Mundial de Futebol – Em Lagos, há estabelecimentos de restauração com aumento de 70 % de receitas e mais trabalhadores. Reforço de ‘stocks’ no Portugal-Espanha

E também em equipamentos audiovisuais, o que irá beneficiar quem veja o jogo, nomeadamente nas esplanadas de snack-bares e em restaurantes, revela, ao ‘Litoralgarve’, Ângelo Mariano, dirigente da ACRAL – Associação do Comércio e Serviços da Região do Algarve. Num primeiro balanço sobre o impacto económico do Campeonato do Mundo de Futebol de 2026, destaca estabelecimentos cheios, sobretudo durante as transmissões televisivas dos jogos envolvendo a selecção das ‘quinas’.

Como constatou o nosso Jornal no terreno, o ambiente de festa em torno do jogo Portugal-Croácia, durante a madrugada de sexta-feira, 03 de Julho, fazia lembrar uma passagem-de-ano em Lagos. E, no final, já pelas 02h00, na Praça Gil Eannes, havia pessoas a dançar e até um agente da Polícia Municipal a posar para uma foto junto de duas jovens estrangeiras.

José Manuel Oliveira

Dia 03 de Julho de 2026, sexta-feira – 00h.00 – Lagos. Numa altura em que a placa electrónica da Farmácia Telo, perto da Igreja de Santa Maria, junto à Praça do Infante Dom Henrique, assinala 27 graus centígrados, a poucos metros de distância, na Rua Silva Lopes, cerca de uma centena de populares concentra-se na esplanada do snack-bar Maré, onde está instalado um ecrã gigante, para assistir ao jogo Portugal-Croácia, a contar para os 16 avos de final do Campeonato do Mundo de Futebol de 2026.

Apenas algumas pessoas, como clientes, estão sentadas. As restantes assistem, de pé, no meio da rua, enquanto outras se encostam a árvores ou à parede do edifício do estabelecimento comercial ‘Mar d’Estórias’, onde em tempos funcionou o quartel dos Bombeiros Voluntários de Lagos. Pelo meio, vão passando alguns jovens casais, indiferentes ao futebol.

A presença de dezenas de populares, alguns segurando copos de plásticos com cerveja, refrigerantes e sumos, no meio daquela zona da Rua Silva Lopes, leva alguns automobilistas a parar e até a recuar na Travessa do Mar, junto à Praça do Infante Dom Henrique, para mudar de via. Por sua vez, motociclistas acabam por atravessar espaços pedonais na Rua Silva Lopes e entrar em sentido proibido, nomeadamente na Rua Lançarote de Freitas, onde se situa o Centro Cultural de Lagos, e na Rua Henrique Correia da Silva, indiferentes ao risco que possam causar às pessoas que ali circulam a pé.

Quem assiste ao jogo Portugal-Croácia, em frente ao ecrã gigante instalado na esplanada do snack-bar Maré, vai gritando “eeeehhhh” perante alguns lances de ataque da equipa das ‘quinas’ e de alívio perante falhanços da selecção adversária.

Condutor de um carro, proveniente da Rua 25 de Abril de 1974, para e desliga as luzes, na Rua Silva Lopes, para ver o jogo no ecrã gigante do snack-bar Maré, em Lagos

O condutor de um carro preto, proveniente da Rua 25 de Abril de 1974, acaba por parar e desligar as luzes, na Rua Silva Lopes, para ver o jogo, através do ecrã gigante instalado naquele estabelecimento. Antes do intervalo, que terminou com o empate a zero, o automóvel atravessa, finalmente, a zona em direcção à Rua Alberto da Silveira, onde se situam o Museu Municipal de Lagos, a Igreja de Santo António e o Clube Artístico Lacobrigense, com os populares a desviarem-se sem problemas.

Ambiente de festa faz lembrar noite de passagem-de-ano, com muito movimento nas ruas e lixo por todo o lado

Em várias zonas da cidade de Lagos, como o ‘Litoralgarve’ constatou no local, muitas pessoas assistem ao jogo em plena rua, junto a cafés, snack-bares, restaurantes, pastelarias e bares, num ambiente de festa que até faz lembrar uma típica noite de passagem-de-ano. Também não faltam papeleiras repletas, nomeadamente de copos de plástico e embalagens, além de objectos colocados em muros ou espalhados pelo chão.

