Reportagem – “Odiáxere continuará a ter o melhor Carnaval do Barlavento Algarvio”, garante, ao ‘Litoralgarve’, Carlos Fonseca, presidente desta Junta de Freguesia do concelho de Lagos

Também o São Pedro, mítico deus da chuva, decidiu ‘entrar em cena’ ao interromper, durante alguns minutos, o desfile dos carros alegóricos na terça-feira de Entrudo, no Largo da Alegria, obrigando muitas pessoas a abrigarem-se. Contudo, os foliões acabaram por levar a melhor. “Não há chuva que estrague o Carnaval de Odiáxere!”, gritou o conhecido cantor Humberto Silva, quando recomeçaram os festejos.

José Manuel Oliveira

Quando faltam pouco mais de cinco meses para o final deste seu terceiro e último mandato consecutivo como presidente da Junta de Freguesia de Odiáxere, do concelho de Lagos, o socialista Carlos Fonseca, que não se poderá recandidatar ao cargo devido à legislação em vigor, não tem dúvidas de que, seja quem for o seu sucessor, o Carnaval desta localidade continuará a ser uma referência na zona do barlavento do Algarve.

“Bom ‘feedback’ por parte das pessoas”, garante o autarca de Odiáxere Carlos Fonseca

“Odiáxere continuará a ter o melhor Carnaval do Barlavento Algarvio”, garantiu, em declarações ao ‘Litoralgarve’, aquele autarca, pouco depois de receber um “bom feedback’ por parte das pessoas” que participaram nos festejos da 29ª. edição deste evento, realizado em Março de 2025 e que, em particular, assistiram ao desfile de uma dezena de carros alegóricos oficiais, aos quais se juntaram outros, durante a tarde de terça-feira de Entrudo, dia 04, no Largo da Alegria, apesar da chuva, que chegou a interromper o corso.

“O São Pedro ‘bebeu uns copos’… e também decidiu juntar-se à festa… Mas ‘falei com ele’ e tudo ficou resolvido para não estragar o desfile”

“O São Pedro ‘bebeu uns copos’… e também decidiu juntar-se à festa… Mas ‘falei com ele’ e tudo ficou resolvido para não estragar o desfile…”, ironizou, a propósito, Carlos Fonseca, junto ao edifício do Espaço Jovem (situado a poucos metros do moinho), que, neste ano, serviu de apoio logístico e de vestuário ao Carnaval de Odiáxere. É ali que criado o Museu de Agricultura desta localidade.

Naquele momento, e após os espectáculos a cargo de, inicialmente, da artista Sónia Quim Costa e, pouco depois, do cantor Quim Barreiros (Rei do Carnaval de Odiáxere 2025), no amplo palco montado no Largo da Alegria, já o artista Ricardo Glória dava início ao baile no mesmo recinto, levando ao rubro centenas de pessoas, entre crianças, jovens e adultos. Noutros espaços, outras crianças continuavam a divertir-se em insufláveis, aos saltos nos elásticos e no carrossel.

Em 2026, “contaremos com a mesma estrutura. Em equipa que ganha não se mexe”

“Atribuir prémios é muito subjectivo. O Carnaval de Odiáxere deverá continuar a contar com participantes sem prémios para não ferir susceptibilidades”

No tocante à 30ª edição do Carnaval de Odiáxere, em 2026, e a possíveis alterações, o presidente da Junta de Freguesia foi peremptório ao responder-nos: “Contaremos com a mesma estrutura. Em equipa que ganha não se mexe.” E realizar um concurso para atribuir prémios aos melhores carros alegóricos participantes no desfile, por decisão de um júri nomeado para o efeito? – questionámos. Carlos Fonseca recusou tal ideia e explicou qual o motivo: “Atribuir prémios é muito subjetivo. O Carnaval de Odiáxere deverá continuar a contar com participantes sem prémios para não ferir susceptibilidades.”

