Os corpos já tinham sido cremados em Albufeira.
Quatro elementos da Delegação de Lagos da Cruz Vermelha Portuguesa, onde o médico osteopata francês Jean Marie Grenier exerceu a sua actividade profissional, formaram a guarda de honra junto ao carro funerário, desde a Igreja Paroquial de Odiáxere até ao cemitério desta localidade. Militares da GNR controlaram o trânsito.
Este duplo homicídio com profanação dos corpos “não foi por acaso”, admitiu, em declarações ao ‘Litoralgarve’, José Jacomé, secretário da Mesa da Assembleia Municipal de Lagos e amigo do casal, considerando que terá sido “premeditado, tudo indica”. Acredita que o caseiro não contou com o apoio de cúmplices. Mas não havia “nada que indiciasse” este crime que enlutou Odiáxere. Com problemas de alcoolismo, era encarado pelos cães do casal como um membro da família, embora vivesse noutras instalações na mesma quinta.
José Manuel Oliveira
Paulo Silva
Numa tarde com imenso calor, mais de cem pessoas acompanharam, em Odiáxere, concelho de Lagos, no passado dia 23 de Setembro (uma quarta-feira), as cerimónias fúnebres do médico osteopata francês Jean Marie Grenier, de 79 anos, e da esposa, Mirela Tânta, de 62 e nacionalidade romena, o casal brutamente assassinado na sua quinta no monte Cova da Zorra, situado numa zona que liga Sargaçal a Odiáxere, como revelou em primeira mão o ‘Litoralgarve’. O suspeito, Natalino Cordeiro, de 45 anos e nacionalidade brasileira, era o caseiro das vítimas. Está, recorde-se, a aguardar julgamento em prisão preventiva na cadeia de Silves, após primeiro interrogatório no Tribunal da Comarca de Portimão.
Padre Rui Fernandes evocou o “Bom Samaritano”, famosa expressão de Jesus Cristo no Novo Testamento, para destacar alguém que age para ajudar pessoas com necessidade, de forma misericórdia, independentemente da sua nacionalidade e do seu passado.
“Jean Marie e sua esposa eram duas pessoas bondosas com compaixão e desejo de fazerem o bem”, sublinhou, ao ‘Litoralgarve’, o sacerdote da Igreja de Odiáxere, após a missa.
Quatro elementos (um homem e três senhoras), devidamente fardados, pertencentes à Delegação de Lagos da Cruz Vermelha Portuguesa, onde Jean Marie Grenier exerceu a sua actividade profissional, formaram a guarda de honra no funeral, após a celebração de uma missa, durante cerca de meia hora, em francês e português, na Igreja Paroquial de Odiáxere, a cargo do padre Rui Fernandes.
O sacerdote evocou o “Bom Samaritano”, famosa expressão de Jesus Cristo no Novo Testamento, para destacar alguém que age para ajudar pessoas com necessidade, de forma misericórdia, independentemente da sua nacionalidade e do seu passado. Foi um tema “muito bem escolhido, bem assente”, notou, ao nosso Jornal, um popular. E como sublinhou o pároco Rui Fernandes, em declarações ao ‘Litoralgarve’, “Jean Marie e sua esposa eram duas pessoas bondosas com compaixão e desejo de fazerem o bem.” Sobre este duplo homicídio e o suspeito, nem uma palavra. Optou, como já referimos, por evocar a expressão religiosa «Bom Samaritano» nesta despedida do casal.
Pelas 15h.45m., o carro funerário da Agência Camilo, de Lagos, saiu do adro da Igreja de Odiáxere, levando dois potes com as cinzas do casal (os corpos tinham sido cremados em Albufeira, numa cerimónia privada com a presença de familiares e amigos) e mais de uma dezena de ramos e coroas de flores.
GNR controlou o trânsito desde a Igreja de Odiáxere até ao Cemitério da localidade.
Um militar da Guarda Nacional Republicana, de Lagos, esteve no local para controlar o trânsito, enquanto os já referidos quatro elementos da Delegação da Cruz Vermelha Portuguesa (dois de cada lado) ladearam a viatura funerária durante o trajecto por várias artérias, nomeadamente a Rua 6 de Outubro e a Rua 1 de Dezembro, junto às quais se encontrava outro militar da GNR, até ao Cemitério de Odiáxere. Também aqui podia ver-se um veículo daquela força de segurança.
