Pedro Moreira diz, ao ‘Litoralgarve’, que está “disponível” para voltar a ser o candidato do PSD à presidência da Câmara Municipal de Lagos, nas eleições autárquicas em 2025

Vereador social-democrata sem pelouro do executivo camarário de maioria socialista, recebeu o líder nacional do partido, Luís Montenegro, na marina de Lagos, ao lado de Mílvia Gonçalves, presidente da Comissão Política Concelhia e deputada na Assembleia Municipal. O encontro fez parte do programa ‘Sentir Portugal no Algarve’, ao final da tarde do dia 14 de Novembro.

 

José Manuel Oliveira

O empresário Pedro Moreira, vereador sem pelouro, desde 2021, do Partido Social Democrata (PSD) na Câmara Municipal de Lagos, liderada pelos socialistas, está “disponível” para se recandidatar à presidência da edilidade, nas próximas eleições autárquicas que terão lugar em Setembro ou Outubro de 2025. Foi ele próprio quem admitiu essa possibilidade, ao ‘Litoralgarve’, no final de um encontro entre o presidente do PSD, Luís Montenegro, e o administrador da Marina de Lagos, Martinho Fortunato, juntamente com vários militantes do partido, cerca das 18h.10m. de 14 de Novembro de 2023 e integrado no programa ‘Sentir Portugal no Algarve’.

Curiosamente, essa disponibilidade de Pedro Moreira surgiu poucas horas depois de o líder nacional social-democrata, em declarações ao jornalistas, na estação da CP em Portimão, após uma viagem de comboio desde Tunes, no concelho de Silves, com o ‘Movimento + Ferrovia’, no Algarve, como o nosso Jornal já descreveu noutra reportagem, ter aproveitado o momento para lançar um recado aos militantes do seu partido nesta região do sul do país, onde, nos últimos anos, perdeu eleitores, deputados e a presidência de câmaras municipais, ao ponto de, apenas, possuir maioria em Faro, Albufeira e Castro Marim. “Estou aqui, também, a preparar e a programar as eleições autárquicas [as quais terão lugar em Setembro ou Outubro de 2025 – n.d.r.]. É preciso superarmo-nos, termos mais mandatos, [o que] depende da nossa capacidade para falar a linguagem que os algarvios percebam” e saber quais as suas “preocupações”, avisou Luís Montenegro, na altura.

Cerca de duas dezenas de militantes, um deles com uma bandeira do PSD, junto ao presidente social-democrata

Quando, pelas 17h45m. desse dia (14/11/2023), Luís Montenegro chegou até perto da entrada do edifício onde funcionam a administração e a recepção às embarcações na Marina de Lagos, era aguardado por cerca de duas dezenas de militantes do PSD desta cidade, entre eles o vereador Pedro Moreira e Mílvia Gonçalves, presidente da Comissão Política Concelhia do partido, deputada na Assembleia Municipal e funcionária da câmara. Um dos militantes, que esperava o líder nacional ‘laranja’, até levava uma bandeira do PSD. Mas não se sentiu muita animação neste encontro que acabou por ser discreto.

Contrato assinado entre a empresa Marlagos, proprietária da Marina de Lagos, e a Docapesca, pelo prazo de cinquenta anos, prevê investimento de 12,2 milhões de euros na construção de infraestruturas, entre as quais parqueamentos, com contrapartidas para o sector das pescas

Luís Montenegro, Cristóvão Norte, presidente do PSD/Algarve, Pedro Moreira e Mílvia Gonçalves, entre outros militantes, ouviram o responsável do Conselho de Administração da Marlagos, empresa proprietária da Marina de Lagos, Martinho Fortunato, falar sobre o contrato recentemente assinado com a Docapesca. O plano passa pela concessão de uma nova área nesta marina, onde está previsto um investimento de 12,2 milhões de euros na construção de infraestruturas. Desse montante, 2,3 milhões de euros destinam-se a contrapartidas para o sector das pescas nesta cidade do barlavento algarvio.
O Ministério da Agricultura e da Alimentação, que tutela o sector das pescas, indicou, na altura da celebração daquele contrato, que a nova área na Marina de Lagos, concessionada pelo prazo de 50 anos (até 2073), ocupa um total de 64.820 metros quadrados, englobando uma área terrestre, na qual serão implantados um clube de iates, um estacionamento com capacidade para 108 embarcações em seco e um estacionamento para 75 viaturas. A esses equipamentos junta-se outra área destinada ao parqueamento de, aproximadamente, uma centena de embarcações de recreio com dimensões superiores a dez metros de comprimento.
Recorde-se que quando homologou aquele contrato entre a empresa Marlagos e a Docapesca, a secretária de Estado das Pescas, Teresa Coelho, sublinhou: “Este projeto impacta, de forma muito positiva, a oferta náutico-turística, aumentando a notoriedade de Lagos e do Algarve, enquanto destino com oferta qualificada de turismo, e as contrapartidas de 2,3 milhões de euros para a pesca profissional, relativas à instalação de novos pontões flutuantes para 50 embarcações e à construção de 30 novos armazéns de aprestos no porto de pesca”, irão “melhorar as condições de trabalho e de segurança de pescadores e armadores.”