O melhor carro alegórico? Gostei de todos. Não houve um especial”

Já em relação ao carro alegórico que mais apreciou no Carnaval de 2025, preferiu destacar a participação conjunta. “Gostei de todos. Não houve um especial”, limitou-se a dizer. Contudo, e após insistência da nossa parte, acabou por admitir que o carro simbolizando uma maternidade em Odiáxere, com figuras de bebés e mensagens a bordo, poderá ter sido o mais engraçado e original. Contudo, “gostei de todos”, insistiu Carlos Fonseca.

“A Avenida dos Descobrimentos tem todas as condições para um desfile de Carnaval, como já se realizou. Estes eventos implicam muita organização, muito trabalho, muita dedicação e dinheiro”

“O Carnaval de Lagos é em Odiáxere e é para isso que trabalhamos”

Quando muita gente, em Lagos, se interroga sobre o motivo pelo qual a Avenida dos Descobrimentos, nesta cidade, não voltou a ser aproveitada para desfiles de carros alegóricos na terça-feira de Entrudo, lembrou que “a Batalha das Flores acabou” há anos. “A Avenida dos Descobrimentos tem todas as condições para um desfile de Carnaval, como já se realizou. Estes eventos implicam muita organização, muito trabalho, muita dedicação e dinheiro”, reconheceu Carlos Fonseca, enaltecendo o facto de Odiáxere conseguir manter a “tradição”, com a participação, nomeadamente da Santa Casa da Misericórdia de Lagos e de várias coletividades deste concelho. “O Carnaval de Lagos é em Odiáxere e é para isso que trabalhamos”, reforçou o autarca.

Sofia Santos ou Luís Morgado no lugar de Carlos Fonseca, na candidatura do PS à presidência da Junta de Freguesia de Odiáxere?

“Continuarei a prestar todo o apoio à organização da próxima edição do Carnaval, em 2026”

Numa altura em que, como já referido, se prepara para deixar a presidência da Junta de Freguesia de Odiáxere, devido à legislação autárquica, a qual impede a recandidatura ao cargo após três mandatos consecutivos, Carlos Fonseca assegurou que “continuarei a prestar todo o apoio à organização da próxima edição do Carnaval, em 2026”, independentemente de quem vier a ser eleito para o seu lugar. A propósito, confirmou-nos que Sofia Santos, presidente da Direção do Clube Desportivo de Odiáxere, entidade responsável pelo Carnaval nesta localidade, e Luís Morgado, que preside à Direção do Rancho Folclórico de Odiáxere, são os nomes de que se fala para encabeçar a lista do PS a esta Freguesia do concelho de Lagos. Contudo, ainda “nada está decidido”, ressalvou.

“Não tenho jeito para fazer de Alberto João Jardim no Carnaval de Odiáxere…” e por isso vai participar como “espectador” nos próximos anos

O que Carlos Fonseca pretende é continuar a participar no Carnaval de Odiáxere, mas a partir do próximo ano como “espectador”. Questionado pelo ‘Litoralgarve’ sobre a possibilidade de seguir a experiência do antigo presidente da Região Autónoma da Madeira, o social-democrata Alberto João Jardim, que, há anos, desfilava mascarado nos festejos carnavalescos no Funchal e até com um tambor, respondeu, entre risos: “Não tenho jeito para fazer de Alberto João Jardim no Carnaval de Odiáxere…”

“Manter o patamar do melhor Carnaval do barlavento algarvio, enquanto tiver esta organização a cargo do Clube Desportivo de Odiáxere”

“O Carnaval de Lagos é em Odiáxere e continuará a manter o patamar do melhor Carnaval do barlavento algarvio, enquanto tiver esta organização a cargo do Clube Desportivo de Odiáxere”, voltou a insistir Carlos Fonseca, já nas despedidas.

Recorde-se que este evento conta com o apoio da Câmara Municipal de Lagos, da Junta de Freguesia de Odiáxere, do comércio local, da empresa ‘Bondiblue’- Design & Publicidade’ e da Câmara Municipal de Torres Vedras, cidade geminada com Lagos, na cedência de bonecos para carros alegóricos.