“Está a ser um jogo fraco. O que vale é que tanto Portugal, como a Croácia, estão a jogar com dez…”, ironiza um popular ao intervalo

Num snack-bar, situado no centro de Lagos, um popular ironiza: “Está a ser um jogo fraco. O que vale é que tanto Portugal, como a Croácia, estão a jogar com dez…” Referia-se, na altura, àquilo que considerava ser, durante  a primeira parte, “um fraco rendimento” de Cristiano Ronaldo e do croata Luka Modric,. “E como é o sistema a funcionar, o seleccionador português não tira o Ronaldo…”

Começa o segundo tempo e Portugal, numa jogada de ataque, leva a bola à barra da baliza de Livakovic. A seguir é o guardião Diogo Costa a evitar o golo da Croácia. “Vai valendo é o nosso guarda-redes”, desabafa um popular. Mas aos 53 minutos, a Croácia, por intermédio de Perisic, chega à vantagem para desalento de quem está nas esplanadas e não só.

Pouco depois, aos 61 minutos, Cristiano Ronaldo marca um golo, bastante festejado num ‘snack-bar’, mas que acaba em desilusão, devido à posição de ‘offside’. Um empregado do balcão protesta, ao ver a posição irregular detectada pelo vídeo-árbitro. “Não estava…” Outro comenta: “Aquilo é alguma coisa?…” E um cliente observa: “O futebol é danado!”

O mesmo empregado de um estabelecimento que, poucos antes, tinha protestado pela anulação de um golo a Cristiano Ronaldo, devido à posição irregular por escassos centímetros, detectada pelas imagens do vídeo-árbitro, agora aplaude a decisão do ‘juiz’ da partida por invalidar um golo à Croácia também por ‘offside’, após recorrer ao VAR

Aos 65 minutos, na sequência de um pontapé de canto do lado direito, Renato Veiga é derrubado por Vlasic, dentro da área, numa situação em que as imagens do vídeo-árbitro conseguem detectar a infracção. Alertado para o caso, o árbitro norueguês Espen Eskas recorre ao VAR e acaba por assinalar penálti a favor da selecção de Portugal. O mesmo empregado do estabelecimento que, poucos antes, tinha protestado pelo golo anulado a Cristiano Ronaldo, devido à posição irregular por escassos centímetros, detectada pelas imagens do vídeo-árbitro, agora aplaude a decisão do ‘juiz’ da partida. Ele e vários clientes do estabelecimento.

Sentado num café, Manuel dos Santos comenta o penálti para Portugal: “É Cristiano Ronaldo. Tem de ser. Quem havia de marcar?”

 Com o golo do empate, um empregado do estabelecimento passa junto a esse cliente e desabafa: “Vale o velho agora a marcar!” De imediato, o cliente reage: “Até em marcava golo neste lance…”

“É o Cristiano Ronaldo. Tem de ser. Quem havia de marcar?”, nota Manuel dos Santos, sentado num café. Com o golo do empate, um empregado do estabelecimento passa junto a esse cliente e desabafa: “Vale o velho agora a marcar!” De imediato, o cliente reage: “Até eu marcava golo neste lance…” E dirigindo-se a um amigo, graceja: “Ó Rui, isto é melhor do que ir o cinema.”

Com o empate, surgem outras observações: “Agora, quem marcar um golo, ganha o jogo.” E a selecção da Croácia procura a vitória, com uma bola a bater num dos postes da baliza portuguesa, para alívio de muitos populares que estão a assistir à transmissão televisiva. Seguem-se outros lances de ataque dos croatas e defesas do guardião português. “O que vale é o guarda-redes Diogo Costa, o melhor do mundo nesta altura!”, enaltece o cliente António Manuel. “Grande jogo do Diogo Costa!” – reforça, a seu lado, Carlos Dias.