Eram 15h.54m., quando o carro funerário chegou até perto de uma das portas do Cemitério de Odiáxere, situado na Rua São José. Depois de terem sido retiradas as flores, Luís Guerreiro, responsável da Agência Funerária Camilo, e um seu funcionário levaram os dois potes, um contendo as cinzas de Jean Marie Grenier, e o outro, de Mirela Tânta, juntamente com uma foto do casal. Desceram a rua em direção a uma das portas do cemitério, onde já estavam dezenas de pessoas neste último adeus.
Recipientes com as cinzas do casal colocados no gavetão C-11
“Vamos homenagear Jean Marie com uma grande salva de palmas.”
Os dois recipientes foram, então, colocados no gavetão C-11, com as flores, entre muitos cravos vermelhos, junto ao solo. E pelas 16h.02m., Luís Guerreiro, da Agência Funerária Camilo, pediu a quem estava presente no local: “Vamos homenagear Jean Marie com uma grande salva de palmas.” E assim foi. Pouco depois, entre sinais de consternação, apresentação de condolências a familiares e amigos do casal assassinado, as pessoas começaram a sair do cemitério, com fotos e vídeos pelo meio através de telemóveis.
Irmãos de Jean Marie Grenier e respectivas companheiras, sobrinhos e cunhados no cemitério. Alguns desses familiares vieram de França para as cerimónias fúnebres.
O médico osteopata não tem filhos. A sua mãe, que não esteve presente no último adeus, em Portugal, tem 103 anos e vive numa instituição em França.
Entre os familiares, estavam irmãos de Jean Marie Grenier e as respectivas companheiras, sobrinhos e cunhados. Alguns desses familiares vieram de França para as cerimónias fúnebres. O médico osteopata não tem filhos. A sua mãe, que não esteve presente no último adeus, tem 103 anos e vive numa instituição em França. No funeral compareceram o vice-presidente da Câmara Municipal de Lagos, Paulo Jorge Reis, a presidente da Junta de Freguesia de Odiáxere, Sofia Santos, e o anterior presidente desta autarquia, Carlos Fonseca (actual deputado socialista na Assembleia Municipal de Lagos), além de José Alberto Baptista, que como nos indicaram deixou de ser presidente da Delegação de Lagos da Cruz Vermelha Portuguesa, bem como o novo responsável e uma médica da instituição.
Caseiro tinha problemas de “alcoolismo”, mas “não havia discussões com o casal”, garantiram à nossa reportagem
“É toxicodependente” e “um desequilibrado mental”. “Não é de confiança”. Terão sido, entre outras palavras, segundo revelaram, ao ‘Litoralgarve’, vários populares, os alertas lançados por vizinhos e amigos do médico osteopata francês Jean Marie Grenier, de 79 anos, e da esposa, Mirela Tânta, de 62 e nacionalidade romena, o casal brutamente assassinado ao final da tarde do dia 11 de Setembro de 2026, como já referimos pelo caseiro da sua quinta no monte Cova da Zorra, situado numa zona que liga Sargaçal a Odiáxere, no concelho de Lagos.
Já um amigo do casal contou ao nosso Jornal que o caseiro tinha problemas de “alcoolismo”. Por outro lado, garantiu que “não havia discussões” com o casal. “São boatos.”
O casal, agora assassinado, aceitou contratá-lo por “necessitar de ajuda” de alguém para trabalhar na sua quinta e por questões de segurança.
Contratação surgiu na sequência de um assalto à mão armada durante uma noite de que Jean Marie Grenier e a sua mulher foram alvos.
Vivia numa instalação na mesma quinta e passou a ser um homem de confiança dos dois cães do casal, os quais o encaravam como se fosse um membro da família. E em dias festivos, também tomava refeições, num ambiente de convívio com o casal, vizinhos e amigos.
O caseiro trabalhou ali durante cerca de três anos até cometer o duplo homicídio na moradia, seguido de ocultação dos dois cadáveres, que os arrastou para o interior de uma cisterna na mesma propriedade.
