Mais de 4.000 pessoas assistiram ao desfile dos carros alegóricos no 30º. aniversário do Carnaval de Odiáxere, na Terça-Feira de Entrudo, onde o cantor Saúl Ricardo foi o rei e Luís Bandarra, criador do evento, homenageado

Desta vez, não choveu, o que permitiu uma tarde animada para muita gente. Carros em representação de Bensafrim, Barão de São João, Espiche, do Chinicato e de Odiáxere, levam populares a dizer que “este já se pode considerar um Carnaval do concelho de Lagos”.

José Manuel Oliveira

“Baaariii! Baaariii! Baaariii”

Baaaruuu! Baaaruuu! Baaaruuu!”

No seu estilo habitual, o músico Humberto Silva, num dos carros alegóricos, a tocar piano e a cantar, com o apoio de três bailarinas e um outro cantor, ia puxando pelo público que assistia ao desfile do corso no Carnaval de Odiáxere, no Largo da Alegria, nesta vila do concelho de Lagos, na tarde de terça-feira de Entrudo, dia 17 de Fevereiro de 2026. A pé, seguiam 15 figurantes a dançar.

O elogio de um popular, rendido ao conhecido músico: “O Humberto Silva é animação por onde passa! O resto é conversa”

“O Humberto Silva é animação por onde passa! O resto é conversa. Ele é que é o verdadeiro rei deste Carnaval de Odiáxere”, elogiava José Messias, em declarações à nossa reportagem. Ao mesmo tempo, não escondia a sua satisfação pelo facto de ver carros alegóricos em representação de “Bensafrim, Barão de São João, Espiche, do Chinicato e de Odiáxere”, como anotava, pelo que “este já se pode considerar um Carnaval do concelho de Lagos”, observava, orgulhoso. Mas não era o único o popular a destacar a situação. Uma senhora também enaltecia o que via: “São todos muito bonitos, estão bem ornamentados, o que revela muito trabalho. Mas não me pergunte qual é o melhor carro.”

Num dia em que o São Pedro, o mítico deus da chuva, decidiu entrar de folga (ao contrário do ano passado, em que choveu, obrigando então à paragem do corso por vários minutos), o céu esteve nublado e a temperatura atingiu treze graus centígrados ao início da noite, o que permitiu a presença de “mais de quatro mil pessoas” no Largo da Alegria, apurou o ‘Litoralgarve’ junto da organização do Carnaval, como habitualmente a cargo do Clube Desportivo de Odiáxere, com o apoio da Junta de Freguesia, do comércio local e da Câmara Municipal de Lagos.

“Trinta anos depois (dois anos sem edição por via da COVID), o Carnaval de Odiáxere continua a ser memória, identidade e futuro – uma festa feita com pessoas, para pessoas, histórias e tradição, onde todos são convidados a sair à rua e a celebrar”, referiu, a concluir, Luís Bandarra, num texto publicado na revista do Clube Desportivo de Odiáxere, dedicada a este evento

Neste ano, foi assinalado o 30º. aniversário do evento, tendo a organização aproveitado para prestar homenagem a Luís Bandarra, vereador da Câmara Municipal de Lagos e que é considerado por muita gente o “fundador do Carnaval de Odiáxere”. Isto, porque, em 1996, juntamente com outros dirigentes do Clube Desportivo de Odiáxere, decidiu dar os primeiros passos na realização do evento, a fim de garantir receitas para combater as dificuldades financeiras que a colectividade enfrentava. Agora, Luís Bandarra recebeu uma ampla placa com imagens do seu rosto, que lhe foi entregue junto ao palco, instalado no Largo da Alegria, pelo atual presidente da Direção do Clube Desportivo de Odiáxere, Rui Santos. “Trinta anos depois (dois anos sem edição por via da COVID), o Carnaval de Odiáxere continua a ser memória, identidade e futuro – uma festa feita com pessoas, para pessoas, histórias e tradição, onde todos são convidados a sair à rua e a celebrar”, referiu, a concluir, Luís Bandarra, num texto publicado na revista do Clube Desportivo de Odiáxere, dedicada a este evento e na qual surge na capa a sua fotografia, com chapéu, laço e outros trajes carnavalescos, segurando um microfone através do qual sempre apresentou o espectáculo aos foliões.

“É o carro mais vistoso”, notou, encantado, um popular, ao ver aquilo que representa o ‘bolo’ de aniversário dos 30 anos do Carnaval de Odiáxere, com copos para champanhe. “E até me abre o apetite…”

Para festejar o aniversário, o clube organizador apresentou, numa das suas viaturas – a principal – neste corso, aquilo que representava um amplo ‘bolo’, com velas e copos para champanhe. Flores azuis e brancas embelezavam o cenário dos 30 anos do Carnaval de Odiáxere, além de outros ornamentos e a expressão em inglês «Happy Birthday». Ou seja, Feliz Aniversário.

“É o carro mais vistoso”, notou, encantado, um popular. “E até me abre o apetite…”, ironizou, numa alusão ao ‘bolo’ de aniversário. Enquanto isso, 13 figurantes com cabeleiras cor-de-rosa desfilavam a pé atrás do carro do Clube Desportivo de Odiáxere.

