Portimão revive antiga descarga da sardinha no arranque do festival

A zona ribeirinha de Portimão recuou no tempo esta terça-feira, 4 de agosto, com a recriação da antiga descarga da sardinha, uma iniciativa que recuperou memórias da atividade piscatória e da lota do cerco, que marcou durante décadas a vida social e económica da cidade.

Realizada no cais Gil Eanes, a recriação trouxe de volta a azáfama vivida junto ao rio Arade durante grande parte do século XX. A chegada das embarcações carregadas de sardinha foi anunciada pelo som da sirene, tal como acontecia antigamente para chamar ao cais os compradores que se encontravam nas tascas e nos armazéns da zona ribeirinha.

As traineiras “Arrifana” e “Portugal Jovem”, o rapa “Travesso” e a enviada “Moira” participaram nesta viagem pela memória marítima de Portimão. Depois da avaliação do pescado, o público assistiu à tradicional “venda à boca”, um leilão marcado por uma ladainha de números em ordem decrescente, interrompida pelo grito “Chui!”, utilizado pelo comprador para indicar que o peixe estava arrematado.

Seguiu-se a descarga da sardinha, numa coreografia de movimentos aperfeiçoada ao longo de gerações. As canastras carregadas de peixe passaram das embarcações para o cais, onde o pescado era colocado em caixas, gelado ou salgado e posteriormente transportado em bicicletas, carrinhas e outros meios utilizados na época.

Legenda: As mulheres tiveram um papel de destaque na recriação das atividades ligadas à antiga lota de Portimão.

A recriação destacou também o papel das mulheres ligadas à atividade piscatória. As salgadeiras prepararam o peixe enquanto entoavam o “Fado de Portimão”, com letra de Leonel Neves e música de António Vinagre. Entre vendedores, compradores, pescadores e jovens que procuravam desviar algumas sardinhas no meio da algazarra, o cais voltou a ganhar o ambiente de outros tempos.

Outro dos momentos marcantes foi a demonstração do trabalho necessário para colocar manualmente as redes dentro das embarcações, antes do aparecimento dos aladores mecânicos. Ao ritmo do cântico “arribalé, arribalé, arribalé!”, os participantes homenagearam o esforço e a resistência dos pescadores que podiam passar mais de uma hora nesta tarefa.

A iniciativa contou com a participação de pessoas que trabalharam ou conheceram de perto a antiga lota, conferindo maior autenticidade a uma recriação construída a partir das suas histórias e memórias.

O momento assinalou o arranque da 30.ª edição do Festival da Sardinha, que decorre até domingo, 9 de agosto, na zona ribeirinha de Portimão. Gastronomia, música e atividades para toda a família integram o programa do evento, que tem entrada livre e decorre diariamente entre as 18h00 e a 1h00.

Legenda sugerida: A recriação da descarga da sardinha devolveu ao cais Gil Eanes a azáfama da antiga lota de Portimão.

Fotos: Câmara Municipal de Portimão