É esta a convicção expressa, ao ‘Litoralgarve, por Hélder Costa, de 64 anos, funcionário comercial e residente em Portimão, com quem falámos ao telefone. “Quem manda no futebol são os empresários, as grandes marcas, os patrocinadores, a publicidade. É tudo um negócio. O estatuto de Ronaldo fala mais alto”, lamenta.
Na Rua da Porta de Portugal, em Lagos, onde acompanhámos o empate a zero entre a Colômbia e Portugal, mais de duas centenas de populares ‘puxaram’ pela selecção das ‘quinas’, frente a um ecrã gigante instalado por cima da gelataria e pastelaria Taquelim Gonçalves. Numa madrugada fresca, um amplo lenço com as cores da bandeira nacional serviu de agasalho para algumas pessoas.
Não faltaram críticas a Cristiano Ronaldo e alívio pela actuação da defesa portuguesa e do guarda-redes Diogo Costa. Agora, aguarda-se com expectativa o jogo contra à Croácia. Mas muitos já admitem que a selecção comandada por Roberto Martínez não vai longe neste Mundial de Futebol.
José Manuel Oliveira
Madrugada de domingo, 28 de Junho de 2026 – 00h.30m. Na Rua da Porta de Portugal, em Lagos, mais de duas centenas de pessoas, na sua maioria de pé, assistem pelo ecrã gigante instalado por cima da pastelaria e gelataria Taquelim Gonçalves, ao início do jogo Colômbia-Portugal a contar para a terceira e última jornada da fase de grupos K do Campeonato do Mundo de Futebol 2026, em Miami, nos Unidos da América.
Entre os edifícios dos CTT e da MEO, as fontes, os bancos de madeira e aquele estabelecimento ligado ao sector da restauração, ouvem-se apitos, cornetas, palmas e gritos de incentivo à selecção comandada pelo técnico espanhol Roberto Martínez, bem como sons de alívio perante remates falhados à baliza portuguesa por parte de jogadores colombianos e intervenções da defesa portuguesa e do guarda-redes Diogo Costa. Enquanto o jogo decorre, vários populares decidem ir buscar cadeiras à esplanada de um restaurante, já encerrado àquela hora, e sentam-se a poucos metros da pastelaria e gelataria Taquelim, para melhor poderem acompanhar a transmissão televisiva. O intervalo chega, com um misto de alívio e frustração. Muitos pensavam que Portugal já estaria a vencer; outros admitem o nulo como lisonjeiro.
“Portugal é boom! Portugal vai ganhar!” – cantam várias raparigas, de origem africana, algumas delas sentadas num banco de madeira a poucos metros dos CTT de Lagos, na Rua da Porta de Portugal
Durante a segunda parte, várias raparigas, de origem africana, algumas delas sentadas num banco de madeira, a poucos metros dos CTT, vão cantando: “Portugal é boom! Portugal vai ganhar!” Pelo meio, veem-se camisolas com o nome de Ronaldo e junto ao edifício da MEO um homem segura, timidamente, uma pequena bandeira de Portugal.
Numa noite fresca, um amplo lenço com as cores da bandeira nacional até serve de agasalho para algumas pessoas. Outras passam no local, indiferentes ao jogo Colômbia-Portugal. Um homem, numa trotinete, decide atravessar a Rua da Porta de Portugal, desde a Praça Gil Eannes, a poucos metros, e em direcção à zona onde se situa o Mercado da Avenida, mesmo junto a pessoas, colocando-as em risco de segurança, como de resto é um hábito diário, a qualquer hora, para muitos condutores daquele veículo, mesmo perante as autoridades policiais num espaço pedonal.
Entra em campo Rafael Leão, ouvem-se aplausos e alguém grita: “Agora é que é!”

Palmas para o árbitro ao anular o golo da Colômbia, perto do final, com o apoio do VAR, por fora-de-jogo
Enquanto já se viam alguns bocejos, um homem sai com uma criança para fora da zona onde ainda muitos populares assistem ao futebol. Rafael Leão entra em campo, substituindo João Félix, e ouvem-se aplausos. “Agora é que é!” – grita alguém. Quando a equipa portuguesa procurava o contra-ataque, não faltavam incentivos e sinais de esperança. “Ehhhh!” Mas perante os sucessivos ataques dos colombianos, quem estava naquela zona da Rua da Porta de Portugal evidenciava sinais de nervosismo. “Ohhhh!” O golo obtido, já no tempo de compensação (90+1m.) por Davinson Sánchez, entretanto anulado pelo árbitro Alireza, nascido no Irão e de nacionalidade australiana (com o apoio do VAR – videoárbitro, devido à posição de fora-de-jogo milimétrica em que o jogador da Colômbia se encontrava) mereceu fortes aplausos entre muitas das pessoas que ainda se encontravam a ver o jogo.