«Maternidade Odiáxere» apresenta vários ‘bebés’, um deles «abandonado»

De resto, após três dias de festejos, a terça-feira de Entrudo tinha sido bastante animada no Largo da Alegria, em volta do qual desfilaram dez carros alegóricos oficiais, como nos foi referido, a que se juntaram outros grupos. «Maternidade Odiáxere» foi um dos carros mais em destaque durante o cortejo, ao exibir dois grandes bonecos a imitar senhoras, usando ‘máscaras’ de proteção na boca (como sucedeu durante o período crítico da Covid-19), uma delas com um ‘bebé’ nos braços. Mais abaixo podia ler-se, nomeadamente, «Ái Canita», «Sábado Fechado», «Menino Menina», «Aguenta Filha», «25 horas aberto». Já num pequeno boneco deitado num berço, estava escrito «pais brancos» e outro continha a mensagem: «abandonado». Atrás deste carro surgiam, a pé, figurantes a dançar e vestidos com trajes de enfermagem, em que não faltavam seringas.

Santa Casa da Misericórdia de Lagos com idosos e auxiliares em trajes de marinheiros

Significativa foi, também, a presença da Santa Casa da Misericórdia de Lagos, com idosos e auxiliares vestidos de marinheiros e a pé. Três cadeiras de rodas integraram o cortejo. Já numa outra viatura podia ler-se «Mahana», acompanhados por 14 figurantes.

“A vida passa a correr” – a mensagem da artista Sónia Quim Costa

A conhecida artista Sónia Quim Costa deu nas vistas, num outro carro, deixando uma mensagem de reflexão: “a vida passa a correr”.

Quem cativou, igualmente, o público foi o popular cantor Humberto Silva, num veículo de caixa aberta junto a três vistosas bailarinas. E num outro mais atrás seguia uma comitiva do Estrela Desportiva de Bensafrim, localidade pertencente à freguesia do concelho de Lagos. «’Maggy» – A fada dos sonhos’» foi outro dos carros também bem ornamentos, com flores de papel (nomeadamente cor-de-rosa e brancas), levando cinco senhoras.

«Dança…Ment» é o que estava escrito no atrelado de um trator, conduzido por um homem, com uma criança ao lado. Mais atrás seguiam 15 meninos e meninas, a que se juntavam, a pé, dez pessoas também como figurantes. E também no atrelado de um outro trator, três amplos bonecos, seguidos por 13 figurantes, despertavam os olhares da assistência. A caminhar, neste desfile, não faltaram ‘piratas’, enquanto muita gente filmava tudo o que aparecia. No meio do entusiasmo, de muitos carros alegóricos eram lançadas para o público as tradicionais serpentinas e papelinhos.

A chaimite a homenagear a Revolução do 25 de Abril de 1974, em Portugal, com ‘militares’ dos comandos a fazer exercícios durante o desfile

No corso carnavalesco em Odiáxere, também houve uma homenagem à data histórica da Revolução em Portugal, 25 de Abril de 1974, com uma chaimite e 15 ‘soldados’ dos comandos, em exercícios militares, obrigando a testar as próprias capacidades físicas, nomeadamente ao deitarem-se no chão, em preparação para a ’guerra’.

«Keres Mamala?» – a sátira política com um homem a transportar sacos, caixas de papelão e malas de viagem, acompanhado por quatro ‘hospedeiras’ de aviões, numa alusão ao célebre episódio do furto de malas nos aeroportos de Lisboa e dos Açores, de que é suspeito um deputado do Chega na Assembleia da República, pelos Açores, entretanto afastado do partido

Com música nos altifalantes instalados no Largo da Alegria, ouviu-se, a certa altura, a conhecida canção «meu Brasil, cidade maravilhosa…», levando muitas pessoas do público a dançar. Quem não dançou, mas também deu bem nas vistas foi o homem responsável de um pequeno carro, em que se podia ler: «Keres Mamala?». Transportava sacos, caixas de papelão e malas de viagem, sendo acompanhado por quatro ‘hospedeiras’ de aviões. Os figurantes decidiram, desta forma, ‘brindar’ o já célebre episódio do furto de malas nos aeroportos de Lisboa e de Ponta Delgada, de que é suspeito o então deputado do Chega na Assembleia da República, pelos Açores, Miguel Arruda, e que acabou por ser afastado do partido liderado por André Ventura.