De acordo com informações recolhidas pelo ‘Litoralgarve’, o suspeito, Natalino Cordeiro, brasileiro, de 45 anos, tinha sido despedido pelos proprietários de uma outra quinta, devido a problemas com os patrões. Contudo, o casal, agora assassinado, aceitou contratá-lo por “necessitar de ajuda” de alguém para trabalhar como caseiro e permanecer na quinta, noutra instalação. A contratação surgiu após Jean Marie Grenier e a sua esposa terem sido alvos de um assalto à mão armada durante uma noite. Daí a necessidade de garantirem segurança.
Enquanto trabalhou com Jean Marie Grenier e Mirela Tânta, o caseiro passou a ser um homem de confiança por parte dos dois cães do casal, os quais até o encaravam como se fosse um membro da família. E em dias festivos, também tomava refeições, num ambiente de convívio com o casal, vizinhos e amigos. “Jean Marie e a mulher eram absolutamente excepcionais, muito educados, amigos dos seus vizinhos, davam-se muito bem com toda a gente e tinham sentido de humor”, recordou, ao ‘Litoralgarve’, José Jacomé, secretário da Mesa da Assembleia Municipal de Lagos, que conhecia bem o casal.
Já em relação ao duplo homicídio, admitiu que “não foi por acaso”, considerando que terá sido “premeditado, tudo indica”. Acredita que o caseiro não contou com o apoio de cúmplices. O certo é, segundo José Jacomé, não havia “nada que indiciasse” este crime.
Caseiro estabeleceu contactos para o conduzirem ao aeroporto, após o duplo homicídio. Porém, o plano falhou. Após ter sido denunciado por um amigo, militares da GNR de Lagos conseguiram detê-lo ainda na zona de Odiáxere.
Os dois cães do casal continuam juntos, tendo sido adoptados
Depois de assassinar os patrões e esconder os corpos na cisterna da quinta, o caseiro, já na posse de dinheiro e bens do casal, uma vez que conhecia os cantos da casa, preparava-se para fugir para o Brasil. Nesse sentido, estabeleceu contactos para o conduzirem ao aeroporto. Porém, o plano falhou. É que, após ter sido denunciado por um amigo, a quem terá contado o sucedido, a GNR de Lagos acabou por detê-lo ainda na quinta situada na freguesia de Odiáxere, onde trabalhava, e encontrar os cadáveres. A Polícia Judiciária (PJ), de Portimão, assumiu logo a investigação, dada a natureza dos crimes cometidos.
Entretanto, os dois cães do casal já foram adoptados, continuando juntos, como nos contaram.
Operacionais dos Bombeiros de Lagos estiveram envolvidos numa operação considerada complexa para retirar os corpos da cisterna existente na propriedade do casal assassinado, para a qual foram lançados, a fim de serem destruídos.
De acordo com informações obtidas pelo ‘Litoralgarve’, Natalino Cordeiro terá actuado sozinho neste duplo homicídio e profanação dos cadáveres. Primeiro matou o médico osteopata Jean Marie Grenier. Pouco tempo depois, após a mulher, alegadamente, ter considerado haver algo estranho por não conseguir entrar em contacto com o marido e telefonar para o Posto Territorial de Lagos da Guarda Nacional Republicana (GNR), além de alertar familiares, vizinhos e amigos, acabou por ser, também, assassinada pelo caseiro. Um amigo dele, como referimos, denunciou às autoridades onde tinham sido escondidos os dois cadáveres.
Militares da GNR deslocaram-se, de imediato, à quinta do casal, que vivia há vários anos em Portugal, e após a descoberta dos corpos, numa operação considerada complexa, a cargo de operacionais dos Bombeiros Voluntários de Lagos, o suspeito do duplo homicídio foi detido e entregue a agentes do Departamento de Investigação Criminal de Portimão da PJ.
Preparava-se para fugir de Portugal, pelo que o Tribunal de Portimão, onde foi presente para primeiro interrogatório, aplicou ao suspeito prisão preventiva, a medida de coacção mais gravosa, enquanto aguarda julgamento
Presente ao Juiz de Instrução Criminal do Tribunal de Portimão, para primeiro interrogatório, viu ser-lhe aplicada a medida de coacção mais gravosa, ou seja prisão preventiva, enquanto aguarda julgamento. Preparava-se para fugir de Portugal, como já indicámos. Foi esse, o perigo de fuga, aliada à gravidade dos crimes em investigação e aos restantes elementos recolhidos durante a investigação, que terá contribuído para a decisão judicial.