Minutos depois, mais suspiros de alívio e aplausos quando o árbitro norueguês Espen Eskas, por indicação de quem acompanha as imagens, anula um golo à formação croata, por fora-de-jogo. Quando Cristiano Ronaldo sai para dar o lugar a Ruben Neves, alguém, em jeito de provocação, comenta: “Agora é que Portugal vai ganhar…” E quando Gonçalo Ramos marca o segundo golo, o mesmo indivíduo dispara para quem o ouve: “foi um algarvio!”

O jogo caminha para o final e mantém-se a expectativa. Com o golo da Croácia, aos 90+13m., obtido por Gvardiol, que daria o empate, o desânimo é total. Mas com o VAR a anular o golo pelo facto de Igor Matanovic ter inferido ligeiramente no lance, em posição irregular, situação detectada por um sensor incorporado na bola, o denominado sistema ‘Connected Ball’, as mesmas pessoas que, neste café, criticavam a tecnologia no futebol por ter anulado um golo a Cristiano Ronaldo, por fora-de-jogo, são as mesmas que batem palmas outra vez à decisão do árbitro. Um lance bastante contestado pelos croatas e explicado pelo juiz da partida, o norueguês Espen Eskas.

“Grande jogo na segunda parte frente à Croácia. O Ronaldo saiu e Portugal ganhou. Esta é a verdade! E o guarda-redes voltou a ser decisivo. O VAR e o guarda-redes Diogo Costa é que salvaram Portugal!”, comenta  António Manuel, num café no centro de Lagos

Jogo Portugal-Espanha “vai ser decidido a penalties”, perspectiva Carlos Dias, apontando para mais dificuldades da selecção das ‘quinas’

Com a vitória de Portugal por 2-1 e a consequente passagem aos oitavos-de-final deste Campeonato do Mundo de Futebol, frente à Espanha, nesta segunda-feira, dia 06 de Julho, em Dallas, nos Estados Unidos da América, a partir das 20h00, António Manuel nota: “Grande jogo na segunda parte frente à Croácia. O Ronaldo saiu e Portugal ganhou. Esta é a verdade! E o guarda-redes é que voltou a ser decisivo. O VAR e o guarda-redes Diogo Costa é que salvaram Portugal!”

Já Carlos Dias perspectiva que a próxima partida entre as selecções portuguesa e espanhola “será mais difícil” para os comandados por Roberto Martínez. “É um jogo que vai ser decidido a penalties”, antevê.

Após o triunfo de Portugal sobre a Croácia, várias pessoas dançam ao som de uma música na Praça Gil Eannes, em Lagos.

E a poucos metros de distância, perto da porta de um prédio, junto a uma loja de roupas, um homem, aparentando estar embriagado e vestindo uma blusa da selecção de Portugal, sem número, nem nome de jogadores, andava às voltas, também ao som da música e com um copo numa mão.

Duas jovens estrangeiras juntam-se a um agente da Polícia Municipal de Lagos para uma fotografia em conjunto, a cargo de outra rapariga, com telemóvel. “Obrigado!”, dizem, no final, ao agente

Enquanto isso, motos circulam à vontade na Praça Gil Eannes, em direcção à Rua da Porta de Portugal, sem que a Polícia Municipal chame a atenção dos condutores para a infracção cometida numa zona proibida ao trânsito de viaturas.

Na Praça Gil Eannes, situada no centro da cidade de Lagos, a euforia apodera-se de várias pessoas, que dançam ao som de uma música. A poucos metros de distância, perto da porta de um edifício, junto a uma loja de roupas, um homem, aparentando estar embriagado e vestindo uma blusa da selecção de Portugal, sem número, nem nome de jogadores, andava às voltas, também ao som da música e com um copo numa mão.

Pelas 02h.25m. da madrugada de sexta-feira, dia 03 de Junho, duas raparigas estrangeiras juntam-se a um agente da Polícia Municipal de Lagos para uma fotografia em conjunto, a cargo de uma outra jovem, com telemóvel. “Obrigado!”, agradecem no final ao agente policial. Enquanto isso, motos circulam à vontade na Praça Gil Eannes, em direcção à Rua da Porta de Portugal, sem que a Polícia Municipal chame a atenção dos condutores para a infracção cometida numa zona proibida ao trânsito de viaturas. E pouco depois, vários agentes da Polícia Municipal de Lagos saem calmamente do local, numa viatura de serviço. As infracções ao Código da Estrada continuam para risco dos peões que ali passam.

