Por isso, a pensar já em 2027, apela à mobilização dos habitantes de Odiáxere, no concelho de Lagos. “Porque um dia poderão não ter Carnaval e nessa altura vão dar o devido valor àquelas pessoas que têm estado, diariamente [durante o período que antecede os festejos], envolvidas na preparação dos carros alegóricos”, alerta, entre outros avisos sobre o futuro deste evento.
Nesta entrevista concedida ao ‘Litoralgarve’, logo após o Enterro do Carnaval de Odiáxere, na noite de 18 de Fevereiro (quarta-feira de cinzas), num percurso entre a sede do Clube Desportivo e o Largo da Alegria, a autarca Sofia Santos, eleita pelo PS, em Outubro do ano passado, aponta para “algumas melhorias ao nível de arruamentos” como sendo a principal necessidade desta localidade do município de Lagos, reconhece carências sociais entre os habitantes, quer dinamizar o Pólo de Leitura, com mais actividades, e aguarda por um empreiteiro da construção civil para reabilitar o moinho. É ali onde será instalado um núcleo museológico dedicado ao mundo rural em Odiáxere, para dinamização cultural e atração turística.
José Manuel Oliveira
Litoralgarve – Agora, na qualidade de presidente da Junta de Freguesia de Odiáxere, qual é o balanço que faz sobre a 30ª. edição do Carnaval nesta localidade, em 2026? Como sentiu o evento?
Sofia Santos – Foi dentro dos possíveis, dentro das circunstâncias. Este ano foi diferente pelos 30 anos do Carnaval, para comemorar a sua história, o seu desenvolvimento, o seu percurso. É bastante positivo. Importante foi não ter havido problemas. E houve muitos foliões. Ao nível de entradas no recinto, deu-me a sensação de que houve um pouco menos de pessoas [cerca de 4.000 na terça-feira de Carnaval, segundo a organização – n.d.r] comparativamente ao ano passado. Mas nada por aí além. O mais importante foi ter havido um bom ambiente.
“Há que enaltecer o trabalho dos directores [do Clube Desportivo de Odiáxere] na elaboração dos carros alegóricos e, também, de algumas pessoas particulares, que se prontificaram a ajudar, o que acho muito importante. Porque sem eles, o Carnaval não iria sair à rua.”
Litoralgarve – O mau tempo provocado por sucessivas tempestades poderá ter contribuído para alguma incerteza no desfile do corso na terça-feira de Entrudo?
Sofia Santos – Houve sempre uma incerteza em relação aos carros alegóricos. Mas eu sendo agora presidente da Junta de Freguesia de Odiáxere, não estive muito ligada [ao Carnaval]. Foi com os directores do Clube Desportivo de Odiáxere, responsável pela organização. E nesse sentido há que enaltecer o trabalho dos directores na elaboração dos carros alegóricos e, também, de algumas pessoas particulares, que se prontificaram a ajudar, o que acho muito importante. Há que lhes dar uma palavra de agradecimento, porque sem eles o Carnaval não iria sair à rua.
Litoralgarve – Quais os custos?
Sofia Santos – Não sei. Da parte da Junta de Freguesia [de Odiáxere], contribuímos com alguns apoios, com alguma logística. Mas nada tem a ver com o apoio dado pela Câmara Municipal de Lagos ao clube.
Litoralgarve – Também houve Carnaval em Portimão e noutras localidades do barlavento algarvio. Sentiu concorrência perante o de Odiáxere?
Sofia Santos – Provavelmente, sim, porque houve muita festa espalhada pela nossa zona do barlavento. E isso, talvez, prejudique um pouco.
“A organização teve de se dividir em dois armazéns, um no Cotifo e outro no Sargaçal. Isso cria dificuldades. Porque é complicado as pessoas estarem a ser um bocado nómadas para confeccionar os carros. Falta um só espaço para colocar os carros alegóricos, para colocar todo o material.”
Litoralgarve – Há anos, então como presidente da Direção do Clube Desportivo de Odiáxere, disse-nos que era altura de deixar de brincar ao Carnaval, defendendo, por isso, uma estrutura mais profissional. De então até agora, houve alguma evolução?
Sofia Santos – Pelo que me apercebi, há alguma dificuldade em encontrar um sítio, um espaço físico para que as pessoas possam trabalhar e melhorar os carros alegóricos. A organização teve de se dividir em dois armazéns, um no Cotifo e outro no Sargaçal. Isso cria dificuldades. Porque é complicado as pessoas estarem a ser um bocado nómadas para confeccionar os carros. Falta um só espaço para colocar os carros alegóricos, para colocar todo o material.

“Estamos a tentar que seja no Sargaçal. Depois de haver um espaço físico, as pessoas têm de se reorganizar, planear e preparar o Carnaval para 2027 e anos seguintes. Isso é o principal para a continuidade do Carnaval em Odiáxere.”
“E, depois, trabalhar com alguma antecedência. É que trabalhar só durante um mês, ou três semanas, é difícil. Por isso, é de louvar as pessoas que estiveram a trabalhar para este Carnaval.”
Litoralgarve – Qual é o espaço único necessário?
Sofia Santos – Estamos a tentar que seja no Sargaçal. Depois de haver um espaço físico, as pessoas têm de se reorganizar, planear e preparar o Carnaval para 2027 e anos seguintes. Isso é o principal para a continuidade do Carnaval em Odiáxere.