Dois crimes de homicídio qualificado e de profanação de cadáver
Recorde-se que, em comunicado, a Polícia Judiciária, através do Gabinete de Imagem e Comunicação, informou que o suspeito é investigado pela prática de “dois crimes de homicídio qualificado e de profanação de cadáver”, depois de as autoridades terem encontrado os corpos de Jean Marie Grenier e de sua esposa, empresários ligados ao sector da saúde.
Arrisca a ser condenado à pena máxima de 25 anos de prisão
Utilizados produtos químicos com o objetivo de acelerar a decomposição dos cadáveres, numa tentativa de dificultar a sua descoberta e identificação.
Conforme apurou o ‘Litoralgarve’, por cada crime de homicídio qualificado, o suspeito incorre numa pena de 12 a 25 anos de prisão. Já a profanação de cadáver, com ocultação, é punida até dois anos de cadeia, ou pena de multa até 240 dias.
O casal foi violentamente agredido com um objecto contundente dentro da própria residência. Os ferimentos provocados pelas agressões terão sido fatais. Depois das mortes, o caseiro arrastou os corpos para o interior de uma cisterna de água existente na propriedade, numa tentativa de ocultar os cadáveres. E tal como o ‘Litoralgarve’ revelou na altura, as autoridades suspeitam, ainda, que tenham sido utilizados produtos químicos com o objetivo de acelerar a decomposição dos cadáveres, numa tentativa de dificultar a sua descoberta e identificação.
A remoção dos dois corpos, como já referimos, obrigou a uma operação particularmente complexa, devido às condições em que estes se encontravam e ao local onde tinham sido escondidos, tendo as autoridades contado com o apoio dos Bombeiros de Lagos.
Na posse do caseiro, estava “bastante dinheiro”, além de “objectos de valor, presumivelmente, pertencentes às vítimas”, segundo a Polícia Judiciária.
“Não tinha, até à data da sua detenção, antecedentes criminais conhecidos”.
O suspeito foi localizado pela GNR de Lagos nas imediações do local, durante a madrugada de sábado, 12 de Setembro, onde ocorreram os crimes. Segundo informação divulgada pela PJ, tinha consigo “bastante dinheiro e objetos de valor, presumivelmente, pertencentes às vítimas.”
O facto de o caseiro ter sido encontrado com estes bens constitui uma das linhas de investigação das autoridades para esclarecer o que terá acontecido após a morte do casal. “O suspeito não tinha, até à sua detenção, antecedentes criminais conhecidos”, referiu a Polícia Judiciária.
Motivo do duplo homicídio continua por esclarecer, mas conseguir dinheiro poderá ter sido a causa.
“A investigação prossegue agora para esclarecer todas as circunstâncias do crime, nomeadamente a eventual existência de outros envolvidos e o destino que o suspeito pretendia dar ao dinheiro e aos objetos encontrados na sua posse.”
Apesar dos avanços na investigação, permanece por esclarecer o móbil do crime. “A Polícia Judiciária continua a recolher prova e a reconstruir as últimas horas de vida das vítimas, procurando determinar o que terá desencadeado a violência e qual terá sido exatamente o papel do suspeito. A investigação prossegue agora para esclarecer todas as circunstâncias do crime, nomeadamente a eventual existência de outros envolvidos e o destino que o suspeito pretendia dar ao dinheiro e aos objetos encontrados na sua posse”, acrescenta o comunicado.
“Tratou-me de um problema na coluna e agradeci-lhe imenso”.
Conhecido de muita gente, que não lhe poupa elogios, o médico osteopata francês Jean Marie Grenier chegou a exercer a sua actividade profissional na Delegação de Lagos da Cruz Vermelha Portuguesa. “Tratou-me de um problema na coluna e agradeci-lhe imenso”, recordou, ao ‘Litoralgarve’, um utente, consternado com o duplo homicídio.










