Morreu Luís Represas, voz marcante da música portuguesa

Cantor e compositor, que se destacou nos Trovante e construiu uma extensa carreira a solo, morreu aos 69 anos, vítima de doença prolongada.

O cantor e compositor Luís Represas morreu esta quarta-feira, 22 de julho, aos 69 anos. A morte foi confirmada pela agência que representava o músico, segundo a qual o artista foi vítima de doença prolongada.

Nascido em Lisboa, a 24 de novembro de 1956, Luís Represas iniciou o seu percurso profissional em 1976, ano em que fundou os Trovante. O grupo tornou-se uma das principais referências da música popular portuguesa no período posterior ao 25 de Abril, dando voz a temas que atravessaram gerações, como “Perdidamente”, “125 Azul” e “Timor”.

Após o fim dos Trovante, em 1992, Represas iniciou uma bem-sucedida carreira a solo. No ano seguinte lançou o álbum Represas, marcado pela aproximação à música latino-americana e pela colaboração com o cantautor cubano Pablo Milanés. Desse encontro nasceu “Feiticeira”, uma das canções mais reconhecidas do seu repertório.

Ao longo de cinco décadas, o músico colaborou com artistas de Portugal, do Brasil, de Cuba e dos países africanos de língua portuguesa. A sua discografia inclui trabalhos como Cumplicidades, Fora de Mão, Olhos nos Olhos, Boa Hora e Miragem, editado em 2024.

A morte acontece no ano em que Luís Represas assinalava 50 anos de carreira. Estavam também previstos concertos comemorativos nos coliseus de Lisboa e do Porto, em abril de 2027.

As primeiras homenagens destacaram a importância do músico para a cultura portuguesa. O primeiro-ministro, Luís Montenegro, considerou Represas uma das maiores referências musicais do país e afirmou que o seu legado permanecerá através das canções que marcaram várias gerações.

Luís Represas deixa uma obra profundamente ligada à língua portuguesa, à liberdade e ao diálogo entre culturas. Cala-se a voz do cantor, mas permanecem as palavras e melodias de um percurso incontornável da música nacional.