Um ‘pastor’ com rebanho de ‘ovelhas’, um ‘índio’ e… chuva

Numa zona tradicionalmente agrícola, como Odiáxere, o meio rural também foi alvo de homenagem. Um ‘pastor’, vestindo uma samarra preta e apoiado por um cajado, comandou o seu ‘rebanho’ de ‘ovelhas’ brancas e pretas, de que fizeram parte vários figurantes, com um trator mais à frente. E um GPS ia ‘orientando’ dez crianças e seis ‘ovelhas’.

No meio da folia surgiu outro tractor, transportando no atrelado um homem, em cuecas, imitando um índio, ao lado de uma mulher. Aquilo que muitos não esperariam, mas acabou por surgir, foi a chuva, já que o céu, com algumas nuvens, parecia querer ameaçar a tarde de festejos carnavalescos em Odiáxere. E pouco depois das 16.00 horas, muitas pessoas tiveram de se abrigar junto à entrada de edifícios, como sucedeu com idosos vestidos de ‘marinheiros’ da Santa Casa da Misericórdia de Lagos, que participavam no desfile. Noutros espaços do Largo da Alegria, sombreiros instalados em ‘stands’ de ‘comes e bebes’ também serviram de abrigo, aproveitando muitas pessoas para beber, sobretudo, cerveja.

“Esta chuva é passageira…”, afirmou, convicto, um jovem, ao nosso lado. Enquanto isso, os carros alegóricos e outros foliões tiveram de interromper a marcha no cortejo. O cantor Humberto Silva e acompanhantes abrigaram-se da chuva como puderam, sem descerem da viatura, tendo os instrumentos musicais e colunas de som sido tapados para evitar problemas.

Passados poucos minutos, cerca das 16h.11m., voltou a ouvir-se a voz de Humberto Silva e a sua música. “Não há chuva que estrague o Carnaval de Odiáxere!” – gritou o artista, ao mesmo tempo que três bailarinas e um bailarino continuaram a levar o público ao rubro. 

Taxista de Lagos elogia: “Humberto Silva nasceu para isto…” E Eulália Santana, residente em Sagres, acrescenta que o cantor “transmite alegria às pessoas onde atua”

“Humberto Silva nasceu para isto…”, dizia-nos um taxista de Lagos. Também Eulália Santana, residente em Sagres, no concelho de Vila do Bispo, e que já participou, noutros anos, no Carnaval de Odiáxere, teceu elogios ao conhecido cantor. “Humberto Silva transmite alegria às pessoas onde atua”, observou aquela senhora. Também destacou o carro «Maternidade Odiáxere» por considerar tratar-se de “um tema da actualidade” alusivo aos problemas da saúde existentes em Portugal.

Por seu turno, Hélder Costa, residente em Portimão, preferiu destacar o “excelente ambiente” nesta tarde de Entrudo e o papel, há anos, desempenhado para a expansão Carnaval de Odiáxere, por Luís Bandarra, antigo presidente da Junta de Freguesia local e agora vereador da Câmara Municipal de Lagos. “Passou a ser o ‘speaker’ do Carnaval e continua a revelar muita energia”, observou Hélder Costa, notando a presença “de mais gente” no evento realizado neste ano.