Com o empate a zero, no final, a desilusão era evidente. “O Ronaldo não jogou nada ”, desabafa um homem, que passava junto à esplanada da pastelaria-gelataria Taquelim Gonçalves, onde vários clientes acompanharam, através de outro ecrã, de menores dimensões, a este jogo de futebol da terceira e última jornada do Grupo K, a contar para a fase final do Mundial de 2026, no qual a selecção colombiana garantiu o primeiro lugar, ficando Portugal em segundo.
Populares deixam espalhados copos de plástico cerveja, de refrigerantes e até restos de bolos, nomeadamente de chocolate
Por vários espaços vêem-se espalhados, sobretudo, copos de plástico de cerveja, de refrigerantes e até restos de bolos, nomeadamente de chocolate. Lixo é o que não falta.
Mesmo após o jogo, ainda há clientes na pastelaria e gelataria Taquelim Gonçalves, enquanto muita gente começa a sair da Rua da Porta de Portugal, com ar de fadiga e, naturalmente, de regresso a casa.
Hélder Costa: “Portugal teve sorte de não perder frente à Colômbia e o empate a zero foi positivo, com a actuação da defesa e uma boa exibição do guarda-redes Diogo Costa, que está próximo de se transferir do Porto para outro grande clube europeu, com os milhões de euros que essa situação implica.”
Em Portimão, Hélder Costa, funcionário comercial, viu o jogo Colômbia-Portugal, no seu apartamento, com o filho, de 20 anos, e com dois amigos que o mesmo convidou, de 19 e 20. “Eles, os três jovens, viveram o jogo com muita intensidade, sempre à espera que a selecção portuguesa marcasse um golo por Cristiano Ronaldo. Sabem pouco de futebol, só vêem o Ronaldo e não conhecem outros jogadores, nem os meios, bastidores, que envolvem este desporto. Passei a maior parte do jogo a dar-lhes informações sobre como se processam as coisas no futebol, pois já fui dirigente desportivo num clube dos ‘distritais’ no Algarve e sei como é que as coisas funcionam, mesmo a este nível, com empresários e outras situações”, conta, ao ‘Litoralgarve’, Hélder Costa.
E, sem papas na língua, sublinha: “Portugal teve sorte por não perder frente à Colômbia e o empate a zero foi positivo, devido à actuação da defesa e a uma boa exibição do guarda-redes Diogo Costa, que está próximo de se transferir do Porto para outro grande clube europeu, com os milhões de euros que essa situação implica. Jogámos com menos um jogador em campo, como os ingleses dizem, numa referência a Cristiano Ronaldo. Mas ele tem de ser sempre titular na selecção, quer jogue bem ou mal e mesmo sem marcar golos, pois continua um jogador muito valioso em termos financeiros. É certo que, de um momento para o outro, num simples lance, pode dar a vitória à equipa, mas o mais importante para ele jogar sempre é o poder do dinheiro a nível mundial, os milhões que gera. Quem manda no futebol são os empresários e as grandes marcas, os patrocinadores, a publicidade. É tudo um negócio. O estatuto do Cristiano Ronaldo é o que fala mais alto. E é muito difícil contrariar isso, mesmo que ele não esteja a render o necessário em campo e outros jogadores o possam substituir e marcar golos.”
“O futebol continua a ser cada vez mais um negócio, comandando pelo poder de empresários, com manobras de bastidores, e por isso um treinador não pode mexer na equipa como entende, tirando o Cristiano Ronaldo, pois os patrocinadores é que mandam.”
“Foi tudo isto que tive de explicar ao meu filho e aos dois amigos que ele trouxe à nossa casa.”
Depois de uma breve pausa, Hélder Costa reforça: “O futebol continua a ser cada vez mais um negócio, comandando pelo poder de empresários, com manobras de bastidores, e por isso um treinador não pode mexer na equipa como entende, tirando o Cristiano Ronaldo, pois os patrocinadores é que mandam. Foi tudo isto que tive de explicar ao meu filho e aos dois amigos que ele trouxe à nossa casa.”
Após reconhecer que, no jogo Colômbia-Portugal, a equipa sul-americana “merecia ganhar, tenho de ser realista” e que a selecção comandada pelo técnico Roberto Martínez “defendeu-se como pôde”, Hélder Costa, de 64 anos, diz: “Nesta fase final do Mundial de 2026, além da Colômbia, o nosso país fez parte de um grupo, com a Republica Democrática do Congo e o Uzbequistão. Se o empate a um golo contra o Congo pode considerar-se bastante surpreendente, a vitória por 5-0 frente ao Uzbequistão foi normal, dada a fraca capacidade desta equipa da Ásia.”
Contra a Croácia, “se a exibição da equipa for igual ou semelhante à realizada contra a Colômbia, Portugal não vai longe.”
