Movimento cívico reúne-se em Lagos contra projetos hoteleiros na Meia Praia

O movimento “Salvar a Meia Praia” convocou uma concentração para esta quarta-feira, 19 de agosto, às 14h00, junto aos Paços do Concelho de Lagos. O grupo exige transparência nos processos urbanísticos e avaliações ambientais atualizadas para os empreendimentos hoteleiros previstos nas Dunas Douradas.

Após a concentração, os participantes pretendem assistir à reunião ordinária da Câmara Municipal de Lagos e apresentar declarações durante o período destinado à intervenção do público.

O movimento, formado por residentes do concelho e constituído integralmente por voluntários, manifesta preocupação com os projetos hoteleiros previstos para uma zona dunar que considera ambientalmente sensível.

“Esta questão vai muito além de um único projeto. Trata-se de saber se decisões que afetam uma zona costeira protegida e valorizada pelo público estão a ser tomadas de forma transparente, com base no conhecimento científico atual e colocando firmemente o interesse público no centro”, afirma Becca Williams, membro do grupo.

A comissão de cidadãos reivindica o acesso público aos processos de planeamento, para que a população possa conhecer as propostas e analisar os procedimentos realizados até ao momento.

O movimento defende também que não sejam emitidas licenças de construção sem a realização das avaliações necessárias e o cumprimento da legislação ambiental atualmente em vigor. Segundo o comunicado divulgado pelo grupo, o planeamento inicial e eventuais autorizações remontarão a 1988.

“Não somos contra o desenvolvimento. Somos contra um desenvolvimento que aconteça à custa das dunas, do ambiente e do futuro da Meia Praia. Quando estes ecossistemas frágeis desaparecerem, nenhuma quantia de dinheiro poderá recuperá-los”, sustenta Graça Bastos, também integrante do movimento.

Para fundamentar as preocupações com o litoral, o grupo cita um relatório da Greenpeace Portugal que estima que 40% das praias algarvias poderão estar em risco de desaparecer até 2100, caso não sejam adotadas medidas urgentes de adaptação.

A iniciativa pretende chamar a atenção para o impacto dos empreendimentos sobre as dunas e incentivar o envolvimento dos cidadãos nas decisões relacionadas com o futuro da Meia Praia.

🇬🇧 Civic movement gathers in Lagos over proposed Meia Praia hotel developments

The “Save Meia Praia” movement has called a gathering for Wednesday, 19 August, at 2:00 pm, outside Lagos Town Hall. The group is demanding transparency in the planning process and updated environmental assessments for the hotel developments proposed for the Dunas Douradas area.

Following the gathering, participants plan to attend the regular meeting of Lagos Municipal Council and deliver statements during the public participation period.

The movement, formed by local residents and run entirely by volunteers, has expressed concern about the hotel developments planned for what it describes as an environmentally sensitive dune system.

“This goes far beyond a single project. It is about whether decisions affecting a protected and publicly valued coastline are being made transparently, based on current scientific knowledge and with the public interest firmly at the centre,” said group member Becca Williams.

The citizens’ committee is calling for public access to the planning files so that residents can understand the proposals and review the procedures followed to date.

The movement also argues that no construction permits should be issued without the necessary assessments and full compliance with current environmental legislation. According to the group’s press release, the original planning process and any associated permissions may date back to 1988.

“We are not against development. We are against development that comes at the expense of Meia Praia’s dunes, environment and future. Once these fragile ecosystems are gone, no amount of money can bring them back,” said fellow group member Graça Bastos.

To support its concerns about the coastline, the movement cites a Greenpeace Portugal report estimating that 40% of Algarve beaches could be at risk of disappearing by 2100 unless urgent adaptation measures are introduced.

The initiative aims to draw attention to the potential impact of the developments on the dunes and encourage greater public involvement in decisions concerning the future of Meia Praia.