Litros e litros de cerveja, bifanas, filhoses, churros e outras iguarias

Já no final da tarde e início da noite, estiveram em ação, no amplo palco montado no Largo da Alegria, a artista Sónia Quim Costa e, pouco depois, o Rei do Carnaval de Odiáxere 2025, Quim Barreiros, com espectáculos musicais, juntando centenas de fãs de várias idades a dançar. Enquanto isso, dezenas de pessoas formavam filas junto a ‘stands’ de ‘comes e bebes’, sobretudo para consumo de litros de cerveja, bifanas, além de roulottes destinadas à venda de filhoses e churros e outras iguarias.

A certa altura, uma ambulância parou perto do recinto, tendo sido levado um homem, a pé, por precaução, após se ter sentido mal. À partida, não pareceu uma situação grave.

Cantor Quim Barreiros, Rei do Carnaval de Odiáxere 2025, ‘puxou’ pelo público, pedindo: “Divirtam-se!”

No palco, o conhecido cantor Quim Barreiros, com o seu famoso acórdão, começou por pedir “para o Clube Desportivo de Odiáxere uma salva de palmas”, na sequência da organização deste Carnaval, após o que ‘puxou’ pelo público, apelando: “Divirtam-se!” Em seguida, à frente dos seus músicos, cantou várias canções tradicionais da música portuguesa, uma das quais, dedicada aos… animais: «A vaca da tua mãe / O burro do teu avô / A mula da tua avó / O cavalo do teu pai / O porco do teu cunhado». Pelo meio, ouviam-se sons a imitar bichos, enquanto as pessoas sorriam, dançavam e filmavam, usando os habituais telemóveis.

“Faço canções há cinquenta anos” e destaca uma: «Ora mexe, mexe, mexe / Aqui no sarapanta / E quanto mais se mexe / Mais ele se levanta»

Depois, Quim Barreiros, também conhecido pelas suas letras maliciosas, fez questão de dizer: “faço canções há cinquenta anos”, para destacar uma delas: «Ora mexe, mexe, mexe / Aqui no sarapanta / E quanto mais se mexe / Mais ele se levanta». Repetiu várias vezes para delírio do público, que também cantou.

“A concertina é um acordeão, que em Portugal começou a ser tocada pelos algarvios. Foi-se perdendo o seu uso” com o tempo nesta região do sul do país

Posteriormente, dirigindo-se “aos mais novos”, contou que “cada região” do país tem os seus instrumentos típicos e a “concertina começou por ser tocada pelos algarvios.” “A concertina é um acordeão, que em Portugal começou a ser tocada pelos algarvios”, reforçou o cantor, lembrando que “foi-se perdendo o seu uso” com o tempo nesta região do sul do país.

E a música prosseguiu, com Quim Barreiros a avisar que, desta vez, ia cantar em inglês, tipo ‘rock’. Mas foi por pouco tempo. A música portuguesa regressou ao palco. Depois de uma canção dedicada a uma aniversariante, com o tradicional «Parabéns e Você», foi a vez de uma outra entrar em cena: «Parabéns à mamã / Pelo seu rebento / Parabéns ao papá / Por metê-lo lá dentro.»

Após uma canção “mais romântica”, como fez questão de referir, o Rei do Carnaval de Odiáxere 2025 dedicou uma outra, bem conhecida… ao bacalhau. «Mariana, deixa-me ir à cozinha para cheirar o teu bacalhau.»

Quim Barreiros concluiu a sua actuação, que se prolongou por cerca de uma hora, com um resumo de várias canções do seu reportório de música tradicional portuguesa. Aquela que mais repetiu, acompanhado pela plateia, foi «Ora mexe, mexe, mexe / Aqui no sarapanta / E quanto mais se mexe / Mais ele se levanta». Enquanto o público dançava, o cantor deixou um apelo: “Divirtam-se!”

Coube, em seguida, ao artista Ricardo Glória animar o público, com um baile, até às 22h30m., também no Largo da Alegria, onde muitas pessoas dançaram numa noite até então bastante divertida.