“As pessoas estão desiludidas com a sociedade em que vivem e há muito tempo que deixaram de acreditar nos políticos. Por isso, agarram-se ao futebol e assim não é de estranhar que muitos bares em Sagres estejam cheios de gente a ver os jogos do Mundial, sobretudo os da selecção portuguesa”, afirma ex-funcionária pública em Vila do Bispo

No dia seguinte, em Vila do Bispo, uma ex-funcionária pública diz ao ‘Litoralgarve’: “As pessoas estão desiludidas com a sociedade em que vivem e há muito tempo que deixaram de acreditar nos políticos. Por isso, agarram-se ao futebol e assim não é de estranhar que muitos bares em Sagres estejam cheios de gente a ver os jogos do Mundial, sobretudo os da selecção portuguesa.”

Entrevista a Ângelo Mariano, coordenador da ACRAL – Associação do Comércio e Serviços da Região do Algarve, nos concelhos de Lagos, Vila do Bispo e Aljezur: “A realização do Campeonato do Mundo representa uma oportunidade significativa para dinamizar a economia local, especialmente nos estabelecimentos de restauração, bebidas e animação turística”

Litoralgarve – Quais os reflexos para a economia de Lagos pela transmissão televisiva dos jogos do Campeonato do Mundo de Futebol 2026, nomeadamente em bares, cafés e snack-bares, sobretudo os da Selecção de Portugal durante as madrugadas?

Ângelo Mariano – A realização do Campeonato do Mundo representa uma oportunidade significativa para dinamizar a economia local, especialmente nos estabelecimentos de restauração, bebidas e animação turística. No caso específico de Lagos, sendo uma cidade com forte vocação turística e uma elevada concentração de visitantes nacionais e estrangeiros durante o Verão, os jogos da Seleção Nacional assumem um papel muito importante na criação de movimento adicional.

O Centro Histórico de Lagos continua a afirmar-se como o principal ponto de encontro de residentes e turistas. A concentração de bares, cafés, pastelarias, restaurantes e esplanadas cria um ambiente particularmente favorável para a transmissão dos jogos, permitindo que milhares de pessoas assistam em conjunto aos encontros da Seleção Portuguesa.

“Mesmo quando os jogos decorrem em horários menos habituais, nomeadamente durante a madrugada, muitos empresários optam por prolongar os horários de funcionamento, adaptando-se às circunstâncias e procurando responder à procura existente. Esta flexibilidade traduz-se num aumento da faturação, na criação de um ambiente festivo e na valorização da própria imagem turística do concelho.”

“Além do impacto económico direto, verifica-se também um efeito positivo na promoção de Lagos como destino turístico internacional, uma vez que muitos visitantes partilham imagens e experiências nas redes sociais, contribuindo para divulgar a cidade junto de novos públicos.”

Mesmo quando os jogos decorrem em horários menos habituais, nomeadamente durante a madrugada, muitos empresários optam por prolongar os horários de funcionamento, adaptando-se às circunstâncias e procurando responder à procura existente. Esta flexibilidade traduz-se num aumento da faturação, na criação de um ambiente festivo e na valorização da própria imagem turística do concelho.

Além do impacto económico direto, verifica-se também um efeito positivo na promoção de Lagos como destino turístico internacional, uma vez que muitos visitantes partilham imagens e experiências nas redes sociais, contribuindo para divulgar a cidade junto de novos públicos.

“Podemos afirmar que muitos estabelecimentos registam aumentos de faturação bastante significativos nos dias dos jogos da Seleção Portuguesa. Dependendo da localização, da capacidade instalada e do tipo de estabelecimento, é possível verificar aumentos que podem variar entre os 30% e os 70% relativamente a um dia normal, podendo, em alguns casos específicos, ultrapassar esses valores.”

Litoralgarve – Em termos numéricos, qual o valor estimado?

Ângelo Mariano – Não existe, neste momento, um estudo oficial que permita apresentar um valor económico rigoroso relativamente ao impacto do Campeonato do Mundo na economia local.