E depois há que trabalhar com alguma antecedência. É que trabalhar só durante um mês, ou três semanas, é difícil. Por isso, é de louvar as pessoas que estiveram a trabalhar para este Carnaval. Se calhar só oito pessoas estiveram envolvidas para que saísse à rua.
Litoralgarve – Ter oito pessoas na elaboração dos carros alegóricos é, naturalmente, pouco. Falta mobilizar habitantes em Odiáxere para trabalhar os carros alegóricos e outros aspectos?
Sofia Santos – É verdade. Porque um dia poderão não ter Carnaval. E nessa altura, vão dar o devido valor àquelas pessoas que têm estado, diariamente [durante o período que antecede o Carnaval] envolvidas na preparação [do evento] em prol da vila de Odiáxere e de todos aqueles que nos visitam.
Litoralgarve – Mantém-se o protocolo com a Câmara Municipal de Torres Vedras, na cedência de peças, figuras, bonecos, para serem preparados e adaptados aos carros alegóricos no Carnaval de Odiáxere?
Sofia Santos – Ainda continuamos.
“Penso que seria uma boa aposta” organizar um Carnaval, em Odiáxere, no Verão
Litoralgarve – É possível organizar, em Odiáxere, um Carnaval durante os meses de Verão, como a senhora pretendia há anos?
Sofia Santos (cautelosa) – Pois… Brevemente, iremos reunir-nos e ver, também, qual é a decisão do Clube Desportivo de Odiáxere. Mas gostava. Penso que seria uma boa aposta.
“Aquilo que nós podemos fazer é colocar a população mais ativa, com outro tipo de eventos aos fins-de-semana. Da parte da Junta de Freguesia, por exemplo, no Pólo de Leitura, com mais actividades, termos um Dia Aberto com um tema qualquer. “
Litoralgarve – Que outras iniciativas gostaria de ver para este ano, de forma a animar Odiáxere e atrair mais visitantes, além de dinamizar o comércio, a restauração e a economia em geral?
Sofia Santos – De momento, não posso dar uma resposta, porque há relativamente pouco tempo chegámos à Junta de Freguesia. Mas há aqueles eventos que já existem. E há que, também, fazer algo mais atractivo, além de outro tipo de actividades durante o ano para que as pessoas possam participar.
Litoralgarve – Que eventos?
Sofia Santos – O Clube Desportivo de Odiáxere, durante o ano, tem vários eventos. E, por isso, há que, também, não estar a sobrepor outro tipo de iniciativas. Aquilo que nós podemos fazer é colocar a população mais ativa, com outro tipo de eventos aos fins-de-semana. Da parte da Junta de Freguesia, por exemplo, no Pólo de Leitura, com mais actividades, termos um Dia Aberto com um tema qualquer.
“Eu continuo a ser a Sofia, sempre! Independentemente da posição que tenha aqui na vila de Odiáxere.”
Litoralgarve – Noutros anos, participou no Enterro do Carnaval de Odiáxere, na quarta-feira de cinzas, ao desempenhar, nomeadamente, o papel de ‘viúva’. E há sempre algazarra com as ‘amantes do falecido’ para animar o evento… Foi complicado para si, desta vez, ficar de fora desse papel? Como sentiu a situação?
Sofia Santos (sem hesitação) – É igual, é igual. Eu continuo a ser a Sofia, sempre! Independentemente da posição que tenha aqui na vila de Odiáxere.
“São necessárias algumas melhorias ao nível de arruamentos”
Litoralgarve – É difícil ocupar o cargo de presidente da Junta de Freguesia?
Sofia Santos – Não. É um dia de cada vez a tentar dar o meu melhor, zelar pelos interesses da freguesia e da população. O meu dia-a-dia é preocupar-me com as necessidades.
Litoralgarve – E quais as necessidades que existem em Odiáxere?
Sofia Santos – São necessárias algumas melhorias ao nível de arruamentos. Existe alguma dificuldade nesse sentido.
Fome em Odiáxere? Não. Não vamos por aí. Há pessoas que têm alguma dificuldade. Sim, temos conhecimento. Logicamente, ajudamos na medida do possível.”
“E, também, caso não consigamos, remetemos a situação para os serviços da Câmara Municipal de Lagos, porque eles trabalham muito bem na Ação Social.”
Litoralgarve – Sente problemas de fome?
Sofia Santos – Não. Não vamos por aí. Há pessoas que têm alguma dificuldade. Sim, temos conhecimento. Logicamente, ajudamos na medida do possível. E, também, caso não consigamos, remetemos a situação para os serviços da Câmara Municipal de Lagos, porque eles trabalham muito bem na Ação Social.
“Até ao momento, ainda não surgiu nenhum empreiteiro para assumir esse trabalho” de reabilitação do moinho no Largo da Alegria, onde será instalado o espólio doado por popular, com vista à criação de um espaço museológico dedicado ao mundo rural na freguesia de Odiáxere
Litoralgarve – Para quando a reabilitação do Moinho de Odiáxere, no Largo da Alegria, para ali ser instalado o espólio de artes e tradições, doado por um popular, destinado a um espaço museológico dedicado ao mundo rural?
Sofia Santos – Ainda está a ser avaliado se existe, ou não, alguém para fazer a obra. Até ao momento, ainda não surgiu nenhum empreiteiro para assumir esse trabalho. Mas, no futuro, irá ser muito importante para Odiáxere.