No próximo jogo, para os 16 avos de final, agora a eliminar, perante a Croácia, Hélder Costa não tem dúvidas de que “se a exibição da equipa for igual ou semelhante à realizada contra a Colômbia, Portugal não vai longe.” “Cristiano Ronaldo – antevê – terá de continuar como titular, o seleccionador a esse nível não pode mexer, pois o poder financeiro, das marcas, dos patrocinadores e empresários, como já disse, é que manda no futebol e na nossa selecção.”
Frente à Colômbia, “o Cristiano Ronaldo, na segunda parte, não se viu e a sorte é o guarda-redes Diogo Costa não ter sofrido golos. De resto, foi o melhor jogador em campo” – Assildo Duarte, empresário e residente em Budens, no concelho de Vila do Bispo
“Deixar João Neves, de início no banco, não lembraria a ninguém. Ele devia ter sido titular.”
“O treinador não sabe mexer na equipa.”

Portugal – Croácia? “Não me aquece, nem me arrefece…”
Na sua moradia situada na localidade de Budens, no concelho de Vila do Bispo, Assildo Duarte, empresário de restauração e hotelaria, não poupa críticas ao seleccionador português, Roberto Martínez, por considerar que “o treinador não sabe mexer na equipa.” “O Cristiano Ronaldo, na segunda parte, não se viu e a sorte é o guarda-redes Diogo Costa não ter sofrido golos. De resto, foi o melhor jogador em campo. Por outro lado, o treinador deixar João Neves, de início no banco, não lembraria a ninguém. Ele devia ter sido titular”, observa, ao ‘Litoralgarve’, aquele empresário algarvio. “Com este treinador, não acredito que Portugal vá longe” no Campeonato do Mundo de Futebol 2026, adianta.
E o jogo frente à selecção da Croácia, agora na fase a eliminar e que para muitos representa o verdadeiro Mundial? “Não me aquece, nem me arrefece…”, reage Assildo Duarte, notando, mesmo assim, que “se Portugal não mudar, não vencerá.”
Luís Miguel Paixão, vice-presidente da Câmara Municipal de Vila do Bispo, em Miami: “Vi muitos portugueses desiludidos nas bancadas do estádio e também no exterior, estavam muitos fãs de Ronaldo, mesmo da Colômbia, mas o que interessa é que não houve desacatos entre adeptos. Pelo menos a esse nível correu tudo bem.”
Por sua vez, Luís Miguel Paixão, vice-presidente da Câmara Municipal de Vila do Bispo, garantiu-nos “não” se sentir desiludido pelo empate a zero de Portugal contra a Colômbia, que impediu à selecção das ‘quinas’ a conquista do primeiro lugar no grupo K da fase de grupos do Campeonato do Mundo de Futebol 2026, que está a decorrer nos Estados Unidos da América, no Canadá e no México.
“Vim a Miami ver o jogo e esperava que corresse melhor para Portugal. Mas a equipa esteve muito parada. Vi muitos portugueses desiludidos nas bancadas do estádio e também no exterior, estavam muitos fãs de Ronaldo, mesmo da Colômbia, mas o que interessa é que não houve desacatos entre adeptos. Pelo menos a esse nível correu tudo bem”, afirma, ao nosso Jornal, Luís Paixão, já “no aeroporto”, a seguir ao jogo, para regressar a Portugal.
Fernando Santana, presidente da Junta de Freguesia de Sagres, do concelho de Vila do Bispo: “Os homens não são máquinas”
“O Bruno Fernandes, ao serviço do Manchester United, foi considerado o melhor jogador em Inglaterra, tem quilómetros nas pernas e anda a arrastar-se na selecção de Portugal.”
“O futebol é uma máquina de fazer dinheiro.”
Já Fernando Santana, presidente da Junta de Freguesia de Sagres, do concelho de Vila do Bispo, reconhece, ao nosso Jornal, que “os homens não são máquinas”. “O Bruno Fernandes, ao serviço do Manchester United, foi considerado o melhor jogador em Inglaterra, tem quilómetros nas pernas e anda a arrastar-se na selecção de Portugal”, observa este autarca algarvio, para quem o futebol “é uma máquina de fazer dinheiro, com televisões e empresários.”
Em Sagres, “é bastante positivo para a economia local” haver “bares cheios de clientes” a ver jogos de futebol
Também na vila de Sagres, não tem faltado movimento durante os jogos da fase final do Campeonato do Mundo de Futebol de 2026, com “bares cheios de clientes, o que é bastante positivo para a economia local.”
“Agora para o jogo da nossa selecção frente à da Croácia, coloco um ponto de interrogação. Vamos aguardar…”
“Não sou treinador, não percebo de equipas, mas penso que a Colômbia foi melhor do que Portugal. Agora para o jogo da nossa selecção frente à da Croácia, coloco um ponto de interrogação. Vamos aguardar…”, conclui o presidente da Junta de Freguesia de Sagres, expectante quanto à passagem do conjunto das ‘quinas’ aos oitavos-de-final deste Mundial de Futebol.