Novos pontões flutuantes para estacionamento de 170 embarcações locais e destinados a residentes no concelho de Lagos, incluindo as do Clube de Vela desta cidade

Por outro lado, de acordo com informações disponibilizadas na altura, serão ainda consideradas como contrapartidas a instalação de novos pontões flutuantes destinados ao estacionamento de 170 embarcações locais, exclusivos para residentes no concelho de Lagos. Segundo o Governo, esses equipamentos darão resposta às necessidades dos praticantes de pesca lúdica e de 40 embarcações de atividades marítimo-turísticas. Além disso, está prevista a relocalização dos cais flutuantes para estacionamento das embarcações do Clube de Vela de Lagos.
Para além do contrato de concessão, foram, ainda, assinados dois protocolos de cooperação, um dos quais celebrado entre a Docapesca e o Município de Lagos e que visa operacionalizar cedências recíprocas de gestão de áreas do domínio público marítimo. Já o outro protocolo envolve a Docapesca e a Associação de Armadores da Pesca Artesanal do Barlavento Algarvio, com o objectivo de reorganizar o porto de pesca local.

Empresário Martinho Fortunato aponta para o papel da “náutica de recreio no combate à sazonalidade” do turismo

No Verão de 2023, a Marina de Lagos contou com 140 funcionários, disse o presidente do Conselho de Administração da empresa Marlagos ao líder nacional do PSD, considerando as embarcações de recreio como um meio de “transporte competitivo”, ao mesmo tempo que salientou a importância do Turismo de Portugal em feiras internacionais. “Temos de falar com outras entidades”, defendeu o empresário Martinho Fortunato, apontando para o papel da “náutica de recreio no combate à sazonalidade” do turismo. Já a presidente da concelhia do PSD, Mílvia Gonçalves, aproveitou para referir que “Lagos tem gente” que vem para esta cidade, devido à existência de condições para a náutica de recreio. “Porquê não se faz isso no Alqueva?” Por seu turno, Cristóvão Norte questionou o responsável da Marina de Lagos sobre a existência de tecnologia para barcos eléctricos. O empresário respondeu que “já há um” nesta marina. “Para embarcações até dez metros de comprimento não há baterias que aguentem”, observou, adiantando que existem “barcos de maiores dimensões com motores eléctricos” a navegar nos oceanos. Martinho Fortunato apontou o “hidrogénio como o futuro” para muitas embarcações de recreio.

O ano de 2023 foi o “melhor de sempre”, com nove milhões de euros de receitas na marina de Lagos, onde ingleses, portugueses, norte-americanos e canadianos se destacam entre os proprietários, de “mais de trinta nacionalidades”, de embarcações

A finalizar este encontro com Luís Montenegro e outros militantes do PSD, o presidente do Conselho de Administração da Marlagos destacou o facto de serem de “mais de trinta nacionalidades”, entre as quais “muitos norte-americanos e canadianos”, os proprietários das embarcações atracadas na marina da cidade lacobrigense. Nesse sentido e já em declarações ao ‘Litoralgarve’, Martinho Fortunato acrescentou que “os ingleses” estão em maioria, a que se seguem “os portugueses”, nomeadamente “locais e de Lisboa, além de outros pontos do país.” Sobre o movimento registado na marina de Lagos, onde existem condições para 460 embarcações, aquele empresário classificou 2023 como “o melhor ano de sempre”, com “nove milhões de euros” de receitas, incluindo lojas e outros negócios. Isto, numa altura em que o número de visitantes atinge dois milhões por ano.