Vicente Morais, empresário do sector da restauração: “Correu bem. Foi até melhor do que esperava, com a presença de muitos portugueses e estrangeiros, sobretudo muitos ingleses. Vendemos de tudo, nomeadamente bifanas e pão com chouriço”

Já no seu ‘stand’ do sector da restauração, Vicente Morais, proveniente de Cachopo, do concelho de Tavira, em declarações ao ‘Litoralgarve’, mostrou-se satisfeito com a 29ª. edição do Carnaval de Odiáxere, numa altura em que, perto das 23.00 horas, ainda atendia clientes. Bifanas – 4,50 euros, pão com leitão, batatas fritas – 3,50 euros eram os preços de alguns produtos. Também não faltou pão com chouriço em forno de lenha.

“Correu bem. Foi até melhor do que esperava, com a presença de muitos portugueses e estrangeiros, sobretudo muitos ingleses. Vendemos de tudo, nomeadamente bifanas e pão com chouriço”. Sobre a chuva, que acabou por interromper, durante vários minutos, o desfile de carros alegóricos, aquele empresário garantiu: “a chuva não afectou o nosso negócio.”

Sara Machado, comerciante de Faro: “A chuva afetou-me. Quando começou a chover, tive de fugir da minha banca e deixar tudo aqui, resguardando alguns artigos, como por exemplo balões”

O mesmo não sucedeu com Sara Machado, comerciante de Faro, que vendia balões de vários cores e outros artigos alusivos ao Carnaval. “A chuva afetou-me. Quando começou a chover, tive de fugir da minha banca e deixar tudo aqui, resguardando alguns artigos, como por exemplo balões”, contou ao nosso Jornal. Apesar disso, conseguiu vender alguns balões por cinco euros cada. Mas “foi muito pouco”, queixou-se a comerciante, enquanto aguardava mais alguns clientes.

Em relação ao desfile dos carros alegóricos, confessou ter gostado de todos, de uma forma em geral. “Gostei muito do cantor Humberto Silva”, destacou, por fim, Sara Machado.

Tragédia, com um homicídio na rua, em frente à sede do Clube Desportivo de Odiáxere, estragou o final da festa, obrigando a parar o baile, no interior das instalações, e a cancelar o Enterro do Carnaval, na noite seguinte 

Depois de uma tarde de Carnaval bem passada, apesar da chuva, e do início de noite recheada de espectáculos musicais e baile a prometerem, também, uma madrugada de folia com os cantores Humberto Silva e Cláudio Rosário, estes na sede do Clube de Desportivo de Odiáxere, o inesperado acabou por acontecer ali perto, em plena rua, antes da meia-noite dessa terça-feira de Entrudo, quando um traficante de droga, de 28 anos, atingiu, com três tiros de uma pistola, um homem, de 56 anos, na sequência de “desavenças antigas”, como o ‘Litoralgarve’ noticiou em primeira mão, a que se seguiram várias reportagens sobre esta tragédia. A vítima, Martinho Moreira de Martins, conhecido por Tó, de nacionalidade cabo-verdiana e que residia em Lagos, onde trabalhava como segurança de bares, acabou por ser declarada morta, já na madrugada de quarta-feira, dia 05/03/2025, no Hospital de Portimão. Enquanto isso, o homicida entregou-se no quartel da Guarda Nacional Republicana (GNR), situado na localidade do Chinicato, no concelho de Lagos, onde mora. Detido por inspectores da Polícia Judiciária, está a aguardar julgamento em prisão preventiva por ordem do juiz de Instrução Criminal do Tribunal de Portimão, responsável pelo processo.

O sucedido, recorde-se, levou os dirigentes do Clube Desportivo de Odiáxere a acabar com o megabaile de Carnaval, que decorria no interior das suas instalações. O tradicional Enterro do Carnaval, marcado para a noite seguinte, ou seja, de quarta-feira, foi cancelado também como forma de solidariedade para com Martinho Moreira Martins, que mantinha uma ligação àquela coletividade. Nessa noite, foram colocadas três flores brancas e uma vela acesa dentro de um recipiente vermelho, num passeio em frente à sede do Clube Desportivo de Odiáxere.