Contudo, com base na experiência acumulada em grandes competições internacionais, podemos afirmar que muitos estabelecimentos registam aumentos de faturação bastante significativos nos dias dos jogos da Seleção Portuguesa.

Dependendo da localização, da capacidade instalada e do tipo de estabelecimento, é possível verificar aumentos que podem variar entre os 30% e os 70% relativamente a um dia normal, podendo, em alguns casos específicos, ultrapassar esses valores.

Naturalmente, trata-se de estimativas que variam consoante diversos fatores, nomeadamente o desempenho da Seleção Nacional, as condições meteorológicas, a afluência turística e os horários dos jogos.

“Muitos empresários têm investido na instalação de ecrãs de maiores dimensões, melhoria dos sistemas de som, reforço das esplanadas e contratação de pessoal adicional para responder ao aumento esperado da procura.”

Litoralgarve – O que dizem os proprietários dos estabelecimentos?

Ângelo Mariano – Os empresários com quem temos contactado manifestam um sentimento claramente positivo relativamente ao Campeonato do Mundo.

Consideram que estas competições representam momentos de elevada dinâmica económica e social, permitindo aumentar as vendas, atrair novos clientes e fidelizar muitos dos visitantes que regressam posteriormente aos seus estabelecimentos.

Existe, igualmente, um reconhecimento de que o futebol constitui um importante elemento agregador, promovendo um ambiente de convívio saudável entre diferentes nacionalidades.

Muitos empresários têm investido na instalação de ecrãs de maiores dimensões, melhoria dos sistemas de som, reforço das esplanadas e contratação de pessoal adicional para responder ao aumento esperado da procura.

“As bebidas continuam, naturalmente, a representar uma parte importante da faturação, nomeadamente cerveja, refrigerantes, águas, cocktails e vinho.”

“Ao nível da alimentação, verifica-se uma procura significativa por hambúrgueres, pizzas, tostas, sandes, petiscos portugueses, tábuas de enchidos e queijos, batatas fritas, snacks variados, sobremesas, gelados e café.”

“Nos restaurantes, observa-se ainda um aumento das reservas para jantares antes do início das partidas, sobretudo quando os jogos decorrem ao final da tarde ou durante a noite.”

Litoralgarve – As pessoas limitam-se a chegar a estes estabelecimentos e tomar uma bebida, ou consomem mais produtos durante o jogo? Que produtos?

Ângelo Mariano – A experiência demonstra que o consumo vai muito além de uma simples bebida. Na maioria das situações, os clientes permanecem durante todo o período do jogo e, frequentemente, chegam bastante antes do início e permanecem após o apito final.

Durante esse período verifica-se um consumo bastante diversificado. As bebidas continuam, naturalmente, a representar uma parte importante da faturação, nomeadamente cerveja, refrigerantes, águas, cocktails e vinho. Ao nível da alimentação, verifica-se, igualmente, uma procura significativa por hambúrgueres, pizzas, tostas, sandes, petiscos portugueses, tábuas de enchidos e queijos, batatas fritas, snacks variados, sobremesas, gelados e café.

Nos restaurantes, observa-se ainda um aumento das reservas para jantares antes do início das partidas, sobretudo quando os jogos decorrem ao final da tarde ou durante a noite.

“Embora os jogos da Seleção Portuguesa sejam claramente aqueles que geram maior impacto junto da população residente, Lagos possui uma realidade muito própria devido ao elevado número de turistas internacionais.”

“Assim, jogos envolvendo seleções como Inglaterra, Irlanda, Países Baixos, Alemanha, França, Bélgica, Espanha e Brasil conseguem igualmente atrair um número muito significativo de adeptos aos estabelecimentos da cidade.”

Litoralgarve – E em relação a jogos de outras seleções, como tem sido o movimento, a afluência? Quais as seleções que proporcionam mais consumo a bares, pastelarias, snack-bares, cafés e restaurantes?

Ângelo Mariano – Embora os jogos da Seleção Portuguesa sejam claramente aqueles que geram maior impacto junto da população residente, Lagos possui uma realidade muito própria devido ao elevado número de turistas internacionais.