«Sem dinheiro e sem cueca» é o que se podia ler no carro, em que seguia o Rei do Carnaval de Odiáxere 2026, Saúl Ricardo

«Sem dinheiro e sem cueca» é o que se podia ler no carro onde seguia o Rei do Carnaval de Odiáxere 2026, Saúl Ricardo. Mais à frente, um tractor puxava um reboque, no qual um homem, com penas, dançava junto a um arco vermelho e luzes em sinal de pisca-pisca. E mais de vinte figurantes acompanhavam, a pé, a viatura.

Num outro carro alegórico, um homem e uma mulher dançavam, exibindo vistosas penas. A pé, quinze pessoas, algumas a tocar tambores, também dançavam para animar a festa.

O que despertava igualmente a atenção do público era o carro do circo, o «Carnival Well Come’, bastante colorido, com vários bonecos, representando nomeadamente um palhaço, uma girafa, um leão, um macaco e um tigre. Um carro com fruta e outro com um barco também entraram nos festejos. No chão, ao longo do recinto, estavam espalhados papelinhos e serpentinas.

Pelas 17h00, o cortejo parou durante cerca de quinze minutos e alguns dos figurantes até aproveitaram para se refrescarem, bebendo cerveja. “Um problema técnico num dos carros” foi a justificação dada ao ‘Litoralgarve’ por Tânia Bandarrinha, da organização do Carnaval de Odiáxere. “Há sempre problemas…”, desabafou.

Enquanto isso, num pequeno carrinho do tipo de compras que se vê nos supermercados, empurrado por uma jovem, lia-se «Desalvorados» e «Paga 2, leva 1». Vários foliões exibiam pneus em redor da cintura. Já uma rapariga, com um boné exibindo um símbolo da polícia e segurando algemas, levava um rapaz pela mão… em sinal de amor.

Vendedor de farturas e filhoses, ao ‘Litoralgarve’ sobre o negócio no seu stand: “Bom? Só hoje [terça-feira de Carnaval]. Nos outros dias, não. E as despesas, são muitas.”

Numa altura em que muitas pessoas assistiam ao desfile dos carros alegóricos, várias crianças, sob a supervisão de adultos e responsáveis por equipamentos de diversão, utilizavam o carrossel, o insuflável e os elásticos instalados junto ao moinho, no Largo da Alegria. Em redor do recinto, não faltava clientela em standes de comes e bebes. Perto do palco, onde decorreram os espectáculos musicais, quando questionámos um vendedor de farturas e filhoses se o negócio estava a ser bom, respondeu-nos: “Bom? Só hoje [terça-feira de Carnaval – n.d.r]. Nos outros dias, não. E as despesas, são muitas”.

Em várias zonas do Largo da Alegria, militares da Guarda Nacional Republicana (GNR) e elementos da Cruz Vermelha Portuguesa garantiram a segurança de quem se encontrava no recinto.

Treze carros alegóricos, parte dos quais de várias localidades do concelho de Lagos e de famílias históricas do Carnaval de Odiáxere

Segundo indicou ao ‘Litoralgarve’ Tânia Bandarrinha, no total participaram 13 carros alegóricos nesta 30ª. edição do Carnaval de Odiáxere. Além do clube organizador, do Rei do Carnaval – Saúl Ribeiro – de Humberto Silva, como já referimos, associaram-se ao evento o Grupo dos Amigos do Chinicato, ABC Espichense, Barão de São João, Bensafrim, a Santa Casa da Misericórdia de Lagos, o Centro Infantil de Odiáxere, o Clube de Cultura e Desporto dos Trabalhadores da Câmara Municipal de Lagos, a Família Santos, Família Albano, Família Lázaro (famílias históricas do Carnaval de Odiáxere), além de bailarinas de nacionalidade brasileira, que colaboram há anos no evento, entre outros participantes.

O Rei do Carnaval de Odiáxere, Saúl Ricardo, no palco, a famosa canção «O Bacalhau Quer Alho» e o anúncio de “uma prenda para duas pessoas – uma viagem para casa a pé…”

E até dançou em homenagem aos ranchos folclóricos de Portugal

Depois do desfile, entrou no palco o Rei do Carnaval, o cantor de música tradicional portuguesa Saúl Ricardo (conhecido fã de Quim Barreiros), de 38 anos e natural de São Julião da Figueira da Foz, para o primeiro espectáculo musical na terça-feira de Entrudo, a levar o público ao rubro. Exemplo disso foi a famosa canção «O Bacalhau Quer Alho». A certa altura, entre a expectativa de quem o via, anunciou “uma prenda para duas pessoas – uma viagem para casa a pé…” Não faltaram gargalhadas. E até dançou, e convidou as pessoas a dançar, em homenagem aos ranchos folclóricos de Portugal. Interagiu com o público, com o apoio de uma bailarina e um bailarino, e até se meteu no meio da assistência para cantar e dançar. Pelas 18h55m., Saúl saiu de cena. E pouco depois subiu ao palco Ricardo Glória para animar o público com um baile ao ar livre, no Largo da Alegria. «Cidade Maravilhosa / Coração do Meu Brasil» foi a primeira canção.

Já a partir das 22h00, foi a vez de Humberto Silva e Cláudio Rosário encerrarem as festividades do Entrudo, com um baile na sede do Clube Desportivo de Odiáxere, até cerca das 03h00 da madrugada, bastante animada.

Fotos: Tânia Bandarrinha, rede social ‘Facebook’