Além da questão salarial, a estrutura sindical denuncia também o agravamento das condições de trabalho, apontando para horários mais longos e desregulados, dificuldades na conciliação entre vida profissional e familiar e o aumento de vínculos precários.
Perante este cenário, o Sindicato da Hotelaria do Algarve apela aos trabalhadores para que reforcem a participação na ação sindical, defendendo melhores salários e condições de trabalho. Entre as principais reivindicações estão um aumento geral dos salários de 15%, com um mínimo de 150 euros, a redução do horário de trabalho para 35 horas semanais sem perda de retribuição, o combate à precariedade laboral e a valorização das carreiras profissionais.
O sindicato incentivou ainda a participação dos trabalhadores em várias iniciativas reivindicativas, incluindo as comemorações do Dia Internacional da Mulher e a manifestação nacional de jovens trabalhadores marcada para 28 de março, que inclui uma concentração em Faro.