Assim, jogos envolvendo seleções como Inglaterra, Irlanda, Países Baixos, Alemanha, França, Bélgica, Espanha e Brasil conseguem igualmente atrair um número muito significativo de adeptos aos estabelecimentos da cidade.

Os turistas procuram, frequentemente, locais onde possam assistir aos jogos dos seus países, contribuindo para uma ocupação praticamente total de muitos bares e restaurantes. Esta diversidade de nacionalidades faz com que praticamente em todos os dias do Campeonato do Mundo exista movimento relevante nos estabelecimentos aderentes.

“Poderia ser equacionada uma maior dinamização cultural paralela aos jogos, através da organização de animação de rua, música ao vivo, iniciativas gastronómicas e campanhas de promoção do comércio tradicional.”

“Outro aspeto importante passa pela melhoria contínua da limpeza urbana, da gestão do estacionamento, da mobilidade pedonal e da sinalização turística.”

“A aposta em campanhas de promoção internacional também poderá contribuir para consolidar Lagos como um destino privilegiado para acompanhar grandes eventos desportivos.”

Litoralgarve – O que poderá ser melhorado a este nível?

Ângelo Mariano – Existe sempre margem para melhorar. Seria importante reforçar ainda mais a articulação entre comerciantes, autarquia, forças de segurança e entidades representativas do comércio. Poderia, igualmente, ser equacionada uma maior dinamização cultural paralela aos jogos, através da organização de animação de rua, música ao vivo, iniciativas gastronómicas e campanhas de promoção do comércio tradicional.

Outro aspeto importante passa pela melhoria contínua da limpeza urbana, da gestão do estacionamento, da mobilidade pedonal e da sinalização turística. A aposta em campanhas de promoção internacional também poderá contribuir para consolidar Lagos como um destino privilegiado para acompanhar grandes eventos desportivos.

Litoralgarve – Quais são as nacionalidades que mais movimento proporcionam?

Ângelo Mariano – Historicamente, os turistas britânicos continuam a representar um dos mercados mais importantes para Lagos. Seguem-se turistas provenientes da Irlanda, Alemanha, França, Países Baixos, Bélgica, Espanha e diversos países escandinavos. Nos últimos anos, tem igualmente aumentado o número de visitantes oriundos dos Estados Unidos da América e do Canadá.

Esta diversidade internacional traduz-se numa procura muito consistente pelos estabelecimentos de restauração e bebidas durante os grandes eventos desportivos.

“O Centro Histórico de Lagos continua a concentrar a maior parte do movimento. Praças, ruas pedonais, bares e restaurantes localizados junto às muralhas, à Praça Gil Eanes e às principais artérias comerciais tornam-se pontos privilegiados de encontro.”

Litoralgarve – E quais as zonas com maior afluência de público?

Ângelo Mariano – O Centro Histórico de Lagos continua a concentrar a maior parte do movimento. Praças, ruas pedonais, bares e restaurantes localizados junto às muralhas, à Praça Gil Eannes e às principais artérias comerciais tornam-se pontos privilegiados de encontro. Também a zona da Avenida dos Descobrimentos, a Marina de Lagos e alguns estabelecimentos situados junto às praias registam uma afluência bastante significativa.

No concelho de Vila do Bispo, “os estabelecimentos de Sagres, Salema e Burgau recebem um elevado número de turistas internacionais, muitos dos quais procuram acompanhar os jogos em ambiente descontraído. Os empresários adaptam, igualmente, os seus horários e reforçam os serviços sempre que necessário.”

Litoralgarve – O que se passa no concelho de Vila do Bispo, com este Mundial de Futebol?

Ângelo Mariano – Embora possua uma dimensão bastante inferior à de Lagos, Vila do Bispo beneficia igualmente do aumento da procura durante o Campeonato do Mundo.

Os estabelecimentos de Sagres, Salema e Burgau recebem um elevado número de turistas internacionais, muitos dos quais procuram acompanhar os jogos em ambiente descontraído. Os empresários adaptam, igualmente, os seus horários e reforçam os serviços sempre que necessário.

Os bares e restaurantes das zonas da Arrifana, Monte Clérigo e Odeceixe, no concelho de Aljezur, “conseguem também beneficiar significativamente dos jogos do Mundial, especialmente quando participam seleções com forte representação entre os turistas presentes. Existe igualmente uma forte componente de convívio”, também devido ao ‘surf’ e à natureza.

Litoralgarve – E no concelho de Aljezur?

Ângelo Mariano – Aljezur apresenta uma realidade muito interessante, sobretudo devido ao turismo ligado ao surf e à natureza. Localidades como Arrifana, Monte Clérigo e Odeceixe recebem milhares de visitantes durante o Verão.

Os bares e restaurantes destas zonas conseguem também beneficiar significativamente dos jogos do Mundial, especialmente quando participam seleções com forte representação entre os turistas presentes. Existe igualmente uma forte componente de convívio internacional que distingue Aljezur de muitos outros destinos turísticos.

No jogo Portugal-Espanha, “espera-se uma ocupação muito elevada dos bares, cafés, pastelarias e restaurantes, com transmissão do encontro, particularmente em Lagos. Os empresários prepararam-se antecipadamente para esta partida, reforçando equipas, abastecimentos e equipamentos audiovisuais.”

“Acreditamos que será uma excelente oportunidade para o comércio local aumentar a sua faturação e, simultaneamente, proporcionar um ambiente de festa, convívio e promoção turística.”

“O facto de o jogo decorrer a partir das 20h00 facilita igualmente uma maior participação das famílias e dos visitantes, potenciando o consumo na restauração antes, durante e após o encontro.”

Litoralgarve – Como perspectiva, a este nível, o jogo Portugal-Espanha, nesta segunda-feira, dia 6 de Julho de 2026, a partir das 20h00?

Ângelo Mariano – Trata-se, sem dúvida, de um dos jogos mais aguardados deste Campeonato do Mundo. Portugal e Espanha protagonizam uma das rivalidades mais emblemáticas do futebol europeu, despertando enorme interesse tanto junto dos portugueses, como dos milhares de turistas espanhóis que se encontram atualmente no Algarve.

Espera-se uma ocupação muito elevada dos bares, cafés, pastelarias e restaurantes, com transmissão do encontro, particularmente em Lagos. Os empresários prepararam-se antecipadamente para esta partida, reforçando equipas, abastecimentos e equipamentos audiovisuais.

Acreditamos que será uma excelente oportunidade para o comércio local aumentar a sua faturação e, simultaneamente, proporcionar um ambiente de festa, convívio e promoção turística. O facto de o jogo decorrer a partir das 20h00 facilita igualmente uma maior participação das famílias e dos visitantes, potenciando o consumo na restauração antes, durante e após o encontro.

“Grandes competições desportivas como o Campeonato do Mundo vão muito além do futebol”

“Constituem momentos de enorme importância económica, social e turística para os nossos concelhos. O comércio local, a restauração, os cafés, bares, pastelarias e restantes atividades económicas beneficiam diretamente desta dinâmica, contribuindo simultaneamente para criar uma experiência positiva para quem nos visita.”

A concluir, Ângelo Mariano, coordenador da Associação do Comércio e Serviços da Região do Algarve (ACRAL), nos concelhos de Lagos, Vila do Bispo e Aljezur, aproveita para deixar mais mensagens:

– Gostaria ainda de sublinhar que grandes competições desportivas como o Campeonato do Mundo vão muito além do futebol. Constituem momentos de enorme importância económica, social e turística para os nossos concelhos. O comércio local, a restauração, os cafés, bares, pastelarias e restantes atividades económicas beneficiam diretamente desta dinâmica, contribuindo simultaneamente para criar uma experiência positiva para quem nos visita.

A ACRAL continuará a acompanhar os empresários dos concelhos de Lagos, Vila do Bispo e Aljezur, defendendo medidas que promovam o comércio tradicional, incentivem a economia local e reforcem a atratividade destes territórios.

Estamos convictos de que Lagos continuará a afirmar-se como uma referência turística nacional e internacional, onde a qualidade da oferta comercial, a hospitalidade dos empresários, o dinamismo do Centro Histórico e o reforço da segurança, contribuem para oferecer uma experiência cada vez mais positiva a residentes e visitantes.